Treinando para impacto de asteroide

O que aconteceria se os astrônomos descobrissem um asteroide perigoso em rota direta de colisão com a Terra? Isso ainda não ocorreu, mas a ESA (Agência Espacial Europeia) já começa a treinar para não ser pega com as calças na mão.

Asteroides passam de raspão pela Terra o tempo todo. Uma hora a casa cai. (Crédito: ESA)
Asteroides passam de raspão pela Terra o tempo todo. Uma hora a casa cai. (Crédito: ESA)

No mês passado, os europeus realizaram o primeiro exercício de simulação de impacto. Eles basicamente fingiram que um objeto com tamanho entre 12 e 38 metros estava para colidir com nosso planeta, viajando a 45 mil km/h. Trata-se de um bólido de porte relativamente pequeno, mas capaz de causar danos. Algo similar ao que aconteceu em 2013, na cidade russa de Chelyabinsk, mas muito diferente do bólido que extinguiu os dinossauros, 65 milhões de anos atrás. Naquela ocasião, o pedregulho espacial tinha pelo menos imodestos 10 km de diâmetro. (Contra um desses, no momento, só reza brava. Felizmente, impactos desse porte são bastante infrequentes — um a cada 100 milhões de anos, em média.)

Durante a simulação, as equipes da ESA tiveram de decidir o que fariam em cinco momentos críticos, 30, 26, 5 e 3 dias antes e uma hora depois do impacto. O objetivo básico do exercício foi testar e desenvolver protocolos de como as autoridades devem reagir diante dessa informação. Isso envolve desde estudo detalhado do asteroide até medidas de mitigação de danos.

Em Chelyabinsk, por exemplo, a população acabou ferida não por pedaços do asteroide em si, que explodiu na entrada atmosférica, mas por estilhaços de vidro das janelas quebradas pela onda de choque no ar. Uma medida simples de proteção em caso de impacto iminente, dizem os especialistas europeus, teria sido simplesmente instruir as pessoas a ficarem longe das janelas e permanecerem nas partes mais fortes dos edifícios, como o porão, um procedimento que já é comum durante tornados nos Estados Unidos.

É claro que o nível de perigo depende muito do tipo de asteroide envolvido e do local em que ele vai cair. Essas informações precisas só poderiam ser obtidas com estudos contínuos do bólido, e o grupo, que envolveu representantes dos governos alemão e suíço, levou isso em conta. “Por exemplo, três dias antes de um impacto previsto, já teríamos relativamente boas estimativas de massa, tamanho, composição e local da colisão”, diz Gerhard Drolshagen, da equipe de Objetos Próximos à Terra da ESA.

A primeira simulação foi concluída no último dia 25 e já mostrou várias interrogações que precisam ser respondidas no futuro. A ESA pretende continuar realizando exercícios do tipo, além de trabalhar com a ONU para desenvolver uma resposta global a qualquer ameaça futura de impacto. A próxima simulação deve acontecer já no ano que vem.

O importante disso tudo é que a civilização esteja se acautelando e desenvolvendo mecanismos de resposta. Afinal, já sabemos que impactos de asteroide não são uma questão de se vão acontecer, mas meramente de quando.

NA TV: Neste sábado (20), na GloboNews, o Mensageiro Sideral entra no espírito natalino e explora um mistério que intriga os cristãos. A Estrela de Belém pode mesmo ter sido um fenômeno astronômico real? Não perca, neste sábado, a partir das 22h, no Jornal das Dez da GloboNews!

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Comentários

  1. A única coisa que não gosto neste blog é que demora a postar novas matérias. Mas sei que é preciso tempo para construir reportagens tão boas. Enquanto isso, fico relendo as excelentes matérias do Salvador…

    1. E, claro, lendo os comentários… Em especial os comentários dos religiosos… risos certos. E este “Eu”, hein? kkkkk Tenho certeza que é daqueles fãs perigosos!!!

      1. Sou perigoso não, fio. Sou fofo e querido. Só não vem ser arrogante e chegar chegando, que toma bordoada.

        Se chegar de boa, trato bem.

        😉

      1. Qualidade interfere na quantidade, sei bem disso. Leitor e escritor assíduo, fico caçando bons e inteligentes textos. São raros… Felicitações natalinas, grande Salvador.

