Navegando ao sabor do vento solar

Salvador Nogueira

Nas Grandes Navegações, embarcações à vela eram conduzidas sem qualquer forma de propulsão própria, viajando ao sabor do vento, durante as longas travessias oceânicas. Agora, novas espaçonaves começam a se preparar para fazer a mesma coisa, só que no espaço — são os veleiros solares. Nesta quarta-feira (20), a ONG Planetary Society vai lançar ao espaço seu primeiro satélite do tipo, impulsionado apenas pelo suave sopro do vento solar.

Concepção artística da LightSail-1 no espaço; veleiro solar será lançado na quarta-feira (20) (Crédito: Planetary Society)
Concepção artística da LightSail-1 no espaço; veleiro solar será lançado na quarta-feira (20) (Crédito: Planetary Society)

Chamado de LightSail-1, ele se destaca por algumas características. A mais marcante é que, sendo um produto de uma instituição não-governamental, ele foi desenvolvido totalmente com recursos privados (mais de US$ 4 milhões foram investidos até agora). Em segundo lugar, ele também se beneficiou da recente miniaturização de sistemas para satélites. O LightSail-1 é um “cubesat” com 4 kg e 30 centímetros de comprimento — mais ou menos do tamanho de uma embalagem de pão de forma.

Contudo, assim que chegar ao espaço, pegando carona num foguete Atlas V (que, por sinal, terá como carga principal um daqueles mini-ônibus espaciais misteriosos da Força Aérea americana), o LightSail ficará enorme. Dele se abrirão quatro grandes velas solares triangulares, com área total de respeitáveis 32 metros quadrados (basicamente um quadrado de 5,6 metros de lado).

LUZ QUE EMPURRA
Um veleiro solar funciona usando a luz que vem do Sol como propulsão. Cada partícula de luz produz um empurrão muito suave nas superfícies que toca, e se a superfície for suficientemente grande, e a nave suficientemente leve, isso é o que basta para obter aceleração para viajar pelo espaço, uma vez que se vence o poderoso campo gravitacional da Terra.

É um empurrãozinho de nada, é verdade, mas a vantagem é que ele é sempre constante — o Sol não para nunca de brilhar. Combustível é desnecessário para acelerar o veículo. Então, imagine um empurrãozinho agindo durante meses e anos, aumentando gradualmente a velocidade da nave. Com habilidade e controle, é possível levá-la a qualquer parte do Sistema Solar (claro, tudo vai ficando mais difícil conforme se afasta do Sol, e o nível de luz diminui, mas ainda assim é teoricamente possível ir bem longe desse jeito).

Honestamente, os veleiros movidos a luz são hoje a única tecnologia conhecida que pode de fato realizar missões interestelares — ou seja, capazes de atravessar num tempo razoável a distância entre o Sol e as estrelas mais próximas. Alguns conceitos de missões (tripuladas e não-tripuladas) até as estrelas mais próximas com veleiros já chegaram a ser rascunhados (eles envolviam, além do veleiro em si, poderosos lasers espaciais para focar a luz sobre a vela quando ela já estivesse bem longe do Sol). Mas, claro, tudo isso ainda está muito longe de nossa capacidade de engenharia atual. De toda forma, são uma luz no fim do túnel no espinhoso problema do voo interestelar, e missões como a LightSail são um passo na direção certa para demonstrar conclusivamente o potencial dessa tecnologia.

Nesse lançamento inicial, os sistemas do veleiro serão testados, mas ainda não produzirão efetiva navegação por luz. Como o cubesat será colocado numa órbita baixa, o arrasto provocado pela atmosfera terrestre sobre a grande superfície das velas acabará fazendo com que ele volte para o chão em pouco tempo. A proposta nesse primeiro momento é testar a capacidade de abrir as velas no espaço e controlar a orientação do veículo. Se tudo correr bem, no ano que vem voa o LightSail-1 para valer, que usará suas velas para navegar por luz.

