Astronomia: Crime passional entre as estrelas

Salvador Nogueira

Caso de polícia estelar: astrônomos descobrem que anã marrom matou seu astro companheiro.

A VIDA DAS ESTRELAS
O fato de estrelas serem objetos relativamente simples contrasta com a vida social intensa que levam. Nascem em grupos, costumam viver em casais (quando não em regimes de poliamor) e nem sempre convivem de forma harmoniosa. Aliás, um caso de relacionamento abusivo entre duas estrelas acaba de ser revelado por astrônomos brasileiros.

ESTELICÍDIO
HS 2231+2441 fica na constelação do Pégaso. Lá, uma tragédia digna de programa do Datena aconteceu. Em resposta a anos de abuso, uma anã marrom matou seu astro companheiro.

CASAL MODESTO
A e b nasceram juntos, há bilhões de anos. Ele, um astro da sequência principal, ou seja, capaz de realizar fusão nuclear. Ela, uma anã marrom, que em sua formação jamais atingiu massa suficiente para fundir núcleos atômicos. Viveram juntos por eras, mas, quando os astrônomos puseram seus olhos no casal, descobriram que A estava morto.

RIGOR MORTIS
O aspecto do cadáver é algo que os cientistas chamam de anã branca. Será esse o destino final do Sol, depois que inchar como uma gigante vermelha e então esgotar seu combustível. No caso em questão, contudo, o astro morreu de morte matada.

DOMÍNIO E OPRESSÃO
Reconstituindo a cena do crime, os astrônomos encabeçados por Leonardo Almeida, da USP, descobriram uma história escabrosa. Por muito tempo, A e b viveram em harmonia. Mas, quando A atingiu a fase de gigante vermelha, passou a abusar da pequenina b. Com sua atmosfera expandida, trouxe-a cada vez mais para perto de si. Ele praticamente a engoliu.

BOMBA-RELÓGIO
Ao ser tragada por A, a pequenina b perdia energia de movimento, que era transferida às camadas superiores de A. Isso acabou levando à ejeção prematura de boa parte da massa de A — um beijo de morte que o deixou incapaz de realizar fusão nuclear e o transformou numa anã branca. O cadáver agora esfria, e b permanecerá em órbita dele, dando uma volta em cerca de 3 horas — um lembrete de que o casamento das estrelas nem sempre tem final feliz.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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Comentários

  1. Nossa, agora estou imaginando o Datena gritando na TV: “Até quando esses canalhas vão continuar matando nossas estrelas!”

  2. Afirma-se num determinado meio esotérico, que o nosso Sol gira ao redor de Soraya (Plêiades), outros dizem ser Alcyone.

    Gostaria de saber sua opinião a respeito disso, Salvador.
    E, se possível, Apolinário, por gentileza, conceda-nos o prazer e a honra de também saber a sua opinião sobre tais afirmações.

    Desde já agradeço. E torço pelo consenço de vocês (lógicamente no sentido de que o Sol realmente dá voltas, junto com todo o sistema, ao redor de um outro Sol, o menos famoso aqui porém mais importante acolá: o Oculto!)

    Grato pela leitura. Seria muito pedir pra que outros romances estelares, fossem produzidos?!

    1. O Sol dá uma volta em torno do centro da Via Láctea a cada 225 milhões de anos, aproximadamente. E não chega nem perto de dar volta nas Plêiades. Aliás, tenha em mente que as Plêiades são estrelas azuis, bem maiores que o Sol. Elas vivem bem menos e explodem como supernovas. Têm no máximo 100 milhões de anos. O Sol tem 4,6 bilhões de anos. Quando ele se formou, em sua órbita ao redor do centro da Via Láctea, as Plêiades nem sonhavam em existir.

      E é por coisas como essa que nunca haverá acordo entre a ciência e as conversinhas esotéricas. Porque a ciência mata a cobra e mostra o pau. Não diz simplesmente que não é verdade que o Sol gire ao redor das Plêiades, mas EXPLICA, com leis físicas TESTÁVEIS, como isso é observacionalmente falso e teoricamente impossível. Aí perde a graça para os esotéricos. Só resta a eles dizer que a ciência é boba, feia e chata. 😉

  3. Salvador, qual vai ser o final da história? A menor vai cair na maior? Ou vão girar assim juntas por muitos e muitos milhões de anos.

    1. Vão girar por muito tempo, mas a distância vai caindo conforme forem perdendo energia na forma de ondas gravitacionais. No final, a anã branca é que vai roubar matéria da anã marrom até consumi-la por completo. 😛

        1. Não, as massas são ridiculamente pequenas. Para explodir como supernova, seria preciso atingir 1,4 massa solar. A mais massuda das duas, A, tem 0,3 massa solar agora…

  4. Perguntinha off topic….

    A Terra gira em redor do centro de massa entre Sol vs Terra; ou em redor do centro de massa do Sistema Solar como um todo (incluindo demais planetas e corpos)?

