De volta a ‘De Volta para o Futuro’

Salvador Nogueira

Hoje é 21 de outubro de 2015. Marty McFly está prestes a chegar em Hill Valley, a bordo do DeLorean que o doutor Emmett Brown transformou em uma máquina do tempo em 1985. Já falei, em outra oportunidade, dos acertos e erros da cinessérie “De Volta para o Futuro” em sua tentativa de prever como seria o futuro — que a partir de hoje passa a ser passado para nós. (Clique aqui para ler.) Mas neste momento vou me ater a uma questão mais fundamental (e intrigante): viajar no tempo é possível?

Great Scott! Marty McFly está chegando hoje a 2015, vindo direto de 1985! Pode isso, Arnaldo? (Crédito: Editoria de Arte/Folhapress)
Great Scott! Marty McFly está chegando hoje a 2015, vindo direto de 1985! Pode isso, Arnaldo? (Crédito: Editoria de Arte/Folhapress)

A resposta curta é: claro que sim! O difícil na verdade é não viajar no tempo. Desde que começou a ler este parágrafo, você já viajou cerca de cinco segundos para o futuro. Então, realizar uma viagem na direção do amanhã é o que fazemos o tempo todo.

Agora, se você quer saber se é possível viajar no tempo “pulando” os momentos que se interpõem entre os pontos de partida e de destino, aí a resposta já fica um pouco mais complicada. O que podemos dizer é que, ao menos em teoria, é possível.

Prepare-se para entrar no misterioso — e incrivelmente verificado por experimentos — mundo da teoria da relatividade.

TEMPO E ESPAÇO DE BORRACHA
Uma das coisas mais intrigantes da versão restrita da teoria da relatividade, desenvolvida por Albert Einstein em 1905 (e um pouco antes, embora sem reconhecimento, por Henri Poincaré), é que ela demonstra que espaço e tempo não são fixos e imutáveis, como pressupunha Isaac Newton (e o resto da humanidade) desde o século 17. Na verdade, eles são flexíveis, podem se esticar e se comprimir, dependendo basicamente da velocidade de deslocamento do observador.

E de onde Einstein foi tirar essa ideia louca? Bem, acredite se quiser, mas a inspiração original veio da física experimental. No fim do século 19, alguns pesquisadores estavam tentando demonstrar a existência de um meio material por onde a luz pudesse se propagar. Afinal de contas, se a luz era uma onda — como pareciam sugerir todas as evidências até então –, ela ia precisar de um meio. Até aquele momento, ninguém havia visto uma onda que não precisasse de um. (Imagine uma onda do mar. Como ela se propagaria se não houvesse água? E uma onda sonora? No espaço, onde não há ar, ela não se propaga — exceto em “Star Wars”, mas isso é outra história.)

Então, o pessoal supunha que o espaço fosse permeado por uma substância chamada éter luminífero, que seria o meio de propagação da luz. E a ideia para detectá-lo seria medir a velocidade da luz em diversas direções e comparar as velocidades. Como a Terra também estaria se deslocando pelo éter, dependendo da direção da luz, ela pareceria chegar com mais ou menos velocidade.

É aquela coisa simples e intuitiva: se você está viajando num carro a 60 km/h, e outro carro está vindo na sua direção aos mesmos 60 km/h, você calcula que a aproximação será no ritmo da soma das velocidades: 120 km/h. Da mesma forma, ao se somar a velocidade da luz à da Terra pelo éter, você encontraria variações.

Eis que os experimentos realizados por Albert Michelson e Edward Morley em 1887 revelaram algo absurdo: a luz sempre parecia viajar à mesma velocidade, não importando se você estava se afastando ou se aproximando dela.

Todo mundo pirou com isso. Como podia ser? Se você está viajando a 200 mil km/s, e a luz, na outra direção, está vindo ao seu encontro a 300 mil km/s, o senso comum diria que a medição da velocidade da luz com relação a você seria de 500 mil km/s. Mas não. Na realidade, não importa a que velocidade você se desloca, a luz sempre chega até você a 300 mil km/s. Bizarro.

E fica mais bizarro quando você explora as consequências disso. Foi o que Einstein fez. Imagine que você está numa plataforma observando um trem em movimento com um vagão transparente. Dentro desse vagão, um viajante em repouso aponta um laser na direção de um espelho no chão e mede o tempo que o pulso de luz leva para chegar até o espelho e voltar. Para ele, o percurso da luz foi de uma linha reta, na ida e na volta, e a velocidade que ele mediu na luz foi a esperada: 300 mil km/s.

Pois bem, agora pense no que você, na plataforma em repouso, viu. A luz partiu do laser na mão do viajante, mas antes que chegasse ao espelho, o trem se deslocou um pouco no sentido do seu movimento. O raio de luz, do seu ponto de vista, fez uma trajetória diagonal, atingiu o espelho, e retornou por outra diagonal, na direção do viajante. Ou seja, o percurso que o raio de luz fez, do seu ponto de vista, foi mais longo do que o que o experimentador dentro do vagão do trem mediu. E, no entanto, quando você mede a velocidade da luz, mesmo estando em repouso com relação ao trem, chega ao mesmo número: 300 mil km/s. Moral da história: para as contas fecharem, a luz, sempre à mesma velocidade, teve de viajar mais tempo para você do que para o observador dentro do trem.

Como fazer todo mundo concordar com o que aconteceu e quando? Só tem um jeito. A única maneira de resolver o problema é supor que o tempo se dilata e o espaço se comprime para quem está em movimento, com relação a quem está em repouso. Assim, o tempo passa mais devagar para o sujeito que está no trem, e o espaço se espreme na direção do movimento, para que as contas fechem. A única coisa realmente invariante para todos os observadores é a velocidade da luz. Não por acaso, de início, Einstein quis chamá-la de “teoria da invariância”, colocando ênfase no que realmente é igual para todo mundo — a velocidade da luz. Mas, convenhamos, tão acostumados que estamos ao espaço e ao tempo, é muito mais impressionante focar no que é relativo, ou seja, todo o resto, menos a velocidade da luz.

As equações que ditam essas conversões de tempo e espaço de acordo com o observador foram desenvolvidas por outro físico, Hendrik Lorentz, que no entanto achava que elas eram apenas uma “mágica matemática” para contornar essas dificuldades. Einstein foi mais adiante e, em 1905, sugeriu que o fenômeno era mesmo real. Tempo e espaço variavam de acordo com a velocidade de deslocamento.

DE VOLTA PARA O FUTURO
Certo, você provavelmente já leu mais do que queria sobre isso. Então voltemos ao cerne da questão: como fazemos para ir de 1985 a 2015 pulando 30 anos de existência? Bem, a resposta está na relatividade. Basta você se deslocar com tal velocidade de forma que o tempo passe tão devagar para você que, enquanto, dentro do DeLorean, trascorreram, digamos, três segundos, no mundo lá fora se passaram três décadas.

Para conseguir esse efeito, você precisa estar beeeem depressa. Algo como 99,999999% da velocidade da luz. (Um dos pressupostos da teoria da relatividade é que não é possível viajar mais depressa que a luz, então, não importa quão depressa você vá, sempre será abaixo disso.) Impossível? Não. Mas certamente não será algo fácil de fazer com um capacitor de fluxo e algum plutônio roubado de terroristas líbios.

Agora, as viagens mais incríveis no tempo não são aquelas que vão na direção do futuro — até porque, como já dissemos, rumo ao futuro estamos todos, mas sim com destino ao passado. São o que os físicos chamam, eufemisticamente, de “curvas temporais fechadas”.

Pela relatividade restrita de Einstein — a parte da teoria que trata de objetos em velocidades constantes, mas não em ritmo acelerado ou sob campos gravitacionais –, isso não é possível. Por uma razão muito simples. As equações sugerem que, não importa o quanto você acelere, é impossível atingir a velocidade da luz. A própria luz só consegue fazer isso porque não tem massa. Se tivesse, não teria como. E sabe por quê? Porque um dos efeitos de acelerar é que você ganha massa com isso. Essa é uma das previsões mais incríveis da teoria e que já foi amplamente demonstrada em experimentos.

Como que você acha que o LHC, o grande acelerador de partículas europeu, faz para colidir um único próton com outro e, a partir dessa única colisão, criar toneladas de outras partículas, dentre elas o “pesadíssimo” bóson de Higgs? Acontece que, ao acelerar os prótons com campos magnéticos até velocidades próximas às da luz, eles ganham mais e mais massa. Na colisão, tem tanta massa para ser convertida em energia que há mais do que suficiente para gerar muitas e muitas partículas diferentes.

Certo, até aí, maravilha. Você ganha uns quilinhos ao acelerar. Beleza. Todo mundo passa pelo Natal e pelo Ano Novo, ganha uns quilinhos, e sobrevive para contar a história. Acontece que as equações sugerem algo muito incômodo — quanto mais você acelera, mais depressa você ganha massa, e quanto mais massa você ganha, mais energia você precisa para acelerar cada vez menos. E, adivinhe só, quando você atinge a velocidade da luz, sua massa se torna infinita, o que significa que você precisa de uma quantidade infinita de energia para acelerar mais. Então, na prática, a velocidade da luz é um muro intransponível. Quem está à velocidade da luz (e, de novo, corpos com massa, como os nossos, não podem chegar lá) vê o tempo congelar, mas não pode acelerar mais, de forma a ver a seta do tempo regredir.

Fim da história?

A RELATIVIDADE GERAL SALVA O DIA
Pior que não. Se a teoria restrita de Einstein complica tudo, a teoria geral — que inclui campos gravitacionais e objetos em aceleração — oferece uma saída. Ela foi desenvolvida pelo físico alemão em 1915, exatos cem anos atrás, e mostra como a presença de matéria e energia molda o espaço e o tempo, distorcendo-os tanto quanto a velocidade. Ou seja, o ritmo do tempo é diferente sob campos gravitacionais diferentes.

Uma das consequências mais bizarras oferecidas pela teoria é a possibilidade de curvar tanto o espaço de forma a criar um atalho entre dois pontos distantes do Universo — o chamado buraco de minhoca (explorado recentemente no filme “Interestelar”). E se esse buraco estiver ligando dois pontos com distribuição diferente de massa, o tempo passará em ritmos diferentes nas duas pontas. Portanto, o que era apenas um atalho pelo espaço se torna também um atalho pelo tempo!

Tudo resolvido então? Quase. O único (grande) problema é que, para um buraco de minhoca existir, ele precisa de algo que os físicos chamam de matéria exótica — uma substância que teria densidade de energia negativa. Desnecessário dizer que os cientistas nunca viram algo parecido, até agora. No máximo, viram manifestações quânticas de energia negativa, como o efeito Casimir, mas nada na escala necessária para manter um buraco de minhoca atravessável aberto. O que talvez sugere que a natureza “prefira” que essas viagens ao passado nunca ocorram. E por um bom motivo: elas podem gerar paradoxos insolúveis.