VELHA AMBIÇÃO
Construir um veleiro solar já está nos planos da Planetary Society há décadas. A organização fundada por Carl Sagan, Bruce Murray e Louis Friedman chegou a construir um, batizado de Cosmos-1, e tentar lançá-lo em 2005, mas o foguete russo Volna que iria colocá-la em órbita deu chabu. Com isso, a ONG perdeu a chance de ser a primeira organização a operar um veleiro no espaço. A honra recaiu sobre a Jaxa, agência espacial japonesa, com sua sonda Ikaros, que viajou na direção de Vênus e testou esse modo de propulsão de forma bem-sucedida em 2010.

O LightSail, por sua vez, herdou tecnologias desenvolvidas pelo projeto NanoSail-D, da Nasa, que chegou a colocar em órbita um veleiro “cubesat”, mas com velas menores (área de 10 metros quadrados).

O entusiasmo pela missão é inegável, não só pelas possibilidades abertas pela tecnologia de navegação por velas solares, mas também pelo nível de participação popular que a missão realizada por uma instituição privada permite. A Planetary Society criou uma campanha de arrecadação pelo site Kickstarter, com a meta inicial de recolher US$ 200 mil. Em poucos dias, o valor obtido já passou de US$ 500 mil e agora a ONG espera atingir US$ 1 milhão. É uma amostra eloquente de como a exploração espacial é popular e cativante.

De minha parte, estou ansioso para ver que imagens a LightSail irá enviar de si mesma e de nosso belo planeta. E você?

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Comentários

  1. Olá Salvador, poderia ajudar na seguinte dúvida? Se um veleiro solar, utiliza ventos solares, por meio da luz empurrando as velas, pela lógica, tais veleiros só poderiam se locomover a partir da terra em direção à parte exterior do sistema solar? Em caso afirmativo, como a sonda Ikaros conseguiu viajar na direção de Vênus, ou seja, em sentido contrário aos ventos solares(imagino que este trajeto seria na direção do sol)?

    1. Rodrigo, você pode até viajar para dentro do sistema, mas precisa de um esquema complicado em que uma vela maior rebate a luz na direção de uma vela menor, para ela ir na direção oposta à do Sol. A Ikaros, contudo, foi pra Vênus porque voou junto com uma outra sonda japonesa que ia pra Vênus, com propulsão convencional. Aí, no caminho, ela usou as velas para manobrar e testar a tecnologia.

      1. Como sempre, parabéns pelos textos. Off topic: Ah! Obrigado pelo link sobre telescópios que indaguei outro dia. Forte abraço.

  2. Uma dúvida de leigo. Recentemente assisti ao filme “Gravidade”, no qual praticamente tudo é destruído pelo lixo espacial, exceto a bela protagonista. Também sabemos que o espaço é cheio de rochas e meteoros vagando a esmo, alguns em alta velocidade. Então vai aí uma pergunta boba: qual a chance dessas “velas espaciais” ficarem intactas, sem se chocarem com alguns desses objetos numa órbita terrestre ou numa viagem mais longa?

    1. Elas provavelmente sofrerão danos menores, como tudo que fica muito tempo no espaço, mas nada que possa prejudicar sua missão. O impacto contra algo mais que poeira espacial é improvável, e só aconteceu no filme “Gravidade” justamente porque a destruição de um satélite provocou uma reação em cadeia, onde muitos detritos ocupam órbitas extremamente próximas, criando uma camada intransponível de lixo espacial.

  3. Olá, Salvador, fiquei com dúvida nesse ponto: “[…] eles envolviam, além do veleiro em si, poderosos lasers espaciais para focar a luz sobre a vela quando ela já estivesse bem longe do Sol.”
    Isso daria certo mesmo, ou seria como uma força interna, que não acarreta variação no momento?

