Mensageiro Sideral

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos

 -

Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

O que ver no céu em dezembro

Por Salvador Nogueira

Anote aí: o evento mais marcante para os amantes da observação celeste neste mês de dezembro será a chuva de meteoros geminídeos, que atingirá seu ponto máximo no dia 14, uma segunda-feira. O espetáculo promete frequências de 120 meteoros por hora, nas condições ideais de observação.

Geminídeas fotografadas no Arizona (EUA) em 2010, por David Harvey
Geminídeas fotografadas no Arizona (EUA) em 2010, por David Harvey

As geminídeas são resultado da travessia anual que a Terra faz da órbita do asteroide Faetonte. Ao cruzar a região, pequenos pedaços deixados pelo astro em sua trajetória adentram a atmosfera terrestre e queimam, produzindo as famosas estrelas cadentes.

O traçado do Faetonte lembra muito o de um cometa de curto período. Especula-se até que o objeto possa ser um cometa “morto”, que esgotou seu material volátil (principalmente água) depois de passar muitas vezes pelo interior do Sistema Solar. Restou apenas um pedregulho rochoso e esfarelado que, pela pressão da radiação solar, vai deixando detritos ao longo de sua órbita.

Dezembro conta com outra chuva de meteoros regular, as ursídeas, mas ela não é visível ao sul da linha do equador.

URANO E NETUNO
O mês também será uma boa oportunidade para localizar Urano e Netuno, sétimo e oitavo planetas do Sistema Solar. Ambos só podem ser vistos com auxílio de instrumentos ópticos, mas encontros aparentes com a Lua facilitam sua localização. No dia 17, nosso satélite natural passará apenas 3 graus ao norte de Netuno. Dois dias depois, ela estará mero 0,5 grau ao sul de Urano.

Os dois planetas restam como os únicos do Sistema Solar que jamais foram visitados por uma missão orbital. A única espaçonave a encontrá-los, a americana Voyager 2, o fez só de passagem, em sobrevoos eletrizantes. Até hoje, suas imagens colhidas em 1986 em Urano e três anos depois em Netuno representam as mais sofisticadas observações já feitas desses planetas gigantes gelados, com tamanho intermediário entre os rochosos, como a Terra, e os gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno.

Curiosamente, embora Netuno só tenha sido descoberto oficialmente em 1846, já em 1612 Galileu Galilei chegou a registrar sua presença numa carta estelar, produzida com a ajuda de sua luneta. Contudo, na ocasião o italiano não se deu conta de que ele era um planeta, tomando-o por uma estrela.

Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook, no Twitter e no YouTube

Blogs da Folha

Publicidade
Publicidade
Publicidade