A melhor coisa para poder entender esse pedaço é assistir a “De Volta para o Futuro”. Nele, Marty volta ao passado e quase impede seus pais de se apaixonarem, o que geraria sua inexistência. Mas, se Marty deixasse de existir, não teria como voltar no tempo, e aí seus pais se apaixonariam, e com isso ele voltaria a existir, para voltar no tempo e… você entendeu o tamanho do problema.

No filme, Marty consegue desatar o nó e impedir o paradoxo. Mas os cientistas preferem não correr riscos e imaginar que alguma lei da natureza deva barrar episódios como esse, que eliminariam a clara relação entre causa e efeito existente no Universo. Sintetizando esse pensamento, o famoso físico britânico Stephen Hawking criou o que ele chama de Conjectura de Proteção Cronológica, uma suposta lei física que impediria absurdos como o paradoxo enfrentado por Marty McFly.

Para o físico neozelandês Matt Visser, ela faz todo o sentido. Visser estuda a possibilidade da existência de buracos de minhoca e descobriu que uma quantidade bem pequena de matéria exótica já poderia manter uma dessas passagens abertas. O resultado traz uma perspectiva otimista: em se tratando de uma substância que ninguém nunca viu, quanto menos você precisar, melhor. Mesmo assim, ele não acredita realmente que seja possível viajar rumo ao passado. “Eu sou totalmente a favor da Conjectura de Proteção Cronológica e defendo que seja elevada a um Princípio de Proteção Cronológica”, afirma o pesquisador.

Game over? Talvez não. Gostem ou não os físicos, há coisas muito estranhas acontecendo na natureza que nos fazem pensar a respeito do tema. Sabemos que, para cada partícula — seja um próton, um nêutron, um elétron, seja qualquer outra –, existe uma antipartícula equivalente: antipróton, antinêutron, pósitron, e assim por diante.

O físico americano Richard Feynman, um dos mais brilhantes do século passado, desenvolveu uma série de diagramas para interpretar a ação dessas partículas e antipartículas e fez uma constatação intrigante: as antipartículas se comportam exatamente como se fossem partículas, só que viajando no sentido contrário do tempo — como se estivessem caminhando do futuro para o passado.

Será que elas realmente estão fazendo isso? Ou é apenas um efeito bizarro da física quântica? As perguntas seguem sem resposta definitiva da parte da ciência. Mas é claro que, mesmo que partículas possam viajar para trás no tempo (assim como podem aparecer e desaparecer do nada), isso não quer dizer que Marty McFly ou seu amigo inventor, o doutor Emmett Brown, possam…

Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook e no Twitter

Comentários

  1. Em 1954 (menos de um ano antes de morrer), ele [Einstein] escreveu ao
    seu amigo Michele Besso:

    “Considero que é perfeitamente possível que a física [a propria natureza] pode não estar baseda … [em] estruturas contínuas [tal qual o continuum espaço-tempo einsteniano]. Então, nada restará de todo o meu castelo no ar, incluindo a teoria da gravitação, mas também nada do resto da física contemporânea.

    Em inglês:

    fonte:

    Einstein and the Death of Physics

    Einstein e a morte da física

    http://www.timeone.ca/einstein-death-physics/#sthash.IquTKqH4.dpbs

    Mais:

    LASER, uma página vergonhosa na História da física quântica

    http://www.theregister.co.uk/2013/02/20/carver_mead_on_the_future_of_science/

    1. Exato. É o problema de conciliar a relatividade com a mecânica quântica. E de fato a maioria dos físicos busca fazer essa conciliação “quantizando” a gravidade. Mas isso não tem nada a ver com descartar os efeitos já demonstrados experimentalmente da relatividade, como a flexibilidade do espaço e do tempo.

    2. “Considero que é perfeitamente possível que a física [a propria natureza] pode não estar baseda … [em] estruturas contínuas [tal qual o continuum espaço-tempo einsteniano]. Então, nada restará de todo o meu castelo no ar, incluindo a teoria da gravitação, mas também nada do resto da física contemporânea.”

      Só mostra o quão foda é o cara, aceita que uma dia sua teoria pode está errada como todo bom cientista tem que fazer, mas nem Einstein previu que a relatividade estava tão certa.

        1. Newton parte de alguns pressupostos para sua física — a de que o espaço e o tempo são fixos –, sem nenhuma evidência de que fosse o caso, salvo o senso comum. E Einstein mostrou que esses princípios estavam errados.

  2. Olá Salvador, sou leitor assíduo do seu blog. Na matéria “De volta para o futuro” você disse que dentro do LHC massas da ordem de toneladas, resultantes da aceleração de um próton e em altíssimas velocidades se chocam umas contras as outras. Sou leigo, mas imagino que se um próton é acelerado às velocidades praticadas no LHC sua massa teria incrementos infinitesimais e as partículas observadas nas colisões já se encontram dentro do seu núcleo sendo apenas separadas e expelidas com a energia resultante do choque. Gostaria que me explicasse melhor.
    Grato.

    1. Luiz Roberto, não disse “toneladas” (ou se disse, foi em sentido figurado — a massa do próton não atinge uma tonelada, claro), mas o incremento de massa não é infinitesimal. É bastante significativo. A massa do próton cresce cerca de 10 mil vezes. É que um próton só é bem levinho.

  3. Algo interessante no filme “De volta para o futuro”. Se o Dr. podia programar o capacitor de fluxo para qualquer data, por que partiu tão apressado, assim que chegou, levando Marty e a namorada para o futuro quando tinha todo o tempo do mundo para fazer isso?….rs….

    1. É a cara do Doc Brown aquele senso de urgência!
      Ele pode ter mudado a natureza das viagens no tempo, mas não mudou a natureza dele mesmo! 🙂

  4. Ótima material, parabéns!

    Vc poderia me explicar como funciona o princípio da retrocausalidade da física quântica?

    Abraços

    1. Isso é uma complicação. É o pressuposto de que um sistema quântico de algum modo sabe como você vai medi-lo e se comporta adequadamente em razão disso. Não faço ideia de como isso possa funcionar. Acredito ser um dos mistérios da mecânica quântica que, embora inteligíveis pela matemática, não fazem o menor sentido diante de nossa racionalidade influenciada pelo mundo “clássico”. Abraço!

  5. Durante muitos anos da minha vida (na verdade desde a minha infância) eu me peguei fazendo a seguinte pergunta toda vez que eu via o filme De Volta para o Futuro II:

    Se em De Volta Para o Futuro as viagens no tempo criam um linha nova de tempo ao se modificar o passado, como o velho Biff de 2015 poderia ter regressado para a sua linha do tempo original depois de ter mudado o passado?

    No filme De Volta para o Futuro 2, o velho Biff volta no tempo e entrega ao jovem de Biff de 1955 o almanaque de esportes. Esse evento muda toda a história conhecida daí em diante. No entanto, ao regressar ao futuro, o valho Biff retorna a antiga linha do tempo.

    O fato do Biff ter entregue o almanaque de esportes ao seu outro eu do passado, criou um enorme paradoxo temporal, uma daquelas coisas que podem destruir todo o espaço-tempo, segundo o próprio Dr. Brown.

    Sabemos que nessa nova linha do tempo, o Dr. Brown é dado como louco e é internado em um manicômio, o Marty Mcfly, por sua vez, vai morar em um colégio interno na Suíça depois que o seu pai é assassinado pelo Biff e esse casa com sua mãe.

    Pela nova linha tempo, a máquina do tempo nunca chegou a ser construída, logo não deveria existir. O Dr. Brown e Marty também nunca se conheceram e, portanto, nunca fizeram aquela viagem no tempo que os levaria até 2015. Logo o velho Biff de 2015 não teria como voltar ao passado e entregar o almanaque ao seu outro eu.

    De Volta para o Futuro 2 é, para mim, o maior paradoxo do avô que o cinema já criou. Isso sempre me incomodou! kkkkk

    Mas tive muito tempo para tentar encontrar uma solução para esse problema (assisti o filme no cinema quando tinha nove anos). Então, eis a minha teoria:

    A única forma do universo não colapsar em si mesmo é se ele, de alguma forma, puder se auto preservar, dando a oportunidade para que o paradoxo fosse resolvido, ou seja, desfeito.

    Então, nessa leitura, o Delorian é como o “gato de schrodinger”, ou seja, ele passa a existir e não a existir ao mesmo tempo. Assim, não é difícil imaginar que daí para frente, dois universos paralelos passaram a coexistir lado a lado (o da linha do tempo original e aquele criado pelo Biff).

    O paradoxo que o Biff criou gerou dois universos distintos e de alguma forma, o universo não curtiu muito a ideia. O universo conspirou para que o paradoxo fosse então desfeito, de forma preservar somente a linha do tempo original.

    Assim, ao regressar de 1955 para 2015, o velho Biff também viajou de um universo para outro, nesse outro universo a linha do tempo original restou preservada, como se fosse um grande backup. Ainda nesse “universo backup”, quando o Marty e Dr. regressam para o ano 1985, sem saber, além de viajar no tempo, eles também viajaram de um universo para o outro.

    Essa viagem entre linha de tempo diferentes, entre universos diferentes, foi o que permitiu que o paradoxo temporal fosse então desfeito.

    Como disse, o universo não curti muito paradoxos e prefere vê-los resolvidos a qualquer custo. Aliás, o universo ficou tão zangado com velho Biff que tratou logo de matá-lo quando o mesmo retornou ao ano 2015, depois de ter (me desculpem a expressão) “cagado tudo”!

    Se preferir, você também pode culpar os roteiristas e tratar a coisa toda como um grande furo de roteiro. kkkkkk 😛

    1. Roteiro escrito para adolescentes de inteligência mediana entenderem. Complicar a estória iria espantar o público do filme. Não há nada de verdade científica nisto, apenas licença artística. Dá até para criar um nome para ele, seria o “Paradoxo do Roteiro Artístico”. Já faz bastante tempo que vi um filme que também tinha uma viagem no tempo e nele o roteirista não caiu neste “paradoxo” armadilha, pois quando os personagens que haviam viajado no tempo fizeram o que tinham de fazer no passado, eles desapareciam como se nunca tivessem existido e no tempo de onde eles vieram, eles esqueceram completamente do ocorrido. Não me pergunte o nome do filme pois não me lembro.

    2. Acho que Isaac Asimov responde a sua questão (leia “O Fim da Eternidade”):

      – A mudança da linha de tempo não é instantânea. Como o velho Biff retorna ao futuro do ponto em que inseriu uma alteração no passado, não houve tempo, ainda, de haver mudanças no futuro, pois o jovem Biff ainda não tinha mudado o futuro fazendo apostas certeiras.

      No “O Fim da Eternidade”, o herói Andrew Harlan é o melhor “Técnico” da “Eternidade”, o posto dos encarregados de escolher o momento em que uma mudança deve ser feita e executá-la. Quanto melhor escolhido é o momento, mais rápida e duradoura é a alteração da História (a História sempre tende a voltar para a linha normal de tempo).

