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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: A origem dos anéis de Saturno

Por Salvador Nogueira

Os anéis e algumas das luas de Saturno podem ser ‘novos’, formados na época dos dinossauros.

DIRETO DO CRETÁCEO
Se os dinossauros tivessem telescópios para observar o planeta Saturno, talvez vissem apenas uma enorme bola de gás, sem os famosos anéis que hoje são sua marca registrada. É o que sugere um novo estudo realizado por pesquisadores nos EUA.

VELHO ENIGMA
A maioria dos cientistas apostava que os anéis e as luas de Saturno teriam se formado com o planeta, há 4,6 bilhões de anos. Para checar, Matija Cuk e seus colegas literalmente rebobinaram o filme, usando a lei da gravidade para ver como era o sistema no passado. Descobriram que um certo sincronismo esperado entre as órbitas de duas das luas, Tétis e Dione, na verdade nunca ocorreu.

DUAS HIPÓTESES
Se isso não rolou, das duas uma: ou as órbitas, moldadas pelo efeito de maré do sistema, evoluíram muito, muito devagar, e as luas ainda estão muito perto de seu local de formação, ou pelo menos essas luas em particular são bem mais novas que o próprio planeta.

O DETALHE
Entra em cena a pequena lua Encélado, famosa por seus poderosos gêiseres de água localizados na região polar sul. A razão para o agito interno é justamente o poderoso efeito de maré. Portanto, é muito difícil conciliar essa fúria toda com a hipótese de evolução lenta das órbitas.

A RESPOSTA
Resultado: o trio de pesquisadores sugere que tanto os anéis quanto as luas mais internas de Saturno — inclusive Encélado — são formações recentes, com uns 100 milhões de anos. Eles teriam sido criados pela desestabilização e colisão de um antigo sistema de luas em Saturno.

Todas as luas mais internas, de Reia para dentro, seriam "novas"; as mais distantes, como Titã e Hipérion, teriam se formado junto com o planeta.
Todas as luas mais internas, de Reia para dentro, seriam “novas”; as mais distantes, como Titã e Hipérion, teriam se formado junto com o planeta.

TESTES E CONSEQUÊNCIAS
Caso isso esteja certo, as chances de encontrar vida em Encélado diminuem bastante. A lua seria jovem demais para isso. A fim de testar a hipótese, os cientistas sugerem acompanhar de forma precisa futuras alterações nas órbitas das luas e também analisar o padrão de crateras nelas, que pode trazer pistas sobre sua idade.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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