O relógio do Juízo Final

O teste bem-sucedido de uma bomba de hidrogênio pela Coreia do Norte só mostra como a ameaça da devastação nuclear nunca realmente deixou de nos assombrar, desde que as primeiras armas desse tipo foram desenvolvidas, ao fim da Segunda Guerra Mundial. Confira a seguir um trecho do meu último livro, “Ciência Proibida”, que trata desse e de outros perigos que pairam sobre a humanidade no século 21.

O Relógio do Juízo Final

Não surpreende que os cientistas tenham se tornado os maiores ativistas contra a proliferação nuclear. O remorso diante do horror de Hiroshima e Nagasaki era grande, e pouco consolo restava no fato de que os nazistas também estavam perseguindo o desenvolvimento de armas nucleares (assim como os japoneses). É verdade que teria sido muito mais trágico se Hitler tivesse chegado à bomba antes do Projeto Manhattan. Talvez eu não tivesse a chance de escrever isso, pois o mundo inteiro teria sido obrigado a se curvar diante de uma Alemanha autoritária, racista e genocida, ou, talvez pior, teríamos concluído a Segunda Guerra como um conflito nuclear global.

O horror nuclear pôs fim à guerra mais violenta da história, mas o que faríamos para impedir a próxima? E quais seriam as consequências de um conflito global travado com armas nucleares? Não por acaso, Einstein chegou a dizer: “Não sei com que armas será travada a Terceira Guerra Mundial, mas a quarta será lutada com paus e pedras.”

Pela primeira vez na história humana, nossa sabedoria teria de ultrapassar nosso progresso tecnológico para que pudéssemos sobreviver. De início, os criadores da bomba atômica ligados à Universidade de Chicago não eram otimistas. Em 1947, eles iniciaram uma contagem regressiva virtual para o apocalipse – o chamado Relógio do Juízo Final. Eles criaram uma publicação, o Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos), cujo objetivo era alertar para os riscos de um conflito nuclear e defender as bandeiras da não-proliferação e do controle internacional dos arsenais – algo que não animava os Estados Unidos, então detentores do monopólio sobre armas nucleares e prestes a embarcar numa Guerra Fria (correndo o risco de esquentar) com a União Soviética.

Em 1947, o relógio marcava sete minutos para a meia-noite (simbolizando a iminência de um conflito nuclear), mas tudo mudaria dois anos depois, quando os soviéticos quebrariam o monopólio americano e detonariam sua primeira bomba atômica. Enquanto os cientistas, apavorados, empurravam o ponteiro para três minutos para a meia-noite, as duas superpotências do pós-guerra embarcavam numa corrida armamentista nuclear.

Curiosamente, as primeiras bombas soviéticas eram parentes muito próximas das americanas – foram construídas graças a substancial inteligência obtida por espionagem dentro do Projeto Manhattan. (Oppenheimer, apesar de suas inclinações comunistas, jamais facilitou o vazamento de informação aos russos, e chegou até a denunciar ao Exército a possível presença de espiões, quando a suspeita chegou a seu conhecimento.)

A resposta imediata do governo americano foi perseguir o desenvolvimento de uma superbomba atômica – uma proposta que já era defendida pelo físico Edward Teller desde 1943. A ideia era usar a detonação de um artefato de fissão nuclear para elevar a temperatura a ponto de promover em seu interior reações de fusão nuclear. Ao colar núcleos atômicos, como o do deutério (versão do hidrogênio com um próton e um nêutron), a liberação de energia é ainda maior do que a da quebra de átomos. É basicamente o modo pelo qual o Sol produz sua energia. Teller argumentava que a bomba de hidrogênio seria tão poderosa que serviria como dissuasão imediata para qualquer conflito nuclear. Suas detonações seriam medidas em megatoneladas – milhares de vezes mais poderosas do que as bombas que explodiram sobre Hiroshima e Nagasaki. Quem seria louco de travar guerra contra uma superpotência que tivesse posse sobre tais armamentos?

Em 1951, o desenvolvimento estava pronto, e em 1952, os Estados Unidos testaram a primeira dessas armas termonucleares. Mas apenas nove meses depois, em agosto de 1953, a União Soviética fez teste similar, e com um modelo pronto para combate. O Relógio do Juízo Final passou a marcar apenas dois minutos para a meia-noite. O perigo iminente do fim da civilização fez com que os governos americano e soviético buscassem, por vias diplomáticas, limitar os testes nucleares. Além disso, cientistas dos dois lados passaram a interagir mais, em eventos como o Ano Geofísico Internacional e as Conferências Pugwash sobre Ciência e Assuntos Mundiais, ambos iniciados em 1957.

Em compensação, em 1957 a União Soviética concluía o desenvolvimento do primeiro míssil balístico intercontinental, capaz de transportar uma ogiva nuclear a qualquer alvo no planeta, não importando a distância. Já não era mais preciso um sobrevoo de avião para lançar uma arma nuclear. O foguete responsável pela façanha era o R-7, o mesmo que foi usado em 4 de outubro de 1957 para colocar em órbita o primeiro satélite artificial, o Sputnik.

O contexto ajuda a entender por que os americanos ficaram tão apavorados com o Sputnik e por que razão. Enquanto governos das duas superpotências tentavam negociar acordos de não-proliferação, a corrida espacial avançou ferozmente ao longo dos anos 1960, culminando com a chegada do homem à Lua, em 1969.

Foi também na década de 1960 que a humanidade esteve mais perto de uma guerra nuclear, durante a famosa crise dos mísseis em Cuba. Tudo aconteceu em 13 dias, em outubro de 1962, em resposta à tentativa de invasão da ilha pelos americanos, no ano anterior. Para evitar que os ianques tentassem novamente derrubar o regime comunista, Fidel Castro solicitou ao líder soviético, Nikita Krushev, a colocação de mísseis balísticos nucleares em Cuba. Diante da presença de mísseis americanos na Itália e na Turquia, ao alcance de Moscou, os soviéticos ficaram felizes em atender ao pedido. Mas o governo americano não iria engolir. O presidente John Kennedy ordenou o estabelecimento de um bloqueio marítimo de Cuba para impedir a chegada de novos mísseis e ameaçou atacar quaisquer embarcações soviéticas que tentassem furar a barreira. O bloqueio não terminaria até que todas as armas já em Cuba fossem desmontadas e levadas de volta à União Soviética. Os soviéticos de início responderam dizendo que ignorariam o bloqueio e, com informações de inteligência indicando que a preparação dos mísseis em Cuba prosseguia, Kennedy chegou a despachar ordem autorizando a instalação de armas nucleares em aeronaves.