      1. Radoico,

        Nessa sua concepção as mudanças na linha do tempo não se propagariam instantaneamente, mas se propagariam como uma onda, logo, as mudanças seria até mesmo gradativas.

        No entanto, não explica o fato do Biff ter conseguido retornar a sua linha do tempo original. kkkkk

        A melhor explicação possível seria a existência paralela de duas realidades distintas, dois universos, de forma tal como gatinho zumbi de Schrödinger. O gato existe tanto vivo como morto.

        Assim, para que que os fatos mostrados no filme façam algum sentido as duas realidades necessariamente devem coexistir, não tem outra forma.

        Logo, as duas linhas do tempo coexistem formando dois universos. Só assim para o Biff ter voltado para a sua no linha do tempo original. 🙂

        1. Essa propagação, Victor, em forma de onda, daria tempo para o velho Biff retornar. Mas, é claro, criaria outras incongruências em outros eventos do filme.

          Não tem importância, a história contada tem um roteiro muito bem amarrado, é muito boa de assistir. 🙂

      2. Geraldo,

        sim, o filme apresenta um baita furo de roteiro, como eu mesmo havia dito no final do meu comentário inaugural.

        Mas ao contrário de você, eu penso que o filme cumpre muito bem a sua função que é divertir e entreter. Então porque não tirar proveito de um furo de roteiro para tentar elocubrar uma explicação que o justifique? kkkkkk

        É exercício mental é divertido. E esse filme, vai lá, merece todo o esforço de minha imaginação e da minha boa vontade. Ele fez a minha infância mais feliz! 😉

        1. Eu não discordo que a função da trilogia “De Volta para o Futuro” é divertir e entreter, mas sei que é um filme para adolescentes que não deve ser levado muito a sério. Discutir aspectos científicos do filme pode até ser um exercício de raciocínio, mas não passa disto pois os roteiros do cinema americano eram pensados para entreter e o rigor científico deveria ficar de lado neste caso. Hoje parece que isto mudou um pouco, os efeitos especiais são feitos com mais cuidado, mais rigor, mas o público de cinema ainda não pode engolir conceitos complicados sem simplifica-los bastante e este é um dos motivos pelos quais muita gente não acredita nas respostas que são dadas neste blog e em muitos outros, o cinema já fez algum estrago nas cabeças de gente que confunde ficção com realidade. Não são as nossas, é claro, mas você mesmo não já topou com isto durante a vida?

  6. Salvador. Teu colega Ricardo Mioto disse que você pertence a nova geração dos jornalistas ricos, que mora melhor que o Thomas Friedman e até postou uma foto sua ao lado de entusiastas da astronomia de biquini. Procede isso é? rsrsrs

    1. Não procede. Ele fez uma piada. Eu não sou rico — aliás, estou, como a maioria, bem apertado para pagar minhas contas do mês — e se eu tirasse uma foto daquelas estaria, além de pobre, divorciado. 😛

  7. Gostei do post. Principalmente essa ideia sobre as antipartículas. A ideia de partículas fluindo em dois vetores é agradável inclusive ponderando-se as duas interpretações mais famosas da física quantica (dualidade onda-partícula) e dos muitos mundos (em que o universo se fraciona em vários a partir de cada ação), Essas idéias permitem sonhar com a possibilidade de um “tempo” intercomunicável em que os eventos do passado podem ocorrer simultaneamente aos do futuro, sendo portanto intercambiável a coexistência e acesso a de eventos no universo que só em nossas mentes ocorrem de forma cronológica, em linha contínua. Pena que falta chão para qualquer concretização nesse sentido.

      1. Na verdade pode até ser que não, amigão… Permita-me mandar mais uma nerdice só para esquentar o assunto.
        Tava assistindo ontem o back to the future 2 só para relembrar.
        O filme trabalha com a interpretação de copenhagen, o que pode ser notado além de várias deixas do filme, explicitamente, em uma fala do dr brown, um pouco antes do delorean ser atingido por um raio e voltar a 1885.
        Essa idéia norteia um dos grandes motes do filme, qual seja que o futuro pode ser concretizado, com as ações do observador, sendo que antes todos os caminhos existem em potência, tal como a interpretação de copenhagem defende para o colapso da função de onda.
        Só que além disso, e só para colocar mais lenha na fogueira há algo mais inquietante no filme :
        1) as personagens voltam para o passado;
        2) como as personagens podem realizar o colapso da função de onda quando voltam para o passado, ou seja, quando já conheciam a função de onda colapsada sendo fruto de uma realidade criada por essa.
        3) A mais bizarra: Porque quando se movem no passado vão alterando a realidade futura de sorte a (dependendo do evento em que se metem) abrirem a possibilidade de se aniquilarem lá onde estão … no próprio passado, o que é pressentido por fotos e jornais que vêem lá, e defendido pelo Dr. Sendo que a grande trama dos filmes é lutar contra a própria bagunça causada pela presença e ações no passado de forma que no futuro tudo flua como antes da viagem no tempo, e principalmente que as personagens não morram no futuro ou… no passado que agora estão…
        Até agora tais conceitos são paradoxais, notadamente considerando que o filme aceita a tese do colapso da função de onda.

        Pegue as idéias trazidas pelo Salvador no artigo acima. Vamos viajar um pouco.

        Imagine conjecturas: 1) colapso da função de onda+ feixes paralelos de matéria e antimatéria: As personagens realmente voltam para o passado ou simplesmente pegam carona num fluxo contrário de ondas de antimatéria (bem protegidos, afinal são feitos de matéria) colapsando segundo por segundo essas ondas de antimatéria em partículas que ao serem concretizadas conduzem os convertores num vetor em sentido exatamente antagônico à realidade que conheceram e vivenciaram (como se dessem um reverse na fita, e tudo ao redor menos eles estaria voltando para trás)? Chegando ao passado,para poder vivenciarem o passado eles precisariam primeiro deixar esse vetor de antimatéria e passar para o vetor paralelo de matéria (grande problema não é)…
        Acaso eles conseguissem em determinado trecho do vetor de antimatéria pular para o vetor da matéria, poderiam aí deixar sua proteção (máquina do tempo) e não seriam aniquilados. Uma vez lá entrariam íntegros na realidade vivenciada por seus antepassados, mas com uma diferença: ciente de toda a realidade que redundariam as coisas (grande paradoxo no filme no mínimo como as fotos se apagam quando algo ameaça o futuro, ao voltar ao passado nada ameaça o passado, mentes não são apagadas etc, que desigualdade…). Supondo que o passado tivesse que ser a vítima da vez. Alterando a realidade do passado tal como ocorre no filme, as personagens seriam mesmo aniquiladas no futuro ou escolheriam seu futuro como defende o filme ou essa seria a grande contradição do filme ao aceitar o colapso da função de onda?
        Por exemplo o fato das personagens olharem fotos e jornais do futuro e eles irem se alterando conforme as personagens executam suas ações no passado. Ora os objetos não vieram com a personagens e não chegaram e estão vivenciando o passado?
        Enfim pela interpretação do colapso da função de onda, Seria possível direcionar o futuro?… seria possível eles inferirem a alteração por fotos?…
        Pela interpretação aceita pelo filme, agora pense mais um pouco, o que aconteceria com o feixe de matéria convertido em realidade colapsada para as personagens quando voltaram no futuro e da qual sairam e regressaram? Será sobreposto pelo novo feixe? E ao irem criando a nova realidade na antimatéria ao regressarem, o que acontece com o feixe de antimatéria que existia previamente e os transportou e foi colapsado? Muitos paradoxos não é?
        Quer ver ficar mais claro: Vamos agora para a interpretação dos muitos mundos de everett conjugada com a aceitação de vetores paralelos e em sentido contrapostos de matéria e antimatéria em detrimento da interpretação de copenhagem.
        Para cada ação um universo é criado em matéria infinitamente. Em um vetor antagonico e paralelo aos vetores de matéria infinitos são criados múltiplos e infinitos universos em feixes de antimatéria reversos ladeando cada qual dos feixes de matéria que seguem em frente no tempo em quanto os de antimatéria ficam com o reverse. Quando trafega pelo vetor da antimatéria os personagens apenas vão pulando de universos em universos para trás em múltiplos feixes de antimatéria já convertidos. Para eles, eles teriam viajado por apenas por um universo voltando no tempo, pois para essa interpretação os universos não são intercambiáveis. Quando chegam no “passado” e de alguma forma acessam o universo de matéria correspondente ao “passado” sem serem aniquilados, podem novamente acessar universos de matéria paralelos e criados no ponto em que pararam de trafegar, universos em sentido ao “futuro” e assim, podem progredir “no tempo”, ou seja mesmo que pensem que estão alterando a realidade do futuro, na verdade só estão a caminho de outros universos, pois a realidade acessada em suas infinitas possibilidades de configuração estará patenteada em algum universo já criado. Podem ajustar o futuro a sua maneira pois na verdade só estarão pulando de universos para universos… Não é a toa que muitos físicos estão preferindo essa teoria … Enfim, com essa interpretação (muitos mundos), no feixe de antimatéria vão para trás, acessando em reverse determinados universos, no feixe de matéria vão para a frente, acessando os múlltiplos universos. Simples assim… O problema é passar de um feixe para o outro, sem se aniquilar…

          1. Uma viajada bem legal, bem complexa…

            Realmente, se temos infinitos universos paralelos, cada um criado por nossas alternativas de ação (caso com ela, sigo num universo, não caso, estou seguindo em outro universo, terei outra vida), podemos dizer que todos esses universos existem?

            Eu acho que existem infinitos futuros possíveis, que deixam de existir no momento em que cada um de nós toma uma decisão. Ao fazê-lo, matamos todos os demais futuros e ficamos com nosso presente e passado reais, que são únicos.

            Por isso a “viagem no tempo” é só para o futuro, a uma velocidade de 60 segundos por minuto… 🙂

            O passado já foi fixado pelas decisões conjuntas de todos os animais (plantas e coisas não decidem, apenas sofrem as ações no universo físico), então voltar ao passado, se fosse possível, não permitiria mudanças no futuro que já ocorreu e que é passado para o viajante.

            Se o tempo para a antimatéria segue ao contrário, o futuro dela está no nosso passado… só há um futuro para a antimatéria que coincide com esse nosso passado. Então, o que ocorre é que ela viaja em outros universos, não no nosso. E nós não encontraremos no futuro o passado da antimatéria, seguiremos num outro universo.

