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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Novo livro: “25 Grandes Gênios da Humanidade”

Por Salvador Nogueira

Ei, chegou a hora de eu apresentar uma das razões pelas quais a frequência de publicações por aqui andou menor do que eu gostaria. Acaba de chegar às bancas de jornal e livrarias meu mais recente livro, “25 Grandes Gênios da Humanidade — e como a vida deles pode inspirar a sua”.

Enquanto dou um rolê por Hollywood (em compromisso trekker) a partir de quinta-feira, vocês podem dar uma lida na introdução do livro por aqui e, se sentirem muita saudade de mim, comprá-lo. De toda forma, voltamos à programação normal no blog a partir de segunda. 😉

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UMA INTRODUÇÃO PARA 25 GÊNIOS

Ela fascina, encanta e seduz. O que é a genialidade? Identificar em que exatamente ela consiste é um desafio ainda longe de ser vencido. Passaremos algumas centenas de páginas falando disso e não sairemos daqui mais perto de entendê-la do que começamos. E só podemos fazer isso pelo fato de que, apesar de não compreendermos a genialidade, a maior parte das pessoas não tem a menor dificuldade em reconhecer um gênio quando está diante dele.

Este livro parte de duas premissas, ambas bastante seguras. A primeira é de que as grandes mentes que ajudaram a formar e moldar os rumos da civilização são, antes de mais nada, pessoas. Gente de carne e osso, como eu e você. Ao longo de sua vida, tiveram de lidar com problemas – às vezes bem cabeludos – e dilemas existenciais – idem –, superando as dificuldades e desabrochando a ponto de exercer sua genialidade e transformar a história do mundo. E a segunda premissa, quase uma consequência, é de que podemos aprender com a história dessas grandes pessoas e aplicar essas lições em nossa própria vida, seja no âmbito pessoal ou profissional.

Ao explorar a vida desses 25 extraordinários, esperamos encontrar não só a inspiração que os tornou o que foram (e como ela pode nos ajudar), mas também algumas pistas sobre a própria evolução do conhecimento e da tecnologia nos últimos 500 anos.

Acho importante, antes de começarmos nossa jornada, gastar dois dedinhos de prosa contando como foram escolhidos os caras perfilados aqui. Afinal, não é preciso ser gênio para saber que existiram muitas e muitas pessoas geniais na história do mundo e que elas manifestaram sua genialidade de muitas formas diferentes. Pelé, que, dizem as más linguas, calado é um poeta, foi um jogador de futebol genial. John Lennon e Paul McCartney certamente merecem um lugar na lista dos mais mais da música, ao lado de colegas mais eruditos como Beethoven ou Mozart. E o que dizer de Charlie Chaplin, Steven Spielberg e Stanley Kubrick? Gênios. E quanto a Machado de Assis e William Shakespeare? Os exemplos são intermináveis. Resta aí a necessidade de uma primeira camada de delimitação.

Entre as artes e as ciências, optei por me concentrar na segunda categoria, por uma razão muito simples, ainda que não totalmente justa: o impacto na evolução das ideias é mais fácil de mensurar no ramo científico do conhecimento, uma vez que ele tem em sua base a estrutura de pensamento racional. Ou, colocando em termos mais simples, é mais fácil confiar na avaliação que cientistas fazem do trabalho de seus colegas do que no que dizem os críticos de cinema sobre os filmes a que assistem. (Ou vai me dizer que você costuma concordar com os críticos de cinema?)

Fechado esse cerco, chegamos a uma segunda etapa. Quantos gênios o pensamento racional já teve na história humana? Direi agora, sem medo de errar: incontáveis. Sério. Muitos mesmo. Que critério então usar para escolher os campeões dos campeões, os 25 eleitos?

Entra em cena um jogo de equilíbrio. Por um lado, temos de reconhecer que os gênios são como os vinhos: quanto mais antigos, melhores. Por quê? Bem, um gênio contemporâneo ainda não teve seu impacto nos rumos da humanidade completamente apreciado, enquanto uma figura do passado já revelou completamente, de forma transparente, seu poder transformador.

