Marte já teve atmosfera rica em oxigênio, diz Nasa

Salvador Nogueira

A cada nova descoberta, o passado de Marte faz mais por lembrar um certo mundo azul velho conhecido nosso. A última veio da cratera Gale, onde trabalha o jipe Curiosity. Ele encontrou por lá evidências químicas de que o planeta vermelho já teve altas concentrações de oxigênio molecular em sua atmosfera. Isso mesmo, o tal O2 que respiramos e que alimenta nosso metabolismo altamente energético. Não duvide se algum dia descobrirem que o ar marciano já foi respirável em tempos remotos.

A descoberta, anunciada pela Nasa e publicada no periódico “Geophysical Research Letters”, teve a liderança de Nina Lanza, do Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México. Usando o instrumento ChemCam embarcado no jipe, foi possível detectar a presença de óxidos de manganês em algumas fissuras de rochas. O intrigante é que essa composição mineral só seria esperada num ambiente com presença abundante de água e alguma substância altamente oxidante. Oxigênio molecular seria o candidato mais provável.

Que Marte já teve oxidantes na atmosfera, não é novidade. A própria aparência enferrujada de sua superfície, de fato oxidada, denuncia isso. Mas uma pequena quantidade bastaria para deixá-lo avermelhado. O mesmo, contudo, não se pode dizer desses óxidos de manganês. Eles exigiriam uma concentração muito maior. Ou seja, provavelmente já houve muito oxigênio na atmosfera marciana.

DE ONDE ELE VEIO?

Na Terra, sabemos muitíssimo bem de onde sai o oxigênio que respiramos — contamos com as cianobactérias e as plantas, capazes de fotossíntese, para fabricá-lo e reabastecê-lo. Em Marte, no entanto, postular isso a essa altura seria loucura — embora já saibamos que o planeta vermelho devia ter condições bem amenas para a vida em seu passado remoto, não há no momento nenhuma evidência de atividade biológica que sustente essa hipótese.

Em compensação, sabemos que Marte sofreu um processo de ressecamento que o transformou no deserto gélido que é hoje. Há também evidências seguras, confirmadas por sondas recentes como a Maven, de como isso se deu.

Primeiro, Marte perdeu seu campo magnético, coisa de 4 bilhões de anos atrás. Sem ele, foi-se a proteção natural que a atmosfera do planeta tinha contra o vento solar. As partículas emanadas do Sol passarama erodir a atmosfera, o efeito estufa diminuiu e a água se tornou instável na superfície. Parte dela congelou (e está até hoje no subsolo). Outra parte evaporou e, no ar, teve suas moléculas atingidas pelos raios ultravioleta solares.

Água, lembre-se, é duas parte de hidrogênio e uma parte de oxigênio. Quando radiação UV bate nela, a molécula se quebra. O hidrogênio, muito mais leve, consegue escapar com facilidade da débil gravidade marciana e vai-se embora para o espaço. O oxigênio fica para trás. Voilà, nosso oxidante para o manganês. Ou, pelo menos, é nisso que Nina Lanza e seus colegas estão apostando para explicar a detecção do Curiosity.

De toda forma, a descoberta é fascinante. Na Terra, o aumento de oxigênio molecular na atmosfera, causado pela própria vida, foi ao mesmo tempo uma catástrofe ambiental sem precedentes (uma vez que, naquela época, a maioria dos micro-organismos tinha uma terrível alergia a oxigênio) e um advento maravilhoso, o provável gatilho para o surgimento de seres multicelulares e complexos. (Seria uma versão “ultimate” do famoso “o que não mata fortalece”?)

Qual terá sido seu papel para a vida marciana, se é que algum dia houve vida em Marte? Mistério da capa preta, como diz a minha avó.

De todo modo, a descoberta também é um alerta para os mais animados com a descoberta de evidências de vida em planetas fora do Sistema Solar — como o Mensageiro Sideral. Já não podemos tratar a presença de oxigênio molecular na atmosfera de um exoplaneta como sintoma claro de fotossíntese. Pode ser que, a exemplo de Marte, ele esteja só vendo sua água subir no telhado.

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Comentários

    1. Eu! Eu fui lá e tirei. Tão todas aqui no meu celular! Precisa ver as que não ficaram boas! Isso sem falar nas que aparecem os marcianos dando tchauzinho ao fundo! Essas tive de apagar, depois de receber uma visita dos homens de preto.