    1. O laser não seria instalado na nave. Ficaria numa órbita perto de Mercúrio, colhendo luz do Sol e disparando a luz de forma concentrada na direção da vela, atingindo-a em cheio mesmo quando ela estivesse bem longe do Sistema Solar. Para isso, também seria necessário construir uma enorme lente focalizadora lá na órbita de Netuno. Ninguém disse que seria fácil. 😉

      1. Por isso não acredito nestes tipos de propulsão. São mais visionários e “artísticos” que passíveis de realidade.

        O que realmente irá impulsionar nossas futuras naves (caso a raça humana realmente tenha algum futuro) será a boa e velha energia nuclear e motores iônicos.

  4. Espero que tudo dê certo e em breve poder apreciar as belas imagens enviadas por esse ”veleiro’.

  5. O LightSail-1 possui alguma missão específica além de tirar fotos? Ou o objetivo é apenas testar a nova tecnologia de navegação espacial?

  6. Salvador, que projeto fantástico. Estamos aqui porque sempre tem alguém que pensa à frente.
    Abraços
    Elis
    E quanto às fotos, não vejo a hora

  7. Salvador,

    Estes sites de financiamento coletivo viraram febre nos EUA e estão promovendo desenvolvimento científico real. Com a democratização do financiamento algumas iniciativas científicas e tecnológicas estão se saindo muito bem. O Brasil já tem este tipo de serviço e eu cheguei a testar alguns. Mas a diferença de interesse é gritante.

    1. Verdade, aqui a cultura do crowdfunding ainda não chegou. Nem sei se vai chegar. O brasileiro em geral é muito acomodado. A gente acha que o governo tem que dar tudo na nossa mão, o tempo todo, a vida toda, e a gente não tem de pagar nada. Eu sei lá de onde veio esse nosso espírito paternalista, mas ele não favorece iniciativas coletivas como essa.

      1. Salvador, excelente ponto.

        Eu há alguns meses venho falando sobre isso com pessoas próximas, mas nunca coloquei a expressão “paternalista”. Vou utilizá-la a partir de hoje! Muito obrigado 🙂

      2. O brasileiro deseja sempre um Pai da Pátria que o sustente. Nossa cultura nos faz pensar que somos eternas crianças.

      3. Acredito que a questão não seja antropológica, então, por que a Igreja Universal construiu um templo bilionário e possui uma rede de TV com a ajuda dos dízimos de seus seguidores , e outra, não é somente a Universal são dezenas de igrejas que não pagam impostos e tem universidades e horários nobres e milionários na televisão? Vamos reunir a Sociedade Astronômica brasileira e pedir consultoria ao Edyr Macedo.

        1. Note que essa gente toda que dá dinheiro ao pastor está em busca do bom e velho paternalismo e assistencialismo — só que de origem divina, no caso. Ninguém dá dinheiro ao pastor por altruísmo. Muito pelo contrário, o pastor promete que, dando a ele, o fiel receberá em dobro de Deus. Nesse sentido, vejo total alinhamento entre o sucesso dos pastores na arrecadação de verbas e a busca do brasileiro pelo paizão que vai entregar tudo na mão.

          1. É isso mesmo ,Salvador , acertou na mosca.O fim é um só , paternalismo , mas às vezes o lobo se fantasia de ovelha para garantir a proteção paternal.

          2. Gostaria de dizer ao blogueiro que ele está absolutamente enganado quanto ao papel exercido pelas Igrejas Neopentecostais no Brasil. Ninguém paga o dízimo esperando algum tipo de assistencialismo, pelo contrário, geralmente o que é oferecido em troca são oportunidades de trabalho e de inserção social. O dízimo não é um “bolsa família” às avessas. É uma contribuição destinada a fazer com que a Igreja cresça e faça com que outras pessoas possam ser reintegradas ao sistema produtivo. Tenho a satisfação de lhe dizer que o crescimento de nossas Igrejas no Brasil reflete exatamente o contrário do seu ponto de vista: ninguém espera nenhum favor de Deus e muito menos alguém para “entregar tudo na mão”. Todos trabalhamos e produzimos. A Igreja Evangélica gera mais emprego e renda do que qualquer programa social do governo e muito mais do que muita empresa privada que existe por aí. Acompanho o seu blog com alguma frequência e faço essa correção, respeitosamente, sugerindo ao blogueiro que se informe mais sobre o assunto e que não se deixe levar por imagens estereotipadas, destituídas de credibilidade, veiculadas por certos setores da mídia. Obrigado.

