Nasa estuda plano para trazer amostras de Marte na próxima década

Salvador Nogueira

Finalmente a Nasa resolveu tirar a poeira de todos aqueles velhos planos para trazer amostras de Marte a fim de estudá-las na Terra. Um projeto para trazer rochas marcianas — de forma robotizada — pode decolar a partir de 2026.

Foi o que sugeriu Thomas Zurbuchen, chefe do diretório de ciência da agência espacial americana, em uma reunião de diretoria das Academias Nacionais dos EUA. A informação é de Jason Davis, da ONG Planetary Society.

O envio de amostras de Marte para a Terra é essencial de muitas maneiras diferentes.

Ele é tido, por exemplo, como crucial para a busca de sinais de vida — sobretudo pregressa — no planeta vermelho. Isso porque a busca de traços fósseis em rochas que foram modificadas por fluxos de água no passado marciano exige equipamento delicado, que já está disponível em laboratórios terrestres, mas dificilmente poderia ser miniaturizado para ser embarcado num jipe robótico.

Além disso, o retorno de amostras é um passo fundamental para uma futura tentativa de levar astronautas ao planeta vermelho na década de 2030 — objetivo declarado da agência (ao menos no papel). Afinal, antes de usar com humanos qualquer tecnologia que envolva ida e volta de Marte, será preciso testá-la de maneira robotizada.

Por fim, é um passo natural decorrente da missão do jipe robótico já em estágio de planejamento avançado pela Nasa, chamado até o momento apenas de Mars 2020. Como o nome sugere, ele será lançado no primeiro ano da próxima década, e uma de suas atribuições será recolher e armazenar amostras de interesse para um futuro reenvio à Terra.

Concepção artística do Mars 2020 operando em Marte (Crédito: Nasa)

UM DESAFIO E TANTO
Não será fácil, nem barato, tirar esse coelho da cartola. Decolar de Marte será muito mais complexo do que voltar da Lua, como humanos e robôs já fizeram diversas vezes. A gravidade marciana é quase o dobro da lunar, e o planeta vermelho ainda tem uma atmosfera para complicar ainda mais as coisas.

A Nasa não descarta uma parceria com outros países — ou mesmo empresas — na iniciativa. (Sr. Musk, esta é a sua deixa.) Mas não quer dizer também que a agência espacial americana tope qualquer parada. Segundo Zurbuchen, um elemento essencial de qualquer arquitetura de recolhimento e retorno de amostras é o cuidado com a “proteção planetária”. Ou seja, não podemos levar bactérias terrestres que possam colonizar Marte, nem devemos trazer de volta, de maneira acidental, qualquer entidade biológica marciana que porventura possa existir por lá.

“A parte da proteção planetária é absolutamente essencial”, disse Zurbuchen. “Qualquer que seja o parceiro, ele precisa compartilhar nossos valores nisso — sem meios termos.” (Sr. Musk, esse é um recado para o senhor.)

Diagrama mostra arquitetura básica para missão de retorno de amostras (Crédito: Nasa)

COMO SERIA
Tudo ainda é muito vago, claro, mas a arquitetura básica para a missão envolveria o lançamento de um módulo com um veículo de ascensão embarcado nele. Um jipe robótico — talvez o próprio Mars 2020 — levaria as amostras até o veículo, que então seria lançado da superfície marciana, até a órbita do planeta vermelho. Lá, ele acoplaria com um orbitador com capacidade para retornar às imediações da Terra.

E a fase final pode envolver a reentrada da cápsula com as amostras diretamente em nosso planeta ou, quiçá, seu estabelecimento em uma órbita lunar, onde astronautas poderiam ir buscá-la e trazê-la com mais segurança — e menos risco de contaminações acidentais. (Alguém aí se lembra da cápsula Genesis, uma missão de retorno de amostras de partículas do vento solar que teve falha no para-quedas e se espatifou em 2004 no deserto de Utah?)

Até aí, tudo relativamente tranquilo — a Nasa pretende ter a capacidade de enviar astronautas às imediações da Lua até 2023. O que realmente complica a coisa toda é o custo da brincadeira. Uma missão de retorno de amostras de Marte será bem cara, talvez algo como US$ 4 bilhões. É dinheiro de pinga se estivesse no lado do programa tripulado, mas para o orçamento de ciência planetária robótica é uma cifra bem grande. Normalmente,  a despesa anual com todas as sondas não tripuladas (as que estão voando e as que vão voar) gira ao redor de US$ 1,5 bilhão.

