Astronomia: A atmosfera de uma superterra

Hubble identifica a composição da atmosfera de uma superterra, e não é nada como a da Terra.

O SABOR DAS DIFERENÇAS
O capitão Kirk não estava de brincadeira quando falou sobre explorar “estranhos novos mundos”. Conforme começamos a aprender mais sobre os planetas que orbitam outras estrelas, temos de estar preparados para incríveis surpresas.

55 CANCRI
Pegue, por exemplo, o mais interno dos cinco planetas detectados em torno de uma estrela bem parecida com o Sol, a 41 anos-luz de distância daqui. Conhecido como 55 Cancri e, ele foi alvo de uma honra singular: o primeiro planeta da classe das superterras a ter sua atmosfera analisada.

AUTÓGRAFO
O trabalho, feito por cientistas do University College de Londres, envolveu o uso do Telescópio Espacial Hubble. Quando o planeta passava à frente de sua estrela — o que acontece a cada 18 horas –, parte da luz estelar atravessava de raspão a atmosfera daquele mundo, carregando consigo a “assinatura” dos gases presentes.

COLUNA DO MEIO
O planeta tem aproximadamente o dobro do diâmetro da Terra, o que o coloca numa categoria intermediária entre os menores gigantes gasosos do Sistema Solar (Urano e Netuno) e o maior dos planetas rochosos por aqui (é nóis!). Daí o nome superterra.

ESTÁ NO AR
A análise mostrou que ele tem uma atmosfera em que predominam hidrogênio e hélio — gases ausentes nos mundos rochosos do Sistema Solar, mas comuns nos gasosos. E o que talvez seja mais curioso, os astrônomos também detectaram a possível presença de cianeto de hidrogênio — um gás tóxico que, no entanto, pode ter tido um papel como molécula precursora da origem da vida.

INOSPITALIDADE
O planeta, contudo, é totalmente inabitável. Ele orbita muito perto de sua estrela-mãe, o que faz com que a temperatura em sua superfície fique em torno de 2.000 graus Celsius. E estudos anteriores, feitos como o Telescópio Espacial Spitzer, mostram que ele possivelmente tem também intenso vulcanismo.

BÔNUS: A estrela 55 Cancri A e seus planetas, dentre ele o mencionado neste coluna, ganharam recentemente nomes populares oficiais da IAU. A estrela foi rebatizada Copérnico, e sua superterra esquisita, Janssen. Quer saber que papo é esse e qual é o nome dos outros planetas do sistema? Confira o vídeo abaixo, ou leia aqui!

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

  1. “…temperatura em sua superfície fique em torno de 2.000 graus Celsius…”

    Ué!!!! Mas essa temperatura com crosta sólida????

    1. Burburinho por nada. As gravações estão disponíveis desde 1973 e os próprios astronautas pensam que não passou de interferência de rádio entre as duas espaçonaves. É uma historinha divertida, mas claro que todo mundo transforma numa teoria da conspiração. Claro, eu fico imaginando nessa hora os fãs daquela outra teoria da conspiração, a de que o homem nunca foi à Lua. Se nunca foi, por que a Nasa supostamente esconderia isso aí?

      1. Então..será que distorceram? rsrs nesse trecho: “Os três astronautas julgaram o fenômeno muito estranho e debateram se informariam seus superiores no centro de controle, por medo de não serem levados a sério e comprometerem seu futuro de participar de novas oportunidades de voos espaciais, segundo a Discovery.” SEGUNDO A DISCOVERY né? rsrsrs

        Muito mais fácil creditar a possiveis ET’s do que à uma interferência eletromagnética entre os/ou nos equipamentos.

        Abraço!

      2. Salvador… ““Foi a interferência entre rádios VHF do módulo de comando da LM e nós tínhamos ouvido ontem, quando nos viramos nossas rádios VHF depois separando os nossos dois veículos, e Neil disse que “soa como chicotadas do vento ao redor das árvores. ” Ele parou assim que o LM chegou ao chão, e começou a subir novamente pouco tempo atrás. Um barulho estranho em um lugar estranho.””

      1. E eu que estava achando que o tal som era a “rave” dos alienígenas, a “Moon 1969” com DJs convidados da galáxia inteira para tocar músicas “siderais” que embalavam as festinhas dos ETs naquela época.

  2. Off topic:

    http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2016/02/1742240-astronautas-da-apollo-10-ouviram-musica-estranha-atras-da-lua.shtml

    Lamentei que essa notícia não fosse sua, Salvador. Me pareceria uma oportunidade bacana para abordar o assunto com uma pegada científica e, consequentemente, cética. O que tem de crédulo e ufólogo achando que isso é evidência de uma conspiração global… O curioso é ver essa mesma galera, que às vezes nega a ida do homem à lua, afirmar que o relato dos astronautas é legítimo. Na cabeça deles, ninguém nunca pisou na lua, mas, quando estivemos por lá, ouvimos ET cantando.