Foram tensas negociações diplomáticas, que quase levaram a ordens de ataque de parte a parte, mas acabaram resultando. Publicamente, a União Soviética retiraria seus mísseis em troca de uma declaração pública dos Estados Unidos de que jamais invadiria Cuba sem provocação direta. Secretamente, os Estados Unidos também se comprometeram a desmantelar seu arsenal na Turquia e na Itália. Foi graças a essa crise que Moscou e Washington decidiram instalar uma “linha quente” de comunicação direta entre os governantes dos dois países, o famoso “telefone vermelho”.

Tudo aconteceu tão depressa que o Relógio do Juízo Final nem chegou a refletir esses eventos dramáticos. Poucos questionariam a ideia de que chegamos ali a menos de um minuto para meia-noite. Mas o posterior sucesso diplomático acabou aprofundando a segurança global, novos tratados foram assinados entre as duas superpotências, e o ponteiro foi remarcado em 1963 para 12 para meia-noite. Dali em diante, entre guerras locais como a do Vietnã, e novos acordos de não-proliferação, o relógio ficou oscilando.

O momento de maior alívio aconteceu em 1991, com a dissolução da União Soviética: 17 para meia-noite. Mas, desde então, as coisas voltaram a piorar. Apesar do fim da Guerra Fria, os gastos militares permaneceram muito elevados entre as superpotências, e um número cada vez maior de nações em conflito adquiriu capacidade nuclear: Índia, Paquistão e, mais recentemente, a Coreia do Norte.

No total, temos hoje os seguintes países com arsenal nuclear: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte (Israel nunca admitiu a posse desses dispositivos, mas acredita-se que os tenha). Em 2012, a Federação dos Cientistas Americanos estimava a existência de mais de 17 mil ogivas nucleares, com cerca de 4.300 delas em status “operacional”, ou seja, prontas para uso imediato. E a história mostra que crises como a dos mísseis em Cuba podem se desenvolver muito depressa. Estamos longe de estar seguros.

Pior: à ameaça nuclear se juntaram outras, que nem conhecíamos décadas atrás. Em 2007, os cientistas decidiram reformular o conceito do Relógio do Juízo Final para incorporar outros perigos iminentes ao futuro da humanidade. A bomba atômica foi só o começo, mas agora temos também de lidar com coisas potencialmente devastadoras, como a mudança climática e o surgimento de novas tecnologias perigosas. Há outros “gênios” prestes a sair da garrafa pelas mãos dos cientistas, como veremos daqui a pouco.

Resultado: até hoje não temos grandes acordos internacionais para combater o aquecimento global, e americanos e russos estão conduzindo um processo de modernização de suas armas nucleares. Isso sem falar no problema crescente do lixo nuclear, que pode acabar caindo em mãos erradas e permitindo o desenvolvimento de armas atômicas por grupos terroristas. O Relógio do Juizo Final voltou a ser reajustado em 2015. Agora, ele marca 3 minutos para a meia-noite.

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Comentários

  1. Profecias do apocalipse

    – O anti cristo Acm Neto vai ser presidente do Brasil. A profecia diz que quando o cetro do poder for colocado nas mãos do anti cristo que é Acm Neto , Deus virá com todo seu poder para destruir esse mundo.
    – O estado Islâmico vai atacar o Brasil , já tem Brasileiros que vivem aqui planejando esse ataque que vai explodir um avião com brasileiros dentro e vai explodir lugares publicos. O inimigo está dentro das familias e dentro de casa . os filhos que estão nascendo são inimigos de seus pais.
    – Amora Maria a praga já nasceu em fevereiro de 2016 em Salvador-ba , já veio para esse mundo a mando de Deus para abrir caminho para a Noiva de Deus que vai ser sua irmã e segundo a profecia tem que está entre nós quando Deus vier para destruir esse mundo.
    – Amora Maria a praga , já trouxe com ela algumas pragas que fazem parte da destruição desse mundo.

  2. Perfeito, Salvador, perfeito.
    Primeiramente, louve-se sua enorme paciência e atenção com seus leitores.
    Conviver com pensamentos e afirmações tão diversas de forma profissional como as oferecidas neste post, na minha humilde opinião, eleva mais um degrau no seu conceito.
    Pedindo licença para colocar mais combustível no foguete, creio que a convivência é absolutamente normal desde que praticada por pessoas igualmente normais.
    Diferenças sempre existiram, e claro que não vão se dissolver sem mais nem menos.
    Ninguém precisa convencer ninguém, ninguém precisa ganhar a discussão, temos que entender os fatos, formarmos nossas idéias e opiniões baseadas nos fatos, sem nenhum detrimento de nossas crenças e credos.
    Boa convivência requer tolerância, requer respeito, não admite violência.
    Não há o mínimo problema em ter sua fé, praticá-la, e aliar estudos, conhecimentos, pesquisa, literatura, doutrina.
    No limite, tudo em certo momento e de certa forma já foi debatido.
    Por mais argumentos que sejam colocados, sempre existirão pontos a serem questionados.
    Me lembro rapidamente do personagem/teólogo vivido pelo Matthew Mconaughey no inesquecível Contato, masterpiece do Mestre Carl Sagan, onde ele enxergava a mão divina auxiliando a humanidade com o progresso da ciência.
    Aliás, no mesmo filme, um fundamentalista quase boicota por completo o experimento.
    Pessoalmente, fico com o Palmer Jones, se a memória não me traiu.
    Quero muito voar no drone, no mínimo ter esse drone filmando a mim sem minha intervenção, ter minha realidade virtual doméstica, mas acima de tudo, ver ser usada uma pomada que faça renascer um dente, ver um tetraplegico recuperar seus movimentos, ver um cego voltar a dirigir, ver o câncer ser dominado.
    Se Deus quiser, no bom português do interior, ainda vivo para ver isso tudo.
    Grande a fraterno abraço,

  3. Comentário em OFF

    Parte I

    No planeta Terra, durante o ano de 2015, um blog de astronomia mudou seu sistema de comentários diminuindo o tamanho das letras conforme cada nível de respostas a um comentário anterior tal como o prólogo do Star Wars invertido.