      1. Mas esse centro de massa não é fixo devido aos diferentes períodos de translação dos planetas, luas, asteróides, etc.

        1. O Sol também. O ponto fica dentro do Sol, mas não exatamente no centro dele. (Ele executa um bamboleio, regido principalmente por Júpiter, mas também pelos outros planetas; por sinal, é medindo esse bamboleio que os cientistas descobrem exoplanetas pelo método de velocidade radial.)

          1. E o centro de gravidade da via láctea, podemos dizer que isso existe?
            E se formos abstraindo mais e mais, aonde chegaremos enfim?

          2. Existe. Fica lá perto do buraco negro supermassivo central. E abstraindo mais e mais também existe, até chegarmos aos superaglomerados de galáxias. Cada superaglomerado tem seu centro de gravidade. Além dessa escala, a energia escura vence o jogo e ninguém mais consegue manter ninguém por perto com gravidade.

          3. Valeu Salva!

            É graças a esse bamboleio do Sol que o pessoal lá de Proxima b sabe que por estas bandas aqui tem exoplanetas, e fica filosofando sobre a possibilidade de vida extraproximabestre.

            Será que demora muito pra mandarem uma sonda pra cá?

          4. Hahaha, boa. Escrevi minha coluna para a Scientific American na época da descoberta de Proxima b nesse exato tom!
            Veja:

            Proximanos fazem uma descoberta histórica

            Cientistas em Proxima Centauri acabam de fazer uma revelação bombástica: há um planeta rochoso, potencialmente habitável, em torno da estrela anã amarela solitária no sistema estelar mais próximo, a 4,2 anos-luz de distância.

            A descoberta só foi possível graças a avanços importantíssimos na medição de velocidade radial da estrela-mãe – o planeta orbita tão afastado dela que as variações que ele produz em seu movimento são da ordem de centímetros por segundo, exigindo assim precisão até então sem precedentes para a detecção. Ao que parece, há também um planeta gigante muito mais afastado, no mesmo sistema, mas acompanhamentos serão necessários para confirmá-lo.

            O planeta, chamado apenas de Sol b, completa uma volta em torno de sua estrela a cada 32,6 dias proximanos – ou seja, 32,6 vezes mais que o mundo habitado de Proxima Centauri leva para circular seu pequenino sol. Como a estrela anã amarela é bem mais brilhante, essa órbita mais longa coloca o planeta recém-descoberto na zona habitável do sistema – a região em que um mundo rochoso poderia conservar água em estado líquido na superfície.

            Contudo, os cientistas proximanos ainda adotam cautela e julgam que, muito provavelmente, trata-se de um mundo inóspito. Para começar, por sua órbita mais longa, ele deve girar em torno de seu próprio eixo rápido demais – talvez até mesmo 11 vezes mais depressa que o mundo deles. Isso, por si só, sugere que as condições climáticas e meteorológicas devem ser extremamente instáveis, incluindo variações enormes com picos de frio e de calor separados por apenas alguns dias proximanos. A variação de temperatura deve ter uma amplitude de 150 graus, e massas de ar devem viajar em correntes que tornam o clima muito instável em praticamente todo o planeta. Os cientistas não têm convicção de que a vida teria condições de evoluir para se adaptar a mudanças tão rápidas.

            Em Proxima b, isso nunca foi um problema. Com sua rotação travada e sincronizada com a translação, o planeta mantém um lado permanentemente voltado para a estrela e o outro na escuridão – com a atmosfera fazendo a suave distribuição de calor pelo globo, o resultado são hemisférios com notável estabilidade climática, sem grandes variações de temperatura ao longo do ano para os diferentes locais do planeta.

            Além disso, Sol b enfrenta outros complicadores. Embora ele tenha praticamente o mesmo tamanho de Proxima b, como está muito afastado de sua estrela, pode ser submetido a um efeito de maré muito pequeno, levando ao baixo aquecimento das camadas internas do planeta. Isso produziria uma taixa fraca de convecção, que por sua vez tornaria seu campo magnético débil, incapaz de proteger sua superfície e atmosfera de erupções estelares. Embora Sol seja uma estrela muito menos ativa que Proxima Centauri, sem proteção adequada, suas erupções podem ser letais para quaisquer formas de vida que apareçam no planeta.

