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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Na pista da misteriosa matéria escura

Por Salvador Nogueira

Seu corpo pode estar sendo trespassado por matéria escura agora. Falta só saber o que ela é.

O QUE É, O QUE É?
É desconcertante: a imensa maioria da matéria do Universo é feita de algo que não sabemos o que é. Ela não forma átomos, nem interage com eles. Por falta de termo melhor, nós a chamamos de matéria escura.

RODA VIVA
Na década de 1970, a astrônoma Vera Rubin fez uma constatação chocante: as estrelas na borda da Via Láctea avançam em suas órbitas mais depressa do que deveriam, o que sugere uma grande concentração de matéria exercendo gravidade do lado de fora da galáxia — mas não parece haver nada lá! Ah, essa é fácil! Matéria escura. Rá.

UM BOCADO DE ESCURIDÃO
O que assusta é a quantidade. Para cada quilo de matéria normal no Universo, há mais de cinco quilos de matéria escura. Na real, esse componente misterioso forjou os alicerces do cosmos, produzindo as concentrações que serviriam de sementes para as futuras galáxias.

METIDA A BESTA
O problema é que a matéria escura não curte se misturar com o resto do Universo. Ou seja, zilhões de partículas de matéria escura podem estar agora atravessando seu corpo, e você nem tchum. E o mesmo se pode dizer de qualquer detector feito para captá-la. Mas ninguém jogou a toalha.

PANCADA CÓSMICA
Um estudo recém-realizado em Cambridge se concentrou numa faixa de estrelas na orla exterior da Via Láctea e encontrou falhas que podem ser explicadas pela passagem de uma nuvem de matéria escura, com massa total milhões de vezes maior que a do Sol. Se for isso mesmo, a descoberta sugere que as partículas que a compõem devem ser mais pesadas e lentas do que se imaginava.

EM BUSCA DA PARTÍCULA
Noutra frente de pesquisa, um detector instalado a bordo da Estação Espacial Internacional capta, desde 2011, traços que podem ser resultado da aniquilação de partículas de matéria escura — mais uma pista. E, claro, sempre há a esperança de que o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, possa detectar novas partículas hoje desconhecidas e coloque ponto final ao mistério.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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