Dançando com as estrelas

Salvador Nogueira

Há 70 mil anos, mais ou menos na mesma época em que nossos ancestrais iniciaram sua expansão para além da África, mal sabiam eles que um evento celeste ameaçava impor um fim abrupto e melancólico à experiência humana. Nessa época, uma estrela passou de raspão pelo nosso Sistema Solar, a uma distância mínima que chegou a ser inferior a um ano-luz. Se o astro tivesse chegado um pouquinho mais perto, poderia ter despertado uma chuva de cometas na direção do interior do sistema planetário que, sem dificuldades, apagaria nossa espécie do mapa-múndi. Felizmente não aconteceu, e a raça humana sobreviveu para desvendar mais essa incrível história.

A Estrela de Scholz e sua companheira anã marrom passaram a menos de um ano-luz do Sol (visto ao fundo) há 70 mil anos! (Crédito: Michael Osadciw/University of Rochester)
A Estrela de Scholz e sua companheira anã marrom passaram a menos de um ano-luz do Sol (visto ao fundo como uma estrela mais brilhante) cerca de 70 mil anos atrás! Ufa! (Crédito: Michael Osadciw/University of Rochester)

A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Eric Mamajek, da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e acaba de ser divulgada num artigo publicado no periódico “Astrophysical Journal Letters”. (Talvez você se lembre de Mamajek, que outro dia estava estudando um sistema de anéis que deixa o de Saturno no chinelo!)

Os cientistas analisaram um astro apelidado de Estrela de Scholz, em homenagem a seu descobridor, o astrônomo alemão Ralf-Dieter Scholz. Em 2013, ele encontrou o astro, hoje localizado a 20 anos-luz da Terra, em dados coletados pelo satélite Wise, da Nasa. (Oficialmente, a estrela tem o nome de catálogo WISE J072003.20-084651.2.)

Trata-se de um astro binário, composto por uma estrela anã vermelha, com cerca de 8% da massa do Sol, e por uma anã marrom (categoria que corresponde às “estrelas abortadas”, que não conseguiram juntar matéria suficiente para iniciar as reações nucleares que a fariam “acender”). E o que chamou agora a atenção para ele foi seu movimento. Ele parecia se deslocar muito pouco no céu, apesar da proximidade. Uma possibilidade de explicar isso seria imaginar que a maior parte da velocidade da estrela estaria numa direção de profundidade, imperceptível pela posição celeste — ou seja, ela podia estar se afastando ou se aproximando do Sistema Solar.

Dito e feito: medições da distorção da luz da estrela causadas por seu movimento indicavam que a Estrela de Scholz estava de fato se afastando do Sistema Solar. Começou então a saga de, a partir do movimento atual, reconstruir seu paradeiro no passado. Os pesquisadores realizaram 10 mil simulações independentes que refletissem a possível órbita do astro em torno do centro da Via Láctea. Em 98% delas, a estrela passava a mero 0,8 ano-luz de distância do Sol.

Se você trocar o ano-luz por uma medida mais convencional, como o quilômetro, talvez o valor não lhe pareça pequeno — são cerca de 8 trilhões de km. Mas, do ponto de vista interestelar, é literalmente como passar raspando.

É tão perto que a essa distância ainda devem existir objetos que orbitam o Sol — são os membros da chamada nuvem de Oort, um enorme repositório de cometas nas profundezas do Sistema Solar. Felizmente, a estrela “visitante” não passou pela região mais interna da nuvem, onde seria capaz de perturbar muitos objetos e atirar alguns deles na direção dos planetas — a Terra sem dúvida seria um dos alvos. (A chance de isso ter acontecido era bem pequena, mas não nula — em uma das 10 mil simulações realizadas, foi exatamente o que ocorreu.)

CARROSSEL OU ROLETA-RUSSA?
O trabalho é um lembrete importante de como são as coisas na periferia de uma galáxia como a nossa Via Láctea. O Sol viaja em torno do centro galáctico a uma distância de cerca de 30 mil anos-luz, o que o coloca numa região relativamente dispersa do disco galáctico. Ainda assim, temos muitas estrelas vizinhas que também seguem seus caminhos em torno do centro da galáxia — cada uma em sua órbita própria e com sua velocidade e direção. Embora olhemos para as estrelas no céu e as vejamos na mesma posição dia após dia após dias, com o passar de milhares de anos se pode perceber que elas não guardam sempre a mesma posição com relação a nós. Podem se aproximar e se afastar.