            Por fim, a história pregressa de Sol b também não é muito animadora. A julgar pelos mais modernos modelos de formação planetária, ele parece ter se formado muito perto de onde está hoje, o que parece ser conveniente agora. Mas o sistema já tem cerca de 4,5 bilhões de anos, e sua estrela anã amarela começou seus dias muito menos brilhante do que é hoje – no primeiro par de bilhões de anos, Sol b deve ter sido um planeta extremamente gélido, incapaz de manter sua água em estado líquido.

            Ainda é cedo para tirar quaisquer conclusões definitivas, mas os cientistas já estão convencidos de que, se Sol b teve ou tem algum tipo de vida, ela deve ter evoluído por caminhos completamente diferentes daqueles que se desenrolaram em Proxima b e enfrentou dificuldades bastante diversas daquelas superadas no mundo habitado de Proxima Centauri.

            Somente o estudo continuado do planeta e de suas propriedades, indicam os pesquisadores proximanos, poderão revelar se eles estão ou não sozinhos no Universo.

          5. Bom texto!

            Já que eu falei em sonda…. lembra da idéia de mandar uma sonda a uma velocidade de 20% de c para o sistema de Proxima Centauri?

            Digamos que há uns 20 anos os Proximanos tenham tido a mesma idéia. Pergunto: nós teríamos como detectar tal sonda passando pelas proximidades do sistema solar a essa velocidade?

          6. Com o perdão do meu francês, nem fodendo. A gente não acha nem as nossas sondas se não sabemos onde estão. Que dirá uma nanossonda passando a 0,2 c por nós… seria uma coincidência monstra encontrá-la.

          7. Talvez depois que ela passasse, se ela continuasse enviando sinais de rádio pra Proxima b, e desse a coincidência de interceptarmos esse sinal….

          8. O sinal teria de vir na direção da Terra, e teríamos de estar escutando na mesma direção, com uma das nossa melhores antenas. E teríamos de estar ouvindo na frequência certa. Aaaaaltamente improvável.

          9. O que será que vão dizer os proximabeplanistas de lá quando descobrirem que não estão sós no Universo?

          10. Muito legal esse seu texto sobre a descoberta de Sol b pelos Proximamos! Salvador, você poderia escrever um livro de ficção científica com seus conhecimentos de astrofísica e seu talento para escrever!

  5. Salva,
    Depois desta demonstração de capacidade ficcional, recomendo que você siga nosso ídolo “Carl Sagan” e que seu próximo livro seja uma estória de ficção, e claro, com muito mistério, pois você já tem os personagens e o perfil completo de cada um dos personagens envolvidos.
    Imagine que espetacular trama de intrigas não daria com estes personagens: Perna, Geraldo Carmo, Apolinário Messias, David Machado, Afrânio, Radoico, Eu™, Marcos Villa, Pallando, Gilberto Pessagno e Paulo Schaefer entre outros, não esquecendo, é claro, os falecidos Oswaldo Gil de Sousa e sua trupe! kkkkk

    1. Huahauha, boa!
      (A sério, estou mesmo com vontade de escrever ficção. Mas o tempo é meu inimigo…)

  6. Acabei de chegar em casa e me deparei com a matéria. Muito legal. E pensar que o Salvador agora é Salvador Lispector Nogueira. A Clarice com sua “A Hora da Estrela” em que a protagonista tem sua “hora de estrela” justamente ao morrer…e o Salvador, levando a obra da Clarice direto das ruas do Rio para o Cosmos! Ficou sensacional !
    Abraços, meu caro

  7. É, mas dizem que b, arrependida e cheia de remorsos, não consegue sair de perto do corpo agora inerte do amado….

  8. Caraca!
    O Espaço tem uma Legislação pífia tal qual certa Republiqueta das Jabuticabas.
    A pequena estrela assassina ficará “ad aeternun” impune.
    O amor é lindo, e a separação é feia.

  9. Nossa, que tragédia, Salvador! E ninguém pode fazer justiça, punindo a assassina?

    Só você, para transformar um evento astronômico numa tragédia grega. Muito inspirado, ficou excelente! ☺️

  10. Salvador, aposta minha, estará em um futurno não distante na mídia televisiva popular para ser considerado o Carl Sagan tupiniquim. Os seus textos são sempre muito bem escritos e numa linguagem que aproxima nós, os leigos, dos diversos assuntos que cercam a ciência e o Cosmo do qual fazemos parte. Valeu!

    Obs.: A comparação serve apenas para demonstrar/ilustrar o tamanho do serviço prestado e não para igualar os envolvidos, com o devido respeito à história de cada um.

