Hubble descobre lua em Makemake, planeta anão “vizinho” de Plutão

Salvador Nogueira

Anote aí: mais um planeta anão entrou para a lista dos que têm luas conhecidas. Com a ajuda inestimável do Telescópio Espacial Hubble, astrônomos encontraram um satélite natural ao redor de Makemake, o segundo planeta anão mais brilhante localizado nas profundezas do Sistema Solar. O primeiro, claro, você conhece: Plutão.

Makemake foi descoberto apenas em 2005 e ganhou o nome da deusa da criação dos Rapa Nui, povo nativo da Ilha de Páscoa, no Chile. Ele tem pouco menos de 1.400 km de diâmetro (contra 2.372 km de Plutão, medidos com exatidão pela sonda New Horizons) e, a exemplo de seu irmão maior, é um membro do cinturão de Kuiper, localizado além da órbita de Netuno.

A primeira observação da lua, chamada provisoriamente de S/2015 (136472) 1, foi feita em abril de 2015, graças à WFC3 (Câmera de Campo Largo 3) do Hubble, e não pode ser considerada um feito menor: o pequeno objeto, com estimados 160 km de diâmetro, tem menos de um milésimo do brilho de Makemake. O satélite natural foi flagrado a cerca de 21 mil km de distância do planeta anão. E, a essa altura, nem a órbita dele é conhecida — pode ser bem oval ou circular.

Imagem do Hubble revela a pequena lua de Makemake, que figura como nada mais que um pequeno ponto brilhante (Crédito: Nasa/ESA/STScI)
Imagem do Hubble revela a pequena lua de Makemake, que figura como nada mais que um pequeno ponto brilhante (Crédito: Nasa/ESA/STScI)

Isso também deixa dúvidas quanto ao mecanismo de formação da lua: ela pode ter sido produto de um impacto (como Terra-Lua e Plutão-Caronte) ou também pode ter sido meramente um objeto pequeno do cinturão de Kuiper que passou perto demais de Makemake e acabou capturado.

Os astrônomos, naturalmente, vão agora ficar em cima para determinar a órbita da lua, pois, sabendo isso, poderão usar a lei da gravidade para estimar a massa de Makemake. Tendo uma estimativa do diâmetro e outra da massa, podem calcular a densidade e então modelar a estrutura interna do planeta anão. (Isso foi feito para Plutão e acabou confirmado de forma bastante convincente pela New Horizons.)

Trata-se de passo importante para compreender melhor as variações e similaridades entre os muitos planetas anões residentes no cinturão de Kuiper.

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Comentários

  1. Espero que com a descoberta dessa lua, e os cálculos subsequentes que serão feitos para Makemake, indique uma densidade planetária bem maluca. Só assim, despertaria interesse para uma missão espacial em direção a esse planeta anão. Se a densidade de Makemake estiver dentro de um padrão previsível, esqueçam uma missão a curto prazo…

    1. Eu não esperaria grandes surpresas. E nem uma missão a Makemake, a não ser que tenhamos um breakthrough tecnológico do nível do projeto Starshot. Mas o cálculo da densidade nos ofereceria lampejos sobre a compreensão da formação do cinturão de Kuiper, que remete diretamente à formação do Sistema Solar. É bem importante. 😉

  2. Estou admirado com o interesse e conhecimento de vocês. Tenho até um pouquinho de inveja!

  3. O Sistema Solar não para de “crescer”. Só falta descobrir uma segunda estrela… Aliás, quem sabe um dia Júpiter acende?

    1. Júpiter só acenderia se tivesse de 13 a 80 vezes a sua massa atual. Isso porque para tornar-se estrela teria que começar a fazer reações de fusão nuclear. Com 13 vezes conseguiria fundir deutério, com 75 vezes poderia fundir hidrogênio (mais comum entre estrelas). Seria uma estrela fraquinha, visível a pouca distância (em termos de universo), cujo nome seria anã marrom. Entre 80 a 400 massas de Júpiter poderia ser uma anã vermelha, daí já estamos perto do Sol, que é 1000 vezes a massa de Júpiter. Só pra constar, nosso Sol é fraquinho comparado à maioria das estrelas “de verdade”.

      1. O Deutério por ser um “hidrogênio pesado” não seria mais dificil de fundir do que o próprio H? E a anã marrom não é uma estrela que não consegue fundir H?

      2. Olá Luiz, ótimo comentário, mas uma pequena correção.
        O Sol não é fraquinho. Ele pode ser pequeno em comparação a muitas estrelas, mas ele pertence ao grupo das “estrelas de verdade”.
        Em termos bem grosseiros, cerca de 90% das estrelas (vermelhas e laranjas) são pequenas e menores que o sol, 7% (amarelas) como o nosso Sol, os outros 3% (azuis e brancas) restantes são as grandes e gigantes.
        Portanto o Sol só é menor uma minoria, e longe de ser fraquinho.

  4. Salve Salva….
    E quanto ao Kepler- 452b … Que tanto rebuliço causou na época de seu descobrimento. Não tem mais noticias nenhuma?

    1. Não tem. O problema é que ele está muito longe para estudos subsequentes. E nem mesmo o Kepler está olhando naquela direção agora, depois que seus giroscópios pifaram e a missão teve de ser repensada…

  5. Salvador, se o Hubble é capaz de localizar um pequenino satélite tão distante, de apenas 160 km de diâmetro, qual está sendo a dificuldade de localizar o tal 9º planeta que, segundo estimativas, seria imenso ?