Resta saber se a Nasa vai ter a grana para implementar isso, e que outros projetos podem pagar o pato num futuro equilíbrio orçamentário. (Vítimas óbvias seriam as missões robóticas aventadas para Marte depois de 2020.) Por sinal, esse foi o motivo pelo qual a agência só enrolou até hoje com esse assunto. Na década passada, falava-se em um lançamento desse tipo talvez para 2013 ou 2016. E na década anterior a ela, falava-se em 2009, talvez. Ou seja, faz 20 anos que estamos a 10 anos de uma missão de retorno de amostras marcianas. Nada impede que a história se repita.

Algo, no entanto, é diferente desta vez. Outras agências espaciais estão ganhando terreno. Em 2020, a ESA (Agência Espacial Europeia) vai lançar seu jipe ExoMars — uma tentativa de buscar sinais de vida na superfície marciana. Em órbita já temos o Trace Gas Orbiter, da mesma ESA, que tentará decifrar a origem do metano atmosférico marciano, que também pode ter conexão com vida. Ou seja, se a Nasa ficar enrolando demais, pode acabar ficando para trás num jogo em que até então ela sempre esteve muito à frente — e que potencialmente envolve a mais incrível descoberta já feita pela ciência.

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Comentários

  1. “O que acontece se a gente cair no abismo que tem no fim da Terra plana?” Esta foi a pergunta tosca!

    Relaxa, Salva! Sexta feira, pô! Abre uma gelada aí!

  2. “Ou seja, faz 20 anos que estamos a 10 anos de uma missão de retorno”

    Uma coisa é certa: as animações em vídeo ficam cada vez melhores, rsss…
    É uma pena: o investimento em exploração espacial gera MUITO MAIS riqueza e desenvolvimento do que se imagina, indiretamente. Ou será melhor gastar 3.5 bi por ano pra financiar campanhas políticas?

  3. Porque nenhuma empresa tem interesse em projetos assim, 4 bilhões para os super bilionários não é de assustar e os pioneiros de Marte naturalmente seriam os que teriam algum direito em vantagens que poderiam conseguir colonizando o planeta num futuro a médio prazo.

    1. Porque é antieconômico. Investidores podem ganhar muito mais em outros investimentos, com US$ 4 bilhões para aplicar. É preciso ter um idealista, feito Elon Musk.

  4. Dois assuntos off topic, comenta ai salva!!
    Um a passagem mais próxima do maior asteroide monitorado pela NASA!
    Outro o aparecimento de uma nova espécime humana(hominídeo) na china!(o menino dos olhos florescentes).

    1. Suponho que seja este, de 12 de outubro (https://ssd.jpl.nasa.gov/sbdb.cgi?sstr=2012%20TC4). Vai passar pertinho, a cerca de um décimo da distância Terra-Lua, ou seja, perto do anel geoestacionário, em termos de distância. Mas sem perigo. Servirá para testes de protocolos de monitoramento coordenado por astrônomos do mundo inteiro.

      P.S.: Acabei de ver, é sobre o Florence. Ele é grandão, mas vai passar muito, MUITO, MUITO LONGE: 7 milhões de km (18 vezes a distância Terra-Lua).

      Sobre a descoberta chinesa, não achei nada confiável na internet que se refira ao que você disse. Desconfio que seja mais um daqueles papos fajutos que você adora. Mas, se tiver um link confiável, pode colocar aqui que eu publico. CONFIÁVEL, hein?

      1. Se eu estivesse diretor chefe da missão, eu colocaria a roseta e a Phillae nele(florense), mais área mais diversidade de matéria para comparar. talvez ele não teve paciência para esperar e produzir uma missão menos audaciosa para primeira vez.
        Já O menino Chines! site confiável! isto esta mais difícil do que aprovar protótipo de motor capacitivo movido a plasma, para substituir os velhos motores de propulsão da Enterprise mas vou tentar!

        1. O mais próximo de um site “confiável que achei esta este , mas esteve publicado em vários jornais pelo mundo! e outros sites
          o caso ainda segue em estudo!
          agora basta encontrar um site científico que diga algo sobre pesquisa, mas acredito que elas estão em andamento.
          Também tem a questão de estar(se tratar de) uma criança e virar cobaia….etc.. . se achar posto ai!
          deve precisar de autorização judicial para fazer testes genéticos etc..
          Acredito que mais para frente vamos saber o que envolve isto !thuth!