    1. Ah sim. Carl Sagan é o meu Carl Sagan pessoal, o que já diz muito sobre fator de escala. Mas a comparação me lisonjeia. 🙂

  11. Oi Reinaldo.
    Não entendi uma coisa: você escreveu que A “praticamente engoliu” a pobre b, dando a entender que houve choque entre as duas estrelas.
    Já vi imagens captadas por telescópios de estrelas se chocando, mas isso, no meu entendimento, acabaria em destruição mútua.
    Nesse caso, como a de menor massa sobreviveu ao contato?
    Depois, quando você descreve a transferência da energia de movimento, imaginei como uma roda acelerando na areia e jogando os grãos para trás. Seria assim a “ejeção de parte da massa de A” indo para o espaço?
    E como isso resulta na incapacidade de A de fazer fusão nuclear?

    Adoro astronomia, mas sou analfabeto em astrofísica.
    Por favor, dê uma clareada nisso!

    Obrigado e parabéns pela coluna!

    1. Reinaldo é meu vizinho de blog. 😉
      Complicado falar em “choque” quando estamos descrevendo um objeto mais denso em meio a uma atmosfera mais rarefeita. Claro que a violência deve ter sido braba, mas acharia ruim descrever como “choque”. É mais uma engolindo a outra, que ainda assim preservou sua “identidade” por sua densidade e massa respeitáveis. Meio como um meteoro entrando na atmosfera da Terra e ainda assim chegando ao chão na forma de meteorito.
      Sobre transferência de energia de movimento (a expressão melhor seria transferência do momento angular, mas achei proibitivo usar sem explicar, e uma explicação não caberia), é um pouco como você descreveu, sim. A anã marrom b entrando na atmosfera de A e freando acelerava na direção contrária, para fora, a atmosfera de A. E esse mecanismo impede a fusão nuclear porque ela só é possível a uma determinada pressão interna, e essa pressão interna depende da gravidade, que por sua vez é proporcional à massa total da estrela. Se ela perde massa, mesmo que seja só da parte de cima, onde não rola fusão, a pressão interna do núcleo diminui e aí ela para de gerar energia por meio da colagem de núcleos atômicos. Meio que um shutdown forçado do reator interno da estrela.

  12. Valeu,Salvador!Obrigado por tirar minha dúvida e quero parabenizá-lo pelas ótimas reportagens do “Conexão Sideral”,já que há tempos também sou fã de seus vídeos no YouTube.Mais uma vez,OBRIGADO!
    Abraços para você,Salvador!

  13. Há algumas questões para as quais todo mundo tem alguma resposta definitiva, certa, irrefutável, e só eu não tenho nenhuma:
    1 – Evolucionismo x espécies fixas.
    2 – Heliocentrismo x geocentrismo.
    3 – Terra esférica x Terra plana.
    4 – Einstein x Tesla.

    Não fui eu quem disse, foi o Olavo de Carvalho 😛

      1. No mundo dele, o Olavo é filósofo, agora, no seu mundo, só você pode decidir o que essa criatura realmente é 🙂

    1. Será que podemos estabelecer um paralelo entre Olavo de Richard Dawkins?: tudo que escapa de suas especialidades, ignore o que dizem? 😛

        1. hehe, é que eu achei engraçado essas dúvidas dele e resolvi provocar mais…
          pode dizer que encasquetei com Apolinário também
          😛

          1. Oh boy. E ele já veio aí dar corda pra essa sandice de comparar o Dawkins ao Olavo.
            Que coisa lamentável.

          2. Bom, pelo menos o Salvador é imbatível em combater Apolinários e afins.
            Nunca ficarão sem resposta a altura.

          3. Ah, mas o saco vai enchendo, viu? A essa altura, eu já podia até reencenar a trágica cena do padre dos balões, de tão cheio que está…

      1. Certamente não. Embora eu discorde da postura excessivamente agressiva do Dawkins, ele é uma referência em biologia evolutiva e, de forma geral, fala coisas que fazem sentido. Olavo de Carvalho não é referência em nada, nem na suposta área de especialidade dele. Quem é Olavo de Carvalho para a filosofia? Algum professor de filosofia de plantão pode me responder? A minha impressão superficial é a de que ele é ninguém. Então o paralelo entre os dois é bem torto, na verdade. Enquanto Dawkins é um excelente biólogo que de vez em quando carrega demais na tinta, o Olavão é um ninguém que sempre fala besteiras, não importando a área do conhecimento. 😛

          1. O Olavo tenta ser um Pondé, mas falta-lhe conteúdo pra isso. Não chega a ser um grande pensador, mas com certeza há piores.

          2. Ah, foi mal, Salva. Você deu a entender que Pondé não tem qualidades. Não posso resistir e perguntar: o que achas?

          3. Não disse, nem dei a entender isso. Pondé é mais interessante. Pelo menos às vezes manda bem. Dos “filósofos-modinhas”, é o meu menos favorito. Gosto mais do Karnal (de quem já vi uma aula na Casa do Saber, em São Paulo, e fiquei impressionado com o domínio que ele tem sobre o público) e do Cortella (com quem gravei uma vez um programa da série “Diálogos Impertinentes”, com a Suzana Herculano Houzel, muitos, muitos anos atrás).