Colisões são raríssimas, mesmo nas regiões mais internas da Via Láctea, onde a densidade de estrelas é maior. Mas só uma passagem de raspão já pode ser o suficiente para desestabilizar o sistema planetário ou, no mínimo, causar uma certa bagunça em seu interior. O perigo, literalmente, mora ao lado.

Contudo, também há outro ângulo pelo qual olhar o achado. Podemos pensar que a humanidade está 70 mil anos atrasada. Talvez se tivéssemos evoluído um pouquinho antes, estivéssemos em boa posição naquela época para tentar inaugurar a era das missões espaciais interestelares. Uma tentativa feita agora de chegar à estrela mais próxima levaria uma espaçonave até Proxima Centauri, uma anã vermelha a 4,2 anos-luz de distância. Se partíssemos 70 mil anos atrás, poderíamos ter mirado a Estrela de Scholz, atravessando um quinto dessa distância: 0,8 ano-luz.

Ainda assim, não seria fácil. Nossas espaçonaves mais velozes já lançadas levariam 80 mil anos para chegar a Proxima Centauri. No passado, poderíamos ter realizado nossa primeira jornada interestelar mais depressa: 16 mil anos.

Tá, ainda não é muito factível. Mas essa é a tecnologia atual. Dois séculos atrás, o recorde de velocidade pertencia a locomotivas a vapor, e não passava de 150 km/h. Em 200 anos, multiplicamos a nossa velocidade máxima por um fator de 400 (a New Horizons, espaçonave mais veloz a partir da Terra, saiu daqui a quase 59 mil km/h). Se conseguirmos sucesso similar em mais dois séculos, poderíamos cobrir 0,8 ano-luz em meros 40 anos — um período bem razoável para uma missão espacial de longa duração. As sondas Voyager estão quase chegando lá (em tempo de viagem, não em distância), e seguem operacionais.

Claro, hoje não temos mais de atravessar 0,8 ano-luz para chegar à estrela mais próxima, mas modorrentos 4,2 anos-luz. Isso colocaria o tempo de viagem, mesmo com essa projeção tecnológica otimista, em pouco palatáveis 200 anos. Não chega a ser proibitivo, mas seria uma longa espera pelos resultados científicos. Viajar entre as estrelas não é fácil. Aparentemente, elas virem até nós é mais simples. Mas também é muito mais perigoso.

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Comentários

  1. Planeta X chegando,atrás do sol,nuvem de oort,já li muito sobre isso,tá me cheirando BUUUUUUM.Não tenha medo,se morrer descobrirá muita coisa nova,um espetáculo.

  2. Já me desculpando pela ignorância…, mas qual a diferença entre a “nave espacial mais rápida construída” (Voyager I = 278.280 km/h), para esta citada no texto do blog ” a “(a New Horizons, espaçonave mais veloz a partir da Terra, saiu daqui a quase 59 mil km/h)” ?

    1. Lucio, a New Horizons foi a mais rápida na saída, mas as Voyagers, depois de seus estilingues gravitacionais múltiplos, acabaram com velocidade mais do que a New Horizons…

      1. só pra ficar mais claro o que o Salvador chamou de “efeito estilingue”:

        http://astro.if.ufrgs.br/kepleis/node13.htm

        http://www.astronoo.com/pt/artigos/pontos-de-lagrange.html

        http://imagem.casadasciencias.org/online/37026431/40_movimento-tres-corpos_pontos-Lagrange-teoria.htm

        http://200.17.141.35/egsantana/celeste/kepler3/kepler3.html

        http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/66444/mod_resource/content/1/AGA0521-aula2b.pdf

        em resumo, são cálculos para usar a força da gravidade em favor do ganho de velocidade da nave ou satélite quando passa próximo a um corpo celeste (planeta, lua etc).

  3. Caro Salvador,

    Emendando essa estrela que passou de raspão, ontem uma bola de fogo passou por Nova York, vide:

    Bright Fireball Seen Over New York, Pennsylvania And Ohio. A fireball was seen over New York, Ohio, and Pennsylvania at 4:45 AM EST on February 17th. It was captured by three NASA cameras. The video came from a NASA camera located at Allegheny Observatory near Pittsburg, PA.

    http://digg.com/video/bright-fireball-seen-over-new-york-pennsylvania-and-ohio

    Minha dúvida é se a NASA tem tecnologia para rastrear meteoros ou detritos espaciais? (Por que parece que essa câmera já estava preparada para registrar a passagem dessa bola)

    E se existir essa facilidade, a NASA informaria algum desses eventos previstos para o BRASIL?