  2. Seria a hora de fazer valer as bombas A que estão estocadas pelas ditas potencias mundiais. Lança-las contra esses bólidos e fragmenta-los o máximo possível pois como sabemos…pedaços pequenos são “derretidos” na atmosfera e não chegam ao solo…e os que chegam são reduzidos a pedaços menores gerando menos danos no impacto.

  3. Salvador, assisti à sua apresentação sobre a “Estrela de Belém” e gostei muito. Parabéns pela sua precisão e concisão!

    Então, se as descrições bíblicas não forem pura fantasia para dar dramaticidade à narrativa, o ano 1 deveria ser entre 4 A.C. e 12 A.C, inclusive.

      1. Se a Bíblia tem inspiração Divina, então é o Livro Sagrado e cada letra e palavra tem seu valor exato e perfeito.

        Se ela é um monte de crônicas de um povo da idade do bronze, agressivo e predador, sem conhecer nem a privada, ela é apenas mais um livro.

        Dizer que a estrela é cometa ou conjunção ou supernova ou qualquer outra coisa é dizer que o escrito está errado. A Divindade sabe muito bem o significado de cada palavra.

        Interpretações como “está escrito isso, mas quis dizer aquilo” são o início da tentativa de destruição da Fé, pois querem desacreditar a Palavra e seu Autor.

        O inimigo é insidioso e começa a obra destruindo o significado das palavras, sempre distorcendo-as e inventando interpretações e justificativas.

        Estrela significa estrela. Procure uma estrela.

        E, vendo eles a estrela, regoziram-se muito com grande alegria. Mateus 2:10
        Dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo. Mateus 2:2
        E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Mateus 24:29
        Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera. Mateus 2:7
        ¶ E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. Mateus 2:9

        1. Apol, sugerir que a interpretação literal é a única defensável cria um problema insolúvel para a Bíblia, pois ela é internamente contraditória. Leia o Genesis e note como ele reconta a origem do mundo duas vezes, com versões contraditórias entre si.

          1. Olá Salvador!
            certamente a “estrela” foi um sinal sobrenatural especial pra guiar os magos.

            E não há duas descrições da criação. O cap. 2 é apenas um complemento geral resumido, dando mais ênfase e pormenores a criação do homem/mulher – sua obra prima.

            Sds.

          2. Cícero, as duas narrativas da Criação colocam as criações em ordem diferente. Checa aí. 😉

          3. Perfeito.

            Portanto ao bom entendedor, meia palavra basta. Chega de interpretações forçadas, distorcidas e tentando tapar o sol com a peneira. Aquilo que não fecha, não fecha. Já imaginou uma estrela passando por aqui? Iria engolir muita coisa e lançaria outras até Andrômeda!! Pessoas que pensam reconhecem ficção.

            Estorinhas de ficção são estorinhas de ficção.

            A sua apresentação foi excelente!
            Como sempre.

          4. Salvador, os capítulos 1 e 2 possuem propósitos diferentes, para a MESMA criação.
            O cap.2 descreve o homem e mulher e outros detalhes, dá nome aos animais, mas não cria nada. Tomados juntos, os dois capítulos formam um quadro harmonioso e mais completo dos atos da criação.

          5. RELEIA a ordem da criação das coisas. É diferente nas duas versões. As mesmas coisas criadas em dias diferentes… 😉

  4. A colisão de asteroides menores (órbitas imprevisíveis e muito pouco tempo de previsão) com a atmosfera terrestre pode ser muito mais comum e extremamente perigosa, dependendo da região do impacto. Poucas vítimas fatais, talvez centenas de tímpanos estourados. Mas devido a nossa total dependência a tecnologia e o desrespeito as fontes naturais de energia, podemos ficar meses/anos sem energia(LUZ). E aí irmão, a coisa fica preta. Literalmente. Nossa indústria paralisada a geradores, agricultura dependente somente de ‘São Pedro’; Comunicação escassa durante o período. Muito mais perigoso, pois sentiríamos na pele e por muito tempo os efeitos do pequeno bólido. Já um de Kilometros é vapt-vupt. Um terremoto aqui uma tsunami ali e adeus.

