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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Astronomia: Quanta matéria há no Universo?

Por Salvador Nogueira

Quanta matéria há no Universo? Astrofísicos usaram um estranho fenômeno para “pesá-la”.

O SINAL
Em 18 de abril de 2015, o radiotelescópio Parkes, na Austrália, detectou a chegada à Terra de um sinal com duração de uma mínima fração de segundo, vindo das profundezas do espaço. Era o que os cientistas chamam de FRB, sigla inglesa para disparo rápido de rádio.

ORIGEM MISTERIOSA
Esses surtos de rádio são bem difíceis de captar. Até então, fora esse evento, apenas 16 haviam sido registrados. Ainda não sabemos que fenômeno espacial os produz, e houve até quem os associasse a transmissões de inteligências extraterrestres.

HORA DO LANCHE
Para tornar tudo mais confuso, outros sinais parecidos com esses também começaram a aparecer nos últimos anos no radiotelescópio Parkes. Batizados de perytons (em homenagem à criatura mitológica da obra de Jorge Luis Borges), eles acabaram se revelando resultado da abertura prematura de um forno de micro-ondas no observatório australiano!

TEMPO REAL
Apesar desse pequeno embaraço, os FRBs são mesmo de origem astrofísica, e o de 18 de abril foi um dos primeiros a ser identificado assim que chegou. Isso permitiu apontar outros radiotelescópios de imediato para a fonte do sinal no céu e encontrar ali um sutil brilho em rádio, que durou seis dias.

NUMA GALÁXIA DISTANTE
Os astrofísicos então puderam usar um telescópio óptico, o Subaru, no Havaí, para encontrar a origem do sinal — uma galáxia elíptica, cuja luz permitiu estimar a distância: cerca de 6 bilhões de anos-luz. Pela primeira vez, sabíamos a origem exata de um FRB.

NO MEIO DO CAMINHO
E aí veio a “pesagem” do Universo. Os FRBs apresentam um atraso no sinal que tem relação com quanta matéria eles tiveram de atravessar pelo espaço para chegar até nós. Ao saber a distância até o ponto de origem do FRB, foi possível determinar a densidade de distribuição de matéria na vasta região que nos separa dela. E o valor bate em cima com os modelos cosmológicos baseados no Big Bang.

BÔNUS: Para os curiosos com o número exato, o estudo mostrou que o Universo é 4,9% (mais ou menos 1,3%) composto por matéria convencional, dita bariônica. Isso é compatível com os modelos cosmológicos baseados na radiação cósmica de fundo, que sugerem 5% matéria convencional, 25% matéria escura e 70% energia escura.

A coluna “Astronomia” é publicada às segundas-feiras, na Folha Ilustrada.

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