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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: A estrela que desapareceu

Por Salvador Nogueira

Cientistas testemunham estrela virar buraco negro e sumir, sem explodir como supernova.

JANELA INDISCRETA
Descobrir supernovas nunca foi trabalho duro. Afinal, essas imensas explosões cósmicas de estrelas de alta massa que esgotaram seu combustível interno são tudo, menos discretas. As detonações cataclísmicas chegam a brilhar mais que a soma de todas as estrelas em uma galáxia.

MORTE VIOLENTA
Essa é a forma de morte esperada para astros bem maiores que o Sol. Em sua fase final, conforme a capacidade de gerar energia vai se esvaindo, eles incham e se tornam estrelas gigantes vermelhas. Ao fim do processo, não há mais como contrabalançar a gravidade, e o núcleo estelar é esmagado. Num efeito rebote, as camadas exteriores são expelidas. Faça-se a luz.

VARIANTE SUTIL
Os astrônomos há tempos desconfiam, contudo, que algumas dessas estrelas podem passar pelo processo de implosão sem chegar a gerar uma supernova. Elas teriam um sutil aumento de brilho e, em seguida, entrariam em colapso, virando um buraco negro. Agora, uma equipe da Universidade Estadual de Ohio anunciou ter, pela primeira vez, conclusivamente testemunhado o fenômeno.

CADÊ A ESTRELA?
Imagens do Telescópio Espacial Hubble produzidas em 2007 revelavam uma gigante vermelha, com 25 vezes a massa do Sol, na galáxia espiral NGC 6946, a 22 milhões de anos-luz daqui. Mas, em 2015, observações feitas com o Large Binocular Telescope, no Arizona, indicaram que ela desapareceu. Uma nova imagem feita pelo Hubble confirmou o sumiço, e observações com o satélite Spitzer, em infravermelho, apontaram a mesma coisa. Ali, diante dos telescópios, uma estrela morreu, e um buraco negro nasceu, sem supernova.

AH, BOM
O achado ajuda a explicar por que a taxa de formação de estrelas de alta massa parece ser maior que a de supernovas. Segundo o grupo de Ohio, até 30% das estrelas podem morrer sem explosão. A descoberta também é consistente com as recentes detecções de ondas gravitacionais da colisão de buracos negros com 30 massas solares — objetos grandes demais para terem nascido só com o que restou de uma supernova.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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