      2. O paralelo é evidente. Richard Dawkins é o Olavo de Carvalho da biologia. A sua afirmação de que a origem da informação biológica é obtida por processos naturais não dirigidos é uma fantasia que poderia ser comparada às bravatas do Olavo. Falta a Dawkins uma formação matemática para compreender que essa hipótese é inconsistente.

        1. A diferença é que as afirmações do Dawkins são amparadas por experimentos. A essa altura conhecemos a complexidade da informação biológica (que é bem baixa; veja uma molécula de RNA ou mesmo DNA e note como ela leva relativamente poucos átomos, é bem simplona, na verdade) e temos excelentes pistas de como ela pode se formar em ambiente prebiótico E iniciar um processo de evolução darwiniana, que também já foi verificado em fósseis, em estudos de DNA, em observações da natureza e em experimentos de laboratório.

          Olavo de Carvalho, em compensação, renega experimentos e constatações. Renega a relatividade, mesmo com todas as provas. É um tapado. Parece alguém que eu conheço… rs

          1. Salvador deve ter ficado furioso comigo, espero que não seja a mesma estima que tem com Apolinário…
            Prometo 100% on-topic agora…

          2. Nah, relaxa. Mas que enche o saco lidar com a tosqueira alheia (a do Olavo incluída), enche.

        2. Um pequeno conhecimento da teoria da informação já nos mostra a impossibilidade da tese de Dawkins. É sabido que a mesma complexidade dos corpos vivos tem que estar presente nos corpos dos quais eles derivam. Em particular, os materiais que formam os órgãos, caso sejam determinados por leis bem definidas, devem ter a mesma ordem de complexidade de todo o ser vivo. Isso é um teorema matemático. Não há como refuta-lo. Portanto, o argumento de Dawkins é um típico “ouroboros”.

          1. Ah é? Então me diga qual é o pequeno conhecimento da teoria da informação que demonstra essa impossibilidade. Se é tão pequeno, você pode descrever pra gente aqui agora e resolver isso. Vai lá. Você não é o lógico, o matemático? Demonstre por A + B, usando teoria da informação, que isso é uma impossibilidade. Mas quero uma demonstração, hein? Vai lá. Tou esperando. É “pequeno conhecimento”, né? Em mais uns 15 minutos você apresenta sua demonstração então. Valendo.

          2. Eu disse que era pequeno mas segundo a MINHA ótica. Para vocês, ou para outros sem conhecimentos matemáticos, seria algo um tanto inatingível. 😛

            Mas vou ser benevolente, vou citar o nome do matemático que provou esse teorema. Ele chama-se Kurt Gödel, um austríaco naturalizado norte-americano que foi contemporâneo de Einstein. Ele é considerado um dos maiores lógicos do século XX.

          3. Não vai ser suficiente. Conheço o teorema da incompletude de Gödel, mas você vai ter de apresentar a demonstração de que ele se aplica ao caso de Dawkins com a informação biológica.

            Caso você se refira a esse teorema, incluo aqui as duas versões dele, uma derivada da outra, para você ficar só com o trabalhinho de demonstrar como isso se aplica à informação biológica.

            Teorema 1: “Qualquer teoria axiomática recursivamente enumerável e capaz de expressar algumas verdades básicas de aritmética não pode ser, ao mesmo tempo, completa e consistente. Ou seja, sempre há em uma teoria consistente proposições verdadeiras que não podem ser demonstradas nem negadas.”

            Teorema 2: “Uma teoria, recursivamente enumerável e capaz de expressar verdades básicas da aritmética e alguns enunciados da teoria da prova, pode provar sua própria consistência se, e somente se, for inconsistente.”

            Isso mostra, evidentemente, uma deficiência da matemática — e talvez a maior evidência de que ela é uma invenção e não uma descoberta, dado que o Universo em si é consistente –, mas não uma deficiência do Universo em si de produzir informação — porque isso ele claramente faz.

            Mas vai lá, vou aguardar sua sapiente demonstração de como os teoremas de Gödel se aplicam ao caso de Dawkins.

          4. Há um equívoco de sua parte. Eu não afirmei que o resultado sobre informação biológica deriva dos teoremas de incompletude de Gödel. Esse trabalho de Gödel é de outra natureza e foi posteriormente desenvolvido, de maneira rigorosa, pelo matemático Gregory Chaitin. Ele demonstra, por exemplo, que uma sequência específica de números não pode ter uma complexidade maior do que o programa exigido para a sua geração.