    1. Wagner, eu vi esse vídeo ontem. Muito legal. Aqui no Brasil, há uma rede chamada Bramon, que faz monitoramento de meteoros. Trabalho bem bacana. Mas, claro, praticamente todos eles não são passíveis de detecção prévia. Embora em um caso ou outro tenha sido possível identificar um asteroide (de pequeno porte) antes de ele adentrar a atmosfera e se desintegrar, esses casos são a minoria. Curiosamente, por esses dias, o pessoal do Bramon conseguiu registrar um meteoro, calcular onde ele caiu e foi lá recuperar o meteorito. 🙂

  4. Salvador, seria possível que foi esta estrela que causou as perturbações havidas há cerca de 60.000 anos? Há estudos que mostram que a espécie humana moderna teve um “gargalo” evolutivo, exatamente nessa época. E não foi só a humana, mas também raças de animais cuja história genética foi levantada, como a dos tigres da Bengala, por exemplo. Também data dessa época o aparecimento do Adão pelo cromossomo X (a da Eva foi na África, há cerca de 200.000 anos). Apesar de a estrela ser pequena, a perturbação gravitacional pode ter levado a eventos como desequilíbrio dos objetos da nuvem do Oort, como cometas e outros objetos, que podem ter levado até exatos 10.000 anos para colidirem com a Terra. E também poderia explicar por que há lacunas inesperadas no cinturão de Kuiper e dentre este e a da nuvem de Oort, segundo uma matéria publicada há pouco tempo nesta seção. Mas na verdade, acho que deveríamos era agradecer, pois isso pode ter forçado uma seleção evolutiva natural inesperada no qual resultou a moderna espécie humana – pois que teve muitas e muitas espécies homo anteriores, que viveram por períodos consideráveis – como a do Homo erectus e habilis, por quase 300.000 anos e acabaram se extinguindo! Que maravilha é a ciência moderna!… sou dos tempos em que usava um micrótomo rústico para preparar amostras para análise, em vez dos moderníssimos aparelhos eletrônicos!… Só posso estar feliz por estar vivenciando esta época de grandes revelações científicas.

  5. Salvador, será que nossos ansestrais notoram a olho nu a aproximação da estrela de Scholz a 70 mil anos atrás? Mesmo que somente como uma estrela de maior brilho e destaque entre as demais?

    1. Em condições normais, ela não seria visível a olho nu. Talvez, num momento de erupção intensa, pudesse ter por alguns dias chegado ao limiar de visibilidade.

      1. Verdade! Esqueci que o mundo tem só 6.000 anos! Cada um com a sua carochinha! Mas da minha eu ao menos peço evidências. 🙂

        1. Você meu amigo . as vezes e meio estupido nas suas resposta. ninguém nasce sabendo seja mas humilde meu amigo. gosto das matérias . mas lembre-se se ninguém comentar . aqui você perde o emprego na uol . então fé em deus brother ahhh. seja mas humilde nas suas respostas e nao seja tao se achando pica das galaxias ok .. abraços

  6. Talvez a passagem de uma estrela a menos de 1 ano luz seja algo raro, mas não há razão para desânimo.
    Como você mesmo disse, daqui a 200 anos, multiplicaremos a velocidade máxima por 400, 1,034 % ao ano. Portanto poderemos alcançar Proxima Centauri, não em 200 anos, mas em 255 anos. Oras, se 70 mil anos não é nada, o que são 55 meros anos ?
    Colcluindo, caso consigamos não nos destruir devido à evolução da tecnologia, é só uma questão de tempo e paciência para alçarmos tal tipo de viagem.
    A propósito, a evolução da tecnologia é, em parte, pelo risco da humanidade tornar-se inviável. A outra parte desta responsabilidade é a teimosia do ser humano.

  7. Para ter uma idéia melhor da escala da distância que essa estrela passou, imagine uma miniatura do nosso Sistema Solar que coubesse na palma da mão, com a distância entre o Sol e Netuno de apenas 1 centímetro. Nessa escala a menor distância que essa estrela esteve do Sol seria de cerca de 17 METROS. Muito longe para perturbar a órbita de qualquer planeta, poderia influenciar apenas a nuvem de Oort.

