Cassini continua a tirar o fôlego dos terráqueos

Antes de mais nada, pare o que quer que você esteja fazendo, respire fundo, e perca algum tempo olhando para esta imagem. Isto é Saturno, visto de perto pela venerável sonda Cassini, que está completando suas últimas voltas antes de um mergulho fatal na atmosfera do segundo maior planeta do Sistema Solar, em 15 de setembro.

A imagem revela os anéis de Saturno como seriam vistos de uma perspectiva interna ao planeta e ainda mostra a névoa que recobre o céu azul da alta atmosfera saturnina. Capturada no dia 16 de julho, a imagem foi obtida pela Cassini quando ela estava a 1,25 milhão de km do planeta, já se afastando após mais um sobrevoo rasante através do vão entre os anéis e o gigante gasoso.

As cores não são exatamente as que nossos olhos veriam. Para realçá-las, a imagem faz uso de três filtros, dos vários disponíveis à Cassini para suas investigações científicas. Dois são de fato cores que enxergamos, verde e vermelho. Mas, para o lugar do azul, os cientistas usaram o filtro de ultravioleta. Então, tecnicamente, a imagem é dois terços cor real, um terço falsa cor. E 100% espetacular.

A imagem veio no último relatório ao público preparado pela equipe de comunicação do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) para informar das últimas descobertas feita pela sonda durante esta etapa derradeira da missão, o Grand Finale.

E, até agora, o que eles descobriram foi… complicado.

O campo magnético do planeta parece estar absurdamente alinhado com o eixo de rotação, algo que, segundo modelos teóricos, não deveria acontecer. Além de inviabilizar a medição do giro interno do planeta, o resultado parece desafiar nossas explicações de como o campo magnético no interior de Saturno é gerado. Os cientistas ainda não abandonaram suas ideias anteriores, mas esperam reunir mais dados até o final da missão para descobrir o que estão detectando e, com isso, decifrar como o planeta produz sua magnetosfera e qual é sua rotação real, obscurecida pelo fato de que a atmosfera superior — tudo que vemos do lado de fora — gira em velocidades diferentes em lugares diferentes.

Os resultados das medições de gravidade também apresentam dados intrigantes, aparentemente inconsistentes com o que se esperava da estrutura interna do planeta — a exemplo do que aconteceu com a Juno em Júpiter. Aparentemente, sabemos menos sobre como planetas gigantes se organizam internamente do que julgávamos antes, e tanto a Cassini como a Juno nos permitirão dar um salto significativo nessa compreensão no futuro próximo.

Por fim, o pessoal do JPL informou que a Cassini conseguiu colher amostras de partículas do anel D, o mais interno de Saturno, o que permitirá investigar sua composição. Imagens das câmeras também revelaram texturas no anel C, que ajudarão a decifrar sua estrutura e composição.

Estranhas texturas observadas pela Cassini no anel C, de Saturno. (Crédito: Nasa)

Por fim, a sonda também deu uma “cheirada” na exosfera — a camada mais alta e rarefeita da atmosfera do planeta — com seu espectrômetro, o que permitirá determinar em detalhes que gases a compõem. Essas medições, claro, terão seu ponto mais alto quando a sonda mergulhar no planeta, mandando dados da composição até perder o apontamento de sua antena com a Terra e queimar como uma estrela cadente saturnina, em 15 de setembro.

Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook, no Twitter e no YouTube

Comentários

  1. Me emocionam muito as imagens do mundo lá fora!
    Tão grande é esse nosso “quintal” e tão longe dos olhos!
    Bom que existem esses viajantes…me dói pensar que ele vai morrer, mas enfim, que venham mais para nos dar esse prazer de dar uma olhadela lá fora!

    1. Eu vi essa história ontem, mas não me motivou… tá, viram uma rajada de raios gama com múltiplos instrumentos, confirmam que tem conexão com supernova e favorecem uma explicação que envolve elétrons hiperacelerados e magnetismo para gerar os raios gama. Não soa particularmente empolgante. Eu ficaria surpreso se descobrissem que os raios gama não têm nada a ver com supernovas… 😛

  2. Grande Salva! Como você costuma responder as perguntas e comentários, mesmo quando são absurdos, segue a minha questão: A nossa galáxia e Andrômeda estão em rota de colisão (parece até que já estão se misturando). Usando o exemplo da bexiga com pontos em sua superfície, a gravidade tenta juntar os pontos, mas a expansão da própria bexiga os afasta. Acrescente a Lei de Hubble: quanto maior a distância dos objetos, maior também a velocidade com que se afasta.
    Finalmente, vamos a minha questão: Para um “observador” nos confins do universo observável, que observe Andrômeda e a Via Láctea, mais próximo desta do que daquela, vai entender que as duas estão se afastando (segundo nosso entendimento atual da física).
    Eu já parto do princípio que você dirá que estou equivocado. Mas onde estou errando?