          5. Ué, mas então está tudo certo. Para estar errado, você teria de presumir que o programa exigido para a sua geração (a complexidade química do Universo não vivo) é menor que uma sequência específica de números (no caso os ácidos nucleicos numa cadeia de RNA). Não é. Ou seja, tendo como “programa” a complexidade química do Universo, explicável de forma cristalina hoje pelas leis da física, a química poderia fabricar RNA tão complexo quanto desejar sem violar essa premissa básica. Não entendi onde você considera que isso afeta de alguma maneira as ideias de Dawkins. E aposto que nem você. Deve só estar papagaiando algo que leu em algum lugar. rs

          6. Pô Salvador, me desculpa, cometi um grave equívoco na criação… e agora, como é que eu faço pra DESCRIAR o Apolinário?

          7. Ah, Senhor. Sei lá. A última vez que o Senhor fez uma cagada dessas, rolou um dilúvio. Então não vou nem sugerir nada… rs

        3. Duvido que o colega “explorador” tenha lido uma única linha da referência que buscou no Google. Se tivesse feito isso, saberia que se trata apenas de uma consideração pessoal desse indivíduo, sem maiores consequências. Enquanto que Chaitin é reconhecido mundialmente como sendo o criador da “metabiologia”.

          Quanto ao meu último comentário, é claro que a frase correta é: “Ele demonstra, por exemplo, que uma sequência específica de números não pode ter uma complexidade MENOR do que o programa exigido para a sua geração”. Isso é um teorema matemático, impossível de refutar. Em outras palavras, para gerar uma informação de complexidade “A”, você teria que dispor de um programa de tivesse, PELO MENOS, o mesmo grau de complexidade “A”.

          Um dia vocês talvez possam entender. Se eu tiver paciência, explico… 😛

          1. Em tempo, todo o nosso conhecimento se baseia em fontes fidedignas. Não ficamos “papagaiando”. Nós lemos, estudamos e entramos em contato com pesquisadores da área. Garanto que você jamais ouviu falar nesses argumentos lógicos, oriundos da teoria da informação, que demonstram a impossibilidade da hipótese de Dawkins. Mais uma coisa que você aprende comigo… 😛

          2. Caro, eu não vi até agora onde esses argumentos demonstram a impossibilidade da hipótese de Dawkins. Eles parecem perfeitamente compatíveis. Ainda sigo esperando sua demonstração. Até agora, só vi papagaiada, citou este, aí correu para aquele, mas a demonstração — ou mesmo uma citação explícita de algum desses autores na direção do que você está dizendo — não vi, não… Insisto: aguardo sua demonstração. Era simples, lembra? Pequeno conhecimento… rs

          3. O Chaitin admite em seu próprio trabalho que seu modelo tem pouca ou nenhuma aplicação à biologia de verdade. Ainda assim, ele consiste uma forte indicação de que, ao contrário do que você diz, não há nada de impossível na evolução. O sujeito escreveu um livro chamado “Proving Darwin” e, embora ele flerte bastante com os pseudos do design inteligente, seu trabalho em essência foi darwiniano: modelar computação como vida e usar mutações aleatórias para produzir evolução. Seus teoremas provam além de qualquer dúvida que isso é possível — nenhuma novidade aí, uma vez que simulações já haviam demonstrado isso na prática. São exercícios matemáticos curiosos, que colocam a aleatoriedade no coração da matemática, mas nada que vá ter implicações sérias no estudo da biologia.

  14. Por esta definição de “matar”, a anã marrom é natimorta 🙂
    A definição mais adquada seria “estrela zumbi” pratica eutanásia no companheiro.

      1. Discordo! Anã Marrom é estrela ou quase isso, mas viva! Ela realiza queima convencional, não nuclear, transforma energia cinética e energia química em calor!

        Lamentável manifestação anamarronfóbica do blog! >:-(

        1. A definição de estrela é a capacidade de fazer fusão nuclear. Anãs marrons conseguem, no começo de suas vidas, fazer um cadinho de fusão, e por isso são anãs marrons, e não simplesmente planetas gigantes gigantes. rs

          1. Bom, mas se uma anã marrom sente que na verdade é uma estrela, então é uma estrela. Importa o como ela se identifica socialmente, e não descrições impostas pela sociedade… kakakakakaka

            *Brinks hein… rsrsrs

          2. Hehehehe. Pois é, na real, todas essas classificações (de etnias e estrelas, e de todo o resto) são arbitrariedades nossas. A anã marrom não faz a menor ideia de que seja uma anã marrom. rs

    1. Neste caso seria uma “outranásia”, porque nunca vi uma EUtanásia no outro….
      perdoem… não resisti….
      :o)

  15. Astronomia sempre foi uma coisa muito abstracta pra mim, mas ultimamente tenho lido teus textos – sempre qdo sai um novo – e tenho me interessado. Obrigado!