    1. O nível mais alto (ou baixo, sei lá) tem umas letras tão pequenas que qualquer grau de miopia torna a leitura do texto bem difícil e nem a força dos Jedi (negra, branca, amarela, vermelha, verde, cinza, etc.) pode facilitar a leitura.

        1. Geraldo, se você conseguir ler essa resposta, parabéns pelo comentário, pelo visto, não sou o único a lamentar essas letrinhas…

          1. Realmente é pessimo, eu tenho que forçar minhas vistas para ler estas letrinhas, sem falar que ja uso oculos, o debate fica chato de ser lido, eu simplesmente passo para o proximo comentário.
            Não entendo esta capacidade que progamadores, webdesigners etc tem em piorar o que era sastifastório.
            E igual muitos aplicativos dos smartphones, e vim uma atualização e eu ao invés de me empolgar ja espero uma caca. O novo do globo esporte é um exemplo disso, ficou lento horrivel ler noticias de futebol por lá.

  4. Os apocalíticos adoram quando alguém fala em “Juízo Final” e estão torcendo muito para que o megalomaníaco coreano faça alguma besteira. O desejo pelo Apocalipse destes sujeitos escrotos é praticamente sexual. Como diria a Marta Suplicy, no momento que o Juízo Final estiver acontecendo eles vão “relaxar e gozar”. Ferrar com a raça humana é o objetivo de vida (ou de orgasmo) deste pessoal.

  5. Apenas um viruzinho ou uma bacteria espalhada no mundo inteiro poderá fazer um estrago maior que uma bomba atômica. Veja, combate a dengue, aparece a chicungunha, mal tem tempo de saber quem e ela, aparece a zica, e etc, etc, viver cada dia em paz eh a maior realização que podemos ter. O futuro eh modificado a cada segundo e isto, penso eu, eh a emoção de se viver.

    1. 100% de acordo! Além disso, a existência desses vírus e a evolução das bactérias, a cada ano mais resistentes aos antibióticos, são mais uma prova da Evolução Natural…

    1. Teoria: A planície branca cheia de dunas congeladas foi formada a partir de um grande derramamento de água (ou outra substância que também fica branca ao congelar) na superfície de Plutão causada por um impacto ou atividade criogênica do próprio planeta. Este derramamento “soterrou” o relevo do planeta, deixando apenas alguns pontos de altitude mais alta expostos. Teoria embasada no relevo em volta da região do derramamento, cujos picos são muito parecidos com os picos da região branca.

  6. Eu terminei de ler esses dias seu livro e quando a noticia da Coreia do Norte apareceu lembrei instantaneamente dessa parte. E a história continua…
    Aliás, parabéns pelo livro, porque eu só leio alguma coisa da Superinteressante se tiver sido escrita por você hehe
    Abraços

    1. Huahuauah, nem tinha visto isso. Sim, é um absurdo. Todo mês tem lua nova. Nada de especial.

      1. Pior que saiu o mesmo texto no G1, Terra, Revista Galileu e N pequenos por aí.
        Muito obrigado pela resposta Salvador!

  7. Prezado Salvador e comentaristas! Estou aliviado com o confronto de ideias, apenas confronto de ideias, pois dada a rivalidade entre os participantes deste colóquio, se tivesse ao nosso poder apertar o botão “atômico” quem o faria, em um momento de fúria e descontentamento com as ideias do outro? A “paz atômica” veio racionalizar os nossos discursos, apenas os nossos discursos, pois apertar o “botão” não seria vantagem nenhuma para ninguém. Porém dada a ancestral natureza que possuímos, seja religiosa ou não, nada nos assegura uma paz duradoura. Só o futuro dirá!

  8. Inegável que as bombas atômicas abriram caminho para a propulsão de tecnologias, como toda a tecnologia, há a porta para o bem ou para o mal, como foi antes com a pólvora. Incidentes como os de fukushima, ocorrem e as contingências para tratá-los encontram-se nos limites dos medos humanos. Na Ucrânia até hoje há pessoas que se recusaram a deixar a área de isolamento do incidente nuclear. Algumas não tiveram consequências da radiação. Há muitos mitos e coisas a serem descobertas sobre a convivência a longo prazo com a radiação. O resumo da ópera: a Humanidade como espécie sobreviveu a exploração dessa fronteira tecnológica. E as tecnologia nucleares, infortunamente, desenvolvidas por uma repudiável corrida armamentista, propulsionaram a humanidade para novas opções. O que isso mostrou finalmente à consciência humana e a lição foi aprendida e felizmente tem sido refletida cada vez mais (clima, transgênicos) é que o Planeta é limitado e pode ser posto em perigo com a fronteira tecnologica que a humanidade agora explora, e o planeta cada vez mais tem sido tido por sensível. Inegável que se novas tecnologias fossem testadas pela atual conjectura política, deveriam ser testadas no espaço… E é para lá que as coisas teriam que caminhar…

  9. Olá Salvador!

    O meu primeiro contato com “cérebro eletrônico” datam dos antigos main frames da IBM, Burroughs, Digital e Honeywell e, no Brasil, trabalhar com estes equipamentos davam status ao profissional equivalente a neuro cirurgiões ou áreas correlatas além de serem máquinas estranhas e fenomenais para o público em geral. Hoje qualquer pessoa pode possuir equipamentos milhares de vezes melhores, rápidos e “human friendly” e aí está o risco para que o relógio do “juízo final” seja colocado em funcionamento e acelerado; não creio que Estados minimamente organizados sejam tão irresponsáveis para acionarem o holocausto, mas os acessos as tecnologias da informática podem ter mal usos e nenhum sistema de segurança é 100% confiável, portanto, contrabando de materiais que permitam fabricar bombas estão cada vez mais factíveis e um Estado como a Coreia do Norte teria bons estímulos para venderem seus conhecimentos. Se fosse apenas por decorrências da natureza a morte pode estar constantemente à nossa espreita mas teríamos meios de nos preparar, já em relação a radicais sempre será uma surpresa imprevisível afinal, quem imaginaria que após a Primavera Árabe surgiriam o Estado Islâmico e outros grupos radicais? Até o t=0 espero ter passado naturalmente desta para uma melhor.