          3. Carlos, não dá para discutir igreja por igreja. Mas a Universal segue a “teologia da prosperidade”, que sugere exatamente o que descrevi: ao dar o dízimo, você receberá mais ainda de Deus. http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_da_prosperidade

            Não discuto que existam igrejas que arrecadem sem fazer menção a isso — a própria Igreja Católica não se assenta nessa ideia. Mas garanto que as que assim o fazem arrecadam bem menos do que as que prometem recompensas divinas.

            Abraço!

          4. O crente paga o dízimo por dois motivos: garantir um lugar no céu e receber ainda em vida ajuda divina. No primeiro, ele está atendendo a uma chantagem, no segundo, comprando um favor imediato.

            Pagar o dízimo é demonstração de egoísmo e de insegurança.

          5. Carlos, deixo aqui uma passagem atribuída ao sr. Edir Macedo enquanto ensinava seus pastores como cobrar dízimos, fica como reflexão:

            “Tem de ser assim: Você vai ajudar na obra de Deus? Se não quiser ajudar, Deus arrumará outra pessoa para ajudar. Entendeu como é que é? Se quiser [dar dinheiro], amém, se [o fiel] não quiser. Ou dá ou desce”

    2. Ainda sou favorável a que se dê destino dessas verbas a minorar o sofrimento desses sofredores que buscam outras pátrias. E não precisaríamos experimentar um vento tão distante. A ciência assim praticada está carregada de escondido egoísmo.

  8. Salvador, é certo falar que a gente tá viajando pelo vácuo a 220km/s junto com o sol orbitando a via láctea ou entra mais conta nessa parada?

    1. Não chequei o número, mas é certo que acompanhamos o Sol em torno do centro da Via Láctea.

    2. não acéfalo se está viajando lá não é vácuo, não está vazio você com sua imensa grandeza se fazem presente preenchendo o nada.

      1. Não entendo seu relincho (muito sutil por sinal hehe), cara. Perdeu as estribeiras por algo que nem tinha a ver contigo? Ainda faltou a concordância.
        Adeus língua portuguesa…

        Ah, tinha me esquecido, é tu de cujus. Deixa pra lá, assim que você terminar o primário nos falamos.

          1. Ahhh sim, minha grandeza

            muito gentil de sua parte, obrigado

            modéstia à parte, meus amigos sempre me chamaram de o Grande 😉

    1. Muito pouca. Com esse protótipo, mesmo numa órbita mais alta, tudo que eles conseguirão demonstrar é controle de orientação e manutenção de órbita.

        1. A rigor, a influência gravitacional nunca cai a zero, não importa a distância. Mas a gravidade do Sol é desprezável na escala interestelar.

  9. Estou muito animado com a iniciativa privada encampando projetos próprios… Acompanho sempre que posso as novidades da SpaceX, Planetary Society, Planetary Resources e Virgin Galactic.

  10. Olá Salvador. O Mensageiro Sideral continua cada vez melhor. Mas é uma pena que agora, para visualizar o site seja preciso passar pela página da UOL. Quando a gente vai fazer o cadastro o sistema não funciona bem, uma forma de nos obrigara a entrar em contato com o setor de assinaturas da empresa. Poder econômico 1 X Ciência 0.

