Astronomia: Chance para vida exótica em Titã?

Radiotelescópio detecta em Titã molécula capaz de produzir células para vida exótica.

SOCIEDADE ALTERNATIVA
Dizem por aí, nos corredores da moda, que acrilonitrila é o novo preto. Isso pelo menos em Titã, onde esse composto acaba de ser detectado. Afirmam os cientistas que ele poderia exercer por lá o mesmo papel que na Terra é cumprido pelos lipídios para formar membranas celulares, talvez levando ao surgimento de formas de vida, inteiramente diferentes das terrestres, na maior das luas de Saturno.

QUASE UM PLANETA
Com 5.150 km de diâmetro, Titã chega a ser maior que o planeta Mercúrio, e é a única lua conhecida no Sistema Solar com uma atmosfera tão densa quanto a da Terra. E, a exemplo daqui, o principal gás a compor o ar lá é o nitrogênio.

FRIO DE RACHAR
A lua, orbitando o longínquo Saturno, recebe apenas um centésimo da luz solar que chega à Terra, o que resulta em um ambiente de -180C. A essa temperatura, água se comporta como rocha. E, no entanto, há também um ciclo hidrológico em Titã. Lá, os compostos que evaporam e chovem, preenchendo rios, lagos e mares, são hidrocarbonetos — metano e etano.

TUDO JUNTO E MISTURADO
Com a grande quantidade de compostos orgânicos em sua atmosfera enevoada, já se esperava que moléculas complexas surgissem, com a ajuda dos raios ultravioleta do Sol. Em 2015, um grupo da Universidade Cornell sugeriu que um desses compostos produzidos seria a acrilonitrila, com seu potencial para fabricar membranas.

GARIMPO DE DADOS
Para confirmar isso, um grupo da Nasa acaba de vasculhar dados colhidos pelo radiotelescópio Alma, no Chile. E encontrou sinais da molécula em Titã, em quantidade bastante alta. Eles sugerem que esse composto literalmente choveria por lá, numa concentração que permitiria produzir 10 milhões de membranas celulares por mililitro nos mares de metano e etano.

PEQUENO QUÍMICO
Claro que isso não quer dizer que deva existir vida em Titã. Mas trata-se de uma bela mostra de como o Universo pode exercer toda a sua criatividade química mesmo em ambientes que são diferentes dos prevalentes em nosso planeta.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

    1. Cara, são matérias como essa que me deixam puto da vida. Os caras fazem um estudo sobre o que aconteceria com as luas de Júpiter quando o Sol inchar e se tornar uma gigante vermelha. E aí os “jênios” (mistura de jegues com gênios) da imprensa não especializada generalizam isso para planetas como a Terra. E eu tenho de ficar respondendo depois. A verdade é que eles analisaram o que acontece com corpos com composição similar às luas de Júpiter, ou seja, muito gelo, e mostraram que não há um meio-termo estável que poderia liquefazer a superfície de gelo. Rolaria um efeito-estufa descontrolado e a água evaporaria. Não chega a ser algo de todo inesperado. Mas não tem nada — NADA — a ver com a situação de planetas rochosos, como a Terra. Circunstâncias completamente diferentes. E, se fosse tão difícil manter água líquida em planetas rochosos, Marte não teria conseguido essa proeza por 1 bilhão de anos… 😛

      Veja o abstract do paper: http://www.nature.com/ngeo/journal/v10/n8/full/ngeo2994.html?foxtrotcallback=true

      Ele fala de corpos que sejam congelados, mas não tenham uma atmosfera composta por gases-estufa. Não é o que esperamos de planetas rochosos, como a Terra. Ou seja, nada de novo no front, exceto a má notícia de que Europa nunca vai ser um paraíso tropical. rs

  1. Moléculas capazes de compor uma película são um bom começo. Mas fico extremamente desanimado com a baixíssima temperatura reinante na superfície. Todos sabem que a velocidade de reações químicas é diretamente proporcional à temperatura e à concentração dos reagentes.

    Vejamos que a molécula em questão só é formada em uma região de altas energias, que é a camada externa da sua atmosfera, por onde chega a radiação ultravioleta.