    2. Amigo o braço robótico tira selfies do robô extamente igual q um pauzinho de selfie, depois as fotos são editadas para ter esse efeito q parece q alguem estava lá para tirar.

  1. Boa Noite, Salvador.
    Chego de viagem e…vou ver postagens e…
    – O que foi “aquilo” no post do dia 27/06? Invasão extraterrestre de Crentes, Fanáticos e Afins?
    Fora o nível de malcriação e ofensas.
    Engraçado todos participarem ao mesmo tempo. Prontos para arrumar confusão. rsrs.
    Faltaram os 2 mais críticos(A e O). A não ser que usaram Codinomes falsos. rsrs.
    Conte conosco, esqueça isto. Abs.

    1. Nem me incomodei! O mais importante é que eles vieram. Minha sobrevivência depende de audiência! 😛

  2. Caro Salvador,

    O campo magnético de um planeta não é gerado pelo núcleo do mesmo, quando composto basicamente de ferro?

    Agradeço antecipadamente pela atenção.

    Sds!

    1. Sim, ele é gerado pelo núcleo, que normalmente é composto de ferro porque ferro é o elemento mais pesado que existe em quantidades significativas na matéria-prima que dá origem aos planetas. Abraço!

  3. Salvador e colegas do Grupo ou Blog.
    Falem com sinceridade, está foto recente de Júpiter com as Auroras Boreais no Pólo Norte, é ou não é a melhor foto dos últimos tempos de um corpo celeste.
    Simplesmente sensacional.
    Será um ícone por muitos anos.
    Na minha opinião, é claro.

    1. Não entra em julgamento, as fotos da nossa Terra. Nosso lar. Bola de Gude Azul.
      Estas são HoursConcours.
      Abs.

      1. Tudo bem. Mas ficou demais.
        A nitidez de detalhes e cores junto com Azul das auroras, ficou muito bonita..

      2. Aliás, com sua autorização claro, se soubesse baixar e postar, eu colocaria a foto neste post.rsrs

  4. Salva, pegando carona no [off-topic], sabe o satélite japonês Astro-H (que deu problema logo após o lançamento) esta considerado totalmente perdido?
    Lembro que vi em algum lugar que os japoneses iriam tentar aproveitar alguma funcionalidade do satélite se fosse possível, mas depois não vi mais nada de notícia.

  5. Olá, Salvador!

    Sou um leitor assíduo e admiro o seu trabalho e texto como colega de profissão. Minha dúvida é: qual é a próxima missão que irá até Marte, quando ela chega e o que ela vai estudar no planeta vermelho?

    Podemos esperar um estudo mais conclusivo em relação ao subsolo do planeta nos próximo anos?

    1. Diego, temos a ExoMars chegando à órbita de Marte até o fim do ano. Enviada pela ESA, ela vai investigar a composição da atmosfera em busca de sinais de vida ou atividade geológica (em essência, vai tentar medir a presença de metano com precisão). Sobre o subsolo, teremos o lander InSight, da Nasa, que parte em 2018. E o mais empolgante deve ser o jipe ExoMars, que vai perfurar o solo em busca de evidências de vida.

  6. Salvador, sou um leitor assíduo de seu blog.. Parabéns pela precisão, paixão e profissionalismo!
    Uma pergunta: como que Marte perdeu seu campo magnético? Entendo que as cargas elétricas do planeta em rotação deveriam gerar o campo magnético. Como Marte continua a girar, significa que as cargas elétricas deixaram de existir? De alguma maneira se anularam? Existe algum estudo a respeito?

    1. Flavio, não depende só da rotação, mas sobretudo do calor interno do planeta. Marte é geologicamente morto — ou quase morto –, o que significa que o calor interno se foi. Isso porque ele é bem menor que a Terra, principalmente. Note que Júpiter, o maior dos planetas, também tem o mais poderoso campo magnético do Sistema Solar, perdendo apenas para o Sol. Abraço!

  7. Voltando ao assunto da perda do campo magnético de um Planeta:
    – Parece que, na verdade não sabemos como perdeu-se o campo magnético de Marte?
    – Muito menos, como se precaver caso aconteça na Terra?
    – O que realmente sabemos a respeito?

