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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Chuva de meteoros, cortesia do Halley

Por Salvador Nogueira

Entre a noite de segunda (20) e a madrugada de terça-feira (21) chega ao seu ponto máximo uma das mais interessantes chuvas de meteoros anuais, as Orionídeas. O fenômeno é causado pelo encontro da Terra com a órbita do famoso cometa Halley.

Astrofotógrafo Phil Hart registra as Orionídeas em 2011; foto representa duas horas de observação.
Astrofotógrafo australiano Phil Hart registra as Orionídeas em 2011; foto representa duas horas de observação.

O astro passa por nossa região do Sistema Solar apenas uma vez a cada 76 anos — a última foi em 1986. Mas a cada passagem ele deixa uma boa quantidade de detritos em sua órbita, que adentram a atmosfera terrestre toda vez que nosso planeta cruza a trajetória do cometa, ao prosseguir em seu incansável balé em torno do Sol.

Ou seja, as estrelas cadentes que vemos no céu são pequenos pedaços do Halley que se desprenderam dele décadas ou séculos atrás e calharam de estar no nosso caminho. Ao entrar na atmosfera em altíssima velocidade, eles queimam. E com isso produzem o espetáculo luminoso que encanta os amantes do céu. Sem oferecer perigo algum, diga-se de passagem.

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Tecnicamente, são duas as chuvas anuais de meteoros associadas ao Halley. Afinal, o cometa tem uma trajetória de ida e outra de volta, e ambas cruzam a órbita da Terra. A primeira chuva é a das Eta-Aquáridas, que acontece em maio. A segunda é a de agora, chamada de Orionídeas porque o radiante (o ponto de onde parecem partir os meteoros, ao riscar o céu) fica na constelação de Órion.

Não sabe qual é? Fácil. Basta procurar as tradicionalíssimas Três Marias — elas compõem o cinturão do caçador Órion e são fáceis de reconhecer. Mais uma dica: a constelação estará nascendo no leste por volta das 23h (pelo horário de Brasília; se você não tem horário de verão, subtraia uma hora) e, a partir daí, vai escalando o céu até sumir de vista, com o nascer do Sol.

Carta estelar mostra o horizonte leste à 1h do dia 21, em São Paulo.
Carta mostra horizonte leste à 1h do dia 21, em São Paulo. O radiante das Orionídeas fica perto de Betelgeuse.

COMO OBSERVAR
Chuvas de meteoros são extremamente democráticas. Não é preciso instrumento nenhum para vê-las. Aliás, telescópios e binóculos só atrapalham. O segredo é basicamente se sentar confortavelmente num lugar o mais longe possível das luzes da cidade e com a visão mais ampla possível do céu.

Vale a pena tentar observar após a 1h, quando Órion já subiu um pouco no céu. Mas, caso você não tenha vista para o leste, não se preocupe: os meteoros parecem irradiar da região de Betelgeuse, a estrela vermelha e segunda mais brilhante da constelação, mas podem aparecer em qualquer parte do céu. Não é preciso olhar naquela direção para ver alguns deles.

A expectativa dos astrônomos para a chuva deste ano é de uma taxa de 12 a 25 meteoros por hora (frequência maior para quem está no Norte e no Nordeste do Brasil, menor para quem está no Sul). Mas nem vá pensando em ver todos. Esse número é o máximo possível, para quem observa o céu inteiro simultaneamente sob as melhores condições visuais. Ou seja, para meros mortais sem câmera para registrar o céu inteiro, não rola. O que dá para esperar, de forma realista, é uns cinco ou seis por hora.

Portanto, vale seguir o conselho que Gabriel Hickel, da Universidade Federal de Itajubá (MG), costuma dar: observe pelo menos uma hora para ver um número razoável de meteoros e não espere um show pirotécnico.

“Os meteoros desta chuva são de duração bastante curta (menor que 1 segundo) e de brilho mediano, mas cerca de 30% deles são mais brilhantes, de maior duração e apresentam o fenômeno de persistência da esteira de ionização (o material desintegrado forma uma “nuvem filamentar”, que dura alguns segundos)”, destaca Hickel. “Alguns ainda mais brilhantes podem literalmente dividir-se em partes menores.”

Vale lembrar que a Lua está quase em sua fase nova, de forma que seu brilho não ameaça estragar as observações. Bons céus!

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