    Abraço!

    1. Saulo, eu pensei em escrever sobre isso, mas o cansaço falou mais alto ontem. De toda forma, nada de novo no front. Gravações disponíveis desde 1973, segundo os próprios astronautas interferência de rádio, nada surreal. Abraço!

  3. Salvador;

    E os sons do lado oculto da lua que a Folha publicou hoje sobre o programa da Discovery?

    Sei, pelo que leio em suas respostas, que é bastante “rigoroso” a respeito desses temas, mas numa coisa concordo com os astronautas… “se há algo que foi observado ali, deveríamos ir lá ver o que é”…

    Segue link da matéria da Folha:

    http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2016/02/1742240-astronautas-da-apollo-10-ouviram-musica-estranha-atras-da-lua.shtml

    1. Gravações disponíveis ao público desde 1973, os próprios astronautas consideraram o evento irrelevante e interpretaram como interferência de rádio (embora, claro, a psiquê humana deve ficar zoada quando você está tão longe da Terra). É uma historinha divertida, mas infelizmente trataram como se fosse algo acobertado pela Nasa. Nunca foi. Ou melhor, foi entre 1969 e 1973, época em que a Guerra Fria estava à toda e a Nasa não entregava os segredos do Programa Apollo. Depois da última viagem lunar (1972), não fazia mais sentido guardar segredo. As transcrições e os áudios estavam disponíveis na Biblioteca do Congresso.

    1. Gravações disponíveis ao público desde 1973, os próprios astronautas consideraram o evento irrelevante e interpretaram como interferência de rádio (embora, claro, a psiquê humana deve ficar zoada quando você está tão longe da Terra). É uma historinha divertida, mas infelizmente trataram como se fosse algo acobertado pela Nasa. Nunca foi. Ou melhor, foi entre 1969 e 1973, época em que a Guerra Fria estava à toda e a Nasa não entregava os segredos do Programa Apollo. Depois da última viagem lunar (1972), não fazia mais sentido guardar segredo. As transcrições e os áudios estavam disponíveis na Biblioteca do Congresso.

  4. Bom dia Salvador Nogueira. Estive olhando uma ilustração de órbitas de alguns planetas do sistema solar e me chamou a atenção a órbita de Plutão (o ex-planeta) e de Eris (um planeta anão fora do sistema solar).
    Minha curiosidade é a seguinte: De acordo com a ilustração, a órbita de Plutão cruza (duas vezes) a órbita de Netuno, e a de Eris cruza (duas vezes) a órbita de Plutão e “passa raspando por Netuno.
    Pergunta: Existe alguma possibilidade de um choque entre esses planetas? Se um choque vier a acontecer, quais as consequências? Essas consequências afetariam, de alguma forma, a nós, terráqueos??

    Agradeceria se você pudesse me responder por e-mail: carvalho.antoniocarlos@gmail.com

    1. Não, está todo mundo sincronizado, bonitinho, pra não bater. Por exemplo, Plutão dá duas voltas a cada três de Netuno. Assim, nunca se encontram. E desculpe por não responder por e-mail, mas prefiro responder aqui, para todo mundo poder se beneficiar da resposta.

  5. Salvador você precisa trazer textos com mais frequência, pelo menos uma vez por dia . Agora sobre o estudo do universo, é pura especulação tentar chutar datas para o início da colonização do sistema solar ou para a descoberta de vida em outros planetas. O homem não tem a menor ideia de para onde a tecnologia pode nos levar e em que ritmo. A eletrônica por exemplo deu um gigantesco salto tecnológico nos últimos 50 anos. Se a astronomia que também passou por um grande desenvolvimento, passar pelo mesmo ritmo de desenvolvimento da eletrônica nos próximos 50 anos o futuro será uma grande incógnita.

    1. Sim, tem gente falando bastante da singularidade tecnológica. É um tema interessante.
      Adoraria escrever uma vez por dia. Mas me faltam braços e cérebro. Não se esqueça de que eu escrevo dois textos mensalmente na Scientific American Brasil, preciso escrever matérias para a Folha impressa, faço alguns textos para a Superinteressante, às vezes para a Revista Pesquisa Fapesp, tenho publicado alguns vídeos no YouTube e estou escrevendo dois livros em paralelo. Já tenho muito no prato para poder acelerar o blog — pelo menos se eu tiver a ambição de manter a qualidade, que é primordial, no meu entender. De toda forma, fico feliz de que aprecie minhas contribuições! 🙂

      1. Confesso que não sabia que você escrevia na Scientific American… gosto muito desta revista, mais até do que a Super, vez ou outra eu compro na banca. Acho que sou um péssimo leitor, leio muita coisa, o tempo todo, mas na maioria das vezes não me dou o trabalho de ver quem assina o texto, me preocupo apenas com a notícia em si.