    1. Ele vai concluir que as duas estão se afastando DELE, mas não que elas estão se afastando entre si. Ou seja, ele vai ver que a mais distante das duas tem um redshift um pouco menor do que aquela que está mais próxima, sinalizando que as duas estão indo de encontro uma à outra, embora ambas, do ponto de vista dele, estejam se afastando dele a uma velocidade inimaginavelmente alta.

      1. Obrigado… Fui fazer umas contas aqui e compreendi que, qualquer dois objetos que tenham velocidades relativas inferior à v = Ho x d (constante de Hubble vezes a distância entre os dois objetos) jamais se encontrarão novamente. A distância entre Andrômeda e a Via Láctea é de 0,7Mpc. Então o produto Ho x d (71km/s.Mpc x 0,7Mpc) será igual a 55 km/s. Essa é a velocidade de expansão do espaço entre as duas galáxias. Porém, como as duas galaxias estão em rota de colisão a cerca de 110km/s, elas irão se fundir. E isso independe da posição do observador, mesmo que ele esteja nos confins do universo observável (a 46 bilhões de ly). MAS o difícil mesmo é compreender a expansão do universo… E eu sei que o Neil deGrasse já me disse uma dezena de vezes que o cosmo não tem que fazer sentido para mim, mas deixo uma dica para um próximo vídeo ou entrevista: explicar o que é o espaço!

        1. Boa, Francisco! É isso aí mesmo, raciocínio perfeito!
          Agora, sobre o que é o espaço, essa é uma pergunta complicadíssima. Talvez a única mais complicada que essa seria “O que é o tempo?”
          Eu tento pensar no espaço como a própria geometria. Ele não é uma coisa física, real (embora, claro, em termos quânticos, por sua característica probabilística, ele sempre tenha a chance de ser alguma coisa, em vez de ser nada), mas sim a própria geometria. O que muda na expansão do espaço é a geometria em si, que infla. Mas, de novo, é o tipo de coisa que só podemos presumir. Não há como testar o que é o espaço, ou mesmo o que é o tempo. Só podemos descrever como ambos evoluem, e mesmo assim, de uma forma interdependente e meio circular.
          O que acho mais louco — e que é algo a que chego a mencionar no meu próximo livro — é que a mecânica quântica meio que coloca em xeque a própria realidade do espaço e do tempo. Poderiam ser eles apenas ilusões? Enfim, perguntas como essa são as que levam a física a transbordar na filosofia… 🙂

          1. Pois é, Salvador, o espaço ou geometria (desculpe, mas não consegui compreender a diferença) merece um carinho enorme, do próprio tamanho dele, apesar dessa esquisitice de se expandir, dizem que por culpa do lado negro da força (energia escura). Aguardo seu livro, para entender melhor…. Agora, quanto ao tempo, não. Esse é um vilão e espero vê-lo chutado para fora da razão algum dia. 🙂

          2. Ei, calma, a energia escura (que não tem nada a ver com o lado sombrio da Força, rs) só está acelerando a expansão, mas a expansão já estava rolando muito antes de ela dar as caras, pelo menos em sua forma atual.

            A diferença é que a geometria é meramente a descrição matemática de uma forma, não a forma em si. Você pode riscar geometria plana num papel, mas a geometria não é o papel; é a ideia que descreve o papel.

            Quando digo que a expansão do espaço é meramente mudança na geometria, quero dizer que encaro a expansão cósmica como uma mudança nas regras matemáticas que descrevem o espaço, da mesma maneira que, se curvarmos o papel, precisaremos de outra geometria para descrever as figuras que pudermos desenhar nele, e, de novo, essa nova geometria não é o papel.