    1. Pois é, já passei esse problema do cadastro adiante. Ao que parece, se você se cadastrar via rede social, funciona.

  11. É animador, partindo da idéia que essa tecnologia incipiente pode se desenvolver e ser aprimorada em muito . O problema é o tempo, antes de conquistar o espaço temos que conquistar o tempo

  12. Desta vez estou de pleno acordo. A iniciativa privada desenvolveu totalmente o projeto e sua execução. Nada de dinheiro público, que deve ser investido em necessidades básicas da população. Numa época como a nossa em que mesmo os países mais ricos do mundo estão com dificuldades econômicas, me parece o mais sensato a fazer.

          1. Ensinar a pescar, não dar o peixe, resumindo, tirar as tetas do governo de ação após criar condições de uma educação digna e plena.

        1. Alimentação e saneamento básico não? Ou entram em “saúde”?
          Água, energia elétrica? Não são básicos hoje em dia?
          Infraestrutura não é uma necessidade básica?

          Não é tão simples assim Oswaldo, e ainda tem um outro complicador: em vários setores, como a saúde, o governo funciona como um atravessador, aumentando o custo final da coisa toda. Tipo, tem muita gente que acredita que a saúde seria melhor se fosse deixada nas mãos da iniciativa privada e livre concorrência…

      1. Posso definir perfeitamente as necessidades básicas para um país como o nosso: saneamento básico, alfabetização, sistema público de ensino eficiente, serviço público de saúde que funcione, ruas e avenidas asfaltadas decentemente, tratamento do lixo urbano, limpeza urbana, sistema de transmissão de energia subterrâneo, solução do déficit habitacional…Todas essas carências podem ser atendidas apenas com a tecnologia do século XX. E algumas delas saem muito mais baratas do que essa missão espacial…

        1. Monitoramento de desmatamento ilegal e controle de fronteiras são necessidades básicas? Telecomunicações? Defesa?

    1. “me parece o mais sensato a fazer”

      Pois é, mas mais uma vez você está completamente enganado.

      Tente de novo.

    2. Necessidades básicas que são atendidas por desenvolvimento científico e tecnológico advindos de iniciativas como essa.
      Palmas para os veleiros solares, e que venham mais!

    3. amigão, investimento é investimento, é algo que pode ter retorno. entao mesmo dinheiro publico aplicado corretamente pode render retorno. prefiro meu dinheiro aplicado em ciencias que em qualquer coisa com relação à igrejas e religioes, igrejas que nao trazem benefícios pra ninguem fora os donos. nisso ninguem reclama de dinheiro publico neh

      1. Até porque se eu pago meu dizimo por exemplo, o dinheiro não é público, não é?

        1. Tem a bênção do governo, já que é livre de impostos assim que sai do seu bolso e cai nos bolsos sagrados.

  13. Salvador, à título de exemplo voce poderia nos informar qual a aceleração teórica que uma nave com as caracterísiticas da LighSail, estaria sujeita nos mares siderais?

  14. A experiência em si já é fascinante, uma ONG voltada para disseminar o conhecimento conseguir projetar e executar essa nave é muito auspicioso!

    Vida longa às LightSails!

  15. Legal! A ideia é mandar essa nave pra algum lugar específico? Vc sabe se há nela algum tipo de câmera pra tirar fotos e mandar pra gente ?D 😀

  16. quando eles vão usar a dobra espacial, sabe porque
    para chegar até a estrela mais próxima usando um veleiro espacial talvez leve uns 7 ano luz, então capital kirk ordena o uso da dobra espacial. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    faz me rir.

    1. “quando eles vão usar a dobra espacial”

      Quando ela deixar de ser ficção. O que pode levar muito tempo, ou até mesmo nunca acontecer.

  17. Não se lembraram do grande escritor de ficção científica Arthur Clarke, autor da idéia, em seu conto O Vento Solar, de 1972.

  18. Vale destacar que um dos nomes por trás da Planetary Society (e inclusive o moço que ilustra a campanha do Kickstarter) é o Bill Nye conhecido como “Science Guy”, um dos maiores divulgadores de ciência nos EUA.