          1. Aê, parabéns pelo esforço!
            Então, difícil dar pitaco com base nisso. Alguém precisa estudar os olhos do menino — talvez sequenciar seu genoma, agora que tá baratim, em busca de mudações. Mas não é sem precedentes. Tá cheio de animal que consegue “ver no escuro” (também conhecido como ver infravermelho).

          2. Salva, se caso existir esta mutação e estar transmissível geneticamente, abre um leque para varias hipóteses e pergunta e talvez esteja como resposta para outras muitas delas.
            mas fica no se.
            O caso do pensamento moderno ao meu ver esta a recente descoberta da tripla hélice do DNA, que ao meu ver condiciona as mutações ou digamos liberações pré programada das mutações, a mercê de fatores alimentares.

    1. ALIENS!
      (Achei engraçado saber por amigos que o pessoal proíbe que, nas entrevistas a ele, falem alguma coisa sobre (1) o cabelo dele ou (2) os memes da internet.)

          1. Quermesse de ufólogos?
            Gevaerd provavelmente não gostará do termo, aliás, lembrando um post dele em 2016, cadê as revelações mundiais de autoridades renomadas que confirmariam que estamos sendo visitados pr ETS? 😛

  5. Salvador, Off-topic:
    Cresci lendo os livros de divulgação científica do Asimov, e um dos livros que mais gostei foi o “Escolha a Catástrofe”, em que ele divaga sobre possibilidades de fim do mundo. Quando ele analisa as chamadas “Catástrofes de 1o grau” (destruição do universo como um todo), as duas principais possibilidades seriam o fim pela contração do universo (desde que haja massa suficiente para tal) e o fim por aumento de entropia (caso o universo não se contraia). Como está a balança para essas teorias hoje em dia? Temos massa suficiente para a contração? Lembro de ter lido algo sobre existir uma “aceleração” na expansão do universo, que ainda não teria uma explicação convincente!
    Abraço, e parabéns pelas ótimas matérias! (e pela paciência com alguns indivíduos com QI inversamente proporcional à eloquência…)

      1. Salvador, na sua opinião o que será observado primeiro: Sinais da hipotermia ou fogo da gigante vermelha?

        1. Deixa eu ver se entendi. Você está perguntando o que vem primeiro, a fase gigante vermelha do Sol ou a morte térmica do Universo? A fase gigante vermelha do Sol vem antes, bem antes.

  6. Em vez de ficar queimando a pestana com Marte que todo mundo já está indo, a NASA deveria fazer um projeto um pouco mais longo e mandar a sonda para Encélado ou ainda Europa. Demora um pouco mais mas as chances são bem melhores pois observações recentes ajudaram a encontrar uma pluma que é composta 98% por vapor d’água, cerca de 1% por hidrogênio e o restante é uma mistura de moléculas como dióxido de carbono, metano e amônia. Esta descoberta confirma que a lua de Saturno possui os três ingredientes fundamentais para a existência de vida como a conhecemos. Isso não acharam ainda em Marte. Seria uma boa aposta. Apesar de viagem mais longa, não vamos esquecer que já estão enrolando a missão para Marte há 40 anos. Um pouco mais não atrapalha em nada.

    1. Há um projeto aprovado de sonda para Europa e outro em cogitação para Encélado. Todas são importantes. Marte oferece um oceano do passado, Europa um oceano velho do presente, e Encélado um oceano jovem do presente. Cada um oferece uma peça do quebra-cabeça. 😉

  7. Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé, digo, se o homem não vai até Marte, Marte vai até o homem.

    1. Não precisa trazer Marte até aqui. rsrs. Você poderia viajar até Marte, ou qualquer outro lugar do Universo, dando pequenos e inúmeros “saltos quânticos”. Ou seja: Sua nave seira equipada com um motor (que ainda não existe) capaz de distorcer o espaço na direção desejada, mas apenas milímetros de cada vez para não desprender muita energia. Sendo assim você conseguiria, milímetro por milímetro, avançar em determinada direção sem, tecnicamente, sair do lugar.
      É claro que o salto quântico aqui mencionado é só uma metáfora.
      Dessa maneira sua velocidade não estaria limitada à velocidade da luz e sim à quantos saltos você poderia dar em uma determinada medida de tempo.
      Nada demais para as próximas décadas… creio.