        PS: Para termos artigos todos os dias, só clonando o Salvador Nogueira e copiando a sua mente para o novo corpo, no melhor estilo Sci-fi! 😛

        1. Na verdade, você é um leitor normal. Só nós jornalistas somos noiados com crédito e vemos quem escreve o quê. Em geral, leitores se pautam pelo assunto, e não por quem escreve. O que acho muito justo (ainda que possa ser frustrante, às vezes). 😉

      2. É Salvador, realmente com esse tanto de tarefas, três publicações por semana fica de bom tamanho. Não sabia que você acumulava esse tanto de compromissos, é aquela história né, a grama do vizinho sempre parece mais verde. Mesmo assim vou continuar atualizando a página do mensageiro sideral todos os dias para ver os comentários que também agregam muito conhecimento.

  6. Minha primeira entrada, aproveito p/ agradecer ao titular Mensageiro Sideral pelo bom trabalho aqui apresentado. Parabens a toda comunidade entusiasta, aqui presente ligada a esta ciencia sobre o cosmo.
    Pergunta ao Mensageiro Sideral e a todos participantes….
    Primeiro uma pequena leitura de mihas observacoes e que me fez chegar a pergunta no final desta leitura.
    Leitura…
    Observo que pelo fato do ser humano ter um ciclo de vida en torno dos 100 anos, e paralelo temos centenas de milhares de especies de vidas, animais, aves, peixes, insetos, alem da gigantesca diversidade da vida bacteriana no sub solo e em toda superficie terrestre, porem cada especie, ou bacteria tem seu ciclo de vida em algumas horas, outros alguns dias, ano ou anos e assim percebo que somos uma populacao terrestre com uma infinidade de ciclos de vida completamente diferentes.
    Percebo que a vida extra terrestre pode nao estar apenas em planetas dentro da faixa habitavel, onde se encontra agua em estado liquido?
    Dentro desta linha, planetas noutras faixas sao quentes ou frios demais p/ o ser humano, mas nao p/ bacterias, e outros seres vivos, exemplo as chamines submarinas nas ilhas da Madeira com agua fervecentes e com uma grande gama de especies de crustaceos e peixes que ali habitam, e hoje ja temos significativos report de trabalhos cientificos que atestam o universos de vida bacteriana encontrata atraves de perfuracoes no sub-solo artico que vivem quase frizadas.
    Acreditar apenas em planetas na faixa habitavel, se vivo num ambiente onde a faixa etaria de todas especies e ocilante, onde ha seres que vivem sem a taxa de oxigenio que recompoe minha sobrevivencia, alem de que todos nos humanos, e outros seres deste planeta Terra nao possuimos uma escala definitiva de tamanho, ou seja ha uma gigantesca diversidade de tamanhos e pesos.
    Percebo que os campos magneticos na verdade sao como uma estabilidade protetora de ciclos da vida do palneta que sao gerados, e fundamentais p/ a estabilidade do mesmo em se manter numa faixa diante de sua estrela, e sem eles a escapada deste planeta orfao seria inevitavel. Porem o servico desta forca invisivel dos campos magneticos controlam a vida, seje ela dependente da luz e oxigenio e pressao gravitacional como esta hoje na Terra, ou em outros planetas distanciados da faixa habitavel.
    Por estas observacoes cheguei a minha pergunta a todos aqui.
    Pergunta…
    O que pensam, seria realmente correto achar que vida esta apenas na faixa habitavel?
    O que pensam, seria realmente correto direcionar nossos radios telescopios ou outros p/ detector apenas planetas do tamanho da Terra e principalmente na faixa habitavel?
    Apenas p/ concluir, ja nao e pergunta mais….mas a minha opiniao sincera p/ tudo isto e que vivo junto de voces, no mesmo planeta, tempo….porem acima tem nao so bilhoes de galacias como vemos, mas sim outros infinitos numeros de galaxias porem com tamanhos de uma bola de futebol, uma estadio de futebol, e proque nao….do tamanho da pedra de meu anel de formatura.
    Assim a vida terrestre me mostra, tem ca e tem la em cima tambem, tudo numa escala de padroes indefinidos, por isto nao vemos, nao detectamos.
    Pena que buscam apenas pelo tamanho ta Terra, principalmente por causa da forca gravitacional que propociona este tipo de vida aqui, alem da agua liguida, isto na faixa habitavel….como se no universe tudo deveria copier nosso Sistema solar.
    Uma pena.