    O surgimento da vida na terra dependeu de reações químicas em números estratosféricos para que enfim, fizesse jus à baixíssima probabilidade do surgimento da primeira cadeia de RNA completa.

    A terra tinha, no início e agora ainda tem, um ambiente com muito mais energia que Titã, o que permitia um número de reações químicas muito maior, gerando uma concentração maior das moléculas necessárias.

    Em Titã, essas reações talvez nunca aconteçam. A não ser no fim da vida do sol, quando ele se tornar uma gigante vermelha e conseguir aumentar substancialmente a temperatura da superfície.

    Por enquanto, temos mais chances de criar vida com nossos experimento em laboratório aqui na terra que lá.

    Fala-se em vida diferente da que conhecemos. Por definição e por nossa limitação, a vida só é considerada por nós como vida, se for do modo como a conhecemos.

    Por exemplo: Talvez lá a vida esteja em curso, e a atmosfera inteira seja um organismo vivo que se reproduz uma vez a cada 500 milhões de anos(reações químicas super lentas). Em nosso entendimento, isso não seria considerado como vida, não é mesmo ?

  2. Salvador, esta reportagem estava no UOL ontem:

    http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/mundo/noticia/2017/07/31/cientistas-reduzem-possibilidade-de-vida-em-outros-planetas-298571.php

    Achei equivocados os resultados a que chegaram os pesquisadores. Água em estado líquido pode existir de outras formas, que não apenas pela menor ou maior incidência dos raios solares. Veja o efeito maré nas luas jovianas e saturninas. Além disso, Titã está nos surpreendendo também, como você relatou no post!

    Mas achei a reportagem muito mal escrita e, portanto, não dá para tirar conclusões sem ver o estudo original.

      1. É possível que gigantes gasosos tenham luas rochosas semelhantes à Terra? Ou as luas guardam
        sempre composições similares às dos planetas que orbitam?

        1. É possível. Veja o caso de Io, por exemplo. É rochoso. Quanto ao tamanho, depende basicamente do tamanho da matéria que formou o planeta e sobrou ao redor dele para formar luas.

  3. Salve Salvador! A parada é a seguinte: existe vida fora da Terra e é muito possível que em diversos lugares ou até mesmo, vida inteligente. Simplesmente pq há muitas chances de isso acontecer! Em quanto está a estimativa de planetas na “zona habitável” de sua estrela? Trilhões? Além disso, será que toda vida precisa ser semelhante à da terra? Então temos trilhões de chances na zona habitável e zilhões de “vida exótica “. É só questão de tempo (talvez muito) para sermos capazes de detecta-la (s ). O que me diz? Um abraço.

    1. Tendo a apostar que vida simples é muito comum, e vida inteligente é bem mais rara. Nós sabemos hoje que a chance de ter vida só na Terra é pequeniníssima. Mas não sabemos se a chance de a vida se formar é ainda menor, então não podemos tirar conclusões definitivas. Mas tudo até aqui aponta que a vida não é um fenômeno raro.

      1. Sim sim. Precisamos encontrar uma forma de vida que tenha se desenvolvido em outro mundo de forma independente da da Terra. Sim, pq caso a encontremos em Marte, precisaríamos confirmar não se tratar de vida terráquea que foi parar lá através de algum fragmento após o choque de um asteróide. Bem, com vida gerada independente em dois mundos, teríamos um mínimo de subsídio para teorias mais consistentes. Um abraço.

  4. Titã tem oxigênio ou só nitrogênio na atmosfera? Aliás essa é uma curiosidade, o nível de aproximação das atmosferas da terrestre, notadamente em Titã, Vênus, Marte e Plutão (e acho que é só isso por aqui perto…). Será que em algum deles tem como tomar um “ar”? kkk. Salvo engano, acho que li por aqui que parece que para haver oxigênio, precisamos de vida bombando o oxigênio para atmosfera, notadamente em oceanos. Será que haveria outro modo de ter O2?

