Mensageiro Sideral

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos

 -

Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

Perfil completo

Publicidade

Astronomia: Anéis de Cáriclo no computador

Por Salvador Nogueira

Supercomputador japonês ajuda a estudar anéis descobertos por brasileiros em asteroide.

ANÉIS PARA TODO LADO
Eles estão certamente entre as mais intrigantes formações observadas em nosso Sistema Solar. Saturno imediatamente vem à mente, com seu vistoso conjunto de anéis. Mas eles são mais comuns do que se imagina. Todos os planetas gigantes têm os seus, e até mesmo asteroides podem ter anéis.

DO OIAPOQUE AO CHUÍ
A descoberta foi feita por um grupo de astrônomos liderado pelo brasileiro Felipe Braga-Ribas. Em 2014, eles descobriram que o pequeno Cáriclo, um objeto com cerca de 250 km de diâmetro que transita entre as órbitas de Saturno e Urano, tem dois anéis, batizados informalmente de Oiapoque e Chuí.

MAIS DE UM
Normalmente, quando um astro com uma dada característica é encontrado, isso é sinal de que muitos outros similares devem existir. Com efeito, em 2015, um grupo do MIT, nos Estados Unidos, mostrou que Quíron, outro objeto entre Saturno e Urano, pode ter também dois anéis.

CENTAUROS
Cáriclo, Quíron e outros objetos como eles, que transitam na faixa dos planetas gigantes, vivem uma crise de identidade. Têm características mistas de asteroides e cometas. Não por acaso, são chamados de centauros, as criaturas mitológicas parte humanas, parte equinas.

A NOVIDADE
Ainda há muitas perguntas sobre como anéis podem se formar e persistir em corpos tão pequenos. Um passo importante para respondê-las acaba de ser dado por um grupo de astrônomos japoneses. Eles usaram um supercomputador para simular o comportamento dos anéis de Cáriclo. Foi a primeira vez que um sistema completo de anéis foi recriado digitalmente.

TEORIA E PRÁTICA
No trabalho, 345 milhões de partículas foram simuladas para analisar como os anéis evoluem. Os resultados indicam que o mais interno deles deve ter estranhos padrões listrados e que a manutenção do sistema talvez dependa da existência de luas “pastoras”, que mantenham os anéis confinados. Agora, os astrônomos se voltam de novo para os telescópios, a fim de testar as predições e compreender como a natureza produz essas belas estruturas.

BÔNUS: Curso gratuito sobre o Sistema Solar e projeto Mulheres na Astronomia
Um par de informações que pode interessar ao leitor. O Observatório Nacional acaba de abrir as inscrições para um curso gratuito e à distância sobre o Sistema Solar. Para quem se interessa por saber mais sobre o nosso quintal no Universo, fica a dica. Mais informações aqui. E, para provar que lugar de mulher é no observatório astronômico, Camila Beli Silva, aluna do Instituto de Física de São Carlos da USP, produziu um vídeo sobre Mulheres na Astronomia e na Astrofísica. Com cerca de cinco minutos e narração da aluna Natália Palivanas, ele faz parte de um projeto mais amplo, coordenado pela professora Manuela Vecchi, do IFSC/USP. Vale a pena dar uma olhada, clicando aqui.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook, no Twitter e no YouTube

Blogs da Folha

Publicidade
Publicidade
Publicidade