  10. Mas sinceramente,será que existe mesmo essa ameaça de uma guerra nuclear global ? Sempre achei que já não corríamos esse risco mais,porque não haverá vencedores.

    1. Basta alguém achar que pode vencer ou que não haver vencedores é uma vitória. Acho que o perigo é menor do que já foi, mas ele nunca poderá ser afastado por completo.

      1. O problema é esse. Todo pensamento militar gira em torno da capacidade de dissuasão, que envolve os custos (não só financeiros) de qualquer ato de hostilidade. E nesse cálculo, quem se defente se arma pensando assim também. “Eu posso perder mas você também não vai ganhar”. As políticas de terra arrasada partem dessa premissa. E para que a dissuasão seja eficiente, o outro lado precisa acreditar que você está disposto a levar esse pensamento às últimas consequências. Do contrário, se um indiano maluco resolver atacar o Paquistão com armas nucleares, e encontrar pela frente um paquistanês mais sensato (ou medroso, depende do ponto de vista), o indiano vai vencer justamente porque ele teve a coragem de lançar mão das armas mais poderosas, e o outro lado, não. Em suma, a escalada acontece, de um lado, porque um dos agressores supõe que o outro vai “piscar” primeiro e o outro agressos entende que a única forma de vencer (ou não deixar o outro ganhar) é se mostrando inteiramente resoluto.
        O tempo todo acontecem erros de cálculo assim. Quando a Argentina atacou as Maldivas os hermanos apostaram que o Reino Unido não responderia com alto poder de fogo a uma invasão que, para a comunidade internacional, parecia irrelevante. Foi só quando os primeiros navios argentinos começaram a ser afundados é que eles se deram conta do problema envolvido em enfrentar uma das mais poderosas Armadas do mundo. Um abraço.

  11. Salvador, muito bom o texto! Parabéns pela macro visão da realidade que vivemos hoje! Por mais que não seja conveniente comentar sobre isso tudo que foi comentado e não envolve a ciência como tema principal, todos estes comentários revelam a nossa ignorância com relação ao que achamos certo e errado e ao que julgamos como bom e ruim dependendo de nossa ótica. Para os cristãos, bárbaros são os que não vivem conforme os dogmas criados pelas igrejas, tal qual para os muçulmanos. Na minha opinião quando o bom senso científico e religioso não se equivalem, a mente e o pensamento humano fica perdido e pende ao fanatismo de um ou outro seguimento. Fora à iminente extinção nuclear, já estamos a séculos nos extinguindo tentando impor nossos credos aos outros. Enquanto tivermos o olhar fixo e não panorâmico da vida, seremos constantemente esmagados por nós mesmos.

  12. História é passado. De nada adianta essa discussão do que foi, como poderia ter sido e quem está certo ou errado. Toda a história refere-se ao ser humano e como agiu. Se suas ações estiveram alicerçadas em quaisquer correntes do momento, boas ou más, é inconsequente, pois é passado, é história. A certeza que deve predominar é que Deus, mesmo dando o livre arbítrio ao ser humano, dentro de sua perfeição, quer o melhor para nós e, consequentemente como Criador não cria imperfeições. Criou o Universo com um objetivo Seu, para alguma finalidade Sua, e como estamos, nós, pois Ele é atemporal, em um trajeto para a finalidade determinada, Ele não precisa ir fazendo acertos pois a Obra é perfeita, mesmo dentro das imperfeições momentâneas.

    1. Man, achei que você já tinha subido esse degrau…

      Esse velho bê-a-bá proveniente dos altares não eleva as discussões neste fórum…

      Bom 2016 pra ti…

    2. O seu Deus perfeito criou o Homem, também perfeito… Um ser Perfeito jamais criaria um ser Imperfeito, não é mesmo? E um Ser maravilhoso e bom não permitiria que houvesse crueldade e injustiça nesse mundo e nesse universo, correto? É graças a esse Ser Maravilhoso, bom e perfeito que existe essa Humanidade maravilhosa, justa e perfeita!

      Só não entendo como as pessoas enxergam crueldade e injustiça no mundo, já que isso não existe!

  13. A paranóia dos assim chamados ‘profetas do apocalipse’ sempre esteve presente na história universal e apesar disso humanidade sempre deu a volta por cima e continua crescendo e prosperando graças àqueles que não dão bola a essa obsessão e se dedicam ao seu projeto pessoal de vida onde se incluem realização profissional, lazer e vida social. Tenhamos em mente que o mundo só acaba para quem morre de fato ou morre virtualmente com suas obsessões, suas depressões e seus medos. A vida é preciosa demais para ser desperdiçada

  14. Sou evangélico, mas me divirto com a discussão Ciência X Religião, pois o que se vê é uma discussão em que fala de Teorias e outro de Dogmas, sendo impossível que um compreenda o outro. Quanto a mim que acredito em Deus piamente e procuraria um médico caso tivesse um enfarto ( não é falta de fé em Deus, mas racionalidade), sei que minhas doutrinas são apenas obrigatórias a minha pessoa.

  15. Salvador,

    Não li esse livro mais recente (aguardando o eBook), mas quero parabeniza-lo não apenas pelo aperitivo, mas principalmente pelo alto nível de elaboração de suas respostas aos radicais islâmico e cristão. A estes, por favor, repensem seus dogmas, e tentem mudar não só a sua mentalidade, mas a de suas religiões. Não que tenham que descrer em algo — isso é opção pessoal –, mas que não precisem vencer, nem convencer, nem serem superiores a ninguém que não creia nos mesmos princípios.

    A propósito, jogo a toalha: o G1 de fato é só o alterego de alguém conhecido aqui. A estupidez religiosa dos comentários do post anterior não condiz com a rasura de explodir o planalto (e um “anarfa” não usaria o termo “bomba H”).