    Nessa mesma escala, a atual estrela mais próxima (Proxima Centauri) ficaria a cerca de 89 metros de distância. Salvador me corrija se eu estiver errado.

  8. Boa tarde Salvador,

    A algum tempo li uma publicação que afirmava existir uma estrela chamada Gliese 710 que estaria vindo em nossa direção (do nosso sistema solar)! E que passaria com alta probabilidade nas redondezas da nuvem de Oort (daqui a alguns milhões de anos)!! E as consequências o seu texto acima já menciona!! O que há de verdade nessa história??

    1. É isso aí. Em 1,4 milhão de anos, segundo um estudo de 2010. As medições do Gaia, mais precisas que as do Hipparcos, devem ajudar a precisar mais esse encontro.

  9. Oi, Salvador. Mais um artigo interessante para a coleção! Enquanto uns só pensam no Salvador dali do oriente médio e seu pai, ainda bem que nós temos o Salvador daqui (desculpe, não resisti desta vez). Depois da (justa) babação, vamos às minhas dúvidas.
    Você diz que estamos 70.000 anos atrasados, pois há 70.000 anos esse sistema binário chegou a 0,8 anos luz do sol, certo (ou não)?
    Não seriam 86.000 anos atrasados, já que teríamos que lançar uma sonda 16.000 anos antes desses 70.000 anos para que ela (com a tecnologia atual) chegasse à estrela de Scholz quando ela estivesse no ponto mais próximo do sol, há 70.000 anos atrás?
    Outra coisa: haveria uma probabilidade razoável de que poeira, detritos, asteroides que orbitavam a estrela de Scholz estejam agora orbitando o sol? Se sim, seria interessante podermos um dia recolher por aqui mesmo amostras de um outro sistema solar, não?
    Aquele abraço!

    1. Helios, estou na verdade supondo que em mais 200 anos teríamos tecnologia para fazer a viagem em 40 anos. E 200 anos a mais ou a menos pouca diferença fariam em “aproximadamente 70 mil anos atrás”.
      E sim, talvez haja amostras desse sistema por aqui. 😉

  10. Boa tarde Salvador.
    Já li que o ser humano suportaria no máximo viajar a metade da velocidade da luz, o que levaria quase 17 anos para ir e voltar a Próxima Centauri, porém para os astronautas esse tempo seria bem menor devido a velocidade. Você sabe dizer quanto tempo se passaria para eles? Seria interessante um post seu falando sobre viagens a velocidades próximas da luz.
    Abraço

    1. O ser humano não tem problema em chegar a velocidades arbitrariamente altas. O que pode matá-lo é a aceleração, que precisa ser bem lenta. Abraço!

    2. Viajamos pelo espaço a “apenas” um milhão de km por hora… 🙂

      http://super.abril.com.br/universo/terra-viaja-milhao-quilometros-hora-488825.shtml

      diz:

      “A velocidade que a Terra gira ao redor do Sol (translação) é cerca de 107 000 quilômetros por hora e a velocidade do movimento em torno de seu próprio eixo (rotação) é cerca de 1 700 quilômetros por hora na região do Equador, diminuindo quanto mais se aproxima dos pólos. “Existe ainda outro movimento que a Terra realiza junto com todo o sistema solar, que gira a cerca de um milhão de quilômetros por hora com relação ao centro da galáxia”, explica o astrônomo Augusto Damineli, colaborador da SUPER e professor do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo.

      Mas esses movimentos não são percebidos. Quando a velocidade é constante (não há aceleração ou desaceleração), como nos três casos, só é possível perceber o movimento se olharmos um referencial externo que está parado ou se movimentando com velocidade diferente. É o que acontece quando observamos as estrelas, por exemplo. Só que, como elas estão muito distantes, não se tem noção da velocidade em que a Terra está.”

    3. Viajando na metade da velocidade da luz, em direção ao sistema alfa centauri, os 40 trilhões de quilometros seriam cobertos em 5 meses e 20 dias para os astronautas que estivessem dentro da nave.
      Mas….. para quem estivesse na Terra, já teria passado mais de 150 mil anos
      ( segundo a teoria da relatividade geral )

      1. Tá errada essa conta. Na metade da velocidade da luz, uma viagem de ida até Alfa Centauri levaria oito anos pelo tempo da Terra. Não fiz as contas do tempo de bordo, mas desconfio que seja bem mais que seis meses. Os efeitos relativísticos só começam a ficar realmente radicais quando se aproxima pra valer da velocidade da luz. Pretendo fazer um post sobre isso num ponto futuro.