    1. Ronaldo, sobre a pergunta 1, acho que não. Podemos ter vida fora da zona habitável. Vide as luas de Júpiter e Saturno. Vida complexa talvez seja inviável nessas condições. Mas nem isso eu descarto.

      Já sobre a pergunta 2, é mais capciosa. O ideal é misturar as duas abordagens (alguns radiotelescópios fazem simplesmente o rastreamento do céu acima deles, sem mirar um alvo particular, e outros apontam alvos específicos). Mas é óbvio que ter bons candidatos aumenta a chance de sucesso. A esmo, são 200 bilhões de estrelas na Via Láctea. Não teríamos como apontar para elas todas, uma a uma, num tempo minimamente razoável. Então precisamos de formas de “peneirar” os candidatos, e a presença de planetas rochosos na zona habitável é o melhor critério que temos. Mas lembro-o de que esforços SETI usam, sim, as duas abordagens. O sinal Wow!, por exemplo, não foi captado de uma fonte escolhida para o radiotelescópio. Veio da região do céu que estava por coincidência acima dele na hora.

    1. Não, não é balela. Esse é um projeto do NIAC (programa de tecnologias avançadas da Nasa) que eu estava para abordar já desde o ano passado. Separei aqui e acabei deixando para trás. Agora, um cara grita lobo (e foi um vídeo da Nasa que gritou lobo) e todo mundo sai correndo atrás. Já falava de veleiros impulsionados por laser desde 2005, no meu “Rumo ao Infinito”. Essa é só uma proposta mais prática para executá-los. Parece-me bem viável. Mas ainda precisamos testar bem veleiros convencionais (movidos a luz solar) antes de apostar num sistema a laser.

      1. Uma coisa é o veleiro solar, inclusive no ano passado essa ideia já foi testada na prática. O veleiro solar é um meio promissor de promover viagens espaciais.
        Mas três dias para Marte? Me parece algo bom demais para ser verdade. Só acredito vendo!

          1. Imagino o freio que essa nave vai precisar… A New Horizons foi bem mais devagar e passou lotada por Plutão! 🙂

  7. Saudações Salvador! A respeito de exoplanetas, o ESO (European Southern Observatory) começou no mês passado uma observação da estrela Próxima Centauri, na Constelação de Centauro, a procura de exoplaneta do tipo terrestre. Você tem alguma informação sobre o andamento das pesquisas?

    1. Nada de novo. Proxima Centauri é alvo há anos. Até mesmo eu uns meses atrás tentei instigar uns pesquisadores brasileiros a buscar algo comigo. Mas deve ter algo lá! A surpresa seria não ter nada!

  8. Desde criança sempre tive uma grande admiração em olhar as estrelas, as vezes ficava com o pescoço doendo, mas achava tudo muito lindo.
    Agora com instrumentos poderosos criado para observar e pesquisar detalhadamente uma coisa tão misteriosa, que é, este maravilhoso universo, volto a minha época de criança, querendo um espaço para olhar para este espaço infindável.

    Parabéns a todos que podem no proporcionar estes momentos…..

  9. Salvador, acompanho a um tempo sua coluna e a admiro demais. Oque me deixa muito triste nesse mundo é o quanto a ciência fundamental (experimental e não experimental), assim como a pesquisa espacial é deixada de escanteio pelos governos do mundo afora… Um LHC custou cerca de 7,5 bilhões de euros, mas se pensarmos cada estádio aqui no Brasil custou cerca de 250 milhões de euros… Um lançamento de 1 ICBM é estimado em 20 a 70 milhões de dólares… O gasto estimado no Brasil do orçamento militar do ano de 2015 foi de cerca de 31,5 bilhões de dólares… Significa que com o investimento de 1/30 avos desse orçamento poderíamos ter 1 LHC a cada 8 anos… Sem contar no investimento militar de outros países, como os próprios EUA que gastam 581 bilhões de dólares anuais… Se eles quisessem mesmo poderiam fornecer 1/100 desse orçamento e teríamos 1 LHC a cada dois anos… Sei que o raciocínio peca por muitas coisas, mas os números brutos demonstram que investimos muito pouco em coisas que poderiam trazer benefícios para a humanidade toda… Uma real ida a marte custará quanto ? Se ficarmos com um orçamento de 50 bilhões, poderia ser feito em 10 anos, com 1/100 do orçamento militar americano anual… Bem, é somente um desabafo… Temos um potencial fantástico para atingir as estrelas e jogamos no lixo em forma de armas….

    1. que visão inocente…todos os países necessitam de gastos militares, caso contrário, os bárbaros já teriam dominado o mundo – você só tem uma vida confortável porque tem os EUA impedindo um Kim Jong-un, um Putin ou um Estado Islâmico de te fazer em pedacinhos…; vai estudar rapaz e pare de choramingar

      1. Me parece que o Roger não é contra os gastos militares, que também geram tecnologia de ponta, mas que armas não são tão eficazes em desenvolver conhecimento básico quanto a ciência fundamental.