    1. Nitrogênio (95%) e metano (5%). Não tem oxigênio livre. A Terra também não tinha, até o advento da fotossíntese, como você apontou. Lá, dez vezes mais longe do Sol, fotossíntese seria uma má ideia.
      Há outros modos de ter O2 livre. Marte, ao que parece, teve uma fase com bastante O2 livre conforme perdia sua água — a molécula quebrava, o H ia embora, e o O, mais pesado, ficava para trás, formando O2 e eventualmente oxidando a superfície marciana — que hoje parece bem “enferrujada”.
      Também se projeta que em exoplanetas em torno de anãs vermelhas, a interação entre a atmosfera e a radiação estelar pode gerar grandes quantidades de O2. Mas isso ainda não foi observado, é só teorizado.
      Contudo, para ter uma atmosfera estável com O2 durante longos períodos, o jeito mais seguro é o terrestre, com produção constante. Isso porque o O2 é muito reativo e tende a não durar muito na atmosfera. Ele se recombina.

  5. Salvador, como voce mesmo diz, de lá estar a -180C, a chance de haver vida, mesmo se tivesse 100% dos compostos orgânicos da Terra, a chance é zero. Nada de vida, É procurar pelo em ovo. Não sei do porque tanto as pessoas vibram por qualquer descoberta relacionada e saindo em toda a mídia e digamos, descoberta inútil!

    1. A chance é zero para vida como a conhecemos. O Universo costuma ser mais criativo do que nós, e os cientistas estão sempre nessa corrida para tentar rivalizar em criatividade com ele.

  6. Se isso for possível, logo estaremos procurando vida em Anãs Vermelhas.
    Em todo caso, acho que uma simulação computadorizada, com tudo que conhecemos sobre essa lua maravilhosa, nos mostraria grandes revelações.

  7. Um satélite que contém lagos de metano em sua superfície e um ciclo desta molécula na atmosfera pode muito bem ter vida e vida diferente da que conhecemos na Terra. Quem disse que toda forma de vida tem que ter a mesma composição, estrutura química e outras características iguais a da Terra? Se a molécula do DNA tem estrutura helicoidal aqui na Terra, um DNA alienígena pode ser inteiramente diferente tanto na forma, quanto na composição e na interação com outras moléculas. Mas ela obrigatoriamente teria que ser estável durante um bom tempo para que a informação que ela carrega poder ser transmitida através da reprodução.
    A natureza tem uma imensa imaginação, somos nós humanos é que temos dificuldade em imaginar coisas diferentes da usual e muitos de nós ainda rejeitamos que o ser humano seja apenas mais uma forma de vida neste imenso Universo, uma mostra que a humanidade ainda está em sua fase infantil.

    1. Geraldo, na verdade ninguém (pelo menos ninguém muito sério) disse que a vida só poderia existir se fosse parecida com a nossa. Acontece que nossa vida é a única que conhecemos atualmente, e a duras penas aprendemos a aceitar o princípio Copernicano para ela também, ou seja, se existe vida fora do nosso planeta ela deve ser parecida com a nossa pelo simples fato de rejeitarmos a ideia de sermos especiais de alguma forma, de que a vida aqui poderia se desenvolver muito diferente das que se desenvolveriam no resto do universo.

      Não seria, neste caso, orgulho (olha como somos especiais e diferentes, tanto que todo o universo copia nossa perfeição!!), e sim humildade (o que aconteceu aqui conosco não é nada diferente do que aconteceu em outras partes do universo…)

      Mas como o único exemplo conhecido ainda é o nosso próprio, temos uma amostra muito pequena (apenas uma) para tirar dela quaisquer conclusões confiáveis…

      1. Mas veja, David…. se CADA mundo tem uma forma especial de vida, adaptada às suas condições, então o fato de sermos o único a ter a vida como conhecemos não feriria o princípio copernicano….

        1. sim, mas independente de terem ou não vida, aceitamos que a química em outros mundos deve ser igual à química que possuímos aqui, não é mesmo? bom, segundo esta química, reações complexas o bastante para suportar vida precisam ser baseadas em elementos químicos tetravalentes, que possuem uma capacidade extraordinária de se combinar com outros componentes e “forjar” estruturas complexas como proteínas, açúcares e gorduras.

          Pensando assim, note que o próprio silício poderia ser um candidato alternativo como “tijolo da vida”. Mas suas ligações não seriam tão estáveis quanto às do carbono. Perceba que em nosso planeta o silício é MUITO MAIS abundante que o carbono, mas nem por isso foi o “escolhido” por seleção natural para ser o componente básico da vida.