            Vixe, pirei de vez 😀

          2. Na verdade pela interpretação dos muitos mundos da física quântica quando você toma uma ação o universo se divide em infinitos universos ou finitos, se limitadas as consequências da ação em possibilidades finitas.
            O seu pensamento de que tomada uma ação o futuro é definido compatibiliza-se com outra interpretação da física quantica, qual seja a que admite o colapso da função de onda. Para essa teoria, enquanto onda todas as possibilidades existem quanticamente. “Escolhida” a possibilidade a onda converte-se em particula e todas as outras possibilidades que existiam enquanto onda são aniquiladas. Para essa teoria, só existiria então um universo, com passado e futuros únicos definidos pelas conversões efetuadas. É ela que você retrata no seu pensamento. A outra interpretação, entretanto, dos muitos mundos, não admite colapso da função de onda, mas admite mais de um universo criado com a ação, em possibilidade finita ou infinita como expliquei acima. Assim, penso e é só um achismo (olhe lá) não existe um só futuro ou um só passados definidos, existem tantos quantos os universos criados por cada ação.
            Dessa forma (e mais uma vez ressalvando que é uma conjectura pessoal) considerando que a antimatéria parece fluir num vetor contrário ao fluxo da matéria a carona pela antimatéria pode levar ao passado exato do universo então conhecido por um observador que por ela viaje. Se de alguma forma conseguir passar para o fluxo de matéria no passado pode então, mesmo saindo no passado do universo conhecido, ao interagir lá, no passado, criar e ir pulando sem perceber para outros universos distintos do qual saiu, universos que ladearão o já criado anteriormente (o futuro de qual saiu) sem aniquilá-lo. Por exemplo quando o garoto do filme olha a foto de sua família, por essa última interpretação, ela permaneceria igual, mesmo que seu pai não se casasse com sua mãe, não haveria essa coisa de desaparecerem. Não haveria paradoxo, pois afinal ele, o garoto, estaria ali, existente, no passado para reescrever seu universo próprio a partir dali, e nada poderia aniquilá-lo. A única coisa que teria que ter em mente seria que se quisesse viver por ali teria um futuro diferente de onde saiu. Ainda que seu pai e sua mãe se casassem e tivessem um filho, embora geneticamente idêntico ao garoto, não seria mais ele, nesse universo que escolheu voltar e os dois coexistiriam. Se quisesse voltar para seu universo originário, teria que ter as coordenadas certas de seu antigo universo futuro e, poderia voltar para ele sem grilo, pois ele estaria existente em algum lugar, ladeado por outros universos, mas preservadinho em algum lugar . Pela interpretação dos muitos mundos, penso eu, uma pessoa que viaje no tempo pode até se encontrar com seu eu do passado. E isso não será um paradoxo. A convivência dos dois não gera aniquilamento. Geraria um novo universo. A viagem no tempo não seria nada mais do que uma localização por GPS do universo certo e o pulo para ele pelo feixe de matéria ou antimatéria. A referência do tempo como uma linha contínua fica abandonada. Futuro e passado são concretizados por fluxos infinitos de matéria e antimatéria mutuamente se aniquilando. Mas as vezes sobra um resquício… Quem sabe um dia a ciência comprove algo do tipo? Todos os filmes de ficção que defendem paradoxos temporais cairiam por terra. É tudo uma viajada, mas vai que…

  8. A melhor explanação sobre o assunto que já li nos últimos anos. Que didática! Excelente a forma como usa as palavras, dando uma dinâmica e tanto a leitura. Viajar para o futuro, é até aceitável, mas para o passado é algo inimaginável e assustador. Temos o direito de interferir nos acontecimentos idos? CARL SAGAN brasileiro, de acordo com a relatividade, teria como (em teoria, é claro!) construir uma máquina, tipo uma sonda, para prescrutar o passado, sem que fosse necessário a presença humana? Tipo filmar o passado? Se, um dia for possível, todos os mistérios serão revelados e todos os crimes serão desvendados. Seria a maior criação do intelecto humano.

    1. Bem, em princípio, um buraco de minhoca poderia servir a esse propósito. O duro é criá-lo.

  9. Salvador, falando sério.
    Dentro deste tópico aqui, você sabe que temos um compromisso profundo com a verdade, correto?
    Pois bem, eu sou co-editor da revista UFO e coordenador dos trabalhos da CBU, os quais resultaram na abertura desses documentos que você diz ter tratado em matéria no seu blog (?). Portanto, tenho certa liberdade de falar algumas coisas em nome da ufologia, e às vezes até da revista UFO. Afinal, se não fosse nossa revista, as pessoas continuariam a ter esse pensamento obscurantista a respeito de existência de vida inteligente extraterrestre nos visitando. Obscurantismo esse que chove aqui no seu blog.
    Pois bem, conversei esse fim de semana com o com o Gevaerd, editor da Revista UFO, sobre essa nossa pendenga aqui, que parece brincadeira ou picuinha de criança, mas não é nenhum dos dois. Trata-se apenas de exposição de pontos de vistas, que têm se tornados graves à vista dos desdobramentos e em face da potencialidade que todos temos em formar opiniões.
    Assim sendo, queria relembrar a você e aos editores da Folha de São Paulo, que o convite dos ufólogos da CBU ao Marcelo Gleiser, agora incluindo também os demais editores de ciência da Folha, para um debate franco, aberto e divulgado sobre ufologia, conceitos da astronomia e outros, continua de pé. Podemos negociar local, data, hora e participantes. Incluindo órgãos da mídia interessados na cobertura do evento.
    Temos sempre divulgado que nosso interesse é e sempre foi o esclarecimento da população a respeito do que realmente acontece, do que os cientistas e as autoridades sabem e escondem, e do que é levado ao conhecimento público. Essa seria uma ótima oportunidade para se colocar os pingos nos is!
    Pense nisso, reflita bastante e convença seus chefes. Estamos, como sempre estivemos, aguardando uma resposta.
    Abraços
    F.A.R.

    1. Fernando, eu topo qualquer debate que vocês quiserem fazer. Numa boa. Aliás, não preciso de autorização de ninguém para isso, não preciso convencer chefe nenhum. E, já que rolou uma preguiça de pesquisar a reportagem que fiz sobre os arquivos da Força Aérea, vai aqui o link: http://super.abril.com.br/comportamento/o-arquivo-x-brasileiro

      Você verá que eu não descarto a possibilidade de visitação extraterrestre. Acho que seria temerário fazer isso, tendo em vista que acredito que:
      (1) A vida é comum no Universo e que a vida inteligente não emergiu apenas na Terra.
      (2) Viagens interestelares não são impossíveis.

      O que eu critico — e aí podemos discutir isso quanto você quiser, com quem você quiser e onde você quiser — é que a ufologia não é o caminho para obter essas respostas. Por quê? Porque ela não tem instrumental suficiente para dirimir dúvidas e fazer avançar o conhecimento, quanto mais refutar sua própria hipótese — princípio fundamental de qualquer atividade científica. Em todos os casos, tudo que ela pode fazer é, quando muito, sugerir que não há explicação conhecida para uma dada observação.

      Tanto isso é verdade que não temos conhecimento concreto algum sobre esses supostos veículos, seus ocupantes e seus propósitos. Somos incapazes de separar relatos fidedignos de alucinações e falsificações, e é inconcebível que, a essa altura da civilização, quando governos não conseguem conter nem mesmo seus próprios segredos, eles sejam capazes de realizar atividades de acobertamento que cubram o mundo inteiro, onde quer que apareçam esses fenômenos.

      Algum material de ufologia a que fui exposto é absolutamente surreal. E a própria lógica da construção do suposto conhecimento no meio ufológico é completamente distorcida. Veja que você, falando de agroglifos, mencionou um laudo de um perito da polícia científica do Paraná. Sem desmerecer o profissional, mas vamos combinar que o fato de ele não saber como o agroglifo foi produzido não quer dizer absolutamente nada. Qual é a taxa de solução de crimes da polícia do Paraná? Vamos pegar todos os assassinatos não resolvidos e atribuir a alienígenas? Não faz sentido algum.

      Um bom exemplo de como ufologia é praticada como pseudociência é a facilidade com que coisas são declaradas “autênticas”, “fidedignas” e “conclusivas”. Os cientistas de verdade, que descobriram recentemente água corrente em Marte, têm todo o cuidado de dizer que encontraram “evidências muito fortes”, sem jamais proclamar certeza absoluta. Certeza absoluta vai contra a ciência, ainda que num nível apenas protocolar. Já os ufólogos são rápidos em proclamar seus casos confirmações incontroversas de visitação alienígena — como seus próprios comentários aqui demonstram.

      Então veja que não se trata de discutir este ou aquele caso e tentar fazer parecer que todos os episódios ufológicos têm natureza trivial. Não têm. Há casos não-explicados. Há casos misteriosos. Há, quiçá, até casos de visitação alienígena. Mas também há casos de fraude. Há casos de engano. E há 99% de casos que, de fato, têm explicação trivial. E a ufologia não tem instrumentos para separá-los. Portanto, embora seja um assunto intrigante, não é ciência, nem algo que nos leve mais perto de realmente entender a prevalência da vida no Universo.

      A não ser, é claro, que um desses discos voadores resolva pousar e se deixar ver por todos nós, um extraterrestre desça dele e resolva então nos ensinar tudo que ele sabe — sem exclusivismos, sem comunicação com “escolhidos”. Se vocês convencerem um ET desses a fazer um debate comigo, eu também toparia de bom grado.

      Abraços!

      1. Cara, pra mim os ufólogos e o super-religiosos estão no mesmo barco…

        E em suas percepções parciais, vão achar o meu comentário um absurdo…

      2. Salvador vc foi genial na resposta a esse “confronto”. durante anos fui assinantes da Ufos e cansei de tantas estórias. Provas que é bom nada. Somente “fotos” turvas e afirmações sem base científica.

        1. Olha, adorei, sugeri isso faz pouco tempo aqui nos comentários….Salvador e Gevaerd num debate franco vai ser bom demais.

          Salvador seria uma boa maneira de ajudar a Ufologia tentando criar formas para comprovações científicas, não sei como.

          Adoro os dois temas.

      3. Fantástica resposta, Salvador! Não merece estar num comentário, deveria estar numa matéria da Folha, espero que surja uma oportunidade para isso.