    1. Raf,
      sabemos que o campo magnético é gerado pelo calor interno de um planeta, que faz com que o núcleo externo se comporte como um ímã gigante, por conta do fluxo de elétrons por ali. Sabemos também que quanto maior é um planeta, mais calor interno ele vai ter (demora mais para perdê-lo, tem mais elementos radioativos em seu interior), o que explica por que o campo magnético da Terra dura bem mais que o de Marte. No entanto, ainda não sabemos exatamente porque a Terra perdeu tão pouco calor (e manteve praticamente o mesmo campo magnético por tantos bilhões de anos, sem esmorecer). Ou ela tem mais elementos radioativos do que se imaginava, ou o efeito de convecção é mais poderoso do que se calcula, ou algum elemento externo ajuda nisso. Recentemente, surgiu a hipótese de que fosse o efeito de maré gerado pela Lua. Isso explicaria porque o campo magnético da Terra ainda está bem ativo, e o de Vênus, praticamente do mesmo tamanho, já desligou. Por outro lado, a rotação também tem uma influência, e Vênus tem uma rotação superlenta. Pode ser essa a explicação, e a Lua já não teria tanta importância nesse caso.
      De toda forma, sabemos que o campo magnético da Terra não vai desligar tão cedo. Por outro lado, sabemos que ele troca de polaridade periodicamente, e durante essa troca pode haver um período com campo magnético nulo ou bem mais fraco. E os cientistas desconfiam que isso deve estar na bica de acontecer. Então não vai faltar emoção. rs

      1. Salvador,
        Agradeço pela explicação. Ainda não temos todas as respostas, mas já sabemos um pouco.
        Em relação ao último parágrafo, problemas á vista, né.
        Realmente não faltará emoções. rsrs.

        1. É, mas desconfio que o problema será menor do que imaginamos. Não há registro confiável de extinções em massa nos momentos de flipada do campo magnético, então… não deve ser catastrófico. 😛

          1. Mas é possível que essa reversão dê uma bagunçada (momentânea ou não) nos nossos satélites de comunicação, certo?

          2. Salvador, o que poderia acontecer com essa flipada do campo magnético? Quais as consequências?

          3. Estaremos muito menos protegidos contra o vento solar se a flipada envolver um período, ainda que curto, em que o campo magnético está “desligado” (entre o norte virar sul e o sul virar norte). Se uma tempestade solar vier na nossa direção, sem campo magnético, isso pode afetar adversamente a vida na Terra (prótons de monte atravessando seu corpo com altíssima energia não podem ser coisa boa; podem induzir mutações no DNA, ou seja, risco maior de câncer). Contudo, de novo, vamos lembrar que isso já aconteceu muitas e muitas vezes, e não há correlação com extinções em massa na Terra. Então, a chance é baixa de algo catastrófico.

          4. Na sua resposta para o Paulo, logo abaixo, se o que descreveu não é Chutar o pau da Barraca. em relação a estrago pela flipada no Campo magnético, não estou entendendo, mais nada. Kkkks

      2. O “deve estar na bica de acontecer” é em tempo cosmológico, não é, Salvador? Traduzindo: no próximo milhão de anos… 🙂

        1. Na verdade, não. Uma reversão aconteceu em média a cada 200 mil-300 mil anos nos últimos 20 milhões de anos. Mas… a última reversão aconteceu há 780 mil anos. Então, quando eu digo “na bica”, é na bica mesmo. 😛

          1. Exato, tb já li artigos a respeito. E o Salvador está com razão, estamos no limiar da reversão.
            Pode ocorrer surpresas por aí.

      3. Prezado Salvador! Sempre acreditei que a atividade interna do nosso planeta, responsável pelo campo magnético e outras características do planeta, são e foram fundamentais, ao lado de outras é claro, pelo início e manutenção da vida como nós a conhecemos. Aos meus alunos dizia que devemos procurar as causas da características de nosso planeta não tanto alhures, sem subestimá-las, no “útero” terrestre. Ela, a atividade interna, mantém até hoje o equilíbrio que proporciona a vida na nossa mãe Terra.