          3. Salvador.
            A sua última resposta é clara como água cristalina. Parabéns.
            Mas existem outras alternativas que não requerem mudanças na geometria. E todas são igualmente potenciais, pois nenhuma delas bate o martelo na questão.

          4. “perguntas como essa são as que levam a física a transbordar na filosofia… ”

            :D:D:D:D:D:D:D

  3. Uma linda imagem a qual só traz mais especulação para reforço de recebimento de verbas ,tudo isto é fictício para aqueles que não conseguem entender qual proposito e fundamento serviria tal pratica desta atividade que só agradar os olhos dos que se dizem ser cientistas.
    A busca por informações distintas de tantas empresas sobre o fator espaço e suas peculiaridades estão mais parecendo um programa de talk show ,não se sabe quem é certo ou errado principalmente se é verdade ou mentira , o importante é atrair a atenção aqueles que se satisfazem com meras imagens e achismo.
    O mundo precisa de fatos não mera suposições,continuo batendo na tecla que se o homem tivesse trazido uma unica pedra de dez kilos para exposição em um museu qualquer da terra tudo seria diferente e muitos não desacreditariam que estivemos por la ,muito menos a chance de estar muito próximo a marte ou saturno.

      1. como se fala em fazer mineração na Lua, de que maneira fariam pra extrair aquele tal de helio-3 de lá?
        será que isso vai ser viável algum dia?

        1. Hélio-3 seria algo fácil de fazer, porque ele está impregnado no regolito (a poeira) lunar. É só processar a poeira. Mais difícil seria extrair a água lunar, de que tanto tem sido falado nos últimos dias, que são umas poucas moléculas presas no interior da estrutura cristalina das rochas. E o hélio-3 é interessante só se tivermos uma indústria de energia de fusão nuclear ativa, algo que ainda não temos.

    1. Fato: quem acha que fotos astronômicas feitas por sondas espaciais são inúteis, esquece que para se obter qualquer imagem é preciso desenvolver muitas tecnologias que vão estimular a ciência, a economia, a educação e a cultura. Para cada foto obtida por estas sondas ocorre um efeito de “feedback” em vários áreas de conhecimento da civilização humana, um estímulo para mais desenvolvimento. Menosprezar isto é sintoma de decadência civilizatória, fenômeno social que ocorre em épocas onde o pragmatismo imediatista toma conta das ações humanas.

          1. Numa estradinha no Peru, eu visitei um museu ao ar livre onde você podia tocar restos de meteoritos. Os meteoritos lá, de todos os tamanhos, expostos, ao vivo, sem nenhuma vigilância…. se eu não fosse honesto, teria trazido um pra casa na mochila.

  4. Sinto uma sensação incrível ao me emocionar todas as vezes que vejo esse vídeo.
    Parabéns por divulgar de forma brilhante, o brilhante trabalho dessa missão!

  5. Salvador, “1,25 milhão de km do planeta” mesmo? A Estação Espacial Internacional está a 400 Km da Terra. Mesmo se levando em conta a diferença entre os diâmetros da Terra e Saturno e, a julgar pela proximidade que sugere a foto, 1,25 milhões de Km é distância considerável. Desculpe o leigo, mas não seriam 1.250 Km? Ou talvez 12.500… ou 125.000…
    (a julgar pela foto). Explane, por favor.

    Cumprimentos pelo seu trabalho.

    1. Não, e 1,25 milhão mesmo. A Cassini tem duas câmeras, uma de campo amplo e uma de campo estreito. A de campo estreito age basicamente como um telescópio, fechando num pedacinho só do campo de visão e ampliando. A 1,25 milhão de km, já se afastando de Saturno em sua órbita, dá para flagrar este ângulo (que parece estar do lado de dentro dos anéis por conta do zoom) com a câmera de campo estreito.

      Na aproximação máxima durante o Grand Finale, a Cassini chega a estar a uns 4.000 km de Saturno. Mas ali, naquele momento, ela passa tão depressa pelo planeta que só pode tirar imagens PB, sem filtro, pegando toda a luz que puder, porque o tempo de exposição precisa ser muito rápido para não borrar a imagem, dada a velocidade da sonda naquele ponto da órbita. Para tirar uma foto colorida, ela precisa mesmo estar mais afastada, onde é possível tirar três fotos, uma com cada filtro, e alinhá-las para produzir uma versão colorida.

      Abs!