          Isto nos faz pensar que, embora não tão abundante, no fim é a melhor escolha para o desenvolvimento de vida, e uma vida fora daqui provavelmente também deverá, se confiarmos nas estatísticas, ser pelo menos também baseada em carbono.

          Agora, se esta vida vai se organizar em RNA, DNA, ou qualquer coisa que nem podemos imaginar, aí concordo que seria especular demais. Não somos capazes de fazer extrapolações olhando apenas para o exemplo único que conseguimos observar aqui mesmo…

        2. OPS, errei num ponto na explicação acima: as ligações do silício são estáveis sim!! mas infelizmente ESTÁVEIS DEMAIS, em especial com o oxigênio, e é isto que impossibilita aqui que o silício “brinque” com amiguinhos diferentes para poder formar outros tipos de estruturas… 🙂

    2. Você está confundindo as coisas. Ninguém disse nada sobre mesma Composição. Apenas procuramos por sinais de biologia similar a da Terra porque sabemos que funciona.

      Não procuramos por nada quimicamente diferente simplesmente por não sabermos o que deveria ser procurado nesse sentido.

      Ademais, não há nada de especial em nossa química biológica. A composição química da vida terrestre utiliza os átomos e moléculas básicas mais abundantes e triviais do universo.

      1. Sagan aventou a possibilidade de haver vida baseada nos átomos de silício ou germânio, pois eles também podem se juntar a 4 átomos tal como o carbono. Mudariam um pouco as condições que a vida poderia ser formada e a bioquímica de formas de vida assim seriam bem diferentes.

        1. Já foi bastante discutido a possibilidade de vida com outros composto no lugar do carbono, mas nenhum tem a flexibilidade do carbono. Como foi falado, os composto que formam a vida na Terra são os mais abundantes e flexíveis possíveis, então é de se imaginar que há uma grande chance de outras formas de vida também utilizarem estes mesmos compostos mesmo que formando estruturas moleculares bem diferentes..
          Mas em condições muito especiais pode ocorrer vida utilizando outros compostos, mas ainda não temos paramentos para procurar.

    3. Concordo plenamente com você, mas, ao invés de dizer “a natureza tem uma imensa imaginação”, eu escreveria “a natureza tem múltiplas possibilidades”, pois a natureza não tem cérebro para ser criativa ou ter imaginação. 🙂

      1. É uma questão de semântica, Radoico. Quando eu escrevi que a natureza tem imaginação, eu não quis dizer que ela pensa, mas a aleatoriedade que existe nela pode formar coisas que nem podemos imaginar. Não precisa nem sair da Terra para achar algumas destas coisas, apesar de que as formas de vida daqui serem todas baseadas em carbono.

      2. ” a natureza não tem cérebro para ser criativa ou ter imaginação. ”

        Isso é especulação. Não sabemos. Não sabemos se existe uma divindade. Não sabemos o que está ‘por trás’ da física quântica, que tão pouco conhecemos – e tão pouco se nos apresenta cognoscível hoje.

        1. Acho que precisamos definir o que é ser criativo. A capacidade criativa é a de criar coisas novas a partir de velhas. A natureza obviamente tem capacidade criativa, por exemplo, quando usa átomos leves e gravidade para formar átomos pesados. Como não chamar isso de criativo, ou seja, o ato de criar coisas novas? Agora, “imaginação” implica uma criatividade consciente. Essa, de fato, até onde podemos ver, a natureza não tem. Mas não podemos confundir a forma como a mente humana experimenta criatividade com a criatividade em si.

        2. Concordo com a resposta do Salvador, ressaltando que a “criatividade” da natureza é apenas uma consequência das propriedades de matéria e energia. Quanto a existir ou não existir divindades, isso é matéria de crença, não de Ciência.

    4. Você tem toda razão, e eu concordo com esse teu ponto de vista.

      A questão é: COMO procurar formas de vida DIFERENTES das que conhecemos? Como reconhecê-las? Por isso que a procura é voltada a formas como conhecemos. Não se trata de ignorar a possibilidade de existir algo diferente, mas de ser objetivo na busca.