      4. Topa nada, Salvador! Fale a verdade, você parece ser igualzinho ao Gleiser, um fujão. Se topassem, já o teriam feito num estúdio da Folha, ou providenciado pelo UOL, isso é extremamente fácil para vocês. Moro em Brasília e já cansei de ir aí em São Paulo para palestrar e debater sobre o tema. Farei-o novamente, se valer a chance. Quer chance melhor para confirmar o que seus seguidores, alguns cegos, gostam de ouvir?
        Um debate só com você e eu não vai valer o gasto. Fazemos isso aqui direto no seu blog, e até agora não rendeu patavinas, apenas desfile de desinformação e preconceito. Precisamos de mais, precisamos de uma mesa redonda, com vários participantes, divulgada aos quatro cantos.
        Movimentem seus staffs que iremos. Somos vários e estamos distribuídos pelo país. Precisamos que seja assim, pois os ufólogos não recebem salários, não vivem da necessidade e nem da escravidão a uma ciência dirigida e paga por setores econômicos, hipócritas que vampirizam a sociedade e a mantém cativa e longe da verdade. Não é atoa que essa é a ciência que está consumindo e destruindo o planeta. Agora, veja bem, nós queremos a presença do Gleiser, ok? Sem ele, não rola. Querem provas, nós as levaremos.
        Quanto à sua matéria, não poderia esperar outra coisa de quem não entende lhufas de ufologia. Superficial e apenas narrativa de parte dos fatos, sem entrar a fundo no que estou cansado de falar aqui, no seu blog. Pior, você não citou nenhum crédito aos responsáveis que conseguiram iniciar a abertura dos arquivos ufológicos do governo brasileiro – inclusive citados pelo astronauta Mitchel em seu depoimento. Hoje já temos centenas de páginas e relatos de pilotos, controladores e cientistas, que vieram de 2010 a 2014, por conta de uma PORTARIA do COMAER, apelidada de “Lei dos Extraterrestres”, a qual só saiu devido ao trabalho da CBU. Também não mencionou o trabalho que tivemos, desde 2004, até chegar a oferecer esse material pra seu deleite de reportagem. Isso é que é ética jornalistica e informativa, em amigo!
        Pior, o seu artigo começa assim: “Abrimos os arquivos secretos do governo”. Quem “abrimos”? Foi você, ou foram os seus astrônomos “científicos”? Gozar com o p. dos outros é fácil, né? Só queria saber se foi bom pra você.
        Não vou nem entrar nesse blá-blá-bla restante que você balbuciou aí, bicho. Isso só se discute ao vivo, olho no olho. Marque o debate e nos avise. Não esqueça de chamar seus colegas. Será um prazer enfrentar a turma do mainstream, do preconceito extremamente abominável em quem se diz “científico”. Quero ver se vão continuar fazendo conjecturas a respeito do que nós outros fazemos.
        Continuamos aguardando a resposta de vocês.
        Abraços
        F.A.R.

        1. Ah, você quer que a gente ORGANIZE e DIVULGUE? Huahuahauh, essa é boa. Você banca o machão, mas quer todo o trabalho para o convidado, e não para quem convida. Assim é fácil dizer que fugimos do debate, né? O Gleiser, veja você, mora nos EUA, é um professor ocupado e acho que não se disporia a esse papel. Aliás, nem vínculo com a Folha ele tem mais. Ou você não reparou que faz ano já que não sai coluna dele no jornal? Ah, esqueci, você não lê jornal.

          Mas eu não fujo. Debate topado. Olha só, posso até propor para o pessoal da TV Folha. Interessaria para vocês fazer um debate ao vivo na TV Folha? E já digo que encaro como algo amistoso, civilizado, não como uma guerra. Vocês está se mostrando tão paranoico que acha que todo mundo que não acredita nas teorias da conspiração é inimigo. Não sou inimigo nem seu, nem da ufologia. Só digo que não é ciência, e a tentativa de fazer parecer que é transforma-a em pseudociência. Só isso.

          Você está tão surtado, virulento, que acha que os cientistas sérios que trabalham com astrobiologia são seus inimigos. Não são. Se eles conseguirem pelas rotas da ciência demonstrar que o Universo está cheio de vida, eles estarão indiretamente aumentando a chance de que as ideias que vocês defendem sejam verdadeiras — ainda que não sejam demonstráveis cientificamente no momento.

          Por fim, sobre o artigo da Super, o “Abrimos os arquivos secretos” não fui eu que escrevi — título e linha-fina são prerrogativas dos editores, que naturalmente querem bater bumbo para sua própria publicação. Mas ouso dizer que também não foram vocês que “abriram” os arquivos. Vocês meramente pressionaram pela abertura. Quem abriu de fato foi a Força Aérea.

          E para mostrar que nem todo mundo é tão surtado como você na comunidade de ufologia, compartilho aqui comunicação particular que tive com o José Ademar Gevaerd (o ótimo sujeito que você propõe que debata comigo), depois de ele enviar carta à SUPER elogiando o conteúdo do texto (que você achincalhou aí em cima), mas fazendo reparos ao número de páginas de documentos de fato liberada e realçando a importância da comunidade de ufologia para a abertura dos arquivos.

          Eu respondi a ele:

          [i]Caro Ademar,
          agradeço por replicar carta enviada à SUPER e pelos elogios à reportagem. De fato, acompanhei a movimentação dos ufólogos pela liberação dos documentos relativos à Operação Prato, com a promessa da FAB de que seriam liberados.
          Também gostaria de ressaltar que solicitamos ao Arquivo Nacional a totalidade dos documentos ligados a OVNI, que resultaram em pouco mais de 2.600 páginas.
          Se há mais (e é evidente que existem mais), eles não estavam lá quando eu solicitei a documentação (março de 2013).
          Um abraço,
          Salvador[/i]

          Ele, muito cordial, me respondeu:

          [i]Olá Salvador, muito obrigado pela resposta. Sou um admirador de seus textos. Olhe, caso esteja com bastante paciência, aqui estão todos os documentos, mas são muitos e nós os disponibilizamos como recebemos do AN, ou seja, uma mistura de papeis meio desordenados.[/i]

          Então, veja você a diferença de nível de civilidade entre você e o Gevaerd. Mas enfim, debate topadíssimo. Vamos fazer via TV Folha?

        2. Salvador, se o Gleiser mora em outro país ou noutro planeta, isso não nos interessa, muito menos ha quantos anos ele está lá. O que interessa é que ele, esteja onde estiver, não pode aprontar das suas e continuar impune diante da lógica científica. Não pode criticar e nem desmerecer as provas que esses cientistas levantaram. Não pode, como sempre fez, meter o pau na ufologia e nos ufólogos por extensão. Continuou a fazê-lo pelo menos até o ano passado, ou você vai dizer que não sabe disso, ou que ele mudou de opinião? Não precisa ler jornal pra saber disso.

          “Posso propor o debate à Folha” não, você DEVE! Mas não é com só como você e o Geva, ou comigo, se é que não me entendeu. É com o Gleiser, você e quem mais tenha pensamento semelhante na Folha. Uma mesa redonda, com Folha, Rede Globo e o que mais lhes convier. Grana pra isso a Folha dispõe.

          Por que será que o Gleiser nunca fez isso quando foi desafiado VÁRIAS VEZES, ainda sendo da Folha? Ele sempre “morou nos EUA”? E veja bem, a questão não é só com ele (Gleiser) e suas manias de querer negar o óbvio, mas passou a ser nossa quando – sendo astrônomo – se intrometeu em agroglifos, na Operação Prato e nos arquivos do SIOANI. E com você também, a partir do momento em que vem dizendo o que diz sobre ufologia, agroglifos, curas espirituais em astronautas, além de silenciamentos propositais a alguns aspectos que levantei aqui, entre outros detalhes. Aí eu também faço questão de entrar no debate. Inclusive essa estória de que estou surtando, sendo virulento ou coisas do tipo. Siceramente, Salvador, criaram alguma “esfera de Dyson”em volta do seu cérebro?

          Salvador, nunca foi uma questão de querer ou não ser “machão”. Reveja o que você disse e pare de ser falastrão em opiniões jogadas pra sua galera. Foi a partir daí que eu precisei consultar o Geva para saber se poderia propor o debate em nome da Revista UFO. Coisa que ele me autorizou no ato. É bom lembrar também, que o papo que bati com Geva não foi em 2013, foi na semana passada. Diga-se de pasagem, que o assunto do qual você resolveu tratar só em 2013, já estava no Arquivo Nacional desde 2008! É por isso que eu, enquanto coordenador da CBU, fui além do que o Geva educadamente te disse.

          E se você repetir o mesmo que vem dizendo aqui num debate, meu caro, sabe que vai ter resposta não só minha, mas principalmente dele, frente a frente com uma platéia supostamente neutra.

          Aqui na Ufologia, caro Salvador, ninguém também dispões de tempo. Até por que não vivemos disso, em 95% dos casos. Eu, por exemplo, preciso dispor de muito tempo para ficar tentando dizer que ufologia, apesar de não ser uma ciência acadêmica “oficialmente reconhecida”, segue todos os parâmetros para tal e precisa ser estudada nesse seu aspecto filosófico, em particular. Se você ler as várias teses de graduação e doutorado que te enviei, vai entender o que te digo.

          Manda bala nessa parada da TV Folha. Mas, como já te disse, tragam o Gleiser. Só você não serve. Quero ver se aquele papo de “não preciso pedir autorização pra ninguém”ainda está de pé. E aí, confio no seu machismo. (rsrs)

          É claro que o debate vai e precisa ser amistoso, meu caro. Ufólogos não são uga-uga, apesar de vocês nos provocarem. Uga-uga é quem insiste em se calar diante do que falamos. Você pode me chamar de “machão”, mas quero ver se, dizendo o mesmo que diz aqui sobre os engôdos da NASA, astronautas e militares que revelaram a verdade, físicos e astrofísicos que não coadunam com o mainstream, você vai continuar achando que o machão aqui sou eu.
          Continuamos aguardando seu retorno. Chega de blá-blá-bla nesse espaço moderado por você.

          Abraços.
          F.A.R.

          1. Desde que eu conheço o Gleiser (idos dos anos 90) ele já era radicado nos EUA. Não posso obrigá-lo a participar de um debate que ele não acha legítimo.
            Se só serve debate com o Gleiser, vai ter de contatá-lo diretamente. Eu não sou porta-voz dele. Se servir debate comigo, sigo à disposição, querendo o contato com quem a produção da TV Folha deve marcar o dito cujo. Eu me disponho a ficar do lado da ciência, e aí vocês escolhem um para ficar ao lado da ufologia. É simples assim.

    2. “do que os cientistas e as autoridades sabem e escondem” Só isso já mostra o profundo desconhecimento sobre a ciência, como sempre a minha teoria de que pseudociência só sobrevive com algum tipo de conspiração global por trás se confirma todo dia.

        1. Me informo em periódicos científicos e lá também não vejo nada das besteiras ufológicas, vcs podem fazer oba-oba com a imprensa, mas na área acadêmica não chegam nem perto.

  10. O post é muito interessante e os temas são colocados de maneira bastante atraente e coloquial. Porém, todas as vezes que vejo exposições tão simpáticas da teoria da Relatividade Geral fico com a impressão de que está faltando algo.

    Falta a maravilhosa equação de Einstein, fruto de um magnífico trabalho de interpretação matemática da Natureza. Só mesmo alguém com uma profunda noção intuitiva do Cosmos poderia tê-la obtido.

    Aqui está (estão) ela(s):

    http://www.u-tokyo.ac.jp/content/400022709.jpg

    Uma comprovação eloquente da racionalidade do Universo e das forças que o fazem funcionar. Não há dúvida, o Universo foi produzido por uma Mente inteligente.