        1. Verdade, a atividade interna é fundamental. Mas não é, até onde sabemos, especial. 😉

  8. Parabéns pelo artigo Salvador, animadora a notícia sobre a SpaceX. Sobre Marte, a compreensão do planeta está cada vez mais “humanizada”. Hoje fala-se de água, como se fosse assunto batido, por exemplo. Agora é a “vez” do O2. Em breve, quem sabe reminiscências do passado microbiano, e quem sabe ainda pluricelular. A exploração direta vai potencializar em muito o ritmo das descobertas. Poderemos nos surpreender no presente, e quem sabe angariar recursos para a humanidade no futuro. Agora um assunto que chamou minha atenção, o Hubble segue fazendo novos flagras. Não haveria um jeito de dar um upgrade no bichão para ele não ter que se aposentar e assim, com o telescópio James Webb continuar compondo a frota de telescópios espaciais em operação, para potencializar as descobertas, ou ele já é mesmo carta fora do baralho?

    1. Sem update para o Hubble. Mas ele continuará operacional enquanto der. Se bobear, ainda vai estar por aí quando o JWST bater com as dez. rs

        1. Uau, US$ 40 milhões por ano é o custo de manutenção do projeto na Terra… Cada foto vale o preço!

  9. Apesar de não ser conclusiva, essa descoberta incentiva a ideia de que micróbios marcianos possam ter chegado à Terra nos seus primórdios, trazidas por fragmentos de rochas arrancadas de lá por meteoros. Se eles existiram, claro. Gostei do tom realista do post, Salvador, mas, de qualquer forma, despertou a minha imaginação. 🙂

    1. Acredito que a Terra estava em melhores condições de mandar micróbios para Marte, que o contrário. Estava mais perto do Sol, que na época era mais fraco, e portanto recebia mais energia. A Terra é muito maior, aumentando a chance de criar vida primeiro. Se alguém tinha que enviar micróbios para alguém, seria daqui pra lá !

      1. Concordo, até porque sabemos que a vida já existia aqui. Na verdade, o difícil é imaginar como essa transferência pode NÃO ter ocorrido…

        1. Salvador, mas como essa transferência ocorre? Simplesmente um corpo se choca contra um planeta e arremessa “pedra com micróbios” para o espaço? A atmosfera não “segura” essa pedra e ela sai doidona voando pelo espaço?

          Abs,

          1. Exato. Um asteroide bate na Terra. O impacto levanta um monte de pedras da Terra acima da velocidade de escape e elas vão parar no espaço. Ficam vagando por milhões de anos até cair num planeta vizinho. Foi assim que o meteorito ALH84001, de Marte, veio parar na Antártida! 😉

  10. off topic Salvador.
    Andei lendo ai sobre um periodo de pouca atividade solar, que comecaria por volta de 2019/2020. O sol ficaria “liso” sem as manchas e as tempestades solares. Segundo li, esse periodo pode durar uns bons 30 anos com a temperatura na Terra caindo bastante. Mini era do gelo…
    Procede?

    1. Rony, há quem diga que pode acontecer algo como o último mínimo de Maunder, que gerou a última mini-era glacial. De fato, o comportamento do Sol em tempos recentes parece sugerir isso, embora seja cedo para cravar. De toda forma, com esse monte de CO2 na atmosfera, duvido que entremos numa era glacial…

  11. Oi Salvador,
    Sempre que posso visito o seu Blog, adoro suas reportagens, porem nunca fiz um comentário pois os meus questionamentos são respondidos nas perguntas dos outros, hoje uma coisa me deixou curioso, “quem tirou a foto do jipe? Não vi nenhuma haste de selfie, ou será que a foto é montagem para ficar mais bonita?

    1. Os comentários do outros têm a resposta. 😉
      O jipe faz várias fotos com o braço robótico e depois um mosaico é montado tirando o braço. 😉

  12. Salvador, estaria uma hipótese sem sentido? se reciclássemos o Co2 para O2+>>C, e ré-aproveitássemos o oxigênio, acredito que espécimes inteligentes iriam , tentar este meio caso o oxigênio puro começasse a faltar, o que você acha da ideia,?
    outra ideia; também as vezes me questiono, se realmente precisamos inspirar o oxigênio para as reações do organismo, ou se precisamos na verdade, e expelir o carbono?! já que de toda reação do organismo na respiração, o que esta como resultante, e o acréscimo do elemento carbono a expiração do organismo, já que o O2 se conserva + o C. Conseguiríamos quebrar algum paradigma observando este outro prisma?!!