      1. Claro que não é você! É alguém conhecido, apenas trollando. No início foi até legal, mas agora já perdeu a graça.

        1. Sabe qual eu acho que é o benefício? Espanta os outros do mesmo naipe, pois evidencia quão ridículo é comentar desse jeito.

          1. É… a bomba atômica usa a fissão e a do H, fusão, como está no texto. Coisa genial igualar os dois processos. Dai a pouco vão conseguir igualar o zero ao infinito!

    1. KKKKKKKKKKKK QUE BURRO VOCE TODOMUNDO SABE QUI O OTRO NOME PRABONBA ATOMICA E BOMA H!!!!!!! VOTA PRA ESCOLA SEU BESTAO!!!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKK

  16. Salvador,

    Texto excelente e oportuno, como sempre. Apenas uma pequena ressalva: acredito que você foi injusto ou impreciso no trecho em que atribui inclinações comunistas a Oppenheimer. Sei que o foco principal do “Ciência Proibida” não é a história do Projeto Manhattan e seus personagens, mas recomendo a leitura do blog Restricted Data (http://blog.nuclearsecrecy.com), do historiador Alex Wellerstein. É uma fonte riquíssima de dados históricos sobre tudo relacionado à era nuclear e um bom exemplo de análise sobre J. R. Oppenheimer é o seguinte artigo: blog.nuclearsecrecy.com/2015/11/06/the-doubts-of-oppenheimer/

    Abraço,

    1. Ricardo, eu falo mais de Oppenheimer (não muito mais) e do Projeto Manhattan (bem mais) em outros trechos do livro, mas a ligação do Oppenheimer com o comunismo nunca foi muito controversa. O artigo que você menciona aponta isso, embora sem especificar a visão pessoal dele (que, naturalmente, é inacessível a essa altura). Eu digo a mesma coisa no livro. Que ele tinha inclinações comunistas (tinha muitos amigos com essa linha de pensamento), mas que isso nunca interferiu no seu trabalho, chegando a denunciar possíveis espiões da União Soviética.
      Abraço!

  17. Salvador,

    Sou seu fã e gostaria muito de seu livro estivesse na Amazon (eBook). Tem alguma previsão?

  18. Imagine se Truman não tivesse autorizado o uso de armas atômicas. O que teria acontecido? A operação Downfall, o plano de invasão às ilhas japonesas, já estava em andamento. Seria em duas etapas. A primeira, Olympic, iria ser lançado em Novembro de 1945, Seria a invasão do sul do Japão, Kyushu. A segunda, Coronet, a invasão da ilha central, Honshu. A previsão de baixas apenas para a primeira etapa seria de um milhão para o lado aliado e de quatro a cinco milhões para os japoneses. Sem falar na segunda etapa. Os japoneses estava irredetíveis, não queriam aceitar os pontos da reunião em Postdam, e apesar da situação geral, queriam lutar até o fim, sacrificiando até todo o povo, se necessárioNa reunião de Postdam, doi estipulado uma data para a invasão soviética ao Japão. Então, a União Soviética, além de retomar as ilhas Kurilas, teria invadido, e, possivelmente, ocupado o norte do Japão, Hokkaido. E o Japão nunca seria o pais pujante economicamente que é hoje, maior aliado anti-comunista na ásia dos Aliados (exceto a ex-União Soviética). E, ao que parece, fez parar a invasão soviética quando o imperador anunciou a rendição logo após o incidente Nagasaki. Se o possuidor das armas atômicas fosse outro e não tivesse o mesmo norteamento moral dos Aliados, teriam parado por ai? Dos males, o menor. Mas concordo que a situação atual é preocupante, também não se sabe em que estágio está a ciência nuclear do Irã. E parece que havia mais um país que teve, por curto espaço de tempo, armas atômicas: a África do Sul, com a ajuda do Israel – há o caso, até hoje nunca explicado (há registro de uma explosão – de bomba atômica de pqeueno porte? – em uma ilha ao sul da àfrica do Sul, até hoje nunca explicado corretamente). Também teve outro caso, quando Brezhnev – que era muito paranoico – desconfiou da movimentação ocidental e mandou ficarem de prontidão para lançamento de mísseis. E o caso do alerta falso do NORAD, em 1979, devido à uma simulação do simulação de um computador que vazou para o sistema? Enquanto houver divergência política e paranoia religioso, vamos sempre pisar em casca de ovos – já todos com fendas, a membrana externa aberta e apenas a membrana interna segurando-os!

    1. Essa questão, de não se propagar que as bombas de 1945 salvaram muito mais vidas do que as que tiraram, vem muito da dificuldade do senso comum de aceitar a visão de uma “alternativa menos ruim” como a mais sensata e humana, e das consequências até então desconhecidas da radiação dessas bombas, que hoje inundam o imaginário das pessoas como algo inaceitável, seja qual for o cenário.

      Claro que o quadro de 1945 não existe mais, e qualquer um que ousar utilizar um artefato nuclear provavelmente será imediatamente retalhado na mesma moeda.

      1. Pois é. Mas pode nem precisar ser retaliação – basta uma organização terrorista apossar de uma e usar-la. E como ficariaa retaliação? Usar armas atômicas? Contra quem? Seria um 11/9 em maior escala? Com a tecnologia ficando à mão de todos e até falhas de segurança – veja o caso do missíl Hellfire que foi parar em Cuba – é imprevisível o que pode acontecer.

  19. O ditador norte-coreano anterior, pai do atual, exigia que todos os grãos de arroz de suas refeições tivesse exatamente o mesmo tamanho. Exigia ainda que seus filés fossem tirados com o peixe ainda vivo, dentre outras maluquices. Lá o povo passa fome, frio, etc. Não tenham dúvidas, de que assim que houver condições técnicas para a detonação dessa super bomba, Tóquio e Seul serão varridas do mapa. Lamentável.