        1. Tem razão….dei uma viajada quanto ao tempo que passaria na Terra de 140 mil anos ( tá errado )
          Viajando á 300.00 kms/segundo, uma viagem para Alfa Centauri demoraria 51 meses aprox., pra quem estivesse na Terra.
          Mas para os astronautas dentro da nave, o tempo passado seria só de 2 meses e 20 dias.
          No meu cáculo bem simplista, se a velocidade for metade da veloc. da luz, teríamos 102 meses passados na Terra e 5 meses e 20 dias para os astronautas.
          Fonte : foi um programa de TV com o aval da própria Nasa

        2. para facilitar a vida:

          http://www.alunosonline.com.br/fisica/relatividade-tempo.html

          para compreender um sistema pitagórico intrínseco para a equação:

          http://www.infoescola.com/fisica/dilatacao-do-tempo/

          agora com dois observadores:
          http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilata%C3%A7%C3%A3o_do_tempo

          a mesma coisa de cima mas com maiores detalhes no cálculo:

          http://pt.wikipedia.org/wiki/Relatividade_geral

          para ficar um pouco tenso:

          http://pt.wikipedia.org/wiki/Equa%C3%A7%C3%B5es_de_campo_de_Einstein

  11. Salvador, pensando nessa questão da densidade a que estrelas próximas do núcleo da nossa galáxia estão sujeitas, pode-se dizer que há uma zona habitável para a vida (nem se caso, a periferia) também em escala de galáxia? Ou seria possível existir vida, assim como a conhecemos, perto do núcleo da galáxia, onde a gravidade seria muito maior? Abraços!

    1. Sim, muitos astrônomos defendem a existência de uma zona habitável galáctica! Tema pra post futuro, sem dúvida! Abraço!

    1. Com esse escudo denominado Rogério Ceni, depois de ontem, 18/02/2015, dá para ver porque o meteoro caiu aqui e acabou com os dinossauros… 🙂

          1. E mesmo assim sua defesa mais inesquecível para os rivais é aquela contra o Manchester United… 😛

  12. Salvador, muito me interesso pelas distâncias estelares e faço do seu blog a minha referência nos assuntos sobre ciência, admirando-o por isso; também terminei de ler nesta semana o seu livro “Extraterrestres”, o que me deixou ainda mais curioso sobre o tema, além de estupefato do quanto ainda temos para pesquisar e caminhar; porém, uma dúvida ainda persiste após ler o livro: procurando na internet encontrei duas referências sobre a distância relativa da estrela mais próxima, a Alpha Centauri: uma dizia que se o sol fosse comprimido ao tamanho de uma bola de futebol americano, a terra estaria a uma distância de 1 metro (uma bola de tênis) e, se fosse colocada no meio do Central Park em NY, a estrela mais próxima estaria no Hawai, a 8.000 Km; já outra publicação diz que, nas mesmas condições, ela estaria a 300 Km. Você teria esta informação para mostrar qual a distância correta?
    Isto nos daria uma boa idéia do que seria chegar chegar até ela. Abraço!.

    1. Acredito que a resposta certa seja 300 km. Mais precisamente 272 km, considerando 1 UA (distância Terra-Sol) = 1 metro e a distância entre Sol e Alpha Centauri como 4,3 anos-luz. 😉

  13. Talvez a teoria do planeta X e do segundo sol levantada anos atras agora nao seja tão absurda assim …

    1. é uma passagem normal porque as estrelas e seus sistemas estão em movimento dentro dos braços espirais da via-lactea, a nossa galáxia. Não confunda com objeto em órbita, não é o caso.

    1. Que bom pra você, continue a viver nessa ignorância e seja mais um cordeirinho pacífico manipulado pela mídia capitalista.

      Vish, bateu um “Brazillian Puppets” aqui agora..

      UHAUHAHU

  14. Me referi a uma viagem interestelar. Até a metade da distancia entre uma estrela e outra, existe condições de superar essa distancia com a velocidade de escape usado no lançamento
    das Voyager? Se elas só chegaram onde estão, arremessadas pela força gravitacional dos planetas. Mas acabam perdendo velocidade e então numa Elipse mesmo que seja muito longa, retornam?