  8. Salva, Já vi que você não acredita mesmo na possibilidade do motor capacitivo de plasma!

    1. Estão apostando tudo na pesquisa do motor com capacitor de fluxo, mas não sei se o fluxo é de plasma. Só sei que quando funcionar, se usado por mãos erradas, o mundo poderá ser governado por um idiota inescrupuloso que ganha dinheiro sem derramar uma gota de suor…

        1. Você pode troll a vontade e eu quando falo de ciência não faz sentido.
          block!
          O vida de jônico.

          1. huehue!
            Gilberto, se quiser usar seu tempo para ler sobre algo mais plausível, tente “Hidrogênio Metálico”

  9. Não entendi só a parte da proteção planetária…. caso eles achem bactérias por lá, não podem trazê-las para estudá-las na Terra? Vão ter que analisá-las por lá mesmo?

    1. Podem trazê-las, sim. Mas têm de tomar cuidado para não permitir que elas escapem de ambientes controlados de laboratório. Se a cápsula de retorno se espatifasse na volta, como aconteceu com a Genesis, não teríamos isso, certo?

      1. Boa Tarde Salvador,
        Uma vez li em uma resposta de comentário, acho que sobre Europa, que existia um certo código de ética mesmo sobre trazer vida de outro lugar para estudo. Não tenho uma opinião formada, mas não consigo não pensar que apesar do bom motivo, estaremos em nosso “primeiro encontro” agindo como “assassinos”

        1. Não, a rigor não existe nenhum problema ético em estudar vida trazida de outro lugar. Fazemos isso o tempo todo na Terra, e é absolutamente essencial — pega-se uma bactéria resistente em um lugar e passa-se a estudá-la em vários outros lugares para descobrir meios eficazes de evitar infecções fatais por conta dela. Não entendo que seja um dilema ético isso, a não ser que o transporte de vida de um lugar ao outro ameace a vida que existia naquele lugar ou a vida que já existe no outro. Daí a necessidade de precauções.

          E outra: vamos supor que tragam mesmo bactérias de Marte. Para estudar bactérias marcianas, teríamos de cultivá-las em laboratório — é assim que fazemos com bactérias terrestres. Portanto, em vez de assassinos, seríamos “parteiros”. rs

          1. Verdade Salvador, e se seguirmos o conceito de Sapiens, que sucesso eh se espalhar o máximo possível…no fundo estaríamos ajudando rs

          2. Bom, esse parece um ponto incontroverso entre todos que frequentam o blog, até os mais extremistas?: o homem deve mesmo colonizar outros mundos no futuro, além de estudá-los 🙂

  10. Salvador,

    Você acha que o Musk vai ter interesse em se aliar à NASA, somente, para o aumento do conhecimento científico, em detrimento do ganho financeiro futuro? Ou será que ele é um benfeitor do da ciência? Qual a sua opinião à respeito?

    Abraços

    1. A SpaceX claramente não está aí pelo dinheiro. Por isso não é uma empresa da qual se possa comprar ações na bolsa. É de capital fechado, justamente porque Musk quer manter o foco dela na colonização de Marte, algo que não necessariamente (e muito provavelmente não será) lucrativo. Toda a grana que a SpaceX ganha está sendo reinvestida dentro da empresa, para desenvolver as tecnologias necessárias para tornar a humanidade multiplanetária. Claro que nada disso teria sido possível sem uma parceria com a Nasa, que tirou a SpaceX da falência assim que ela conseguiu fazer um lançamento bem-sucedido do Falcon 1 com contrato de carga para a ISS, e depois o de tripulação. A essa altura, a SpaceX recolocou os EUA no mercado comercial internacional de satélites, até então dominado pela europeia Arianespace. Claramente a relação entre Nasa e SpaceX foi boa para os dois lados. E os dois inclusive chegaram a fechar um acordo de parceria para o projeto da Red Dragon da SpaceX. A Red Dragon subiu no telhado, mas a parceria segue de pé. Se a Nasa quiser um parceiro para ir a Marte, a SpaceX é uma candidata natural — afinal, diz ela que já está indo para lá mesmo…

  11. Off:
    Salvador, é plausível a ideia de em um futuro muito distante um “construtor universal” que permita manipular átomos e criar qualquer tipo de material?