  6. Prezado Salvador,
    Gostaria de acrescentar dois centavos ao texto:
    (1) O planeta anão mais brilhante é Ceres, seguido por Plutão e Makemake.
    Makemake é o segundo mais brilhante na região dos Objetos Transnetunianos;
    (2) A designação numérica do satélite, segundo a UAI, é S/2015 (136472) 1
    Note que tem o algarismo “1” após a numeração de Makemake. É o que lemos na CBET nº 4275 publicada pelo CBAT/IAU: http://www.cbat.eps.harvard.edu/iau/cbet/004200/CBET004275.txt
    Forte abraço!

    1. Alexandre, tenho a impressão de que é o brilho intrínseco que conta, não o brilho relativo da Terra. Se bem que, aí, desconfio que Éris é o mais brilhante dos planetas anões, e não Plutão. Vou verificar.
      Sobre o item (2), você está certo.

      1. Fui checar. De fato, Makemake é o segundo mais brilhante dos transnetunianos, pelo brilho aparente a partir da Terra. Plutão seria o primeiro. Já no albedo, Éris ganha de todo mundo. Makemake vem em segundo, e Plutão vem atrás. Ceres, por estar bem mais perto, tem brilho aparente bem maior que esses, embora o albedo seja muito menor que todos os transnetunianos, pela falta de gelos em abundância na superfície.

  7. Legal, me lembra bastante as primeiras imagens feitas de Plutão pelo mesmo Hubble uns 25 anos atrás onde era possível enxergar alem do planeta, apenas a lua Caronte. Seria viável enviar uma sonda para um objeto tão pequeno e tão distante qto Makemake? Ou as chances de errar o alvo são muito grandes?

    1. É possível mandar, o duro é esperar chegar lá. Mais de dez anos, a exemplo do voo a Plutão.

  8. Incrível o serviço do Hubble e óbvio, da equipe que o controla, analisa e dá os comandos para obterem estas imagens. Encontrar e fotografar uma lua com 160Km de diâmetro naquela distância, não é para qualquer um. Parabéns.
    Depois temos de escutar estes malucos dizerem absurdos como: terra é plana, mentira que fomos a Lua, fotos editadas, teorias da conspiração, nibirutas, ciência não prova nada, etc.

    1. Eu estou doido para perguntar a um desses que dizem que a Terra é plana como ele explica os fusos horários, o fato de aqui ser meia-noite quando é meio-dia no Japão… Numa Terra plana, o Sol iluminaria todas as regiões igualmente no mesmo momento…

      1. Nossa, eu não consigo perder meu tempo com esse negócio de Terra plana, nem para sinucar os caras… É idiota demais. 😛

  9. Legal… Uma descoberta nova a cada dia… estamos diante de um inesgotável universo de tesouros particulares… cadas dia uma pérola nova… Como diria o sr. Spok… “fascinante”.

  10. Sera que os Et’s estao vivendo ai ? que existe vida fora da Terra todos sabemos,mas onde estao? Na lua ha provas de que existem e o homem nunca mais voltou…

    1. Na lua ha provas de que existem e o homem nunca mais voltou…

      Não, não há, e sim, voltamos 5 vezes pessoalmente e mais de 30 com sondas e satélites. Argumento inválido.

  11. Não imaginava que o reflexo do sol em planetas (ainda mais planeta anão) gerasse um brilho tão forte.

    1. Além do Sol ser forte, a capacidade do Hubble de captar luz é milhões de vezes superior ao olho humano. Assim dá a impressão que a foto tem muito brilho.

  12. Salvador, acho que podemos considerar que existem milhares de planetas anões do porte do Makemake, como o Sedna, por exemplo, no cinturão de Kuiper. Estou correto ?

    1. Milhares talvez seja muito. Mas certamente dezenas e possivelmente mais de uma centena.

  13. Putz… e conseguiram isso usando a melhor tecnologia de 26 anos atrás… agora, tente se lembrar qual era o seu celular há 26 anos…hahahaha…

    Estou babando de ansiedade para o JWST ser lançado logo…

    1. Não, Bruno, a WFC3 foi instalada no Hubble em 2009, na última missão de atualização do ônibus espacial. Esse é o segredo da longevidade do Hubble: a tecnologia foi melhorando nele com o tempo, em vez de ficar estagnada. 😉

  14. Bom Dia! Admiro muito seu trabalho, e vou fazer uma pergunta que o senhor deve ouvir milhões de vezes. Sou muito interessada nos assuntos de astronomia, mas nunca tive a oportunidade de fazer uma observação. Gostaria muito de começar, mas não sei por onde! Moro em uma chácara, que a noite é escuro total, e acho que isso ajudaria. Que equipamentos o senhor me indica, para poder observar a lua, uns planetas, estrelas … Agradeço muito se puder me ajudar.

  15. Olá Salvador. Sempre fico na ânsia e expectativa de tua coluna, pois é um dos poucos faróis nessa época tão aturdida. Quero lhe fazer uma pergunta: não consigo achar teu livro Rumo ao Infinito….você teria alguma dica de lugar onde possa encontrá-lo?

    1. Walmir, está esgotado, faz um bom tempo! Estou querendo lançar uma versão atualizada em formato digital, mas ainda não consegui tempo para fazê-lo. Para achar a versão antiga, só em sebo.

  16. pelo que eu entendi os buracos negros, é um mistério muito grande , para mim lá começa a vida e termina , e só através da força manifesta que impera no universo que os visitam e faz as coisas acontecerem de forma como tem que ser . toda energia é teleguiada toda ação direcionada tem uma função , nada do que existe deixa de ter sua função , a única forma de entendermos porque o universo é ativo é porque quem os criou não pode parar de ser ativo. Pois a natureza dele é assim, essa força foi o começo e a mente humana é impossível de descrever quando se dará o ômega . texto de Expedito Marinho

      1. Puxa, na segunda imagem tem um ponto brilhante que dá pra desconfiar hein. Mas seria só suposição.

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