  15. Caro Salvador, excelente como sempre. Sobre essa questão das velocidades, uma atração com um corpo mais denso e de maior massa não aumentaria consideravelmente a velocidade de uma nave, ou sonda? Foi mais ou menos o fez a ESA com o projeto ROSETTA. Portanto, isso não seria um caminho?

  16. Se a luz é formada por ondas, os componentes das ondas viajam a velocidade maior do que a da luz… pois, no mesmo período de tempo, percorrem um trajeto maior entre os pontos A e B do que a própria luz. Então, a velocidade da luz não é a maior velocidade possível. É isso?

      1. Mas e o afastamento das galaxias , sempre ouvi dizer que são maiores que a velocidade da luz, por isso o brilho de todas as estrelas do universo nao chegam até nós.

        1. Não é verdade que elas se afastem mais depressa que a luz. O que aconteceu foi que, logo no início do Universo, ele se expandiu mais rápido que a luz viaja. Mas aí note que foi o espaço que se expandiu. Nada se moveu mais depressa que a luz, salvo o próprio espaço. 🙂

          1. A constante de Hubble é modernamente calculada como 71 km/s/Mpc (+ ou – 7). Ou seja, a cada megaparsec (3,26 milhões de anos-luz) o Universo se expande 71 km por segundo. Quanto mais distante o objeto, mais rápida sua recessão (a pista que Hubble usou para descobrir a expansão do Universo).

    1. A questão da velocidade da luz é realmente assombrosa.

      Dois trens viajando em sentidos opostos a 100 km/h em relação ao chão, estarão viajando a 200 km/h um em relação ao outro…

      Agora, se estiverem viajando à velocidade da luz, em relação ao chão, estarão viajando na mesma velocidade da luz um em relação ao outro!

      É muito louco, n’é não? A Física é fascinante! 🙂

  17. A internet está cade vez mais abarrotada de conteúdo inútil, pelos quais não vale a pena perdermos 20 segundos das nossas vidas; esta coluna maravilhosa, com merecido louvor, conseguiu ficar de fora desse universo virtual de futilidades. Parabéns ao UOL/Folha e podem triplicar o salário do Salvador Nogueira, esse rapaz é digno de merecimento..hehe.

      1. Aí, Salvador: O Antônio (seu irmão?, primo? amiguinho?) tenta fazer justiça… Seja lá quem for o Antônio, você merece.

  18. Acredito que não precisamos nos preocupar com o futuro da humanidade pois do jeito que vão as coisas(falta de alimento, de agua, falta de controle populacional, aumento do arsenal atómico, do terrorismo etc etc etc) acredito que em meros mais 100 ou estaremos extintos ou vivendo novamente(os que restarem) em cavernas.
    Como dizia aquele sabio: a terceira querra mundial será atomica mas a quarta será com arco e flexa) e não está dificil ambas acontecerem dentro de apenas 1 seculo.

  19. Salvador: quem foi numero 1 – Eientein ou Newton ? Gostaria de mais informações sobre as Voyager I e II.

    1. Se houvesse um número 1 dos sábios da CiÊncia, eu diria que foi Galileu Galilei, que criou o Método Científico.

      Newton disse que ele repousava sobre o ombro de gigantes, referindo-se aos pesquisadores anteriores a ele, desde a Grécia antiga e com certeza, Einstein estava sobre os ombros de Newton, Maxwell e muitos outros que surgiram depois de Newton.

      A Ciência (o conhecimento humano) é uma obra construída com tijolinhos individuais que nunca estará finalizada.

      Quanto às Voyager I e II: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2013/09/13/voyager/

      Sugiro também buscar no site da NASA e na Wikipedia. Tem muita coisa boa sobre elas ali.

      1. O maior cara da ciência é Aristóteles. É um dos poucos realmente adiantando no seu tempo. Ele criou a verdadeira teoria do tudo (equivocada, mas genial).

        1. Todos eles eram homens de seus tempos, com as limitações dos conhecimentos de suas épocas. E todos eles merecem nossa homenagem pelo que fizeram.