    2. Concordo com você em partes,
      Se milagrosamente tivéssemos esse orçamento disponível nos próximos anos, teríamos que importar mão de obra para construir ou “comprar um LHC pronto”. E provavelmente teríamos que importar os cientistas para analisar os dados do LHC. E isso é culpa exatamente da falta de investimentos em educação.

      Assisti esses dias na TV cultura uma matéria sobre o ESO, parece que estão procurando parceiros para a construção de um telescópio com espelho de 30 metros, o maior do mundo (se não estou enganado), o Brasil foi convidado a participar do projeto com custo (somente para o Brasil) de 2bi, segundo a matéria o projeto está aguardando ser sancionado, mas sinceramente, com as contas publicas devastadas, não acredito. Lamentável.

  10. Olá Salvador… mudando um pouco de assunto, queria saber sobre o 9° planeta do nosso sistema solar que Mike Brown diz existir, Há algum tempo eu havia assistido a um documentário no qual o próprio Mike Brown havia descoberto uma “companheira do sol”, sabemos que a maioria das estrelas tendem a serem de formações binárias, então seria possível que o nosso sol tivesse uma companheira? isso é possível? e agora chegando mais a fundo, é possível a existência de planetas orbitando essa estrela, mesmo em meio a este cenário? há possibilidade desse nono planeta ter alguma relação com essa suposta estrela? Obrigado… Adoro o seus posts…

    1. Aguardaremos os próximos capítulos da novela do novo planeta com ansiedade. Sobre uma estrela companheira, observações do satélite Wise meio que descartam isso.

  11. Olá Salvador, como é possível ter tantos dados sobre um planeta que está a 41 anos-luz de distância daqui. Pelo que eu já li, estes planetas são identificados de forma indireta, pela oscilação de brilho que este causa ao passar em frente a estrela que orbita. Dados como composição atmosférica e temperatura da superfície a esta distância parece mais mero achismo, sem falar das concepções artísticas, a maioria das matérias exibem ilustrações deste planetas, mas não deixam claro que é apenas uma ilustração.

    1. As ilustrações, claro, são ilustrações. Ainda que baseadas nas medições, são ilustrações.
      Mas eu não subestimaria tanto a capacidade de estudar esses exoplanetas. Detectar a composição atmosférica já está ao alcance.

    2. Miguel, sobre a composição da atmosfera e temperatura não é achismo, são medições.
      Não sei qual é a técnica para determinar a temperatura, mas conheço a técnica para determinar a composição química.
      Cada elemento químico ou substancia tem uma assinatura de absorção da luz, isto é, cada um absorve um determinado comprimento de onda. Agora imagine a situação: os cientistas ficam olhando uma estrela e analisando a sua luz em todos comprimentos de onda.
      Caso um planeta SEM atmosfera passe pela estrela a única diferença que vão notar é que o brilho diminuiu e depois aumentou.
      Caso um planeta COM atmosfera passe de frente a estrela, o brilho vai diminuir e depois aumentar, porém é possível ver se algum comprimento específico de onda sofreu uma redução, se sim, é porque alguma substancia absorveu essa luz. Aí basta usar uma tabela e descobrir que substancia é essa que absorveu a luz nesse comprimento de onda.
      O legal de tudo isso que além de saber quais substancias compõe a atmosfera do planeta, vc pode determinar a concentração delas também.
      Nada disso é achismo, são medidas feitas por equipamentos extremamente sensíveis.
      Ah, essa técnica é chamada de espectrofotometria, e é usada a muito tempo por astrônomos e comum nos laboratórios de química.

  12. Será que eu estou pensando errado em imaginar a hipótese da vida não seguir precisamente um padrão como o nosso? Sei que essa minha teoria daria muito mais trabalho, pois expandiria a lista de possiveis planetas com vida, mas o que impede uma vida extraterrestre sobreviver à condições muito mais quentes ou muito mais frias que a nossa e que consequentemente essas especies não sobreviveriam aqui na Terra?

    1. Gabriel, nada contra. Mas só podemos procurar aquilo que conhecemos. Vida como não a conhecemos seria ainda mais difícil de achar do que vida como a conhecemos.

  13. Salvador, parabéns por instigar à nós, leitores, a busca por conhecimentos no âmbito do espaço sideral.

    Pergunta: O que acha que são as luzes (claridade) em Ceres?

    Abs, Ricardo.

  14. 2.000 graus, com atividades vulcânicas, deverá levar alguns bilhões de anos para se resfriar, caso não resolva mergulhar em seu sol próximo, seguindo-se as teorias de distorção por peso no espaço. Mesmo assim, estamos limitados a distância. Qual a razão da insistência em Marte que não possui nada que possa suportar a vida humana?