    🙂

  19. Olá Salvador,

    Existe alguma estimativa de velocidade que poderá atingir uma nave deste tipo e como seria o freio ?

    Como sempre um ótimo artigo, obrigado.

    1. Tudo depende do peso e do tamanho da vela. No caso desse protótipo, só manter a órbita.

  20. Olá, amigo, gosto muito do seu blog.
    Como não sou versado em física, pergunto-lhe: Porque é necessário que a nave tenha que ser suficientemente leve, se no espaço sideral os objetos perdem peso?
    Poderia me explicar, por favor?
    Obrigado

    1. Paulo, apesar de não haver sensação de peso, há inércia — a tendência de um objeto de conservar seu estado de movimento é proporcional à massa.

    2. Apenas tentando esclarecer, peso é a força com que a Terra atrai um corpo, o que depende da massa do corpo, da massa da Terra e da distância entre eles.

      No espaço, como a distância é muito grande, o peso diminui, mas a massa não. Conforme diz a segunda lei de Newton, a aceleração que um corpo sofre depende da força e da massa (ela é igual à força dividida pela massa).

      Então, para a mesma força do vento solar, quanto menos massa, mais acelerada ela será.

  21. Olá, amigo, gosto muito do seu blog.
    Como não sou versado em física, pergunto-lhe: Porque é necessário que a nave tem que ser suficientemente leve, se no espaço sideral os objetos perdem peso?
    Poderia me explicar, por favor?
    Obrigado.

  22. Bom dia Salvador,

    Acho que só faltou informar a velocidade que o satélite poderia atingir em alguns anos, como também qual tempo demoraria para chegar até a estrela mais próxima usando essa tecnologia.

    Outra dúvida, durante a viagem utilizando as velas solares, ao se aproximar de outra estrela, com a luz interagindo com as velas no sentido inverso já não seria um grande problema para alcançar o objetivo? Ou somente ajudariam na frenagem?

    Abraço

    1. No caso desse protótipo, ele mal consegue elevar sua velocidade – serve pra se manter em órbita. No caso de veleiros avançados turbinados por laser, eles poderiam atingir velocidades como 0,4 c, ou 40% da velocidade da luz. Daria para ir a Alfa Centauri em uma década.

  23. Prezado Salvador,

    Qual é a capacidade científica desses cubesat’s? Eles conseguem realizar as mesmas funções de análise, fotografia e transmissão de dados de sondas?

    ps: não dá mais pra acessar o blog; aparentemente, mesmo tendo cadastro na folha, o acesso é limitado à uma certa quantidade de vez, aí fica difícil.

    1. Os cubesats têm se mostrado cada vez mais versáteis e úteis, embora ainda não sejam tão capazes quanto satélites de grande porte. Sobre o paywall, triste mesmo. 🙁

      1. Salvador,

        O mais irônico do paywall é que vai de encontro com a “liberdade de expressão” (nesse caso de acesso) que a ciência precisa pra progredir.

        Estou assistindo o seriado Cosmos e o Tyson fala exatamente desse ponto.

        Você tem tentado negociar isso com a folha?

        1. Nino, já tentei, mas é a estratégia geral deles e, segundo eles, está funcionando. Eles não abririam exceção para mim somente. Mas acho que isso não conflita muito com esse negócio de liberdade de expressão e de acesso à informação. Haveria se a Folha selecionasse os clientes, à moda de um clube. Não é o caso. Tudo que ela faz é cobrar por um serviço que presta. Ficamos (mal?) acostumados com informação gratuita e abundante na internet e achamos que qualquer coisa que fuja a isso viola o direito a informação. Mas a verdade é que custa dinheiro produzir informação, e a publicidade de internet simplesmente não é suficiente para manter as engrenagens girando…

        2. Tenho certeza que o Tyson recebeu para ajudar a produzir e apresentar a atualização de Cosmos. Alguém pagou e ainda paga. Eu a vejo pelo Netflix, que é pago, mas tenho o conforto de assistir quantas vezes eu quiser e na hora que quiser.