    1. Você andou lendo o Chaitin, hein? Hehehe
      Em teoria, é possível. Afinal de contas, são as estrelas e suas detonações de supernova (coisas claramente possíveis) que fabricam toda a tabela periódica. Na prática, seria estúpido querer fabricar coisas — a um custo energético brutal — que a natureza já fez para nós. Quanto a manipulação de átomos para formar moléculas de interesse, isso já é feito em laboratório, então sem novidade aí.
      Você pode pensar no Universo como um “construtor universal”. 😛

      1. Hehe, muito interessante tudo isso, Salva, mas eu entrei em contato com o conceito de “construtor universal” com um jogo, bem antigo por sinal: Deus Ex, dos idos anos 2000. Seria interessantíssimo saber as referências do pessoal que trabalhou no roteiro do game pra investigar de onde tiraram a ideia, mas como o Salvador não curte jogos, espero que apareça alguém mais informado que nós nos comments 😛
        PS: não vou deixar de ler Chaitin agora 🙂

        1. Eu dei uma lida ontem por conta do nosso troll favorito e, apesar de o Chaitin ter um viés de ligação com design inteligente e aquele papo de complexidade irredutível, o trabalho dele em geral é mais um suporte à evolução darwiniana do que uma crítica. E não sou eu quem diz. Veja isto:

          “(M)y model of a single mutating organism is indeed Darwinian: I have a single organism that is subjected to completely random mutations until a fitter organism is found, which then replaces my original organism, and this process continues indefinitely. The key point is that in my model progress comes from combining random mutations and having a fitness criterion (which is my abstract encapsulation of both competition and the environment).

          “The key point in Darwin’s theory was to replace God by randomness; organisms are not designed, they emerge at random, and that is also the case in my highly simplified toy model.”

          Isso tudo está aqui: https://www.cs.auckland.ac.nz/~chaitin/metabiology.pdf

        2. Ah! Percebo que as minhas referências despertaram os meus colegas para os verdadeiros problemas da origem da vida. Espero que tenham aprendido alguma coisa. Em particular, espero que tenham compreendido como a teoria da informação exerce um papel central na questão.

          Está claro que o problema da origem da vida é basicamente equivalente ao problema do surgimento da informação biológica. Esta, por sua vez, só pode ser adequadamente compreendida através de um pertinente estudo matemático.

          1. E isso me traz uma maravilhosa lembrança…

            “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
            …e todas as coisas foram feitas por ele”

            João 1:1

          2. Eu não sei se você não entendeu o trabalho do Chaitin ou fingiu que não entendeu. Mas qual parte de “Does this highly abstract game have any relevance to real biology? Probably not, and if so, only very, very indirectly. It is mathematics itself that benefits most, because we begin to have a mathematical theory inspired by Darwin, to have mathematical concepts that are inspired by biology.” não ficou clara?

            Mais uma vez, você precisa pegar suas afirmações categóricas e dogmáticas e enfiar no seu proverbial cu. O próprio autor admite que seu trabalho não tem praticamente nenhuma implicação para biologia e, se por acaso tiver, será muito indireta. Além disso, admite que sua teoria é inspirada por Darwin. Que mais você precisa? Um cérebro talvez?

          3. Eu sempre tenho problemas de compreender quando alguém escreve utilizando essa construção:

            … compreendida através de um pertinente estudo matemático.

            Bom, Apô pelo menos não é purista, agora sabemos.

          4. Mas e os substantivos, os adjetivos, as preposições, os advérbios, os artigos, os pronomes, etc… ? Como é que faziam frases no princípio usando só verbos??? 🙁

          5. Canalhice me irrita mesmo, é fato. O sujeito diz: “Meu trabalho não se aplica à biologia.” O outro cita o trabalho e diz: “Ele prova que as ideias de Darwin e Dawkins sobre biologia estão erradas.” Não é o caso de subir nas tamancas? Você é o típico fanático religioso, que distorce tudo para defender seu ponto de vista dogmático e obtuso. Isso me irrita. Porque meu trabalho consiste basicamente em encorajar as pessoas a pensarem com a própria cabeça baseadas em evidências, e não em dogmas e “verdades” pré-estabelecidas.

          6. Você sabe que a escrita francesa foi abominada há muitas décadas, pelo MEC, no currículo escolar? E você fica enrolando, sem saber o que você escreveu. Nada a ver mostarda com assunto em voga.

            Vous et un l’analphabétisme scientifique.