    1. “Contra a estupidez, os próprios deuses lutam em vão.”
      Friedrich Von Schiller, dramaturgo alemão

  20. A nossa ciência permitiu uma extensa compreensão de vários fenômenos naturais e, via de regra, os utilizou em nosso benefício. Não teria espaço para aqui enumerar as grandes conquistas da Medicina e da Física que trouxeram uma significativa melhora na qualidade de vida da humanidade. Contudo, foi esse sucesso que fez com que a sociedade negligenciasse a dimensão espiritual da nossa existência. Quando se roubou dos céus o segredo do fogo, os homens perderam a noção de humildade, se sentiram senhores de forças tremendas e se colocaram acima do Todo Poderoso. Por isso amigos, a religiosidade é essencial para que se estabeleçam limites éticos para a pesquisa científica. Sem um Norte moral e espiritual, o ser humano será uma vítima de suas próprias descobertas científicas, será esmagado pela sua própria ambição pelo conhecimento e caminhará para a auto-destruição. Nunca os valores Cristãos foram tão necessários ao mundo.

    1. Apolinário, acho que o norte precisa ser moral, mas não necessariamente espiritual. Veja para onde está levando o norte espiritual dos radicais islâmicos, ou veja o que os radicais católicos e protestantes já fizeram de seu próprio norte espiritual em tempos idos (para não recuar mais ainda e falar das Cruzadas, das antigas teocracias do Oriente Médio etc.). O que precisamos é de uma cultura em que as diferenças entre as pessoas e os grupos sejam valorizadas e apreciadas, em vez de renegadas. Infelizmente, muitos religiosos usam de sua religião para ir na direção contrária disso, numa direção de preconceito para com os que não seguem as crenças particulares deles. Enquanto abraçarmos uma cultura de verdades absolutas, estaremos sempre condenados às mazelas de um “norte espiritual” que não aceita as diferenças. Basta ver o preconceito que você tem para quem não pensa como você por aqui no blog para entender como as coisas se dão. Você pode até abraçar dogmas — nada contra –, mas tem de aceitar que eles só são válidos para você. Se quiser impor aos outros, aí começa a baixaria.

    2. O seu equívoco é colocar a grandiosidade da religião Cristã no mesmo patamar da seita dos seguidores de Maomé. Esse seu relativismo cultural rebaixa a verdadeira noção de espiritualidade. A Igreja Católica não ensina ninguém a se explodir, a fuzilar cartunistas ou a declarar guerra a quem não compartilha de suas idéias. Por isso ela é superior, por isso ela está viva até hoje, por isso grandes cientistas eram cristãos e por isso ela moldou tudo o que existe do bom em nossa Sociedade.

      1. Você deve estar brincando, né? A Igreja Católica AGORA não ensina isso. Mas já ensinou. E os dogmas eram os mesmos. O que mudou foi a tolerância. Foi termos papas que dizem que todas as religiões levam a Deus. Foi permitir um certo relativismo da fé. (O papa Francisco não recebeu homossexuais na Santa Sé esses dias e se disse incapaz de julgá-los?) A duras penas, a Igreja Católica aprendeu. Pediu desculpas a Galileu, com 400 anos de atraso. Pena que alguns católicos (poucos felizmente) ainda sonham com a volta da Idade das Trevas. Não é você o maior fã dos pensadores medievais? 🙂

      2. Um dos piores defeitos que uma religião(pessoa) pode ter e se achar superior a qualquer outra coisa,
        Jesus mostrou isso e ninguém notou isso, foi as pessoas de outras terras e religiões que mais agradeceram seus milagres e entenderam seus ensinamentos, foi a ignorância que crucificou Jesus na cruz, era necessário apenas ele vencer a morte, não ser humilhado em publico,
        Pilatos lavou a mão por ver a ignorância que aquele povo ia fazer.
        Se a bíblia foi apenas uma historia inventada, ou apenas uma pessoa inteligente é capaz de compreender ela.

    3. Os pensadores medievais citados por mim jamais compactuaram com a violência, pelo contrário, se dedicavam integralmente ao saber científico e muito contribuíram para enriquecer nosso patrimônio cultural. Além disso, sua análise histórica omite que a violência da Idade Média não foi produto da cultura Cristã e sim fruto da dissolução do Império Romano. Toda a Europa estava mergulhada na violência feudal e coube exatamente à Igreja Católica coibir e organizar um novo mundo que se aproximava, oferecendo um Norte Moral e Espiritual. Quanto a Galileu, sua desavença ocorreu com certos membros do clero e não com a cultura Cristã, uma vez que ele mesmo era Cristão.

      1. Apolinário, você distorce fatos. Quem queimava pessoas na fogueira por motivos estapafúrdios (do tipo “pensar coisas julgadas impensáveis”, vide Giordano Bruno) era a Igreja Católica. Claro que havia violência não-religiosa também. E em muito maior quantidade de que a por motivos religiosos. Mas achar que os santos estavam todos reunidos em torno do cristianismo e que só os bárbaros que fizeram ruir o Império Romano praticavam atos abomináveis é uma distorção histórica grave. Ou você nega que a Inquisição tenha cometido atos do mais puro barbarismo em nome da religião?

        1. Salvador, o que você diz sobre o histórico da igreja catolica não esta errado. São fatos da história mesmo. Agora chamar isso de cristianismo ofende o proprio Cristo. Acredito que você ja deve ter lido o novo testamento. Onde ha qualquer base, por menor que seja, para que, na pessoa de Jesus Cristo, possa se embasar volencia ou barbáries. Não existe!!! Jesus mandou oferecer a outra face, mandou orar e pedir a Deus que abençoe seus inimigos. É impossivel cometer qualquer maldade com base no ensinamento de Cristo, repito, é impossivel!!! Desafio qualquer um aqui a mostrar o contrario, tomando por base Jesus Cristo. Então, onde está o cristianismo nisso? Cristãos não podem matar, roubar, e nem sequer a mentira Jesus permite. Então essas historias que vc citou desta igreja, são de responsabilidade dela. Não vim aqui falar mau de igreja nenhuma. Mas apenas pra lembrar que Cristão é quem segue Cristo, não é quem apenas se declara.
          Abraço e mais uma vez parabéns pelo blog!!!