    1. Claramente precisamos do oxigênio, não expelir o gás carbônico. Tomo um monte de gás carbônico na Coca-Cola e estou aqui.
      Quando a converter CO2 em O2, sim, bem possível. Um experimento no jipe que a Nasa mandará para Marte em 2020 irá fazer isso, como teste para futuras missões tripuladas. 😉

      1. Tomara que essa tecnologia se desenvolva a ponto de poder ser usada nas nossas chaminés… Já imaginou, Salvador, pararmos de lançar CO2 na atmosfera ao realizar essa reação de quebra do gás?

        1. Radoico, e o que faríamos com a quantidade de carbono dispersada? O problema das reações químicas é que o subproduto nunca vai embora. Por outro lado, CO2 produz um moderado e saudável efeito estufa, quando na quantidade certa na atmosfera. Melhor é parar de zoar com ela mesmo.

          1. Salvador, eu vi Uma reportagem que agora, eles[cientistas] estão injetando CO2 nas rochas submersas, como forma de se conter a emissão; Sempre tem um quebrando paradigmas! poderiam fazer isso com o C puro também talvez. eu acredito que os extraterrestres que “vi” na lua, via .tit App, conforme enviei os links(mare moscoviese believy, já fação esta reciclagem do Co2,; por isso vestem túnicas[roupa espacial], digamos, Hipótese que exista alguma alga{modificada geneticamente-Transgênica],Que teria alta capacidade de Reação Co2–>O2, e que possa estar plantada e cultivada por dentro da túnica, ela faria este processo cíclico de forma natural. O2Co2—>Co2O2.Quem sabe a gente consegue desfazer algum Paradigma!! Que você acha da ideia!!

          2. Gilberto, não tem novidade na conversão de CO2 em O2. É o que a fotossíntese faz desde sempre. 😉

      2. O Carbono que eliminamos na respiração, vem de tudo que comemos. Tudo que comemos, o fígado transforma em Glicose(C6 H12 O6). Ao oxidar(queimar) a molécula de glicose, se obtém energia. Mas desse processo todo, só nos interessa a energia. O resto todo tem que ser expelido, e acaba sendo, na forma de água e CO2.
        Para quebrar o CO2 e recuperar o O2, é preciso adicionar energia, na mesma quantidade, ao CO2, que é o que as plantas conseguem fazer, pois ficam absorvendo energia do sol para poder fazer isso. Se fôssemos capazes de fazer isso, não precisaríamos comer.
        Portanto, qualquer tecnologia que fosse capaz de quebrar o CO2, teria que gastar energia para fazer isso. Não existe almoço grátis !

  13. Salvador, parabéns pelas explicações ! Uma dúvida: Como são formados e o que pode deixar os campos magnéticos fortes e estáveis ? Pois pelo visto isso é um fator muito importante para o planeta conseguir se manter mais favorável a vida como conhecemos.

    1. Vitor, essa é uma pergunta que ainda intriga os cientistas. Em geral se pensava que era o calor interno (por elementos radioativos), gerando convecção. Mas talvez não seja o suficiente. Um dos estudos mais recentes (e interessantes) que vi sugere que a Lua tem um papel importante exercendo efeito de maré sobre as regiões internas da Terra e dando um power na convecção.

  14. Prezado Salvador, parabéns pelo interessantíssimo blog. Vc não acha que ao menos parte do oxigênio terrestre poderia também ter surgido dessa mesma forma – através do bombardeamento de radiação UV sobre as moléculas de água do nosso oceano primevo?

    1. Difícil dizer que nada do oxigênio terrestre emergiu assim, mas o consenso é de que ele é biogênico — até porque precisa ser constantemente abastecido.

  15. Salvador, esta informação bombástica me leva a uma questão bastante “esperançosa”, de certa forma. Bom, deixe-me primeiro organizar minhas ideias:

    (1) não se conhecem ainda processos não-biológicos capazes de explicar atmosferas com alta concentração de oxigênio

    (2) marte já teve uma atmosfera com alta concentração de oxigênio

    (3) pelo que se conhece hoje, esta atmosfera com alta concentração de oxigênio só de explica pela presença, mesmo que temporária, de um meio biológico capaz de alguma espécie de fotossíntese… isto é, ão é nenhum absurdo imaginar um Marte antigo tomado por algum tipo de “vegetação” fotossintetizante?