    1. O interesse em Marte se deve ao fato de que ele pode ter sustentado seres vivos há um ou dois bilhões de anos… e talvez ainda tenha seres vivos, bactérias, no seu subsolo. Já se comprovou que o planeta tem água líquida no verão, um passo importante para ter vida.

      1. “Pode” ter sustentado há 1 ou 2 bilhões de anos, “talvez” tenha bactérias. Água(?) em si não é o suficiente. Viagem de mais ou menos 9 meses com possibilidades de danos neurais na tripulação, para ficar-se em módulos abaixo da superfície, pelo menos 1 ano, fazendo o que?

    2. Marte possui tudo para suportar a vida humana. Só precisamos utilizar tecnologia, assim como fazemos na antartida que pelo seu raciocínio também não possui condições de suportar a vida humana.

      1. Mas, os estudos mais recentes têm mostrado que possivelmente a terraformação de Marte talvez seja inviável.

        1. Mesmo sem terraformação, podemos viver perfeitamente em módulos enterrados sob o solo. Pra passear, só de traje espacial. Ou que sabe constroem umas cúpulas grandes com arborização interna? 🙂

  15. Desculpe o desabafo, mas fico indignado quando vejo a imensidão do universo, tanta coisa incrível por este espaço afora, e a gente colado aqui na Terra só recebendo imagens de telescópios sem poder fazer muita coisa, como um cachorro em frente à uma máquina de Frango assado.

    1. É assim que me sinto, mas já é um privilégio poder acompanhar o progresso na astronomia e na astrofísica. 🙂

  16. Com base nas publicações que li e nos documentários que assisti sobre a formação da vida no planeta Terra, existe uma possibilidade enorme de existir a vida em outros planetas, porém a possibilidade de ser semelhante à nossa era dos dinossauros é bem maior do que vida “inteligente”. De qualquer forma, qualquer bactéria em outro planeta seria uma dádiva nessa altura do campenonato.

  17. çalvador, não adianta vc ezperniar, somente Deus çalva os mortais fazem backup, e o que isso tem haver com a matéria????

    Nada!

    1. è periço kieu guigo nékereDize:
      Inda bem que nois çemu nois mesmus, perque çi nois num foçi a genti o zotro çiria nois e nois çiria otra piçoa!

  18. Salvador, supondo que tenha uma catástrofe no lançamento do James Webb, nossa geração pode perder as esperanças de grandes avanços ou temos tempo de ver novas descobertas?

    1. Podemos esperar até o WFirst, que vai ser ainda mais foderoso, está em desenvolvimento e voa em meados da década de 2020. Se o James Webb subir no telhado, a Nasa provavelmente vai acelerá-lo.

      1. Fui pesquisar um pouco sobre, e no meu entendimento o WFIRST vai ter concepção e finalidades diferentes daquelas do JWST. Penso então que suas respectivas capacidades se somarão, sendo que deverão usar aquele telescópio que mais se adequar a cada estudo.

  19. Olá Salvador, um abraço do admirador aqui pela sua coluna sempre fascinante. Fantástico o feito desses cientistas, como você bem disse, é apenas o começo da saga!

    Mas vai aqui uma pergunta ligada ao tema mas acredito mais da área de exobiologia:

    Suponhamos que um dia achemos um planeta com atmosfera “compatível” com a nossa dentro da região “habitável”, a lógica aparentemente nos diria ser esse planeta um excelente candidato a colonização.

    Porém…num planeta parecido com o nosso, não seria quase certo que lá houvesse vida microbiana, exovírus e exobactérias (e talvez até novas categorias que nem podemos imaginar) e isso não seria na verdade uma grande armadilha pelas doenças inconcebíveis que poderiam nos causar?

    Algo como a “Guerra dos Mundos” de H.G.Wells ao contrário? Ainda que o achemos, será POSSÍVEL que um dia consigamos colonizar um mundo semelhante ao nosso, se exatamente essa semelhança traria uma barreira biológica talvez insuperável?

    O que você, com conhecimentos certamente bem maiores que os nossos, acha desse hipotético paradoxo?

    1. Eu acho que esses exovírus e essas exobactérias são exatamente o que estamos procurando! Certamente não estamos estudando exoplanetas com o objetivo de colonização. Para colonizar, teremos de olhar primeiro para o nosso próprio Sistema Solar — em especial Marte. Esses exoplanetas estamos estudando em busca da compreensão do nosso próprio papel no Universo. Estamos sozinhos ou há mais alguém lá fora? Se há, onde eles estão? São inteligentes? Ou só bactérias? Podemos estudá-los? Fazer contato? É por aí que caminhamos no momento.