          1. Alan, de fato, os evangelhos ofertam uma imagem de Jesus que admiro muito. Mas nem tudo que está no Novo Testamento tem esse mesmo tom (para não falar no Velho Testamento, esse sim um show de massacres e violência injustificável em nome de tanta besteira). Veja o horror — e o eco militarista e de violência — que há no livro do Apocalipse. Então, eu diria que nem quem conviveu com Jesus entendeu o que ele dizia, se é que ele dizia o que está no Evangelho. E outra: não sou eu que estou descrevendo o cristianismo errado. Isso é o que o cristianismo fez com a mensagem de Cristo. Jesus não é o cristianismo. Ele é só a figura messiânica em torno da qual o cristianismo — que pode ou não refletir a mensagem original dele — se construiu.
            Mas, como eu disse, super respeito todas as crenças e religiões. E acho a mensagem de Jesus no geral muito positiva e saudável. Estamos falando do cara que oferecia a outra face, que lavava os pés de seus subordinados e não fazia preconceito de mulheres e crianças, numa época de total barbarismo. Pena que, tendo ido o mensageiro embora, distorceram a mensagem completamente…
            Abraço!

      2. Caro sr, cresci e vivi em uma terra onde os ocidentais eram chamados de bárbaros. Nossos professores quando se referiam às cruzadas explicavam sobre a brutal selvageria do Ocidente (Europa) contra o Oriente. Pode-se resumir as cruzadas como indivíduos sôfregos em invadir, roubar e pilhar os pertences, vidas e terras dos outros. Invadiram roubaram e mataram outros povos apenas por riquezas, terra, domínio, controle e poder. Para esconder esta selvageria, estes indivíduos colocaram uma divindade à frente. Existiram casos em que os cristãos das cruzadas, invasores ladrões e assassinos, entraram em aldeias (próximo de onde cresci) e mataram todos os habitantes, mesmo sabendo que se tratava de uma aldeia cristã. Porém lhe informo que a guerra de invasões ainda não terminou. O Levante (Oriente, Leste) irá tomar a Europa. As previsões indicam de em menos de um século alguns países da Europa serão mulçumanos. Entre eles, Alemanha, Itália e França. Portanto, pode ficar com suas idéias inventadas, estórias inocentes criadas pelos seus governantes enganadores. A vitória já se desenha no horizonte. Sua idéias fracas e lutas bobas contra o vento serão apenas gemidos inúteis.

        1. É justamente esse tipo de discurso — esse ódio para ver quem tem a pica mais grossa, o cristão ou o muçulmano — que produz as mazelas do mundo atual. Assim como recrimino os que festejam a “glória” cristã, também repudio quem, ao apresentar projeções do aumento de uma certa religião num certo país, diz que “a vitória já se desenha no horizonte”. A vitória só se desenhará no meu, no seu, no nosso horizonte, quando ninguém mais se importar com a religião, a sexualidade e a etnia alheias.

        2. Ahmad, você escreve muito bem o português e parece bem informado sobre história e demografia. O pessoal que segue os islâmicos mais fundamentalistas sofrem da mesma coisa que os fundamentalistas cristãos daqui, para eles falta pensar pensarem por si só e não se deixar levarem por gente mal intencionada e que querem um conflito de civilizações ou pelo menos de correntes religiosas para que cada um deles se fortaleça nas suas religiões e países onde elas são a maioria. Pense por si só, quem pode dizer qual é a religião ou cultura é a melhor ou os religiosos são mais fiéis e devotos? Quem pode dizer que pode existir uma relação de superioridade entre coisas tão subjetivas? Costumes, leis, crimes, moralidade, ética, qual é o critério que pode ser usado para comparação? Para mim, toda sociedade tem seus problemas e ninguém pode afirmar que uma é melhor do que a outra, basta acontecer alguma instabilidade muito grave e qualquer sociedade desmorona em lutas, preconceitos, guerras, fome, miséria e a religião nada pode fazer, só piorar os problemas fazendo proselitismo e favorecendo os “seus” em detrimento os “outros” e as vezes até colaborando com os conflitos, muitas vezes são os próprios religiosos que instigam e insuflam as guerras jogando uns contra os outros como podemos ver no Oriente Médio, sunitas contra xiitas e ambos contra outras religiões. O Brasil ainda não sofre deste tipo de problema tanto como lá, mas se as coisas irem pelo modo que estão indo, talvez algo parecido ocorra aqui também, ninguém sabe quando e como pode acontecer mas tenho minhas desconfianças. Como escrevi, nenhuma religião ou sociedade pode se comparar em absoluto com outras, todas tem problemas e só as diferenças entre o desenvolvimento humano em cada uma delas pode ser usada para fazer comparações relativas entre elas. Mas até este desenvolvimento pode se alterar quando ocorrer uma crise grave.

      3. Salvador, hoje eles, os católicos e cristãos em geral, são tolerantes por não terem mais o poder que um dia tiveram. No fundo, como dizia Eça de Queirós, todo padre sonha em ser um Torquemada.

      4. Meus antepassados “cristãos novos”, submetidos à Sagrada Doutrina da Fé poderiam testemunhar sobre a aplicação dos valores cristãos que você defende, Apolinário… O sofrimento de judeus e protestantes nas mãos da Santa Igreja, também.

    4. Não nego os excessos ocorridos em uma época violenta e em fase de transição. Mas fico imaginando o que seria da nossa civilização se o Islamismo tivesse sido adotado na Europa medieval. Estaríamos num nível civilizatório comparável ao dos neandertais ou talvez já tivéssemos desaparecido como espécie. Mas, para a nossa felicidade, o legado Cristão venceu pela sua capacidade de autocrítica, sua capacidade de análise conjuntural, sua opção pela Lógica e o seu formidável legado científico nos fizeram prosperar e abriram caminho para o surgimento da Ciência Moderna. Também não há como negar isso.

      1. Agora, imagine em contrapartida se tivéssemos, em vez de abraçar islamismo ou cristianismo, seguido com a cultura grega… já teríamos naves estelares e eu não precisaria mais aturar gente vindo aqui fazer pregação num blog de ciência! 🙂

        1. Hummmmm…..Há controvérsias quanto a isso. Talvez ainda estaríamos usando o modelo cosmológico de Ptolomeu…

          1. Improvável. Quando se dá liberdade ao pensar, ele logo chega ao caminho certo. Pergunte a Aristarco ou a Demócrito. 😉

        2. putz….aí teríamos zeus, afrodite, dionísio,…e todos aqueles malas da mitologia grega…..kkkk

          o Apô tem razão….não dá para escapar da espiritualidade….