      1. basicamente procurando “desequilíbrios químicos” na atmosfera do planeta que não podem ser explicadas apenas como resultado de reações químicas inorgânicas… 🙂 como acontece com a abundância de oxigênio aqui na terra, por exemplo…

  8. Muito boa tarde Salvador,
    Há nível curiosidade (de uma pessoa que, infelizmente, começou a se interessar há pouco tempo.
    Já pesquisei algumas vezes, mas nunca encontrei nada, e se você puder me ajudar numa curiosidade besta rs. seria de grande valia.

    Com relação a distância entre os planetas, tive acesso a todas as informações, mas sempre pensando em linha reta, no entanto, se tivermos como referência o Equador do sol (com todo o absurdo da expressão rs)…os planetas se encontram alinhados, ou cada um em uma “altura” diferente?

    Tive essa dúvida pensando na formação do sistema solar (existe alguma conexão?)

    Desde já agradeço, e parabéns pelo ótimo trabalho

    1. Yuri, os planetas estão todos aproximadamente no mesmo plano, que por sua vez está um pouquinho deslocado com relação ao equador solar. Uma das coisas que o planeta 9 poderia explicar, se existir onde os pesquisadores esperam que ele esteja, é esse sutil desalinhamento (9 graus, se não me engano) entre o equador solar e o plano das órbitas planetárias, chamada de eclíptica. (E, sim, espera-se que planetas formem em órbitas coplanares porque eles nascem de discos de gás e poeira ao redor da estrela.)

        1. Porque o colapso gravitacional da nuvem giratória leva a compressão, e a compressão leva ao achatamento num disco, pela conservação do momento angular. Veja o movimento que uma bailarina faz para acelerar seu giro. Conforme ela comprime seu corpo, o giro aumenta. Não o suficiente para achatar a bailarina, mas suficiente para moldar uma nuvem de gás num disco.
          https://www.youtube.com/watch?v=AQLtcEAG9v0

      1. Qual seria o tamanho (massa) esperado pra esse planeta 9? Entre os gigantes menores e os gigantes maiores, ou maior que Jupiter?

    2. Seria muita coincidência todos os planetas assumirem órbitas coplanares. Mas, dependendo do que se quer concluir ou prever com isto, pode ser um modelo muito bom ou muito ruim…

    3. Acrescentando um pouco, ao observar as linha que o Sol, a Lua e os planetas descrevem no céu, ao longo do dia e da noite, elas se encontram num ângulo de aproximadamente + – 10º em relação à eclíptica. Todos estes astros atravessam a abobada celeste numa mesma faixa, o que facilita a localização e observação.

    4. Não é absurdo dizer que o Sol tem um equador. Ele é uma esfera, portanto tem uma linha que o divide em duas metades iguais, a qual chamamos de equador.

  9. Salvador, é posivel matéria com vida, memo vida inteligente em ambiente diferente da terra. Cada matéria tem um tipo de arrumação dos átomos e as arrumações podem serem infinitas. Veja o vídeo de nossa autoria no Facebook, no Google ou no YouTube.
    Fernando Queiroz Mello

  10. Obrigado Salvador por nos ajudar a acompanhar o desenvolvimento da ciência. Sou professor de geografia em Niterói e comecei semana passada a ler seu blog e ver seus vídeos, vou utilizá-los em sala de aula. Gratidão!

    1. Valeu, Flávio! Fico honrado por poder contribuir, ainda que de uma maneira pequena, para as suas aulas! Abraço!

  11. A humanidade, está hoje, na fase que, quando olha para o universo, está como aquele menino de roça, que pela primeira vez vai a uma cidade grande e sai sozinho, olhando de rabo de olho, no canto de uma parede de esquina, tudo a sua frente.
    Medo e maravilha, se confundem.

    1. eu arrisco que não. aqui os relâmpagos são formados pelo acúmulo de carga nas moléculas de H20 (polar) ao “atritarem” com as moléculas de ar (N2 e 02).

      em titã, o metano (CH4) faz o papel da água. mas o metano é uma molécula apolar, acho que ela não se carrega ao atritar com a atmosfera…

      não quero que entendam como palavra final, foi só, digamos assim um “chute consciente” que dei, hehehehe.

  12. Mais uma eloquente demonstração da dificuldade em se reproduzir todo o delicado equilíbrio químico que ocorreu na Terra, permitindo o surgimento e o desenvolvimento da vida em nosso planeta. Está claro que a vida é algo excepcional no Universo.

