Mensageiro Sideral

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Plutão, seu lindo!

Por Salvador Nogueira

As imagens voltaram a fluir na modorrenta transmissão feita pela sonda New Horizons dos confins do Sistema Solar, e os cientistas estão simplesmente embasbacados. Imagens feitas logo após a aproximação máxima de Plutão, em 14 de julho, revelam o intrigante relevo do planeta anão e dão pistas da existência de um ciclo “hidrológico” por lá, não muito diferente do que se vê na Terra.

Montanhas e planícies de gelo encantam os cientistas. Isto é Plutão. (Crédito: Nasa)
Montanhas e planícies de gelo encantam os cientistas. Isto é Plutão, visto pela New Horizons a 18 mil km de distância. (Crédito: Nasa)

Palavra nenhuma, contudo, é capaz de descrever a beleza da imagem acima (a propósito, clique nela; maior fica ainda mais incrível). Ela revela os montes Norgay e Hillary (em homenagem aos “conquistadores” do cume do Everest) à beira da planície Sputnik (lembrança ao pioneiro satélite artificial) em meio a diversas camadas da atmosfera, com brumas sinuosas a correr muito perto da superfície.

“Além de serem visualmente estonteantes, essas névoas de baixa altitude indicam mudanças meteorológicas que acontecem no dia a dia de Plutão, do mesmo jeito que acontecem na Terra”, disse, em nota, Will Grundy, chefe da equipe de composição de imagens da New Horizons e astrônomo do Observatório Lowell, em Flagstaff (de lá foi descoberto Plutão, em 1930, por Clyde Tombaugh).

E quanto ao tal ciclo “hidrológico”? Bem, não é exatamente hidrológico, porque não envolve água, nem propriamente grandes fluxos de líquido. Ainda assim, diante das temperaturas gélidas de Plutão — ao redor de -240 graus Celsius –, temos um ambiente em que o nitrogênio da atmosfera (mesmo gás que compõe majoritariamente o ar na Terra) pode se condensar em flocos de neve e, em alguns pontos, se tornar quase liquefeito, a ponto de fluir pelo solo.

É um ciclo porque o nitrogênio parece fluir entre os três estados e fazer o mesmo papel que a água faz nas geleiras polares da Terra. “Não esperávamos encontrar pistas de um ciclo glacial baseado em nitrogênio em Plutão”, disse Alan Howard, da equipe de geologia da missão. “Conduzido pela suave luz solar, ele é diretamente comparável ao ciclo hidrológico que alimenta as calotas polares na Terra, onde a água evapora dos oceanos, cai como neve e retorna aos mares por fluxos glaciais.”

“Plutão é surpreendentemente parecido com a Terra nesse quesito, e ninguém havia previsto isso”, completou Alan Stern, o cientista-chefe da missão.

Abaixo, mais algumas novas e embasbacantes imagens. Que missão.

As brumas de Plutão, sobre um solo acidentado e geologicamente rico. Uau. (Crédito: Nasa)
As brumas de Plutão, sobre um solo acidentado e geologicamente rico. Uau. (Crédito: Nasa)
Uma visão geral da planície Sputnik, em Plutão (Crédito: Nasa)
Uma visão geral da planície Sputnik, em Plutão (Crédito: Nasa)
E os fluxos de gelo de nitrogênio indicados no recorte. (Crédito: Nasa)
E os fluxos de gelo de nitrogênio indicados no recorte. (Crédito: Nasa)

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