          Liberdade de expressão é a gente ter o direito de dizer o que pensa, mesmo que seja contrário à opinião de outros. E liberdade de acesso à informação é poder comprar (e vender) o serviço de coligir a informação e distribuí-la.

          Nas ditaduras, tipo China, Cuba, Venezuela, o governo informa “de graça” (recebe impostos) e só ele ou seus partidários podem informar.

          Não existe almoço grátis, não existem sacolinhas grátis, as pessoas precisam receber pelo bem que fazem a outros.

        3. Radoico, me expressei errado mesmo. Não é “expressão”, mas o acesso a informação. Mas o Salvador atacou bem o ponto.

          Mesmo assim é chato ter que pagar para ter acesso a informação sendo que em geral conseguimos isso “de graça”, mas não tem jeito.

          Realmente não tem almoço grátis.

    2. Eu também não gosto, mas como sustentar uma organização inteira que tem a função de informar? O único jeito é por meio de assinaturas e publicidade.

      Assinantes do UOL, como eu, têm livre acesso, assim como os assinantes da Folha. Nem precisa assinar os dois.

      A própria ONG que lançou o satélite vive de doações.

  24. “O entusiasmo pela missão é inegável, não só pelas possibilidades abertas pela tecnologia de navegação por velas solares, mas também pelo nível de participação popular que a missão realizada por uma instituição privada permite. A Planetary Society criou uma campanha de arrecadação pelo site Kickstarter, com a meta inicial de recolher US$ 200 mil. Em poucos dias, o valor obtido já passou de US$ 500 mil e agora a ONG espera atingir US$ 1 milhão.

    Fica a dica pra quem diz que programas espaciais são desperdício de dinheiro… Se até o público leigo contribuiu tudo isso em tão pouco tempo, tem algo errado na mentalidade de certos dinossauros que parecem viver na idade da pedra em meio a tanto benefícios por meio de incentivos para o desenvolvimento científico que tais empreitadas trazem para a humanidade 🙂

    Um grande viva à ciência e à exploração espacial!

    1. Fábio,

      O processo de arrecadação é conhecido como crowdfunding. Nos EUA existem pelo menos 3 sites muito fortes nesta área. Na área científica já financiaram projetos como cubesats, sonda para exploração lunar, projetos de exploração de Marte etc, alguns superando em muito US$ 1 milhão. E são pessoas comuns que contribuem. É sem dúvida uma forma de democratizar a exploração espacial.Por aqui já temos sites de crowdfunding mas ainda não decolou, pelo menos para assuntos científicos.

  25. Não creio que veleiros somente irão muito longe, mas será interessante em viagens interplanetárias concebendo naves hibridas com propulsores nucleares e veleiros para manter velocidade intensa que é reduzida pela gravidade dos astros.

  26. Iniciativas assim só são possíveis em países em que reinam o liberalismo. De modo que as pessoas possam dar vasão a criatividade, ao sonho, sem depender de instituições governamentais e seus interesses politiqueiros. Até esse sistema de angariar fundo, é fruto da criatividade permitida pela liberdade econômica, cultural e cientifica.

  27. Senhor Salvador. ___ O Vento Solar consta também de partículas (prótons, elétrons, partículas alfa, nêutrons) materiais e não apenas dos fótons da luz solar. Se for só de fótons incidentes, seria melhor dizer que é impulsionado por vento ‘fotônico’ ou, como é melhor, por radiação solar.

    1. Verdade, professor. É que, como você disse, a luz é parte do vento solar, e a expressão “vento” comunica a ideia de forma muito mais eficiente. No texto eu esclareço que o impulso vem da luz e não das partículas materiais que emanam do Sol! 😉

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