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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: A Viking detectou vida em Marte?

Por Salvador Nogueira

Em novo artigo, pesquisadores insistem que a Nasa detectou vida em Marte em 1976.

DE VOLTA PARA O FUTURO
A busca por vida em Marte é um dos maiores motores das pesquisas astrobiológicas. Mas, para uma dupla de cientistas, nós já devíamos saber a resposta. Eles insistem que, muito provavelmente, as sondas Viking detectaram formas de vida marcianas em 1976. A conclusão é apresentada em um novo artigo, recém-publicado no periódico “Astrobiology”.

TESTE DA VIDA MARCIANA
Gilbert Levin e Patricia Ann Straat conceberam um dos três experimentos destinados à busca de vida realizados pelas duas Viking em Marte. Chamado Labeled Release (LR), ele consistia em misturar nutrientes com marcadores radioativos a uma amostra de solo e verificar se algo ali os consumia — emitindo gases que entregassem a presença de micróbios. De fato, foi exatamente isso que aconteceu, num padrão similar ao que se viu em amostras de solo da Antártida.

UM PRA LÁ, DOIS PRA CÁ
Já os outros testes biológicos da Viking produziram resultados consistentes com reações químicas sem a participação de vida, o que criou um conflito. A prova dos noves era um quarto experimento, capaz de detectar compostos orgânicos em Marte. E ele não encontrou nada. Na época, isso foi tratado como conclusivo: não parecia haver vida no planeta vermelho.

A FONTE DA CONFUSÃO
Contudo, em anos recentes, foi descoberto que há grandes quantidades dos chamados percloratos no solo marciano — e essas moléculas são perfeitas para confundir o detector de compostos orgânicos da Viking, que fazia sua análise aquecendo amostras de solo. O aquecimento leva o perclorato a destruir moléculas orgânicas.

DÚVIDA CRUEL
De acordo com Levin e Straat, a presença de percloratos também poderia explicar alguns dos resultados do LR, mas não todos eles, deixando, até o momento, apenas a detecção de vida como alternativa viável. A maioria dos cientistas não concorda com eles, mas quase todos admitem que os resultados das Viking são controversos e não permitem, no momento, descartar a existência de micróbios proliferando na superfície de Marte.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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