          1. Espiritualidade, vá lá, no sentido de buscar um sentido maior para a vida. Mas não no sentido de contos da carocha, mitos transfigurados em fatos como forma de iluminar um presente completamente desconectado de um passado bárbaro e pré-histórico. E os deuses gregos, mesmo na Grécia Antiga, eram tidos como alegorias. Ninguém os levava a sério como divindades, no sentido filosófico. É o que permitiu, por exemplo, a Igreja Católica abraçar os pensamentos de Aristóteles sobre Deus e o divino. Ele certamente não estava falando de Zeus ou Apolo. rs

        3. Salva de palmas!
          CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP CLAP

        1. Huahuahua! Essa foi a melhor! A Grécia, país, hoje, está mal economicamente, mas acho que você está com uma visão tão míope que só enxerga os últimos 10 anos da civilização. A rigor, a cultura grega é a NOSSA cultura. Toda a cultura ocidental moderna foi construída em torno dos valores gregos. A democracia, o pensamento racional, a ciência… O Renascimento é assim chamado porque foi a retomada dos valores da Grécia no Ocidente após a desgraça retrógrada (sorry, Apô!) que foi a Idade Média. Então, se você desmerece a Grécia, desmerece você mesmo. Aliás, as versões mais antigas conhecidas do Novo Testamento (estou apostando que você curte!) foram originalmente escritas em grego! (Se não houvesse a cultura grega, será que eles teriam sobrevivido por tempo suficiente para consolidarem o cristianismo como religião oficial do Império Romano?)

        2. Não querendo polemizar, observo que a sua visão da sociedade grega antiga está muito contaminada por exagerado otimismo. Muito embora seja correto dizer que valores gregos foram incorporados à nossa cultura, a população grega era composta quase totalmente por escravos, apenas os “eupátridas” tinham direitos comparáveis aos dos cidadãos atuais. O restante se dividia em “metecos” – que nem gregos eram – formado por comerciantes mas sem direito a terra, e os escravos que não tinham direito a nada. As mulheres não recebiam educação formal nenhuma, aprendiam apenas ofícios domésticos e artesanato, já que elas eram consideradas criaturas desprovidas de capacidade de pensamento. Como se vê, a radiante sabedoria ateniense não era mesmo um atributo público.

      2. Apenas como comentário lateral, quero dizer que é incorreto afirmar que “…os deuses gregos, mesmo na Grécia Antiga, eram tidos como alegorias…” Muito pelo contrário, eles eram levados bem à sério pela população a ponto de serem ensinados nas escolas. Muito frequentemente, certos reis, e também profissionais, como os médicos e comerciantes, possuíam a tradição de se ligarem genealogicamente a antepassados míticos a fim de obter mais prosperidade. Ainda haviam os grandes “festivais” onde sacrifícios de animais eram frequentes a fim de acalmar os deuses. Na verdade, hoje se admite que a chamada “mitologia grega” seria o que compreendemos hoje por “religião politeísta”.

        1. Só os mais ignorantes levavam os deuses a sério. (E, como os deuses gregos não eram onipotentes e altamente falíveis, por sua própria natureza já eram muito menos opressivos, ainda que levados a sério. Ninguém poderia ser queimado numa fogueira na Grécia Antiga por achar que a Terra gira em torno do Sol…)

  21. Muito bom o capítulo, Salvador, e assim deve ser o livro… Está cada vez mais difícil ser otimista nesse mundo, em que se mata em nome de um deus misericordioso…

    A arrogância e o egoísmo de uns podem trazer muitos males e até acabar com a civilização… Terrível!

    1. Nem chega a ser um capítulo. É um pedaço de um capítulo, que versa sobre a criação das armas nucleares (um dos meus favoritos no livro, admito). 🙂

    2. Radoico,
      Eu particularmente gostei mais do último capítulo “Coda” onde o Salvador faz uma honesta e profunda reflexão sobre tudo o que sabe, porém… o livro todo deve ser degustado com atenção e carinho, leia-o inteiro, será muito enriquecedor.

      1. Eu só não comprei o livro por medo de ler sobre barbaridades cometidas com pessoas e animais… sei que existem e saber dessas coisas me machuca muito. Não consigo, há anos já, assistir a telejornais por causa disso, muita ênfase em crimes. Prefiro ler e assim, pela manchete, selecionar o que vou receber… Na TV, quando você se dá conta, essas barbaridades já entraram em nossas vidas, não dá para pular.

  22. Eu acredito que o bicho homem é apenas mais uma espécie a povoar a Terra por alguns milhares ou milhões de anos, mas como toda espécie terá o seu fim, seja por uma guerra nuclear, seja pelo aquecimento global ou ainda e pior, pela exaustão de água, alimentos e envenenamento do ar. A linda bola azul entrará em repouso por outros milhões de anos dando tempo para se restaurar até o surgimento de novas espécies ou até que o Sol se tenha seu processo de fim de “vida” crescendo e engolindo Mercúrio, Vênus e calcinando a Terra. Eu não temo uma guerra termonuclear, temo muito mais a continuar viver no Brasil com governos que insistem em não aprender com erros do passado.

    1. Tetsuo, não seja pessimista. Se com o pouco que sabemos hoje já podemos minorar os efeitos da natureza imagine daqui a uns mil anos? Quem sabe se quando o sol virar uma nova nós já não teremos nos espalhado pela galáxia?

    2. Estou de acordo 100% com você, Tetsuo… Mas, como disse o Jorge Ary, ainda há tempo de levarmos a vida terrestre para outras paragens, assim espero. 🙂

  23. TOMARI QUE CAIA U MABOMBA H ENSIMA DO PLANATO NAC CABECADA CORRUPITA DA DILMA E DOS POLITICO TUDO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    FORAPT!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  24. Diálogo entre presidentes em algum lugar do mundo:

    – Observe você, quase destruimos o mundo…
    – Mas nossas ogivas chegariam primeiro ao seu país!
    – Que diferença faria, você não teria tempo nem pra comemorar!
    – Não te incomoda essa possibilidade estar tão perto de uma decisão nossa?
    – Essa era a hora de Deus provar que existe, porque, se não existir, a decisão é nossa…

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