    1. “De todo modo, a descoberta também é um alerta para os mais animados com a descoberta de evidências de vida em planetas fora do Sistema Solar — como o Mensageiro Sideral. Já não podemos tratar a presença de oxigênio molecular na atmosfera de um exoplaneta como sintoma claro de fotossíntese. Pode ser que, a exemplo de Marte, ele esteja só vendo sua água subir no telhado.”

      OPS, foi mal!!! Parece que eu mesmo não tive paciência de esperar pela resposta, hehehehehe!!!

    2. O artigo acaba de apresentar um processo não-biológico capaz de explicar atmosfera com oxigênio (e conheço outro, mas ligado apenas a planetas em anãs vermelhas, que são bem mais ativas). Eu não ficaria tão animado com vida nesse caso, David. Embora, claro, seja intrigante!

        1. José, desculpe o mau jeito, o que acontece é que, quando vou aprovar, vejo do mais novo para o mais velho. Mas se for a coisa do selfie, eu respondi tantas vezes antes que certamente houve a mesma resposta também antes do seu comentário. 😉
          Abraço!

  16. Pelo que vi, não tem com ter esperança de vida num planeta assim, não vale a pena ta perdendo tempo explorando mais nada por lá, ta na hora de partir pra outra

  17. Salvador, existe alguma estimativa de qual pode ter sido a pressão atmosférica em Marte?

    Olha, eu careço de meios psicotrópicos dos quais alguns comentaristas parecem que gozam em abundância, mas vou arriscar uma viajada…

    Futuro distante…uma rede de artefatos orbitando Marte recompõe tecnologicamente um campo magnético satisfatório (não me perguntem de onde sai a energia, afinal estou viajando, mas o fato é que energia no universo não falta). Qual a quantidade de ar que tem que ser bombeada alí (hahaha…”alí”) para se obter 1ATM na superfície mais baixa? Considerando a gravidade e as dimensões de Marte, alguém pode me fazer a matemática e chutar a proporção da atmosfera terrestre a ser injetada? (Calma gente, tem muito N e O dando sopa no sistema solar, o problema vai ser mesmo o gasoduto!)

    1. Difícil saber qual foi a pressão no passado. Até da Terra, desconfio, a gente não sabe.

    2. Não vou fazer a conta pra você agora porque estou um pouco sem tempo. Mas tente aí o seguinte: Procure a equação da área de esfera, e com ela calcule a área total de Marte. Vai precisar colocar em Marte 1 kgF/cm2, que ao ajustar pela diferença de gravidade com a terra, vai dar 2,5kg de ar a ser colocado sobre cada cm2 da superfície de Marte. A grosso modo são meros 3,75 x 10(18) Kg.

  18. Salvador! Lendo aqui o blog…uma dúvida me ocorreu. Se mercúrio possui um lado voltado paro o sol extremamente quente…e um na sobra extremamente frio…teríamos um anel atravessando o planeta com temperaturas amenas. Esse “anel’ passaria pelos polos…onde possivelmente o restinho dee água do planeta poderia se “abrigar”. Considerando ainda que uma parte desse anel está protegido da radiação solar…. teríamos uma região interessante aí…onde me parece que só faltaria atmosfera. Viajei demais??

    1. Luciano, Mercúrio tem três rotações para cada duas translações. Ou seja, sua superfície não tem um lado permanentemente claro e outro escuro.

      1. embora seja possível, para quem estiver realmente determinado, viver em alguma cratera nos seus polos, recebendo e controlando a energia solar, abundante, que estiver disposto a administrar…

  19. Oi Salvador,
    Muito interessante o artigo! É possível saber pela amostra em qual época a atmosfera de Marte tinha oxigênio abundante para gerar os óxidos de manganês? Na hipótese de Marte realmente ter abrigado algum tipo de vida, isso teria sido no período anterior à perda do campo Magnético? Parece deixar pouco tempo para a evolução de vida complexa…

      1. mas vai saber se não teve algum tipo de “ajuda”, né???
        brincadeirinha, hehehehehe!!!

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