          7. SALVA. Deixa eu expressar como eu penso ,pls! ta parecendo ditadura!
            “Does this highly abstract game have any relevance to real biology? Probably not, and if so, only very, very indirectly. It is mathematics itself that benefits most, because we begin to have a mathematical theory inspired by Darwin, to have mathematical concepts that are inspired by biology.”

            Para mim ele esta afirmando apenas que Darwin apenas popularizou o conceito matemático ligado a biologia, mas ele já existia.
            acredito que a própria palavra=letra= numero=ideia-logica= matemática = principio=verbo estão um mesmo algo não existe um ante o outro e vice versa……………………………………………
            E afirmo mais , em relação a evolução de se tirar do conceito empírico do””(jogo”)em questão , concordo que um algorítimo possa a ter inserido uma constante errado.
            Porem vindo de quem tem familiaridade, tanto com a matemática, programação, como física-ondulatória da matéria, (onda-crepuscular). acredito que a constante que falta na formula de Einstein esta =duo-hexa, no momento que ela não esta inserida no algorítimo, tudo se torna relativo a não existência desta certeza.
            esta constante vem inserida indiretamente em diversos experimentos laboratoriais.
            quando os algorítimos tem em tuas constantes , variáveis, e unidades, os fatores tempo, grau, constante jPi, constantes angulares (w) frequências etc………………………………………….
            Para mim vocês estão dizendo a mesma coisa em dialetos diferentes, cada um com teus paradigmas.
            Pois os dois admitem a linguagem logica do OR-ser , que destrói a possibilidade daquilo que pode e estar, e estar, substituindo o pela do ser ou não ser!

          8. Eu sempre fui da mesma opinião do Eu, que não hesita em mandar abestados pro seu devido lugar na lata 😛
            Não há nada melhor que apreciar seus ares de indignação, como se eles não tivessem começado na canalhice 😛

      2. Bem, se você estiver mais calminho, talvez possa entender que o trabalho de Chaitin (que certamente você não conhecia) é apenas um dos inúmeros trabalhos nessa área e também não é o mais importante. O seu grande mérito é que ele foi um dos primeiros a tratar do problema da origem da informação biológica de um ponto de vista matemático. Existem outros matemáticos e biólogos trabalhando nessa promissora área da Ciência, e todos eles concordam num aspecto: a clara origem inteligente da informação biológica primordial.

        1. Não conhecia de fato. Ele mesmo admite que não é relevante para biologia, e matemática pura não é meu forte.
          O curioso é que o cerne do trabalho dele é a… aleatoriedade. Ele sugere que alguns axiomas matemáticos simplesmente são verdadeiros porque são, e ponto. É aleatório. Isso me lembra muito a mecânica quântica. O trabalho me fez pensar que realmente não faz sentido, em última análise, tanto na física como (agora) na matemática, procurar uma relação causal primeira. Algumas coisas simplesmente *são*, e elas estão na base de tudo. (Os físicos, como ele mesmo diz, ainda têm esperança de encontrar uma Teoria de Tudo que elimine isso, mas, como o próprio trabalho dele sugere por meio da matemática, é improvável. Algumas coisas, teremos de aceitar, simplesmente são. Se você quer chamar isso de Deus (no melhor espírito de Bohr, “Deus joga dados sim”), fique à vontade. Mas note que isso é muito mais fundamental que a biologia. Na biologia, não existe essa aleatoriedade fundamental. Existe aleatoriedade, mas apenas em nível informacional, mas não químico ou biológico. (Quando uma mutação troca um A por um G no DNA, não é como na mecânica quântica em que o troço pode ser A e G ao mesmo tempo até ser observado; a troca realmente foi física, real, entre um A físico e um G físico. A “mutação” é apenas na informação, mas a reação química que envolve isso — e impulsiona a evolução — é trivial.)

    2. Manipular átomos em que sentido? Modificando a estrutura dos núcleos? Já fazemos isto, embora ainda não de uma forma muito controlada. Vejo que todas as combinações nucleares estáveis já existem na natureza, então não temos muito o que inventar neste campo. Sim, realmente já criamos átomos pesadíssimos que nunca existiram naturalmente, mas eles são extremamente instáveis, produzidos em quantidades ínfimas e, particularmente, não parecem tem nenhuma característica interessante na prática. São apenas curiosidades teóricas mesmo…

      1. Nenhuma característica interessante? Nem tanto, David. Núcleos com tempo de decaimento longo e algumas características mais podem ser utilizados como combustível nuclear em geradores termoelétricos, reatores e bombas nucleares. Alguns exemplos destes núcleos são os isótopos do Plutônio, elemento que não existe naturalmente e que inclusive parece que vai faltar em breve, como foi comentando aqui neste blog.