  20. Salvador com os estudos deste fato, há indicios ou sinais de “pertubações” atmosféricas nos planetas de nosso sistema? Há possibilidade de que por exemplo os efeitos climaticos em Marte podem ter alterado abruptamente com este fato ocorrido? Desculpa se perguntei besteira..rsrs

  21. Siderius Nuncius

    Einstein disse (em Aforismos para Leo Baeck no seu livro Como vejo o mundo)
    “Para ser um membro irrepreensível de uma comunidade de carneiros, é preciso, antes de tudo, ser também carneiro”.
    Citar Einstein, entendo , é um ótimo começo para ser aceito pelos devotos da ciência. Ainda que Einstein tenha sido fortemente contradito pelo grande físico brasileiro
    César Lates , descobridor do Meson Pi e a quem foi negado o prêmio Nobel da década de 1950 por não comungar com as teorias do clero científico.
    Einstein também foi contradito por Tesla , que proporcionou ao mundo a difusão prática e barata da eletricidade através da corrente alternada.Mas ao citar Tesla já me arrisco a ser excomungado.
    Talvez melhor fosse citar algo de Carl Sagan que , entre outras coisas, foi grande difusor do ateísmo de forma dogmática. Sagan ao tratar do fato que os Dogons (povo da África melhor estudado a partir do sec XIX ),ter conhecimento da companheira de Sirius (no caso Sirius B anã branca), afirmou que provavelmente ouviram isto em seus primeiros contatos com ocidentais. Afirmou ainda que poderia ser o caso de um Dogon com alta acuidade visual ter observado Sirius B …Tais teorias de Sagan tiveram ampla difusão.Mas quando antropólogos que conviveram por décadas com os Dogons demonstraram o absurdo das teorias de Sagan tiveram suas publicações vetadas. Assim, publicaram uma carta aberta: “On the Sirius mystery:An open letter to Carl Sagan from Robert K.G. Temple”. Pdf desta esta disponível na internet.Entre outras coisas cita que deveria de fraudar objetos que descrevem Sirius B na cultura Dogon por mais de 500 anos simulando sua antiguidade para que a afirmação de Sagan pudesse ser aceita.Onde tudo isto se encaixa no tema do tópico: Recentemente (fev/2015) astrofísicos britânicos e espanhóis voltaram com o tema recorrente da perturbação das orbitas de objetos trans-netunianos , explicadas segundo os mesmos pela provável existência de dois novos planetas de grande massa. O astrônomo John Murray deduziu o mesmo há anos, a partir da perturbação de grupos de cometas da nuvem de Oort.Nada “provado”. Assim também as observações astro-métricas efetuadas pelo astrônomo Peter van de Kamp em relação a estrela Velox Barnard acusavam a existência de ao menos 2 exoplanetas maiores que Jupiter muito antes de se falar em exoplanetas. Porém , seus 50 anos de observações foram devidamente colocados na lata de lixo pelo clero científico.Então, cada um que acredite no que quiser.

    1. Concordo em quase tudo, menos com a frase final.
      Leia Thomas Kuhn, que tudo fará sentido…
      E, mesmo assim, e apesar do mainstream, a ciência continua necessária!

      1. Não é possível negar que a ciência e a técnica sejam necessárias ao homem , desde que colocadas a serviço do homem , da vida e do bem estar comum.As etapas preconizadas por Kuhn, Estabelecimento de um paradigma;Ciência normal;Crise;Ciência Extraordinária;Revolução científica;Estabelecimento de um novo paradigma, talvez ocorram ao longo das décadas , mas não se pode afirmar que em todos os casos. O pior é não poder se afirmar que serão sentido que cito na primeira frase. A ciência alijada de espiritualidade, o intelecto alijado da emoção superior, somente produzirão uma “civilização” de psicopatas ou no mínimo esquizofrênicos. Vejamos a Revolução francesa quando se usou os termos direita e esquerda (facções que ocupavam as cadeiras a direita e a esquerda do parlamento): Ambas facções “revolucionárias” cobiçavam ardentemente o poder. A ala mais radical , a esquerda ateísta e a mais sedenta de sangue, matava religiosos como quem corta grama, mas estranhamente criou uma espécie de religião que louvava a “deusa” razão. Colocou prostitutas nuas nos altares das igrejas para simbolizar a sua “deusa”. Depois, do “Terror” , abriu-se espaço para um oficial, que fora muito eficiente em eliminar a aristocracia -Napoleão- que mergulhou a Europa em um banho de sangue. Pulando algumas décadas , e milhões de mortos, chegamos a I guerra mundial, em que o químico Fritz Haber (posteriormente premio Nobel de química pela síntese da amônia- “louvado” seja “sancti” Haber) sugeriu o uso do gás cloro para forçar os soldados para fora das trincheiras. Na primeira “aplicação” foram 20.000 mortos afogados em seu próprio muco (20.000 mortos hoje é uma cifra irrisória). É esta a evolução da ciência, nossa “salvadora”?Tendemos julgar estes fatos como acidentes de percurso, ignorando aspectos como a entropia que nos faz , cada vez mais estarmos mergulhados em lixo, em um ambiente degradado (em todos sentidos) onde nem agua para beber se tem.Logo este aglomerado fratricida, que nos atrevemos chamar de civilização, contará seus mortos aos bilhões.É o progresso!