  6. Parabéns Salvador, isso sim é boa ciência, pena que poucos neste país apreciam-na e preferem perder tempo com tantas babaquices, quando deveriam exigir dos governantes investimentos maciços em pesquisa/desenvolvimento científico e tecnológico, que trariam imenso progresso social, econômico e cultural ao nosso povo.

  7. Haveria luz suficiente para um registro já dentro da atmosfera do planeta, quando do derradeiro mergulho para a morte? Outra coisa de merece um PQP! é a simetria perfeita dos anéis saturninos, mesmo em imagens bem próximas podemos ver do que é capaz a principal das quatro forças fundamentais do universo.

    1. Luz, haveria. O que não haveria é estabilidade para manter a antena apontada pelo tempo necessário para transmitir todos os bits da foto. Por isso, no mergulho final, a Cassini não fará fotos; descerá colhendo informações da composição da atmosfera.

    2. Oi, Antonio! Qual é a força fundamental que você chama de “principal” do Universo? As quatro que conheço são a Força Forte, a Fraca (ambas só alcançam o interior do núcleo dos átomos), a Eletromagnética e a da Gravidade, sendo que a da Gravidade é fraquíssima perto da Eletromagnética, ambas alcançando grandes distâncias… Abraços!

      Pode-se dizer que alguma delas é a “principal”?

      1. Existe alguns detalhes na gravidade que faz toda diferença: seu alcance não tem limite, a intensidade aumenta em função da massa, e não existe uma força contrária.
        – As forças Forte e Fraca tem alcance limitado, ficam restritas ao microcosmo.
        – A força Eletromagnética pode ser anulada (negativa e positiva).
        – E a gravidade, fraquinha, mas nada a detêm. Vai juntando massa e pronto, uma hora ela supera a força Eletromagnética, coloca mais massa e ela vai superar as forças nucleares, mais massa e vai além esmaga tudo e vira um buraco negro. E olha uma galáxia, gigantesca, e quem segura? A gravidade.

        É obvio que todas as forças são importantes, mas a gravidade é fodástica 🙂

        1. Oi Pallando. Fiquei intrigado quando você mencionou que a gravidade não tem limite. Isso realmente procede? Eu acho que em algum momento a bolha de espaço que envolve um corpo massivo deve se igualar ao espaço onde ela (a bolha) flutua.
          Não sei se isso é correto ou não. Mas a interferência gravitacional do tal corpo massivo não pode se propagar infinitamente pelo espaço. O que você acha?

          1. Salvador, Acho que a gravidade nunca chega a zero se não estiver sujeita ao princípio da quantização.

          2. E mesmo sem quantização nunca chega a zero, pois é o produto de duas massas dividido pelo quadrado da distância. Esse número nunca vai dar zero, por menor que seja, com o afastamento entre as massas.

          3. Para unificar as forças fundamentais os físicos buscam pela unidade elementar de gravidade denominada Graviton. Esta busca ainda não teve sucesso. Mas se a gravidade for quantizável, Não teria como se aproximar de zero de forma contínua. Assim ela cairia do efeito de 1 Graviton para 0 Graviton. Se é isso mesmo, em distâncias muito grandes a força gravitacional seria zero. Imagina a força gravitacional de uma moeda sobre uma estrela em Andrômeda. Se o Graviton existir e se esta força for menor que o efeito de 1 Graviton, então será zero.

          4. É, mas lembre-se do princípio da incerteza, que é o que permite a existência das partículas virtuais. Energia zero não é realmente zero na mecânica quântica.

          5. Seguindo o raciocínio do Paulo Schaefer, caso a gravidade seja quantizável e a bolha de espaço possa ser dimensionada em função da massa, isso resolveria duas questões fundamentais:
            1 – Nosso universo seria finito, pois em algum lugar muito muito distante o raio de ação da gravidade do próprio Universo encontraria, finalmente, seus limites.
            2 – O problema da súbita expansão acelerada que teve seu início há 5 bilhões de anos talvez possa ter uma resposta, no mínimo, intrigante. Seria a seguinte: Quando o Universo se condensou e começou a formar corpos massivos, esses corpos, naturalmente, criaram suas próprias bolhas de espaço dilatado. Nesse ritmo de condensação e expansão as bolhas ainda estavam, muito próximas, umas exercendo interferência nas outras, retardando a expansão. Quando a expansão atingiu uma magnitude onde possibilitou que as bolhas se desprendessem umas das outras, bang, teve início a expansão acelerada.