    Mas a teimosia persiste. Diante da absoluta impossibilidade de se encontrar vida fora da Terra, apela-se para o pedantismo semântico. No desespero, cria-se o termo “vida exótica” como alternativa para algo que se sabe ser inexistente.

    1. Você é muito chato, cara. Você é casado? Tem filhos? Tenho dó da sua família, ter de aguentar um tagarela arrogante e tão senhor da razão…

      1. Há dois aspectos importantes que vc parece ter esquecido, parceiro. Primeiro, o comentarista aí tem pleno direito à liberdade de expressão, desde que não tenha conteúdo ofensivo ou imoral. Segundo, realmente não há provas de possa existir vida baseada em outros compostos que não os tradicionalmente conhecidos, ficando ao sabor da imaginação de cada um, o que caracteriza ficção e não ciência, ou ainda pseudo-ciência

        1. Seu apelido mudou, né? Lembro-me do e-mail, mas com outro apelido.
          Acho que não esqueci aspecto nenhum. Acho que o sujeito é que, na ânsia de ser chato, esqueceu de ler até o final. No fim do texto, deixo claro de que nada disso implica que deva haver vida em Titã, só realça que o Universo é capaz de grande criatividade química além das circunstâncias da Terra. Ou seja, estamos de acordo quanto a isso. (Eu, pessoalmente, também sou bastante cético quanto à possibilidade de vida “como não a conhecemos”, em Titã ou em qualquer outra parte.) Mas acho agressivo — ou chato mesmo, como o Apolinário costuma ser — chamar de ficção uma série de trabalhos científicos conduzidos por grupos independentes que (1) preveem a presença de acrilonitrila em Titã, (2) demonstram quimicamente que essa molécula poderia formar uma membrana semipermeável, criando “bolhas” nos oceanos de hidrocarbonetos que poderiam promover reações químicas de maneira seletiva e concentrada, e (3) detectam a molécula prevista. Acho tudo isso incrível, e o fator “vida” aqui é absolutamente irrelevante, exceto pelo fato de que os cientistas se permitem tentar imaginar outros arranjos químicos potencialmente favoráveis para aumento de complexidade molecular.

          Acho que, como é direito do Apolinário vir aqui me encher o saco e ter seus comentários publicados (e todos os que agem educadamente têm tratamento similar aqui), é meu direito também, educadamente, apontar que ele é muito chato. Sem ofensa. Só uma observação. Normal ser chato. Não tenho preconceito com gente chata. Só lamento pelas pessoas que têm de aguentar uma pessoa chata diariamente por longos anos, motivo pelo qual meus pensamentos estão com a família dele neste momento. 😛

          1. Pede para o Apolinário, Salvador, explicar cientificamente como uma mulher foi “feita” da costela de Adão. Gênesis, 2,21-23. Ou porque fomos feitos “à imagem e semelhança de deus – em minúsculo – conforme Gênesis 1, 26? Será que deus tinha uma genitália e era hermafrodita? E porque precisaria de uma? Sofria da próstata? Se nem ele, consegue explicar isso em que acredita, – a mais pura verdade – como vem falar de pedantismo semântico?

        2. importante observação, observador cético!! não há provas!!! por isso não paramos de procurar ainda!

          mas também nunca nos arriscamos, com um único exemplo conhecido, afirmar qualquer coisa a respeito de sua raridade ou de sua universalidade. sabemos como aconteceu aqui, buscamos fora aquilo que conhecemos aqui (pois é a única coisa na qual podemos nos apoiar com certa segurança), mas ninguém vai esconder nada caso descubramos, sem sombra de dúvida, que acontece diferente daqui em algum outro lugar. só precisamos de provas inquestionáveis.

          e, de qualquer forma, nunca proclamaríamos nossa “raridade” com um único exemplo observado, nem nos apoiaríamos num gênero ou outro de “fé” para sustentar esta afirmação absurda.