      2. quando digo que estes elementos transplutônicos são instáveis e tem tempo de vida curto, eu quero dizer curto MESMO!!!

        você teria que produzi-los e sair correndo para colocá-los dentro do reator nuclear antes deles se desintegrarem naturalmente! imaginando a cena, acho que seria até engraçado! 😀

  12. Logo depois da chegada do homem na Lua acreditava-se que, no máximo, na década de 80 estaríamos descendo em Marte. Na virada do século acreditava-se que, com a aproximação máxima entre os dois planetas no ano 2020, concluiríamos o tão esperado sonho; esse projeto também já foi abandonado há muito tempo. Em 2035 teremos uma nova aproximação, não sei se há um plano serio para esta data. Ou seja: Da chegada do homem na Lua em 69 até o ano de 2035 estaremos completando 66 anos de ansiedade.
    Sei não… humanos viajando pelo espaço interplanetário é muito mais difícil do que se imaginava no passado.
    Enquanto não inventarmos uma maneira de distorcer o espaço ao redor de uma nave, de maneira que não viajemos pelo espaço, mas sim puxemos o espaço na direção que nos interessa, estaremos fadados a tentar atravessar o Atlântico a nado com um braço apenas. Praticamente impossível. rs

  13. Mais nove anos para enviar uma sonda retornável para Marte é uma eternidade. Parece até prazo de consulta médica do SUS. Pior ainda, as sucessivas datas anteriores que foram postergadas sem resultar em nada não foram bem explicadas. Não consigo entender esta relutância da NASA pois até onde eu li aqui mesmo neste aclamado Post, tecnologia não falta.A NASA deve uma explicação melhor ao planeta, já que sempre pratica ciência de vanguarda. Pegando a onda de casal de estrelas lésbicas do post anterior, acho que a NASA foi proibida desta viagem pelo seu marido, o NASO, que é nariz em italiano. Assim um nariz está impedindo a viagem a Marte. Também reputo o projetoTrace Gas Orbiter,da ESO a maior inutilidade do momento, pois como sabemos mais de 76,47% do metano provem de fontes animais (peido de boi) e em Marte não tem boi.

    1. Está no post a razão. É o custo.
      Nos anos 1990, quando Marte voltou à moda por conta do meteorito ALH 84001, a Nasa estava com uma filosofia “faster, better, cheaper”: em vez de lançar uma supersonda a cada dez anos, melhor picar a grana em cinco sondas menores lançadas a cada dois anos. Isso permitia incorporar tecnologia mais recente (better), ter ciclos de desenvolvimento mais curtos (faster) e reduzir os prejuízos com falhas catastróficas, ao realizar múltiplos lançamentos (cheaper).
      Foi graças a essa filosofia que tivemos a reestruturação bem-sucedida do programa de exploração marciano, com um ou dois lançamentos a cada dois anos em média:

      – Mars Global Surveyor e Mars Pathfinder (1996)
      – Mars Polar Lander e Mars Climate Orbiter (1998, falharam)
      – Mars Odyssey (2001, ainda em operação)
      – Mars Exploration Rovers Spirit e Opportunity (2003, Opportunity ainda em operação)
      – Mars Reconnaissance Orbiter (2005)
      – Phoenix (2007, meio que uma reedição da Polar Lander)
      – Mars Science Laboratory Curiosity (2011, atrasou dois anos, ainda em operação)
      – Maven (2013, ainda em operação)
      – InSight (2018, ainda por lançar)
      – Mars 2020 (2020, ainda por lançar)

      Isso só da Nasa, claro. E você vai reparar que a partir de meados de 2005, as missões começaram a ser um pouco mais espaçadas. Por quê? Em essência, porque foram ficando mais caras. A essa altura, o Curiosity e o Mars 2020 são missões da classe “flagship” — aquele conceito mais antigo, de sondas como a Cassini, que envolvem uma supersonda, supercara. O “faster, better, cheaper” se converteu em uma estratégia de dividir as missões em categorias, aplicando uma noção faster/cheaper para missões menores, e better para missões maiores. (Quem o implementou, Daniel Goldin, saiu da chefia da Nasa em 2001.)