            Pode ser que amanhã alguém prove, definitivamente, a existência da Energia Escura. Se isso acontecer dou minha mão à palmatória. – frase do meu pai que era professor rsrsrs – Até lá, penso que o modelo da expansão dentro de um campo dilatado gravitacionalmente ainda seja o melhor.

          6. Marcos Villa,

            Eu acho que quando descobrirmos a origem dos fenômenos que hoje são atribuídos à energia escura e matéria escura, vamos dar boas gargalhadas e estas duas “entidades” físicas serão relegadas ao mundo das grandes besteiras científicas. E eu já pensei também nesta mesma hipótese de que a aceleração na expansão poderia ter haver com a quebra na atração gravitacional a grandes distâncias, em função da queda a zero, devido à quantização. Mas todos os esforços até o momento para provar que a gravidade é quantizável deram em nada.

            Aparentemente os cientistas posicionam a energia escura, responsável pela expansão acelerada, no entorno das galáxias, local caracteristicamente desprovido ou com uma concentração extremamente baixa de matéria. Talvez esta extensa região com gravidade zero passe a se comportar de forma diferente causando esta “ruptura gravitacional”.

            O bom do blog do Salvador é que podemos falar a besteira que quisermos…. 🙂 🙂

        2. as forças eletromagnética e a nuclear fraca talvez estejam relacionadas numa única, a “eletrofraca”…

  8. Legal, queria ver mais a matéria… mas o UOL e a Folha não deixam… mesmo eu tendo o cadastro ativo….

    1. Acabei de ler e recomendo!

      Fantástico, gostei muito de como foi abordada toda a narrativa. Parabéns David, recomendo divulgar esse conto mesmo! E vou ler outros hehe

      Só uma correçãozinha de nada q precisa ser feita no último parágrafo:
      “(…) inesperada atividade em planetoides tão distante como Plutão e Caronte(…)”
      Acredito que o correto seria distantes, no plural

      Em tempo, seria bom que terraplanistas lessem esse conto pra entenderem o que seria mais ou menos morar num planeta que não fosse esférico (muito embora o planeta citado no conto tenha formato muito diferente do que os terraplanistas acham…).

      1. sua correção é muito bem vinda!!! 😀 muita coisa acaba passando pelos corretores automáticos, e a pressa em publicar acaba nos cegando para alguns erros bem óbvios! só espero que nada disto tenha atrapalhado o prazer da leitura! 🙂

    2. David,
      Estou esperando a continuação do Teletransporte, estou parecendo seguidor de novela da Globo, a trama não sai da minha cabeça, você tem a “obrigação” de dar fim ao mistério para que eu possa dormir em paz! rss

      1. hehehe, ele é o que tem para mim PRIORIDADE ZERO! é o que mais quero dar sequência, inclusive já tenho toda a trama esboçada aqui nas minhas anotações! 😀 inclusive fiquei muito preocupado de encararem a história como “um conto psicografado, vindo do futuro” (sabe-se lá como…), mas tento deixar claro nas considerações iniciais que se trata de uma obra de ficção… bom, pelo menos é assim que pensa ser o autor da história, hehehehe!

        infelizmente tem me faltado (nos últimos 2 ou 3 anos) tempo para me dedicar mais a estas atividades. outro conto iniciado e que pretendo muito continuar e concluir é o Expresso Transcroniano, cujos capítulos iniciais também postei lá no Recanto das Letras…

        Mas pra quem se interessar, já publiquei uma obra completa (bem curtinha, é verdade) pela editora multifoco. ela pode ser encontrada aqui: https://editoramultifoco.com.br/loja/product/formula-do-caos/

      2. Mas fica tranquilo, afrânio! Ainda tenho uma semana de férias, e pretendo trabalhar mais no “Teletransporte” durante este período! Também estou ansioso para colocar em texto tudo o que imaginei durante este tempo todo, hehehehehe!

        1. Com direito a um passeio subatlântico no Expresso Leviatã até Aruana e Agartha, hehehehe!! Vou parar por aqui para não revelar muitos spoilers da história…

      1. hehehe, confesso que passei uma madrugada em claro só queimando neurônios, tentando imaginar como seria o céu observado em várias latitudes diferentes (internas e externas, neste caso específico!) deste planeta boia!