  16. Muito interessante. Antes eu achava que a estrela de maior massa acabaria sempre engolindo a de menor massa. Pelo visto, as gigantes vermelhas, apesar do tamanho, tem uma densidade bem baixa nas camadas externas, certo? Tenho uma curiosidade danada sobre a estrutura das gigantes vermelhas, imaginar que o Sol um dia expalhará sua massa para além da órbita da Terra.

    Um abraço!

    1. Confesse, Apolinário, que você elevaria o estilo Notícias Populares a outro nível, caso tivesse seu próprio espaço…

      Imaginem, toda vez que confrontado diretamente com argumentos sólidos, como diversas vezes aqui no blog, Apolinário subindo em seu altar e respondendo presunçosamente, sem citar o autor diretamente: gostaria de responder a esse “herege”, deixando claro que o homem é a medida de todas as coisas, basta uma rápida consulta às Escrituras”
      E já imaginaram ele respondendo comentários contrários à sua fé em seu próprio blog?
      “Respondendo a tal ‘ateu’, “Não costumo dar pérola aos porcos, mas basta observarmos com atenção as coisas a nossa volta que tudo se encaixa perfeitamente: Ele está por toda a parte!”

      Tá explicado o anonimato…

    1. Marco Aurélio, o que seria um bom assunto para você? Olha, na certa você não se empolgou com o triste fim da estrela moribunda e da sua companheira marrom bombom. Fazer, o que… dê pelo menos crédito ao Salvador que de forma inspirada humanizou essa tragédia estrelar, deixando o assunto bem mais palatável e divertido… rsss

      Salva, pensa na ironia… no final das contas a estrela decadente também virou uma anã branca… duas anãzinhas para fazer companhia uma a outra! Só falta ter planetas anões por lá tb!!! 😛

      1. PS: eu sei que anã branca e anã marrom são coisas diferentes, mas são anãs… mas que culpa tenho eu se os astrônomos adoram dar a alcunha de anão para vários corpos celestes… marrom, anã branca, planeta anão… chega até a ser politicamente incorreto. rsrs

      2. E o mais dramático — em bilhões de anos, por emissão de ondas gravitacionais, a anã marrom e a anã branca vão acabar se fundindo. A anã branca vai chupinhar massa da anã marrom até não poder mais. Não será o suficiente para ela reacender, contudo.

  17. Devagar, aí! O que ocorreu foi um compartilhamento. A estrela de fusão compartilhou seu esplendor com a não-fusível, aproximando-a, tonando ambas o mesmo objeto celeste, agora. Um caso de amor, que sela a união entre dois seres. A interpretação que atribui ato de violência é fruto do momento social vivido por nós, não pelas estrelas.

    1. Claro que a metáfora é só uma metáfora. Mas eu não vejo como o Sol inchando como uma gigante vermelha e engolfando a Terra possa ser um ato de amor, exceto um de amor passional e destrutivo. É que a anã marrom era grande/densa demais para morrer nessa, e acabou em vez disso matando a gigante…

      1. Bonita matéria, mas não acho que falar de amor passional ou morte violenta seja uma maneira poética de ver o fenômeno. Prefiro pensar que a marrom, ao ver sua companheira se expandindo para a diluição total, resolveu abraça-la num ato fraterno para uma convivência duradoura. rsrsrs

        1. Bem, primeiro note-se que você pode ser trágico e poético ao mesmo tempo. Mas a intenção aqui foi meramente ser interessante, mostrar que a vida das estrelas tem paralelos com a nossa, nas pinceladas mais largas. Não necessariamente quis ser poético, contudo. Aliás, não consigo imaginar um poema de bom gosto que cite o Datena. 😛

          1. kkkkk. poema de bom gosto citando o Datena não dá. mas vou tentar:
            Datena, a sua imagem voa pelo ar
            até chegar na minha antena.
            Quizera ter o dom, Datena, de apagar sua voz
            das frágeis ondas sonoras que permeiam o eter.
            O mesmo eter que…
            _
            é Salvador… você tem razão. não dá mesmo!

          2. OK, Villa, com sua permissão, vamos lá.

            Vida de jornalista

            Como não ler, seguir, frequentar
            o Mensageiro Sideral?
            Espaço democrático, salutar
            e sedutoramente plural?

            Tocado com destreza pelo Salvador;
            certo, às vezes dá pena
            Ver uma fauna invejosa sem pudor
            tentar se mostrar em cena.

            Mas não passam, pois mestre Nogueira
            bons assuntos concatena
            Consegue informar, na segunda-feira
            citando até o Datena.

