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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Trabalho no eclipse lunar

Por Salvador Nogueira

E aí, conseguiu curtir o eclipse total lunar ontem? Muita gente esteve bem ocupada por conta dele…

Imagem feita pelo astrofotógrafo Carlos Augusto Di Pietro em São Paulo mostra a beleza do eclipse lunar (Crédito: Carlos Augusto Di Pietro)
Imagem feita em São Paulo (SP) no domingo (27) mostra toda a beleza do eclipse lunar (Crédito: Carlos Augusto Di Pietro)

DE PRONTIDÃO
Quem ficou especialmente atento com o eclipse lunar foi o pessoal da Nasa. Eles operam um satélite em órbita da Lua chamado Lunar Reconnaissance Orbiter. Ele fez o mapeamento mais preciso já realizado do nosso satélite natural.

ALTA RESOLUÇÃO
As fotos produzidas pelo LRO são tão boas que permitiram inclusive visualizar as tralhas que os astronautas da Apollo deixaram por lá entre 1969 e 1972. Um tapa na cara em quem acredita que as viagens à Lua foram fraudadas.

Imagem de satélite mostra sítio de pouso da Apollo 11. Ausência de sombra da bandeira indica que ela caiu mesmo. (Crédito: Nasa)
Imagem de satélite mostra sítio de pouso da Apollo 11. Ausência de sombra da bandeira indica que ela caiu mesmo. (Crédito: Nasa)

NO ESCURINHO DO ECLIPSE
O problema é que esse satélite é alimentado por energia solar. Durante um eclipse, o LRO pode ficar um longo período na escuridão, e corre o risco de pifar. É pequeno, é verdade. Mas existe.

OBSERVAÇÃO CIENTÍFICA
Quem também fez hora extra durante o eclipse foi o pessoal da Rede de Astronomia Observacional. O grupo, liderado pelo físico brasileiro Hélio de Carvalho Vital, faz medições da cor e do nível de brilho lunar durante a fase de totalidade do eclipse, quando ela fica avermelhada. Sabemos que esse tom é causado pela filtragem da luz solar que passa pelas bordas da atmosfera terrestre e chega ao satélite natural.

ESTUDO DA ATMOSFERA
“Dessa forma, a Lua eclipsada é na verdade uma fantástica tela, onde se projeta o filme da nossa atmosfera”, diz Hélio Vital. Os pesquisadores querem usar o eclipse para avaliar coisas como o possível impacto da fumaça emitida por vulcanismo na tonalidade que a Lua assume.

O TAMANHO DO AR
Uma das coisas interessantes que se pode investigar é a extensão da atmosfera terrestre. Trata-se de algo que varia com o tempo e de forma ainda não totalmente previsível. O estudo dos eclipses lunares pode nos aproximar de uma compreensão melhor do complexo e indispensável invólucro de ar que circunda nosso próprio planeta.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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