  9. [OFF]

    Olá, Salvador. Olha só, mais uma hipótese para responder o Paradoxo de Fermi, elaborada por um trio de pesquisadores (não sei se você já viu):

    https://noticias.uol.com.br/midiaglobal/slate/2017/07/24/nova-teoria-tenta-explicar-por-que-ainda-nao-encontramos-alienigenas.htm

    Achei bem louca 😀 … Os alienígenas pós-biológicos estariam “hibernando” para alcançar um quadro ótimo-ideal de processamento de dados.

    Mas gostei da mentalidade dos caras:

    “E é importante continuar explorando soluções. O paradoxo de Fermi é muito mais do que um exercício intelectual. Tem a ver com tentar entender o que poderia estar lá fora e como isso poderia explicar nosso passado e guiar nosso futuro”.

      1. Grande Salvador! Desculpe a intromissão também em OFF. A argumentação dos alienígenas pós-biológicos hibernarem até o Universo esfriar mais me deixou uma dúvida bem terrena, o maior problema ou solução para um supercomputador funcionar adequadamente é preciso mantê-lo bem resfriado – o que consome bastante energia -, assim, no seu balizado entendimento, seria viável o envio de um um supercomputador para funcionar em uma região fria do espaço (ou em órbita à sombra da Terra)? Grato pela atenção.

        1. Eu achei essa hipótese meio besta, para falar a verdade. Por mais que supercondutores exijam temperaturas criogênicas, já estamos evoluindo, hoje, para encontrar supercondutores capazes de funcionar a temperaturas mais próximas da ambiente. E de pouca serventia teria um supercomputador que eu só poderia usar daqui a bilhões de anos, seja eu pós-biológico ou não. E outra: manter os componentes intactos e funcionais durante bilhões de anos não seria moleza. Mas achei curioso e divertido pelo fato de mostrar como podemos explicar o paradoxo de Fermi com ideias as mais variadas… o que não faz dele um paradoxo lá muito paradoxal, afinal. rs

          1. Eu gostei também das possibilidades que se abrem com as elucubrações em torno do Paradoxo de Fermi. Como os pesquisadores disseram, isso nos permite orientar o presente e direcionar o futuro. Ou seja, as aplicações práticas não são tão visíveis, mas estão aí.

      2. Salvador,

        Quanto a esta teoria sobre alienígenas dorminhocos, nunca li tamanha besteira antes…..

    1. Ridículo. Nada indica que outras civilizações desejem viver de “forma digital”. O interessante é que a conjectura é tão exótica que nem os próprios pesquisadores que a propuseram acreditam nela. Um deles chega a afirmar que é mais provável que os alienígenas não existam.

      1. Nada indica que não queiram também. Na verdade, o fato de você vir aqui rotineiramente mostra que até mesmo você tem uma quedinha pela vida em “forma digital”. Mas, claro, concordo com você (e com os autores) que a ideia é pouco provável. Só serve para mostrar como é fácil encontrar possíveis explicações para o paradoxo de Fermi. Nunca achei que ele fosse um paradoxo, para início de conversa.

        1. Gostaria de informar que eu utilizo o espaço digital deste blog apenas porque não tenho o prazer de conversar pessoalmente com o dono do blog. Isso não significa que eu tenha uma “queda” pela vida digital, significa apenas que eu não tenho outra forma de manifestar as minhas modestas, mas bem fundamentadas, opiniões. Acredito que seja esse o caso de muitos dos seus admiradores.

          1. Sim, sim. Mas isso mostra a sedução, por vezes sutil, da vida digital. Nós dois, por exemplo, só podemos conversar por meio dela. Da mesma maneira, não surpreende que tantas pessoas hoje passem com a cara vidrada no celular, mergulhadas na vida digital. Podem falar com muito mais pessoas do que podiam presencialmente, interagir muito mais socialmente. E nós somos bichos sociais, não há como negar. Quanto mais socialização, melhor para nós. A essa altura, pessoas às vezes OPTAM pela comunicação digital mesmo com alternativas presenciais disponíveis. Não parece um salto de imaginação muito grande pensar que isso pode crescer ainda mais no futuro.

          2. Apolinário,

            Suas opiniões nunca são bem fundamentadas. São apenas baseadas nas escrituras.