    2. O amigo deve separar duas coisas: a Ciência, que não tem credo, tem perguntas cujas respostas são sempre provisórias e a Vaidade Humana, que também afeta os cientistas.

      Quanto aos Dogons, que não conheço, mas conheço um pouco a natureza humana e a história dos povos, pode ser que eles apenas imaginaram Sírus como uma “estrela mãe” que deveria ter um “filho”, e acertaram. Pode ser algo assim simples. Acreditar que eles enxergaram a estrela dupla, sem uma luneta, já é mais improvável.

      1. Para quem não quer fazer especulações, baseadas em seu prejulgamento, aqui está o link para a referida carta aberta(em inglês):
        http://www.robert-temple.com/papers/Sirius_Sagan.pdf
        Porém, os devotos de tal ou qual ponto de vista lerão para validar o seu ponto de vista em detrimento do de outra pessoa. Mas , como disse, que cada um pense como julgar melhor.
        Isto,porém, me faz lembrar alguns capítulos das Viagens de Guliver (longe de ser um livro infantil) onde retrata os habitantes de uma ilha que flutuava por magnetismo.Estes viviam perdidos em suas especulações e devaneios , precisando de serviçais para lhes chamar atenção quando alguém lhes falava , para não caminhar ao precipício e em geral nos detalhes práticos da vida.
        Alias, estes mesmos personagens, desta obra de ficção de 1726, tinham um telescópio que lhes permitia observar as luas de Marte.Neste livro o autor fornece as distâncias relativas das luas de Marte e seus períodos orbitais. Estranhamente estes satélites somente foram observados por Asaph Hall em 1877 , 151 anos depois do livro de Jonathan Swift.Seguindo o raciocínio do amigo acima (se, por favor, me permite) isto seria “explicado” pelo fato de “Swift julgar Marte muito vermelho, e , portanto, deveria estar fortemente contrariado pelas traquinagens de filhos que deveria ter.” Se Swift detalhasse ainda que Fobos nasce no oeste marciano e Deimos no leste, justificaria ainda mais a contrariedade de Marte e seu rubor.Mas já me alongo, parecendo alguém que ao visitar casa alheia fala demais sobre assunto inconveniente e , a certa altura, ninguém mais esta prestando atenção. Então, perdoem-me.

  22. Salvador, e aquela russa de 13 anos que elaborou um projeto de nave interestelar, será viável ou é pataquada? Pelo projeto em 40 anos estaríamos em Alpha Centauro….

  23. Será que a teoria de HERCÓLUBUS se aplica a esse acontecimento e que será aplicável futuramente? Só esperar por mais estudos.

      1. O saudoso Carl Sagan dizia que o Universo pode ser uma experiência tanto incrível quanto decepcionante, depende de como o contemplamos. Muitos cientistas passaram uma vida toda dedicada à ciência, esperando pelo grande acontecimento de suas vidas, mas tiveram que se contentar com a monotonia cósmica. Eta Carinae pode já ter explodido como supernova quando Colombo descobriu a América, mas só saberemos daqui 7 mil anos. Louco isso, não? Por isso não estranho inventarem os Hercólubus da vida.

    1. O saudoso Carl Sagan dizia que o Universo pode ser uma experiência tanto incrível quanto decepcionante, depende de como o contemplamos. Muitos cientistas passaram uma vida toda dedicada à ciência, esperando pelo grande acontecimento de suas vidas, mas tiveram que se contentar com a monotonia cósmica. Eta Carinae pode já ter explodido como supernova quando Colombo descobriu a América, mas só saberemos daqui 7 mil anos. Louco isso, não? Por isso não estranho inventarem os Hercólubus da vida.

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