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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Chance para vida exótica em Titã?

Por Salvador Nogueira

Radiotelescópio detecta em Titã molécula capaz de produzir células para vida exótica.

SOCIEDADE ALTERNATIVA
Dizem por aí, nos corredores da moda, que acrilonitrila é o novo preto. Isso pelo menos em Titã, onde esse composto acaba de ser detectado. Afirmam os cientistas que ele poderia exercer por lá o mesmo papel que na Terra é cumprido pelos lipídios para formar membranas celulares, talvez levando ao surgimento de formas de vida, inteiramente diferentes das terrestres, na maior das luas de Saturno.

QUASE UM PLANETA
Com 5.150 km de diâmetro, Titã chega a ser maior que o planeta Mercúrio, e é a única lua conhecida no Sistema Solar com uma atmosfera tão densa quanto a da Terra. E, a exemplo daqui, o principal gás a compor o ar lá é o nitrogênio.

FRIO DE RACHAR
A lua, orbitando o longínquo Saturno, recebe apenas um centésimo da luz solar que chega à Terra, o que resulta em um ambiente de -180C. A essa temperatura, água se comporta como rocha. E, no entanto, há também um ciclo hidrológico em Titã. Lá, os compostos que evaporam e chovem, preenchendo rios, lagos e mares, são hidrocarbonetos — metano e etano.

TUDO JUNTO E MISTURADO
Com a grande quantidade de compostos orgânicos em sua atmosfera enevoada, já se esperava que moléculas complexas surgissem, com a ajuda dos raios ultravioleta do Sol. Em 2015, um grupo da Universidade Cornell sugeriu que um desses compostos produzidos seria a acrilonitrila, com seu potencial para fabricar membranas.

GARIMPO DE DADOS
Para confirmar isso, um grupo da Nasa acaba de vasculhar dados colhidos pelo radiotelescópio Alma, no Chile. E encontrou sinais da molécula em Titã, em quantidade bastante alta. Eles sugerem que esse composto literalmente choveria por lá, numa concentração que permitiria produzir 10 milhões de membranas celulares por mililitro nos mares de metano e etano.

PEQUENO QUÍMICO
Claro que isso não quer dizer que deva existir vida em Titã. Mas trata-se de uma bela mostra de como o Universo pode exercer toda a sua criatividade química mesmo em ambientes que são diferentes dos prevalentes em nosso planeta.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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