Mensageiro Sideral

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Terra e Lua, o casal mais incrível

Por Salvador Nogueira

Uma câmera da Nasa a bordo do sátelite Dscovr, da Noaa (agência de atmosfera e oceanos dos EUA), fez uma sequência de imagens espetaculares do planeta mais famoso do Sistema Solar e sua inseparável companheira. Veja a Lua transitar à frente da Terra, como se você estivesse num camarote a 1,5 milhão de km do nosso mundo.

Câmera EPIC, do satélite Discovr, registra a Lua passando à frente da Terra (Crédito: Nasa)
Câmera EPIC, do satélite Discovr, registra a Lua passando à frente da Terra (Crédito: Nasa)

E, se tiver uma janela perto e ainda estiver de dia, dê tchauzinho para o Dscovr (pronuncia-se “discover”). Ele está bem acima de você, fotografando nosso planeta continuamente de um ponto em que a gravidade da Terra e do Sol se equilibram. Por isso, ele está o tempo todo visualizando o lado iluminado da Terra. Olhe para o céu e, em algum lugar desse vaziozão, a 1,5 milhão de km, lá está ele. (Não tente fazer isso à noite. Nessa hora, o satélite estará fotografando o Japão, onde é dia.)

Duas coisas importantes a dizer dessa imagem: primeiro, a Nasa estuda o espaço, e o espaço inclui a Terra. Sim, é parte da missão da agência espacial americana investigar nosso próprio planeta. O satélite Dscovr é especificamente dedicado a isso e tem como foco pesquisar as transformações (leia-se “mudança climática”) que nosso mundo tem sofrido recentemente. O projeto foi durante muito tempo “empurrado” pelo ex-vice-presidente americano Al Gore, o que rendeu ao satélite o apelido de “Goresat”. Então, nem venha com aquela conversinha de “ah, como gastam dinheiro em coisas inúteis”. É do nosso futuro que eles estão cuidando, pessoal.

E a segunda coisa: quão espetacular é ver o lado afastado da Lua nesse ângulo? Daqui da Terra só vemos o lado próximo, sempre voltado para nós. Mas o lado afastado é interessante (e foi fotografado pela primeira vez em 1959, se não me engano, pela sonda soviética Luna-3). Tem muito menos daquelas bacias escuras (os chamados “mares” lunares, que, naturalmente, não são de água, mas de lava seca), e isso é um genuíno mistério lunar. Por que o lado afastado é diferente? Há possíveis explicações sobre o efeito do calor terrestre sobre a Lua, mas ainda é um caso que merece mais estudos. Temos tanto a aprender. Por isso precisamos ir até lá.

Agora, convenhamos, o que mais impressiona mesmo é a beleza. Nosso pálido ponto azul e sua eterna companheira, enlaçados numa valsa interminável ao redor do Sol.

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