    1. Apolinário, acho que esse foi o melhor comentário que você já postou.
      Legal o link para as equações de campo da relatividade geral. Numa das últimas colunas que gravei para a GloboNews (e que infelizmente não foi para o ar), falava sobre os 100 anos da relatividade geral e começava a coluna justamente escrevendo num quadro uma dessas equações. Jamais colocaria isso no texto porque teria de explicar todos os termos e me aprofundar na matemática — coisa que não seria o propósito e que, para ser honesto, nem domino, como tensores de Riemann –, mas são de fato belas.
      Claro, teremos de discordar quanto ao fato de elas evidenciarem uma inteligência por trás do cosmos. Como bom agnóstico, eu diria: talvez sim, talvez não.
      Mas vi uma piadinha ótima esses dias, num desses memes de internet, que eu parafraseio a seguir:
      “A disputa básica entre ateus e religiosos se resume a decidir o que apareceu do nada, se o Universo ou Deus. Bem, o Universo a gente sabe que se formou e está aí para a gente estudar. Quando você aparecer com Deus, a gente retoma a discussão.” 🙂

      1. Aha! Ele pode tentar mas não tem como fugir da boa e velha ciência, nem das evidências cada vez maiores de que formas de vida podem ser comuns pelo universo afora…

        Terrível, assustador, perturbador!

      2. Salvador, li o texto completo, achei nota 10 a sua explicação, clara e didática. Bacana demais a explicação da distorção do espaço tempo.
        Olha, como crente que sou, não entendo a tal discussão de religiosos e ateus. E digo mais, um crente verdadeiro, e olha que não existem tantos assim, jamais entraria numa discussão sobre a existência de Deus. Eu jamais entro nessa. Impor a existência dele fere o próprio livre arbítrio que ele concede a casa um. Não posso te apresentar Deus, mas posso te dizer que você pode colocá-lo à prova.
        Da mesma forma que se eu provo um fruto, te digo que é doce, você retruca dizendo que é azedo, e eu então digo que não posso provar o contrário. Mas convido você a experimentar do fruto, entende?
        Você tem a escolha de provar a Deus ou não, não com estudos científicos, pois não funciona assim, rs.
        Se Deus se revelou a mim, um sujeito comum, e a outras pessoas pelo mundo afora, você também pode. É uma das maravilhas inexplicáveis do Cristo.
        Todos podem ter um encontro real e pessoal com o criador. Desculpe se te incomodei com isso, prometo não insistir mais, se você pedir. Mais uma vez, parabéns pela matéria, melhor blog de astronomia do Brasil, mesmo com alguns barracos aqui, rsrsrs

        1. Alan, obrigado pelos elogios. E quanto à sua posição religiosa, partilho dela — Deus não é abordável pela ciência e deve ser um conceito que cada um trabalha dentro de si. Como você disse, você não pode me apresentar Deus — ninguém pode. Cada um precisa formar sua própria opinião a respeito. Infelizmente, muitos religiosos não partilham da sua opinião e acham que podem impor sua visão particular de Deus aos outros, como se tivessem procuração Dele. Não é assim que funciona, por mais que esse tipo de discurso seja conveniente para a manipulação e a exploração das pessoas. Abraço!

          1. E isso aí Salvador.
            Pessoas precisam entender que até um cientista pode acreditar em Deus, mas isto é algo particular dele, em nenhum momento ele vai usar o “sobrenatural” como resposta, e vai sempre atrás de entender, estudar e explicar fatos e acontecimentos. Foi assim que a medicina se desenvolveu, imagina se ainda ficassemos somente rezando para os efermos?.
            De qualquer forma, em minha opinião, uma inteligencia criou o universo, mas de forma 100% biologicamente e fisicamente explicaveis, basta irmos atrás como fazem nossos cientistas e desvendar seus mistérios.
            Deus não se apresenta, pois ele não é oque imaginamos aqui com nossa pequena mente terraquea, Deus é algo muito mais complexo que nem o mais criativo poeta ou fisico terreno poderia imaginar.
            Deus sempre existiu, e sempre existira, porque o nada não pode existir, reflitam, para o “nada” existir, teria que ter algo/alguém ali observando, e concluir que ali “nada tem” o que ja faz existir uma conciencia, isto chama Dicotomia Divina.

    2. Tá vendo Vavá como é possível escrever um comentário criacionista sem parecer um idiota?

      Com esse tipo de religioso até dá para levar uma discussão com argumentos construtivos…

      Já no seu caso, somente argumentos destrutivos… infelizmente.

  11. Salvador, digamos que um dia um ser humano consiga atravessar o “buraco de minhoca”, e chegar instantaneamente a algum planeta bem distante, a anos luz do nosso sistema solar. Quando ele estiver lá e de alguma forma, com algum “super telescopio alienigena”, conseguir observar o nosso planeta a distância, estará acompanhando ao vivo algo que ocorreu bem no passado, a anos atrás. Não seria dessa forma, uma “viagem no tempo”?

    1. Sim, pelo menos uma observação do passado. O duro é viajar mais depressa que a luz até o tal planeta e então ter um telescópio grande o suficiente para ver algo realmente discernível aqui no pálido ponto azul.

      1. Salvador, mas você não concorda que tudo que enxergamos é passado? Se levar em consideração que a luz viaja a 300 mil km/s ainda assim não é instantânea a luz que refletiu em um objeto e entra em nossa retina, este “GAP” ou LAG por menor que seja é real e existente. Nós só enxergamos eventos no passado!

  12. Salvador, quando você escreve “a partir dessa única colisão, criar toneladas de outras partículas” não deveria ser “a partir dessa única colisão, decai em milhões de outras partículas”? Parabéns pelo competente trabalho de divulgação da ciência que você faz. Abç

    1. Silvio, não usaria decair, porque decair pressupõe que a partícula perde alguma coisa para se tornar outra. Nesse caso, a energia total contida nas partículas em colisão se converte em matéria, na forma das partículas que observamos. (E muitas dessas partículas são instáveis, como o próprio bóson de Higgs, e decaem em seguida em outros subprodutos mais estáveis, esses sim detectáveis pelos instrumentos.)

  13. Pessoal, o Chicago Cubs está na final do campeonato de Beisebol americano, depois de décadas… E talvez essa previsão do filme pode mesmo acontecer! 🙂

  14. Para aprofundar no tema, tem o livro “Time Reborn” do Lee Smolin e também o novo dele com o Prof. Mangabeira Unger.

    Para apimentar, também já li que Einstein relatou posteriormente desconhecer o experimento de Michelson e Morley nos tempos da Academia Olimpia, e que de início a teoria era chamada de teoria da relatividade de Lorentz/Einstein, mas que por motivos de quem ganhou a guerra mudou de nome!

    1. Exato, era esse do Lee Smolin e do Mangabeira Unger a que me referi num comentário sobre a possibilidade do tempo como elemento universal.

  15. Salvador, você contou o final do filme! 😮

    Brincadeiras à parte, genial a sua explicação, ficou muito mais fácil de entender, parabéns! Já mandei para o meu Facebook!

  16. Muitíssimo obrigado pela explicação Salvador.
    Sempre quis entender isso mas nunca ninguém havia explicado tão bem e de forma simples.

  17. Uma das consequências da Relatividade é que não existe um “tempo absoluto”. Assim não faz o menor sentido falar que “agora” uma estrela a 2mil anos luz de distância está 2 mil anos mais velha. A simultaneidade depende do referencial (e portanto das velocidades). Não é apenas a velocidade da luz que tem seu limite em 300 mil km/s, mas qualquer informação. Então para qualquer efeito um evento estelar acontece quando a luz chega. Claro, viagens no tempo, buracos de minhoca etc poderiam mudar isso, mas por enquanto são só especulações.

  18. Somente existe um tempo, o “presente” tudo acontece no momento do agora, sempre ocorreu e sempre ocorrerá, tempo é uma falsa ilusão criada na terceira dimensão em que nosso cerebro ainda não consegue entender perfeitamente, pois nosso corpo biológico envelhece.
    Tudo esta acontecendo agora, passado nada mais é que uma memória que você possui sobre algo que aconteceu também no momento presente.

  19. A possibilidade de viagem no tempo que eliminaria todos os paradoxos seria a conversão dos átomos de um corpo material em fótons (já existem alguns experimentos rudimentares em que fótons podem se associar formando estruturas mais complexas) e esse deslocamento no tempo se daria de forma localizada, ou seja, o objeto viajante ficaria envolto por um campo energético de raio variável, onde os eventos dentro desse campo seriam os do tempo de partida e os externos, os de chegada. Desta forma, não haveria interação direta no tempo de chegada

  20. Que matéria interessante, como sempre! Parabéns pelo lançamento do livro ontem, e queria dizer que foi um prazer enorme te conhecer! 🙂

    1. Aê! O prazer foi todo meu, Anne! E me mantenha atualizado, caso resolva mesmo desenvolver trabalho misturando espaço e relações internacionais! Tenho certeza de que não só eu, mas um bocado de gente aqui vai querer saber a respeito. 🙂
      Bjs!

  21. Salva, muitos afirmam que esta tese cairia se considerarmos que o tempo (como o entendemos) não existe.

    Acredito que a noção de tempo esteja mais no nosso cérebro do que na matéria em sí (se é que consegui explicar direito).

    Você considera esta hipotese?

    1. É uma ideia interessante, defendida por muitos físicos. Não exatamente que ele não exista, mas que a nossa percepção dele seja artificial, e ele seja de algum modo uma dimensão como as outras. De toda forma, é difícil conciliar a causalidade com a inexistência do tempo. Acho mais interessante uma outra ideia — recentemente defendida e ainda por ser abordada neste blog — de que o tempo é na verdade a principal coisa a existir e a ser universal. Mas aí é conteúdo para um post, e não para um comentário. 😉

      1. Aguardo ansioso por esse post, Salvador!

        Os gregos consideravam Kronos (o Tempo) pai de todas as coisas e devorador de seus próprios filhos.

        E tinham razão, pois com o tempo, tudo se desvanece…

      2. Salva, existe uma outra vertente também que defende que a mutabilidade da matéria é o fator primordial para a criação do que entendemos como tempo, e não o contrário. “Percebemos o tempo porque as coisas mudam e não as coisas mudam porque estão sujeitas ao tempo.”

        “Em tempo”… rs, você já escreveu algo sobre as pseudo-teorias do Benitez em Operação Cavalo de Troia a respeito dos “swiwels”?

        Abração

  22. Salvador, parabéns pelo texto, está simplesmente incrível!!

    Agora uma dúvida de um leigo… esse tal meio pelo qual a luz deveria viajar para ser uma onda, não poderia ser a tal matéria escura? desculpe se a pergunta foi meio idiota… mas me bateu a dúvida de como a matéria escura e energia escura se correlacionam com esse assunto?!… afinal me lembro muito bem em outro post seu aqui que matéria exótica e matéria escura são coisas completamente diferentes…

    Desculpe se brisei demais no comentário!

    Mais uma vez, parabéns pelo texto!!

    1. Luiz, matéria escura e energia escura ainda são pouco compreendidos até pelos cientistas, então qualquer “brisa” é bem-vinda. Mas não parece ser o caso. Na verdade, o grande lampejo de Einstein com a relatividade foi mostrar que a luz não precisava de um meio material para se propagar. O vácuo basta. Até porque, como ele mostrou em outro trabalho de 1905, a luz também pode ser partícula, e não apenas onda — ela é as duas coisas ao mesmo tempo, até que decidamos como medi-la! (Aí ela escolhe o que será! Bizarro!)