      2. Para você ver, Apolinário, como a imaginação humana é capaz de inventar as mais mirabolantes histórias sobre o universo e a vida… E tem alguns que são capazes de teimar sobre o que acreditam, mesmo sem ter prova alguma do dizem… 😛

        1. O colega sugere comparar essa hipótese delirante com as fabulosas (e verídicas) narrativas bíblicas? Isso é um ato de insanidade. Todos os maravilhosos eventos bíblicos não são fruto da imaginação, eles foram testemunhados, documentados e o seu principal personagem tem uma história de glórias na cultura ocidental. Isso deveria ser prova suficiente para qualquer ateu.

          1. Testemunhados? Quem testemunhou a parte do Gênesis, antes da criação de Adão? Deus? Certo. E quem escreveu o Gênesis? Certamente foi alguém que não testemunhou nada do que está escrito ali…

          2. Esse eventos foram narrados pelo Criador em pessoa!
            Ele é uma Fonte absolutamente confiável. 🙂

          3. Mas quem transcreveu? É tão confiável assim? Ou a versão original do Gênesis Deus escreveu de próprio punho? Pensei que, de próprio punho, só as tábuas dos mandamentos… 😛

          4. Salva: Tf6xc6+!
            Apô: Db6xc6 (Forçado)

            Salva: Db7-b4++

            Torre branca força um movimento nada sutil da dama preta, abrindo o flanco para o mate da dama branca em b4.

          5. MC,

            Neste jogo não tem cheque mate. O Apolinário mudará a regra do jogo porque Deus falou que é assim que se joga.

    2. Li o link e achei a noticia lá um pouco fraca pois vida implica movimento, definição, escolha, opção etc. Não consigo me abstrair a tal ponto de pensar em um conglomerado de máquina em standby e chamar isso de vida.

      1. É, também acho que faz pouco sentido esse papo de hibernação por bilhões de anos, para QUALQUER forma de vida, biológica ou pós-biológica.

        1. Também acho que não faz muito sentido essa hibernação hahaha… por que os alienígenas simplesmente não se instalam nos grandes vácuos existentes entre os aglomerados de galáxias e lá não põem para funcionar o supercomputador? Nesses ambientes é quase zero absoluto.

          1. Pois é. Ali vai ter só um cadinho de radiação cósmica. Não para em pé isso aí. rs

    3. Lovecraft já previa isso! “Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn”.

      Esses pesquisadores passaram muito tempo lendo contos do Cthulhu.

      Sobre Saturno, as imagens são lindas. Estão disponíveis no site da NASA sobre o projeto, no link abaixo. A visualização é melhor. Por que não o incluiu no texto? Há algum impedimento?

      https://saturn.jpl.nasa.gov/galleries/images/

      1. Nem brinca com isto, Adriano!! :-S

        Ultimamente estou lendo muito Lovecraft, mas espero do fundo da alma que sejam apenas delírios de um autor doido esquizofrênico tentando dar vazão à sua loucura, e que nunca precisemos confrontar cara a cara o mal cósmico absoluto personificado no Cthulhu!! 😀

    4. Salvador, falando em Paradoxo de Fermi, achei o livro “Sós no universo?”, do Peter Ward, em português, por R$ 150,00 num sebo. Compensa a leitura? Sempre quis ler, mas como só teve uma edição no Brasil, só vi para vender por esses preços proibitivos. Tô quase comprando, a vontade consumista é grande…

      1. Por R$ 150, nem se a capa for de ouro…
        O livro é bem legal, mas acho que meio desatualizado já.

        1. hahaha… pensei nisso. A ciência já avançou muito nestes 20 anos. Mas tem vários insights interessantes nesse livro. Enfim, vou deixar cozinhar em fogo baixo e esquecer o impulso consumista hahaha…

          1. Sempre dá para baixar o app do Kindle no celular ou no tablet (minha opção favorita, pois dispensa luz para ler na cama) e mandar ver. 🙂

      2. O livro do astrofísico inglês John Gribbin, “Alone in the Universe: Why Our Planet is Unique”, é muito mais atual (2016) e mostra cabalmente que os argumentos usados para defender a idéia de vida fora da Terra (rotineiramente utilizados por muitas pessoas aqui neste blog) são de uma ingenuidade infantil.