          1. depois de observarmos 999 outros casos aqui no nosso sistema solar, poderíamos afirmar que, com 99.9% de certeza, a vida é uma raridade. ou melhor, é uma raridade AQUI no nosso sistema planetário!

            mas e em outros? bom, depois de observarmos outros 999 sistemas estelares e não encontrarmos vida em nenhum deles, ppdemos concluir que a vida, com 99.99% de certeza, é uma raridade aqui nas vizinhanças de nossa galáxia. seria na galáxia toda? precisaríamos pesquisar mais longe para concluir isto.

            digamos que, em toda a via-láctea, só nosso planeta desenvolveu vida (algo que, particularmente, acho difícil! se quiserem, podem chamar de fé, mas eu chamo de impossibilidade estatística…) mas e nas bilhões de outras galáxias de nosso universo?

            bem, como percebem, é um caminho longo a se percorrer até se concluir alguma certeza disto tudo. para quem sentir preguiça só de imaginar este trabalho todo (é compreensível!) podem tomar o caminho mais fácil, e se apoiar numa fé de que as coisas sejam de um jeito ou de outro… 🙂

        3. Ninguém foi proibido de se manifestar. O cara só foi chamado de chato.

          Como dizia um amigo meu, “o mundo é dos chatos”.

      2. hahaha o Salvador ta aliviado porque o time dele conseguiu sair da zona de rebaixamento e resolveu que não vai mais ficar engolindo sapos. Foi uma espécie de libertação. “Você é muito chato, cara” é uma frase de brutal honestidade, muito pior do que vários xingamentos porque estes, sabe-se, não devem ser literalmente interpretados.

        Em tempo, Salva. Há algum problema no site, penso. Abri a caixa de comentários e me apareceram previamente preenchidos os dados “Nome” e “E-mail”, com informações do Explorador (e-mail g***.b***@***.com). O endereço de e-mail dando sopa assim pode dar dor de cabeça..

        Um abraço.

        1. Edouard, é um bug conhecido do blog. É assim que, vez por outra, conseguem clonar usuários. Recomendo a todas as pessoas de bem que, ao notarem isso, evitem publicar com o nome de outro usuário.

          1. eu corrigiria este bug para a folha.
            mas cobraria o trabalho, lógico, hehehehehe!!!
            quem trabalha de graça é relógio! 😀

          2. suspeito que seja algum problema de concorrência de processos, uma programação de processos paralelos mal feita por algum programador que faz o servidos enviar indevidamente cookies do usuário original para um usuário indevido. bug facilmente corrigido com a utilização de “semáforos” para comunicação inter-processos. fica a dica… :;-)

          3. ou então… hummmm… talvez estejam (algo totalmente não recomendado!!) identificando os usuários pelo IP temporário do firewall da rede, que é trocado de tempos em tempos (por segurança!) e, vez ou outra, acabe misturando usuários, achando que um é outro…

            bom, mas deixe eu parando por aqui, senão daqui a pouco acabe revelando de graça como resolver o problema, né?

          4. só uma observação, Salvador: não é um bug DESTE blog!

            é um bug geral do sistema desenvolvido pela FOLHA para os blogs.

        2. Depois que descobri esse bug, não uso mais meu e-mail real! Então, não tem problema hehehe…

        3. Cuidado com os estelionatários, principalmente os evangélicos. Um deles foi o que me “clonou” neste blog e encheu de comentários sobre Terra Plana, Criacionismo, Anticientificismo, etc., exatamente o oposto das minhas opiniões e conhecimentos. De estelionato este pessoal entende e muito.

          1. O nome no comentário é de livre inserção, assim, qualquer um pode escrever “Geraldo Carmo” ou “Radoico” ou “Eu” e assim aparecer. O email nunca aparece, mas o Salvador saberá que houve uma clonagem do nome ao ver o email diferente do usual.

            Para nós, que estamos aqui em quase todos os posts do Mensageiro Sideral, o Salvador pode se lembrar, mas, para aqueles que vêm aqui raramente, é mais difícil, pois são muitos comentadores.

        4. A melhor forma de identificar que seu nome está sendo clonado, é fazer réplica do comentário de que você não é o autor. O fato acima é lamentável que esteja acontecendo neste blog, pois a pessoa faltou com a homestidade, e aparecem com outras identidades, pensando que ninguém percebe. Isso para mim é um caso de polícia sobre crime de falsidade ideológica.