      1. Acho que você não entendeu a pergunta do rapaz Salvador. Ele quer saber se a vida microbiológica de um exoplaneta semelhante ao nosso não poderia ser letal para nós. No filme que ele cita, Guerra dos Mundos, os alienígenas que invadem a Terra são acostumados com a nossa atmosfera, por serem de um planeta com atmosfera semelhante. Porém, eles são dizimados pelas nossas bactérias, no final. Os corpos dos alienígenas não possuíam imunidade aos nossos microorganismos.

        Respondendo ao colega, assim como os europeus precisaram de tempo para adquirir imunidade e vacinas às doenças e parasitas tropicais, para poderem colonizar o interior da África, também precisaríamos de um tempo para estudar e catalogar a vida microbiológica de um hipotético exoplaneta. Porém, quando esse dia chegar, já estaremos tão tecnologicamente avançados que os nossos colonizadores já aportarão nesses planetas turbinados com imunizadores oferecidos por uma medicina há anos-luz de distância da atual. Assim penso eu.

        1. Mas essa seria só uma preocupação em caso de colonização, que, como eu disse, não é o caso.
          Agora, entretendo a ideia mesmo assim, tudo vai depender do nível de variação que a vida acomoda. Se a vida alienígena, por convergência evolutiva, acabar usando os mesmos aminoácidos e ácidos nucleicos que nós, e tiver proteínas parecidas com as nossas, pode ser capaz de infectar a gente. Mas isso não parece muito provável, a priori. Bactérias e vírus só podem nos infectar porque evoluíram junto com a gente para aprender a fazer isso. É improvável que alienígenas já saibam como infectar criaturas com as quais nunca conviveram.

      2. Nossa o vc fala como se vc fosse da Nasa, vc não sabe denada, sabe tampouco quanto nós que vivemos garimpando a net, pare de escrever bobagens, JRod esta na base de Dulce rindo de vc agora!

        1. Ah, mas se eu fosse garimpar ouro, precisaria saber como fazer. Garimpar informação é a mesma coisa. Se você não sabe fazer, sai por aí espalhando bosta pra tudo quanto é lado. Fico imaginando o jornalzinho da base de Dulce o que publica… rs

    2. Acho que vc tem toda a razão sobre essa diferença de biologia, mas com quase certeza, descobriríamos antes de desenbarcar….o que vc diz hoje já acontece, basta trocar a agua do aquário e todos os peixes podem morrer

  20. Salve, Salvador!

    Vivemos numa época de ouro para a astronomia, hein?
    Quanto a esse planeta, dá para dizer se ele gira no próprio eixo ou se tem uma face permanentemente apontada para a estrela? Se fosse esse último o caso, a temperatura no lado escuro estaria num faixa ou patamar que tornaria viável o desenvolvimento de formas de vida do tipo que reconheçamos como tal?

    Bom trabalho e boa semana!

    1. Se ele estiver com a rotação travada, com uma temperatura de 2.000 graus e ainda com uma atmosfera considerável é provável que os ventos lá sejam de uma intensidade e fúria dramática devido a troca de calor entre as duas faces do planeta… e o lado escuro além de turbulento seria muito quente também.

  21. Salvador,
    seria possivel esse sistema ainda nao estar estavel e os planetas comecarem a se afastar do seu sol, assim como existe uma teoria nesse sentido em relacao ao nosso sistema solar?

    1. Não, Rony. Na verdade, esses planetas nasceram mais longe de seu sol e migraram para essa posição. Mas nem tudo é tragédia em 55 Cancri. Há um gigante gasoso na zona habitável! (Será que alguma de suas luas suportam vida? Morro de curiosidade…)

  22. averdade mais decepcionante para nos e que o dinheiro fala muito alto e se a informacao da descobera de vida ja tivesse cido feita os investimentos em misoes milionarias que jera lucro não mais precisaria ser feita entao ficamos aqui como bobos esperando uma noticias que mesmo que as teria não nos informaria
    vida em marte claro que a probabilidade de 90 % de que a nasa ja confirmou existe mais que vantagem ela teria de divulgar

    1. Desculpe, amigo, mas supondo que você perguntou com interesse em aprender ou entender, eu lhe digo que a descoberta de um mundo habitável e que tenha vida será um grande disparador de novas pesquisas e de mais exploração espacial. A NASA não tem interesse em esconder algo que é o propósito de sua existência.

    1. Deve ter. Meu palpite é que ele era mais parecido com Netuno, mas a radiação solar tão próxima deve ter varrido boa parte de sua atmosfera, deixando-o como esse híbrido entre Netuno e a Terra…

  23. Salvador a estrela em questão é uma estrela jovem?

    Fico pesando que um super-terra assim tão próxima de sua estrela deve ser algo mais comum em sistemas jovens. Uma órbita assim não deve ser muito estável, não?