  23. Salvador, você não deveria ter me contado isso: kkkkkk

    “As antipartículas se comportam exatamente como se fossem partículas, só que viajando no sentido contrário do tempo — como se estivessem caminhando do futuro para o passado.”

    Você faz ideia de como a minha cabeça está pirando nessa teoria, de quantas idéias mirabolantes estão vindo na minha mente? Você acabou de expandir minha imaginação para um novo patamar!

    1. E você acha que eu não fiquei doido quando descobri que antipartículas parecem partículas fluindo no antitempo? 😛

          1. O anti-Apolinário é evolucionista e não criacionista. haha Ele também não perde um episódio de alienígenas do passado no History Channel! 😛

      1. Um estralo me veio a mente: o Big Bang prevê a criação igual de matéria e anti-matéria, ok?

        No entanto nosso universo é rico em matéria e não se vê quase nenhuma anti-matéria por aqui. O que aconteceu com matéria-reversa? Isso sempre me intrigou.

        A anti-matéria seguiu no sentido contrário/inverso da nossa linha do tempo!!!

        Linha do anti-tempo Linha do tempo
        Universo de anti-matéria Universo de matéria

        Enquanto a nossa matéria existe na linha do tempo normal! A anti-matéria existe na linha do anti-tempo.

        Por isso nosso universo é escaço em anti-matéria!

        Tá vendo, eu falei para você provocar com idéias assim!!! hahahaha

  24. E por favor apesar do nome parecido não me confunda com esse Oswaldo Gil de Souza que sempre entra aqui somente para criticar seus posts, sempre baseado na cegueira religiosa, pois ao contrario dele tenho a ciência como minha religião.
    Abçs

    1. Opa, valeu o comentário, oswaldo! Eu sempre pensei que vocês eram a mesma pessoa!

      Desculpe-me pelo engano!

  25. Salvador, boa tarde.
    Entre várias teorias que surgem, já ouvi dizer que a velocidade da energia escura é superior a velocidade da luz, isso faz algum sentido, existe alguma base base cientifica para isso, ou por enquanto é somente especulação de alguns cientistas?

    1. Aparentemente não. A própria existência da energia escura depende do acerto da relatividade geral em descrever a evolução do Universo, e ela pressupõe que a velocidade da luz é a velocidade-limite. (O que acontece é que a energia escura pode acelerar a expansão do Universo de forma a que objetos se distanciem uns dos outros mais depressa que a luz — mas aí note que ninguém está de fato se deslocando mais depressa que a luz, e apenas o espaço entre os objetos que está se esticando de forma que eles se afastem um do outro mais depressa que a luz. É uma diferença sutil, mas fundamental na compreensão de como funciona o Universo.)

      1. Perfeito, acho que compreendi bem agora.
        A expansão se da por exemplo a 250.000 km/s porem algumas galaxias se deslocam ao norte nessa velocidade e outras ao Sul nessa velocidade, logo a velocidade de expansão entre elas é de 500.000 km/s, porem a velocidade da materia escura partindo do centro dessa expansão seja para qualquer um dos lados jamais será acima de 300.000 km/s.
        OBS: Norte, Sul e Centro são exemplos hipotéticos visto que não temos um referencial do centro do Universo.

        1. É quase isso. Tem isso. Mas também você pode ter um deslocamento superior a 300 mil km/s, contanto que seja o espaço se esticando entre as galáxias, e não as galáxias de fato se movendo pelo espaço.

          1. E é por isso que o extremo do Universo é invisível para nós, lá o espaço se expande com velocidades superiores à da luz e desaparece de nossa visão para sempre…

            O limite detectável do Universo são as galáxias que “se afastam” de nós na velocidade muito próxima da luz…

          2. Radoico, eu acho que o mais interessante é que existem objetos que hoje são visíveis, porém amanhã não serão mais, pois o “esticamento” do espaço venceu a luz.

            Provavelmente, as formas primordiais de vida na terra, há 4 bilhões de anos, conviveram com um lábaro muito mais rico em objetos observáveis…

          3. Matéria e energia escuras são hoje para nós o que o eletromagnetismos e a gravidade foram no passado: forças/fenômenos da natureza que não compreendíamos. A partir do momento que aprendemos suas propriedades, começamos a realizar feitos dignos da fogueira inquisidora.

            Se (foco no “SE”) um dia conseguirmos trabalhar com com a matéria e energia escura da mesma maneira… UAU!!!!

    2. Ainda bem que é só o primeiro nome, pois já entrou nessa de falar bobagem e agradecer o que ninguém sabe.

  26. Salvador!

    Muito bom o texto, fácil entendimento, top demais mesmo!
    Parabéns, você é muito bom em se expressar em palavras.

    Vou fazer um churrasco em casa e te chamar somente para ouvi você falar essas coisas. kkkkkkkkk

    abraços
    minha filinha vai adorar, kkkkkk

  27. E tão mais tão simples entender como NUNCA, JAMAIS A HUMANIDADE VAI CONSEGUIR VOLTAR NO PASSADO. Sabem como? Simples, é so ver que nunca fomos visitados por seres do futuro. E facil achar que um dia vamos descobrir como viajar no passado, pensando como se o “presente” fosse somente agora, se existe viajens no tempo, existe diferente “presentes” E hoje estariamos recebendo visitas dos humanos de 2450, ah e caso em 2450 por algum motivo descobrem como voltar no passado mas acham arriscado e decidem por não fazer, em algum momento a sociedade decidiria que sim, e talvez o pessoal do ano 2890 tomasse a coragem.
    Entederam a linha de raciocionio ? Não existe viajem de volta ao passado, e a viajem “ao futuro” e nada além de uma interpretação de exergar velocidades em alta velocidades.

    1. É isso aí! De qualquer forma, o tema é fascinante e existem livros espetaculares que tratam do assunto.

      Um que recomendo muito é “O Fim da Eternidade”, de Isaac Asimov.

      1. * livros de ficção científicas, claro. Nesse que recomendei, Asimov utiliza todos os paradoxos possíveis de viagens no tempo. E o final é de gênio.

  28. Salvador, você escreveu: “quem está à velocidade da luz (e, de novo, corpos com massa, como os nossos, não podem chegar lá) vê o tempo congelar”. Sempre fico pensando qual é o “ponto de vista” de um fóton. Estar aqui agora e estar em Plutão daqui a 4,5h não faria diferença para o fóton. Seria, do ponto de vista dele, estar aqui e lá ao mesmo tempo pois o “tempo congelaria” nessa velocidade e não faria sentido falar em antes e depois pois o negócio seria instantâneo, sob o ponto de vista do fóton, não? Isso implica que sob o ponto de vista da luz não há tempo? Ela estaria em todos os lugares e realizaria todas as interações, sob o ponto de vista de um fóton, ao mesmo tempo? Dá de entender a conjectura?
    Imagino que há várias “ilusões” nessa conjectura pois imaginamos como seria o ponto de vista de alguma coisa para a qual o tempo está congelado. Como já ficou claro desde Kant (e acho que a ciência não o contradisse nesse aspecto) para nós humanos é inimaginável uma experiência que não leve em conta a passagem do tempo. É portanto difícil pensar nisso… Enfim, o que você acha disso tudo? Alguma conclusão científica é tirada do fato de o tempo estar congelado para um fóton desde o seu ponto de vista?
    Um abraço,
    Daniel

    1. Daniel, eu acho isso muito louco e é o que sugere a teoria — do ponto de vista do fóton, qualquer viagem é instantânea. Então, o fóton da radiação cósmica de fundo que partiu 13,8 bilhões de anos atrás e finalmente foi absorvido por uma antena de rádio na Terra hoje experimentou toda a existência do Universo até agora como se ela fosse instantânea. Mas note que isso é o que sugere a relatividade geral. E sabemos que há problemas para conciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, mas ainda não sabemos qual teoria será capaz de resolver esses conflitos — então é possível que mesmo o fóton sinta a passagem do tempo, embora isso vá exigir uma nova compreensão da relatividade, mais profunda, à qual não temos acesso no momento. (E uma coisa curiosa é que, embora o fóton não sinta o tempo, sabemos que ele sente o espaço, porque ao viajar pelo Universo em expansão seu comprimento de onda (ou nível de energia, como queira) vai se esticando. Agora, como ele pode sofrer uma transformação que, do ponto de vista dele, é instantânea? É possível haver um evento sem dimensão temporal?)
      Abraço!

      1. Salvador, isso é muito louco !

        Se o fóton “partiu” do Big Bang, e só agora(13,7 bilhões de anos) para nós, ele “chegou” aqui, tem algo esquisito nisso, pois há 13,7 bilhões de anos estávamos lá coladinhos naquele fóton.

        Que curva foi essa que ele fez que levou 13,7 bilhões de anos ?

        Talvez não exista “espaço” para o fóton, e ele está no mesmo lugar até hoje… Muita doideira. Mesmo com toda sua didática e excelente explicação. Eu nunca tinha visto uma explicação tão bem feita e acessível como esta.

        Parabéns !

        1. Anibal, na verdade, você precisa lembrar que a inflação inchou o Universo mais depressa que a luz na primeira fração de segundo de sua (atual?) existência. Quando o fóton da radiação cósmica de fundo (gerada cerca de 380 mil anos após o Big Bang) partiu, ele já não estava tão colado onde nós estamos. E, claro, durante a longa viagem dele, o espaço também foi se esticando (algo que vemos pelo fato de ele ter comprimento de onda de micro-onda, mas ter sido gerado como um raio gama de altíssima energia). Abraço!

    2. Daniel, simplesmente fantástico seu comentário. Nunca tinha parado pra pensar nisso, mas é insano e genial pensar como pode o fóton ter essa experiência de bilhões de anos em um único instante.

      1. Hugo,
        Já deve ter acontecido com você algo semelhante como neste exemplo:
        Enquanto dorme, um indivíduo sonha que está sendo perseguido por alguém armado que pretende matá-lo. Ele corre, atravessa uma praça conhecida, entra no carro e dirige-se para um local qualquer onde tentará se proteger, durante o trajeto relembra vários detalhes da sua vida, e vários fatos… fatos… e fatos… cronologicamente alinhados, que após o despertar consegue reproduzi-los na integra.

        Em determinado momento o perseguidor o alcança, e lhe dá um tiro, que provoca um estampido, que o faz acordar instantaneamente, sendo que na verdade o estampido que o acordou ocorreu na vida real, foi apenas o estouro do pneu de um carro que passava na rua.

        Como é possível o sonho com um enredo lógico que se desenrolou durante mais de 15 minutos, com todos os instantes lembrados plenamente a “posteriori”, terminar com o tiro que dentro do contesto da estória ocorreu no mesmo instante do estouro do pneu?
        Sabe-se pelo estudo da neurofisiologia que o tempo onírico tem velocidade diferente do tempo lúcido, pois como ocorreu neste exemplo, o sonho que durou 15 minutos ou mais, como sentido por ele, (observador “acavalgado no sonho”), de fato ocorreu integralmente no infinitésimo instante do início do estouro do pneu, portanto, no início do despertar, fato este que pode ser comprovada pela análise de uma eventual polissonografia.