      A questão é: uma missão de retorno de amostras será mais cara do que tudo que já foi feito antes, incluindo as sondas Viking dos anos 1970. É realmente um investimento monstro. E, com ele, o risco de falha se torna grande também. Será preciso uma boa dose de coragem — e o esgotamento do que se pode fazer com sondas mais baratas — para implementar uma missão dessas. Estamos, contudo, chegando a esse limite. Tanto que o Mars 2020, mesmo sem fazer parte formalmente de uma missão de retorno de amostras, já recolherá amostras de interesse. Ou seja, uma hora alguém vai ter de fazer isso.

      Se uma empresa como a SpaceX estabelecer um “shuttle” (ainda que não tripulado) regular Marte-Terra, a missão já fica na escala das flagships tradicionais. Alternativamente, agências estrangeiras poderiam se emparceirar para dividir custo e risco. Para a Nasa fazer sozinha, é punk. Mas pode acontecer. Aguardemos o desenrolar dos acontecimentos.

      1. Obrigado Salvador. Você fez um bom resumo da trajetória da NASA e suas missões para Marte. É claro que como torcedor, queremos saber de tudo o mais rápido possível e ter constantes novidades nesta área. Não tenho nenhum embasamento para discutir a decisão do Daniel Goldin, mas num ambiente onde a variável custo é predominante, ele parece ter feito a coisa certa. Fora isso existem muitas sondas em operação em Marte, conforme sua tabela, incluindo a Odissey que já está há 16 anos batendo lata por lá. E a China? Tem planos para isso?

        1. Pois é, sou fã do Daniel Goldin. Fiz uma entrevista muito legal com ele quando ele estava saindo da Nasa.
          http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0912200101.htm

          Sobre outros países, tem muitos de olho em Marte. Citei a ESA (que é parceira tradicional da Nasa) no texto, que tem no momento dois orbitadores por lá, mas tem também a Índia (que tem um orbitador), a Jaxa (do Japão, que está planejando retorno de amostras de Fobos, uma das luas marcianas, com lançamento em 2024) e a China (que pretende mandar um orbitador e um rover em 2020), além de projetos privados, como o da SpaceX. Independentemente de voos tripulados, as imediações de Marte continuarão com tráfego intenso de espaçonaves nos próximos anos. 😉

          1. Parabéns pela entrevista com Daniel Goldin do link. Há 16 anos atrás e você já estava dando show. entrevistando um notório como este no mais alto nível.

          2. Caraca, Salvador já fazia entrevistas importantes com 21 anos
            Arkan sendo educado e não avacalhando tudo?!

            Fim dos tempos! 😛

        1. A maioria dos cientistas concorda que os traços encontrados não são evidência de vida, porque poderiam ter surgido de forma abiótica. Os autores originais ainda defendem sua conclusão. Inconclusivo, no caso de busca por evidências de vida extraterrestre, equivale a negativo, por cautela.

  14. Nunca vi ou ouvi nenhum registro de que antes de enviar o homem à Lua a Nasa tivesse feito testes robóticos de ida e retorno. No entanto, acho que seria interessante a Nasa levar e trazer entidades biológicas, ou seja, cobaias , como o tardigrado, por exemplo .

    1. A ida à Lua é bem mais simples que a ida a Marte, mas mesmo assim a Nasa implementou uma série de missões robóticas para primeiro colidir, depois orbitar e finalmente pousar suavemente na Lua. E a arquitetura das missões tripuladas foi exaustivamente testada na órbita da Terra e da Lua antes que um pouso fosse tentado. Em essência, tudo que podia ser testado antes do pouso com humanos foi testado. Agora, hoje em dia não dá para fabricar dez espaçonaves iguais para testar passo a passo. O orçamento não permite, assim como as condições para um lançamento a Marte também não — uma janela só a cada 26 meses. Teremos muito menos ensaios antes de uma viagem a Marte do que tivemos com a Lua.

      1. Valeu, Salvador !! Sem palavras a sua humildade, em dar atenção para perguntas ingênuas e até toscas, como as minhas.

          1. Qual foi a pergunta tosca? (Não vejo o contexto.)
            De toda forma, se precisa de asterisco para explicar, quis dizer que não existem perguntas toscas quando as perguntas são feitas de boa-fé e com uma genuína vontade de ter uma resposta significativa. Há muitas perguntas usadas para efeito retórico ou mesmo agressão que são toscas. Mas perguntas *honestas*, independentemente de seu conteúdo, não são toscas, por definição.

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