    Ainda sim acho incrível o que os astrônomos conseguem conseguem fazer com a tecnologia que temos à disposição. Os nossos instrumentos ópticos ainda permite observar mundos em em sistemas estrelares distantes, salvo raras exceções. Geralmente a detecção de exoplanetas e feita de forma indireta. Ou seja, não os vemos.

    Mesmo assim, com tão pouca informação conseguimos fazer coisas extraordinárias. Chegará um dia que termos condições de ver mundos distantes, a nossa tecnologia caminha para isso. Quando esse dia chegar, acredito que encontraremos vários mundos abitáveis florescendo em vida e quiçá, civilizações.

    No futuro telescópios espaciais não funcionarão com espelhos. Existe uma nova tecnologia promissora que poderá nos levar a uma nova geração de telescópios que por meio de laseres, detectarão e analisarão os fótons de luz emitidos por estrelas distantes e objetos distantes, como se fosse um grande espelho. Teremos um campo de detecção muito maior do que qualquer espelho já concebido. Será algo sem precedentes, algo que nos permitirá observar diretamente os planetas.

    http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=supertelescopio-espacial-feito-espelho-controlado-laser&id=010130140314#.VssJ7_IrLIU

  24. Salvador, só não entendi porque miraram nesse para estudo, já que está tão perto da estrela e assim já seria presumível não encontrar vida… Tão indo devagar? Ou não se trata de uma degustação, pois, paralelamente, já têm outros “na mira”?

    1. Samuel, note que, ao contrário do que imagina o Apolinário, o estudo dos exoplanetas não se resume a encontrar outros planetas com vida. Essa, claro, seria a cereja do bolo, mas de forma geral queremos aprender qual é o espectro de variedade existente nos planetas lá fora. O estudo de superterras — *qualquer* superterra — é especialmentefascinante, pois não há um planeta equivalente em nosso Sistema Solar (pelo menos não até acharmos o tal planeta 9, se ele estiver lá mesmo).

      Tendo dito isso, 55 Cancri e foi escolhido porque é um dos melhores candidatos para esse tipo de observação, que por sua vez está no limite da nossa capacidade técnica no momento.

      E vou te dar um exemplo de como, mesmo ele sendo esse troço radical, ele tem implicações importantes para o estudo de outros sistemas planetários. A detecção de HCN (cianeto de hidrogênio) parece sugerir uma maior quantidade de carbono com relação a oxigênio naquele sistema planetário. Isso, por sua vez, reduz a presença de moléculas oxigenadas, dentre elas a famosa água. Note que os negos não detectaram sinal de vapor d’água na atmosfera desse mundo. Daí podemos pensar que a vida será mais comum em sistemas que não tenham esse desequilíbrio em favor do carbono com relação ao oxigênio.

      Por fim, essa medição inicial poderá ser aprofundada e confirmada pelo James Webb, o próximo telescópio espacial da Nasa, assim como o estudo de outras superterras, para vermos exatamente o que há lá fora e em que circunstâncias. 55 Cancri e é só o começo da saga!

  25. Um planeta que completa uma volta ao redor de sua estrela em apena 18 horas? Caramba!! Ou ele deve ser uma ‘bala’, só que mais veloz, ou deve estar praticamente dentro da estrela.

          1. Salvador, a essa distância da estrela podemos inferir que ele estaria sempre com a mesma face voltada para ela? Em casos como esse, quão grande poderia ser a diferença de temperatura entre o lado “quente” e o lado “frio”? Num caso extremo como esse imagino que ainda estaríamos dentro de uma fornalha, mas pergunto para ser pensado em um caso menos absurdo. Inclusive pensando que talvez o próprio planeta serviria como proteção contra a radiação, talvez não necessitando do nosso “escudo magnético” para o desenvolvimento da vida. Existe algum estudo nesse sentido?

          2. Luis, com certeza podemos esperar uma trava gravitacional na rotação. Mas acho que a temperatura deve ser infernal dos dois lados, por conta da atmosfera, que deve distribuir o calor (note que Vênus gira bem devagar, quase sincronizado com a translação, 243 dias versus 225 dias, mas é infernal nos dois hemisférios).

        1. Isto é, se houver nascer do sol! Porque esse mundo provavelmente estará travado gravitacionalmente.

        2. Também me fascina imaginar a observação do sol nesses sistemas. Estrelas com cores e tamanhos diferentes, sistemas binários, trinários…

  26. E emocionante acompanhar as novas descobertas da antronomia. A cada dia algo novo e incrível é revelado. Salvador, você acha que é possível que em breve possamos confirmar algum tipo de vida microbiana fora da Terra mesmo que essa já tenha sido extinta?

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