            Mas sempre há os percalços, é mesquinho
            um cara que é hilário
            Não cito GP, nem mesmo Wadinho
            é o troll Apolinário.

          3. Hehehe. Procurei um vídeo com ele falando “ibagens”, mas só tem sátira. Aí tive de me contentar com o “tango”. rs

          4. Confesso que sou computeiro das antigas — e não tenho Facebook :p

            Mas pedirei para algum amigo me mostrar. Fico orgulhoso por ter topado a brincadeira, meu caro!

    2. Opa! O Salvador usou metáfora sim! Também adoro o uso de metáfora em textos mais ricos em conteúdo. Todos os grandes sábios do passado o fizeram assim, tamanha a duficuldade dos leigos entedenderem. Na astronomia, as estrelas nascem da nebulosa, dentro de um berçário cósmico. Um bom exemplo aí, e por outro lado, dessa do Datena. Hehehe!

  18. Salvador,sei que não se trata do assunto em questão,mas,recentemente,ao acabar de ler “2010-Uma Odisseia no Espaço II”,eu tive uma dúvida que só um astrônomo poderia tirar.Seria possível,caso Júpiter fosse uma estrela,aquele astro poderia,em determinadas épocas do ano,tornar as noites terrestres mais claras?Ou é somente “licença poética”de Arthur C. Clarke?
    Abraços para você,Salvador!

    1. Eu não sou astrônomo, mas posso te dizer que (1) não há meio conhecido de transformar Júpiter em estrela e (2) Lúcifer (o Júpiter aceso) certamente tornaria as noites na Terra mais claras, mas não tão claras quanto o dia.

      1. e só quando estivesse em oposição ao sol! 🙂
        num período a cada mais ou menos 6 meses teríamos um dia brilhante seguido de um dia mais ameno, mas 6 meses depois teríamos noite de novo seguido de um dia um pouco mais brilhante, com um sol grande acompanhado de um sol bem fraquinho, lá longe…

        1. Júpiter passa boa parte do ano no céu noturno. Não seria só na oposição que iluminaria a noite. A oposição seria o nosso “verão joviano” por assim dizer. rs

          1. sim, pensei nisso depois de postar.
            na verdade, imagino que aconteceria algo parecido com o que acontece com a lua, que nasce e se põe em horários diferentes com o passar do tempo. só que ao invés de durar um mês, isto duraria mais ou menos um ano no caso de jupiter. sim, eu imagino que teríamos noites cada vez mais longas, com ambos os nossos “sóis” abaixo do horizonte, até a noite durar 12 horas determinada época do ano e começar a diminuir de novo.

            acho legal tentar imaginar como seriam coisas assim, considero um ótimo exercício mental! 🙂

    2. Muito difícil, Wesley. Apesar de ser o maior planeta do sistema solar, ainda é pequeno demais para virar estrela. Precisaríamos agrupar uns 80 Júpiteres (esse é o plural de Júpiter?) para formar uma simples anã vermelha…

      1. Boa questão, acho que não existe palavra que seja mais que proparoxítona. Poderia ser Júpiters, ou talvez mude o acento, para Jupitêres.

        1. É, lembro-me de, anos atrás, ligando para a consultoria de português da Folha para resolver esse drama do plural de Júpiter. Em português, seria Jupíteres. É tão horroroso que procuro escrever Hot Jupiters, em inglês, em vez de Jupíteres Quentes. rs

          1. Putz Jupíteres é pior que Júpiteres. E nem é tão estranho pra falar, quatro sílabas vai na boa.

          2. É complicado. Em português não existe sílaba tônica antes da antepenúltima. Nada de ‘júpiteres’, portanto. Mas a língua aceita a mudança de sílaba tônica para formar o plural (ex. caráter, caracteres). Parece-me que a Folha está correta, desta vez.

          3. Não é “a Folha”. É a profissional, gramática, contratada pela Folha para dar consultoria de língua portuguesa. Essa mania de tomar a parte pelo todo com relação ao jornal não desaparece, hein, Perna? 😛

          4. Você pode ser um bom jornalista de ciência e um ótimo astrônomo amador, mas como humorista não há Salvador que dê jeito…

          5. É, às vezes dou uma mancada. Mas aí, se o pessoal fica bravo, Perna pra que te quero! rs

          6. Uau, você percebeu a brincadeira! Eu sabia que, como as mentiras, ela tinha Perna curta. rs

        2. verdade, o plural seria proproparoxítona! 😀
          Se não estou enganado, este caso entraria na categoria de acento sub-tônico. Mas acho que a sílaba não seria destacada graficamente, e picaria Jupiteres mesmo… 🙂

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