      1. Você concluiu serem completamente desnecessárias 99 outras provas de insucesso para sustentar sua teoria da raridade do evento. Nossa, estou realmente abismado com seu magnífico método de pesquisa! :-O

        1. hehehe, foi mal postar a resposta aqui, Explorador! Foi o calor do momento…

          A resposta (mas acho que isto ficou bem claro) era para o Apolinário… 🙂

    2. O Apolinário não se atém aos fatos divulgados. Distorceu o contexto de uso da expressão “vida exótica” para balizar mais um comentário sem conteúdo algum. Mas no caso dele tem sido assim desde que iniciou sua pregação por aqui.
      E sim, ele é o verdadeiro chato e também tenho pena caso pessoas ligadas a ele precisem ouvir esta ladainha diária.

    3. e para fazer tais afirmações, que o que aconteceu aqui foi um raro e delicado equilíbrio químico, algo muito excepcional, você se baseia num único exemplo experimental, que a propósito teve sucesso…

      clap, clap, clap!!! muito bom!!! bastante “científico” de sua parte! 😀

    4. Apolinário está prestes a desenvolver um revolucionário método de inferência estatística, no qual a observação de uma única amostra com sucesso prova sua raridade, sem a necessidade de se desperdiçar tempo procurando observar se conseguimos outras 99 amostras aleatórias de insucesso.

      Seria uma ferramenta muito valiosa para a ciência, economizaria anos e mais anos de experimentos inúteis para se refutar qualquer teoria formulada após uns poucos contraexemplos irritantes que contradiziam o consenso geral…

    5. Por trás de toda essa arrogante eloquência do Apolinário existe um menino assustado e com medo de que num futuro próximo se descubra vida em qualquer nível, no sistema solar ou fora dele, fato esse que faria ruir todas as crendices e mitologias nas quais ele acredita.

    6. Vc prefere acreditar em historia da carochinha do livro do constantino? Fala serio apolinario!! Vai dizer tb q a terra e plana, adao e eva, o pecado e bla bla bla….aqui se discute ASTRONOMIA, deixe suas crenças de lado …abra sua mente…

    7. “Vida exótica”, Apolinário, pode significar, literalmente “vida extraterrestre”…

      Exótico: adjetivo
      1. não originário do país em que ocorre; que não é nativo ou indígena; estrangeiro.
      “planta exótica”
      2. que é esquisito, excêntrico, extravagante.

      Você só percebeu o segundo significado dessa palavra. 🙂

  13. Salve Salva, boa semana
    Esta descoberta de uma quase molécula orgânica (C2H3CN) sempre é uma boa notícia, mas está muito longe de um composto orgânico tal qual conhecemos aqui na terra. Não temos nada similar aqui. É duvidoso que desenvolvesse algo similar a nossa vida aqui na terra. A quantidade de composto orgânico na densa atmosfera de Titã é assombrosa e já deveria ter produzida algo melhor como por exemplo Ascaris Lumbricoides balançando o rabinho para nos saudar. Enquanto isso não acontecer, eu passo. Preciso me esforçar bastante para imaginar que a acrilonitrila seja uma substituta do velho e abundante carbono como base de uma outra química da vida.

    1. C2H3CN não é quase orgânico. É orgânico. A rigor, química orgânica é a química do carbono. Tudo mais complicado que CO2 (começando por CH4) é química orgânica. Ao contrário do que se imagina, não é só química de organismos vivos, embora a inversa seja verdadeira — a química de organismos vivos é orgânica e inspirou o nome.

      Outra confusão: acrilonitrila substituindo o carbono? Ela é *baseada* em carbono, como você indicou na fórmula!

      1. exato! VIVO -> ORGÂNICO, mas não necessariamente ORGÂNICO -> VIVO.
        teoria básica dos conjuntos: os componentes dos seres vivos está contido no conjunto das moléculas orgânicas, mas as moléculas orgânicas contém (e não ESTÁ CONTIDA) o conjunto das moléculas presentes nos seres vivos…

    2. hehehe, ia encrencar com o C2H3CN (pra mim era C3H3N) mas voltei atrás quando percebi que eram exatamente a mesma coisa e, mais que isso, a primeira fórmula fornecia informações adicionais da estrutura da molécula que não eram explícitas na outra… 🙂

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