  5. Salvador,

    Gostei da reportagem sobre a estrela de Belém, mas para mim o evento astronômico que mais se encaixa não foi citado por vc.
    A conjunção de Júpiter e Saturno do ano 7ac deve ter sido bonita mas não se compara a conjunção entre Vênus e Júpiter do dia 17 de junho do ano 2ac. Os dois mais brilhantes planetas praticamente se eclipsando (de fato ocorreu em partes do mundo) e no oeste (poente), justamente o ponto cardeal necessário para guiar os reis do leste.
    http://img523.imageshack.us/img523/7323/ampliacaoconjuncao17junch0.gif

    http://img147.imageshack.us/img147/4043/conjuncao17junho2achc9.gif

    http://www.bogan.ca/astro/occultations/2bcocclt.htm

    1. Sim, já li sobre várias conjunções candidatas, Alfredo. Mas 2 a.C. não seria tão bom, na minha opinião, porque teria acontecido dois anos depois da morte de Herodes, se as contas mais aceitas estão corretas. De toda forma, citei apenas a de 7 a.C. pelo charme de ter sido calculada pelo Kepler, e só como exemplo. 😉

      1. Blz! Era apenas a indicação de que a morte de Herodes pode não ter acontecido em 4a.C. e sim 1a.C. o que colocaria essa quase ocultação entre Vênus e Júpiter (que de tão juntos pareceram um só) como forte candidato a ser a estrela de Belém.
        http://booksandjournals.brillonline.com/content/journals/10.1163/156853608×245953

        Mesmo que não tenha sido esse evento, ele é tão raro que só pôde ser visto novamente em 1570.
        http://www.bogan.ca/astro/occultations/occltlst.htm

        A conjunção entre Júpiter e Saturno é muito mais comum e a de 7a.C. não foi nem de longe a mais estreita (pelo contrário eles nunca ficaram mais de 1º próximos). Aliás em 2020 vai ter uma de tirar o fôlego. 6′ de separação!!!
        Feliz ano novo Salvador.

  6. Grande Salvador! Acabei de assistir o seu vídeo agora na Globo News (22h50) sobre a estrela de Belém. Muito bacana! Parabéns. Aposto em um cometa (nada de supernova ou conjunção) kkk.

  7. Penso que seria preocupante mas não o fim do mundo se for confirmada rota de colisão com a Terra, 30 dias antes do impacto, de um objeto de uns 10 km ou mesmo de maior extensão. Um artefato nuclear de potencia adequada poderia desintegrar o asteroide e as partes menores seriam desintegradas, em parte pelo menos, na entrada da atmosfera, reduzindo consideravelmente as consequências do impacto do objeto como um todo.

  8. Salvador, que mal lhe pergunte, o que você acha dos vídeos do caso Roswell mostrando aquelas autópsias de ETs? 🙂

    1. Já foram demonstrados falsos. Mas me lembro da época em que foram divulgados (1995, se não me engano). Foi um alvoroço. 🙂

  9. Já percebi que você “salvador” é o nerd mor, e não aceita brincadeiras “minhas” no pseudo blog, mas as dos nerds de carteirinha vc até faz parte delas, compreensível, o homem é produto do meio em que vive.

      1. Este assunto não é mera ficção científica, vivemos nossas vidas sem nos preocupar com o espaço, como se não existisse perigo algum por lá. Mas a sobrevivência de nossa espécie depende muito do que acontece a milhões de km de distância. Neste exato momento, um desses asteroides pode estar em rota de colisão com a Terra e nem sabemos ainda…

      2. Gostaria muito de saber como você exercita a paciência, grande Salvador. Ser-me-ia de imenso valor…

  10. Faltou Apolinário e seus seguidores para sugerirem alguma receita, contra meteoros, tirada da Bíblia rsrs. Mas se Josué orou e o “Sol parou”, que dirá um asteroidezinho bobo. Ótimo post, Salvador

    1. Aliás, essa é uma boa pergunta ao Apolinário, se ele acredita que Josué fez o Sol parar (ou a Terra parar de girar)…

    2. Daniel, infelizmente a Escritura diz que virá sim, gigantescos meteoros contra a Terra cfe. profetizado por ex.: Lc 21:11
      “E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais DO céu.”

      Em Apocalipse também é dito que grandes pedras e “estrelas” cairão sobre a Terra.

      Este evento aqui da Sibéria (Russia) é uma pequena amostra do que virá!
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Evento_de_Tunguska

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