    3. Ainda completando o comentário, tente pensar num exercício mental. E se no futuro fossemos capazes de manipular os fótons para criar uma câmera de video sem matéria viajando na velocidade da luz. Como seria assistir o que ela gravou? Como ver um video em que tudo acontece mas o tempo não passa??

  29. Bom mesmo foi o dia em que o Fly do FUTURAMA viajou ao passado e tentou proteger ao maximo seu avô para ele nao morrer e o Fly deixar de existir, da mesma forma que mostra o “de volta para o futuro”, entretanto o Avô do Fly morre e ele não deixa de existir. Depois disso ele vai “consolar” a viúva sua Avó e acaba se relacionando com ela e a engravidando.
    ou seja, ele eh neto dele mesmo.
    kkkkk

  30. Mais um belo texto. Em um assunto tão complexo, vc o transforma/traduz em uma forma prazerosa de conhecimento. Parabéns de novo.

  31. Pessoal, festa surpresa para os viajantes do tempo: a festa foi ontem, vou mandar o endereço amanhã! Abraços!

    Boa reportagem, Salvador. Valeu.

  32. Salvador, bom dia! Ótimo texto. Parabéns. Só uma dúvida: a velocidade que você menciona da Terra é um exemplo fictício? 2/3 da velocidade da luz me pareceram muito altos. Achei que fosse algo na casa de 30 km/s.
    Abraços

    1. Fictício. Só para facilitar as contas. A Terra não viaja em velocidades relativísticas (ou seja, próximas às da luz).

  33. Salvador, tenho lido muita coisa ultimamanete sobre astronomia e astrônomos, física e físicos. Obviamente, considero-me ainda leigo no assunto. Este “preâmbulo” foi simplesmente para dizer que esta sua postagem, pela forma didática de apresentá-la referindo-se a um assunto tão complexo e de difícil compreensão, justamente para quem é leigo, pode ser resumida com uma única palavra: fantástica!
    Obrigado, mais uma vez!
    Eugenio

  34. A luz atinge 300 mil Km/s porque não tem massa (é onda enquanto viaja, a experiência da fenda dupla prova isso), porém tem coisas que não entendo, ainda.
    Se ela não ganha massa quando acelera (será que acelera ou já parte no limite da velocidade instantaneamente), porque o limite de velocidade? não deveria acelerar infinitamente?
    Esse limite me dá a ideia que alguma coisa “freia” a luz e essa coisa seria o meio por onde ela se propaga.
    Sei que me faltam alguns conceitos, mas se o Salvador ou outro “mensageirosideral” puderem me ajudar, ficarei grato.

    1. É uma boa pergunta. O dado de que ela sempre viaja a essa velocidade no vácuo é experimental, e na relatividade isso é um postulado — ou seja, é a base. Ninguém sabe por quê.

      1. Valeu, Salvador!

        O que mais me frustra é que mesmo a luz caminha como uma lesma diante da imensidão do universo.

        1. Melhor isso do que nos relegarmos a viver num Universo minúsculo, como até hoje tem gente que preferiria viver. 🙂

      2. O interessante é que a luz ao passar por um meio, ela tem sua velocidade diminuída, mas depois de deixar esse meio ela volta a velocidade constante anterior.

        Exemplificando, se ligo uma lâmpada e a luz passa por aquário logo em frente, a sua velocidade é reduzida em razão do meio, ao deixar o aquário, ela volta a velocidade anterior.

        Assim, pelo fenômeno da refração suponho que a luz já nasce na sua velocidade máxima, talvez porque sua aceleração seja infinita.

        PS: Também sou leigo, se eu falei bobagem por favor me corrijam.

        🙂

      3. Como a luz não possui massa mensurável, não conseguimos falar em aceleração. Aparentemente ela atinge a velocidade de propagação instantaneamente, mesmo ao trocar de um meio para outro.

        O que determina a velocidade da luz é a resistência imposta pelo meio no qual ela está viajando. Acredito que esta resistência ocorra pois a luz tem, além do comportamento de onda, comportamento que pode ser associado à partículas (mesmo que não seja possível fazer determinação de massa).

        Velocidades da luz (com arredondamento):
        – vácuo: 300.000 km/s
        – ar seco: 299.912 km/s
        – água: 225.000 km/s
        – diamante: 124.121 km/s

    2. Fernando, pelo que li esta velocidade é de fato o limite da casualidade no nosso universo. É a velocidade máxima que partículas dentro do horizonte de partículas (universo observável) podem se comunicar. Como as ondas eletromagnéticas nao tem massa se movem sempre neste limite. Pelo que entendi, se este limite fosse “infinito” não experimentaríamos essa coisa de causa e efeito como vemos. Portanto parece que a luz obedece a uma lei física do nosso universo. Essa velocidade não é “dela” de fato.
      Tem uns videos muito legal no YT no canal PBS Space Time…. muito bons mesmo. Abraços

  35. Que texto incrível e simples de entender. Já li dezenas outros com o mesmo tema e esse é excelente e prazeroso em cada parágrafo. Obrigado!

  36. Dura lex sed lex. Estão todos pirados. Confundir filme de ficção com probabilidade científica é o fim da picada, da jornada, do pouco de bom senso existente.

    1. O fim da picada, se me perdoa a indelicadeza, é um cara vir aqui só para criticar os conteúdos, sejam eles quais forem. Orra, meu, que cara chato!

    2. oswaldo é caso perdido mesmo

      nem consegue distinguir a ficção usada como chamariz pra atrair os leitores enquanto ainda faz um trabalho primoroso, como o próprio amigo lá de cima já veio indicar, de explicar de um jeito bem didático pra quem não é expert em teoria da relatividade… e claro, como sempre, deixando bem clara a distinção entre ciência e ficção

      Salvador, continue, seu trabalho só melhora com o passar do tempo, apesar de alguns ainda terem certa dificuldade…

    3. Cara, se você não gosta, por que continua voltando? Por que lê o blog? E, pior, por que comenta? Você ainda não entendeu qual a proposta do Salvador? Não é tão difícil perceber. Eu respeito quem gosta de astronomia e ciências afins, mas ocasionalmente discorda das opiniões (quando há opiniões) do Mensageiro Sideral. Mas não dá pra entender que vem aqui só pra criticar o trabalho do jornalista (que nunca se apresentou como ‘candidato’ a Prêmio Nobel de nada). Puta cara chato.

    4. Oswaldo Gil de Souza deixa de ser bobão, parece criança tentando encher o saco de outros.
      Você é chato, ninguém aqui esta nem ai para suas ideias, vai procurar o que fazer, você não é bem vindo aqui.
      Se valorize, você é ridicularizado a cada palavra que posta aqui, vá procurar um lugar que merece sua atenção, por que aqui você não passa de um imbecil.

    5. Mesmo sabendo que é impossível lançar uma máquina (ainda mais tripulada) a viagens no tempo, pelo menos “De Volta Para O Futuro” cumpre com a função de divertir a quem o assiste.

      Diferentemente daquele filminho de ficção bosta que o Russell Crowe fez, de um tal de Noé… 😛

      pfff… lixo puro (e antes que alguém diga, os milhõezinhos gastos pra fazer essa bosta é que deveriam ter ido pra comprar comida para criancinhas famintas, aliás ,os milhões dos Srs. Edir, RR, Valdemiro, Silas, Estevam, e tantos outros, também seriam ótimos pra isso)…

      1. Já eu acho até o “Noé” divertido — não é um “Senhor dos Anéis” (para ficar no mesmo gênero de filme), mas é OK. (Aliás, o Noé do Russell Crowe é um dos personagens religiosos mais patológicos que já vi!) Mas, ao contrário do que Oswaldo quer fazer parecer (e dos erros que ele mesmo comete), sei separar bem a ficção da realidade. E também sei aproveitar os ganchos que a ficção dá para falar sobre a realidade revelada pela ciência — que, por sinal, costuma ser mais estranha que a própria ficção.

        1. O único Noé que eu gostei foi o do Steve Carell (A volta do todo poderoso)

          E só para fazer uma separação, Senhor dos Anéis, Hobbit, e afins, são fantasias despretensiosas, com único objetivo de instigar a imaginação, e te convidam a viajar, relaxar…

          Já Noé e as outras passagens bíblicas querem que você acredite que tudo aquilo aconteceu de verdade. Para os xaropes de plantão, a bíblia não se apresenta como um livro de mitos, fantasias, nas quais você também poderia viajar, imaginar… Mas não, eles insistem que são passagens verdadeiras, fatos que realmente ocorreram… aí fica difícil né…

          1. Nem acho que os filmes de fantasia com inspiração bíblicas querem que você acredite que aconteceram mesmo. Como fica Hollywood, comandada por empresários judeus, fazendo filmes de Jesus um atrás do outro? 😛

          2. Quem manda em Hollywood são os dólares, e se eles podem lucrar com filmes religiosos, vão fazê-los sempre…

            A minha crítica fica para os xaropes que aparecem aqui no blog mesmo…

          3. Bruno, mas se são os dólares que mandam (e eu concordo), então não é a doutrinação religiosa que motiva os filmes, e sim a grana que eles rendem (possivelmente graças à doutrinação religiosa feita por outros). Não acho que ninguém em Hollywood (a Califórnia é um o estado americano mais progressista) queira realmente convencer o povo de que Noé existiu, e rolou dilúvio e tal.

            E concordo com você que os xaropes que aparecem no blog são osso duro de roer.

          4. Não tenho religião alguma,mas acho tão chatos como religiosos fanáticos os ateus fanáticos.Odeio aqueles sites de pessoas que se acham sábias tentando provar que Deus não existe.Eles não se contentam em denunciar esses pastores,padres,etc (não generalizo) ladrões e exploradores da fé,tem que ficar enchendo o saco de quem acredita em um Criador,na bíblia etc.REPITO:Não tenho religião,e só sei que somos infímos pra ter certeza absoluta sobre tudo.

  37. Olá Salvador. Parabéns pelo texto. Muito bom.
    Só uma dúvida, a velocidade que você menciona para a Terra é um exemplo fictício? 2/3 da velocidade da luz me pareceram muito. Achei que fosse algo na casa dos 30 km/s.
    Abraços

  38. Gosto do modelo de viagem no tempo tal como imaginado no seriado de ficção “Odissey 5”: um download da consciência em algum tempo passado (ou futuro). É o que acontece nas precognições e retrocognições autênticas. No dia em que a consciência entrar nas equações, a viagem no tempo estará mais próxima da humanidade.

  39. POR FAVOR!!!! quem estiver lá registrando este evento histórico, não se esqueça de avisar ao Dr Emmett Brown para se proteger do ataque dos terroristas!!!! Isto é EXTREMAMENTE IMPORTANTE para podermos manter a continuidade do espaço-tempo!!!

Comments are closed.