Por outro lado, conforme vamos mergulhando mais e mais no passado, as histórias vão se turvando numa névoa de mistério, lacunas e informações desencontradas. Da Antiguidade, o grande Arquimedes quase entrou na lista final – ele esteve entre os 29 gênios que fizeram parte de uma edição especial da SUPER que escrevi e editei em 2012, revista que serviu de inspiração inicial para este livro. Mas acabou ficando de fora por conta disso? Há momentos de sua vida que são muito nebulosos, há lendas misturadas a fatos (afinal, ele usou ou não espelhos côncavos combinados à luz do Sol para incendiar os navios que sitiavam Siracusa? Ele realmente saiu pelado pelas ruas gritanto “eureka”?), e essa “romantização” não ajudaria a concretizar nosso objetivo central – investigar o que a vida dessas figuras brilhantes têm a dizer a respeito da nossa.

Oprimido entre as brumas do passado e a incerteza do presente, preferi concentrar meus esforços nos gênios dos últimos cinco séculos. Mesmo assim, admito que corri alguns riscos, pelo menos com dois dos perfilados: Steve Jobs e Elon Musk. Não resta dúvida quanto ao mérito deles em figurar em nossa distinta lista, mas também é verdade que só o futuro dirá o real tamanho de sua contribuição à civilização. (Podemos dizer que esse impacto está em algum lugar entre “moda passageira” e “salvação da humanidade”, o que dá uma medida do risco assumido.)

Por fim, numa tentativa de nos aproximar de uma compreensão, ainda que intuitiva, do que define um gênio científico, dividimos nossos personagens em cinco categorias, de acordo com o “poder” mais marcante de cada um deles: temos, portanto, os mestres da observação, da intuição, da superação, da abstração e da visão.

Esse recorte também colaborou no processo seletivo, uma vez que foi preciso encontrar equilíbrio entre as diferentes características, para não deixar nossa lista desequilibrada, por assim dizer – cada categoria ficou com cinco mestres. Importante notar que não é porque o sujeito está na lista da superação que ele não foi um grande observador ou um amante do pensamento abstrato. É óbvio que, nos gênios, assim como em cada um de nós, pobres mortais, todas essas qualidades se manifestam de forma simultânea e com diferentes graus de ênfase.

O que esses recortes fazem é nos ajudar a entrever, em meio às histórias de vida de cada um dos nossos perfilados, algo de essencial no caráter de todo gênio – e, na real, também de todos nós, pobres mortais. Eles também reforçam a ideia de que a decifração da genialidade, embora passível de investigação, dificilmente será reduzida algum dia a uma definição simples e inflexível (ou talvez seja preciso um gênio, ainda não descoberto, para finalmente fazer essa síntese).

Após todo esse processo, terminamos com uma escalação digna de reverência. Uma passagem rápida pelo nosso escrete de craques: Copérnico, Galileu, Darwin, Wegener e Hubble; Leonardo da Vinci, Kepler, Freud, Santos-Dumont e Gamow; Faraday, Landell de Moura, Tsiolkovsky, Marie Curie e Stephen Hawking; Newton, Planck, Einstein, Heisenberg e Pauling; Edison, Tesla, Turing, Steve Jobs e Elon Musk.

Um timaço. Mas não podemos deixar de notar que ele também revela alguma das mazelas da nossa própria sociedade. Dos 25, apenas uma mulher. Nenhum negro. A explicação é naturalmente histórica, uma vez que só em meados do século passado o Ocidente começou a se apegar a noções como a igualdade de direitos e oportunidades entre os gêneros e as etnias. E essa é uma luta que com certeza ainda não terminou. Apesar de reconhecer e compreender esses fatos, não posso me furtar a um sentimento de tristeza ao pensar em todas as pessoas incríveis do passado que não tiveram seu lugar ao sol por terem nascido com o sexo ou a cor de pele “errados”. Espero que, em mais uns cem ou duzentos anos, quem revisitar essa ideia de elencar uma coletânea de gênios num livro tenha a possibilidade de, sem prejuízo de sua honestidade intelectual, formular uma lista mais variada e representativa de todos os habitantes do planeta Terra (e quem sabe até de colônias humanas espalhadas pelo espaço, se Elon Musk, nosso último gênio, conseguir mesmo fazer tudo que está querendo).

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