        1. Não li, mas deu vontade. Lerei em breve. Aliás, é impressionante a obra do Gribbin. Olhando na Wikipedia, são dezenas de livros, e descobri até que já cheguei a ler um — uma biografia que ele escreveu do Stephen Hawking.

          Sobre vida fora da Terra, eu acho improvável que o Gribbin defenda que não exista, como você sugere. Talvez ele argumente em favor de vida complexa e/ou inteligente, a exemplo do Peter Ward e do Donald Brownlee em “Rare Earth” (que eu li), mas não contra vida em geral.

          Aliás, encontrei já corroboração para isso antes de ler o livro, num review do livro publicado na Amazon:

          “This book’s title exaggerates the author’s argument about the rarity of life in the “”universe””: Gribbin (astronomy, Univ. of Sussex, UK; In Search of the Multiverse) claims only that intelligent life in the Milky Way galaxy (not the entire universe) is almost certainly limited to Earth. Since there are billions of galaxies in the visible universe (and possibly an infinite number beyond the reach of our instruments), his carefully limited claim is sensible. He presents a formidable array of evidence from astronomy, astrophysics, geology, and evolutionary biology to support his basic assertion. Gribbin’s definition of intelligent life on Earth includes only Homo sapiens, so he is weighing the likelihood that species on other planets within the local galaxy have intelligence equaling or exceeding that of humans. His case is well presented, but the odds may shift in the next few decades as more data are gathered on the Earthlike planets outside our solar system. VERDICT Gribbin is a veteran author of popular science books; this new volume should be of great interest for all readers curious about the possibility of life beyond our own planet. Strongly recommended.””—Jack W. Weigel, formerly with Univ. of Michigan Lib., Ann Arbor (Library Journal, November 15, 2011)

          1. Interessante, não conhecia esse livro do Gribbin. Na verdade, li pouco da obra dele.

            De fato, nesse livro ele discorre sobre as possibilidades da emergência da vida inteligente ou complexa, pelo que consta de alguns reviewers do Goodreads (https://www.goodreads.com/book/show/13119636-alone-in-the-universe?from_search=true). Transcrevo este comentário, que achei interessante:

            “I think the book relied too heavily upon our own, incompletely understood, story of intelligent life on earth (a big assumption!) to argue for the absence of all other forms of intelligent life in the universe. Yes, our story requires some lucky accidents and links in a chain, but there may well be other chains and other stories. The odds of an exact replication of our story and just that story probably are infinitesimal, but that’s fallacious reasoning. The odds of an exact repetition of any sufficiently complex event are infinitesimal, but that doesn’t rule out the occurrence of many other events sufficiently similar to qualify under a definition of what “similar enough” means. The Fermi paradox is mentioned quite a lot but this argument by absence too presumes that “they” are like “us” as a basic premise, and so is vulnerable to objections. I’m an optimist about intelligent life in the universe, but it is likely so different we would not, in our present state of understanding, even recognize it as such, nor its goals and manifestations in other species”.

          2. Pois é. A verdade é que, na ausência de dados, temos todas as hipóteses na mesa. Não existem argumentos mais ou menos infantis, a despeito do que diz Apolinário. Todos são igualmente consistentes com as (poucas) observações que temos tido. O Gribbin por exemplo diz no livro que planetas como a Terra são raros. O que é ao menos parcialmente falso, a julgar por resultados do Kepler que só seriam divulgados após a publicação do livro. É uma história ainda em andamento, e estamos chegando agora às melhores partes… rs

          3. Exatamente. Formulamos várias hipóteses para responder o paradoxo, mas só agora estamos começando a testá-las… Salvador, aproveito para dizer: impossível não lembrar do seu livro, Extraterrestres! Gostei muito da leitura na época. Como você fala no livro, a ciência está prestes a desvelar o maior de todos os mistérios, que é a existência de vida além de nosso planeta.

          4. Existe uma diferença muito grande entre vida inteligente e vida com tecnologia… Sabemos que os cães, gatos, cavalos, golfinhos e muitos outros animais são muito inteligentes, mas não a ponto de usarem tecnologia.

            O importante aí é a questão se há probabilidade de vida extraterrena e, sendo positiva, qual é a probabilidade de haver vida complexa que seja inteligente e que use tecnologia. Reputo positiva a resposta para a primeira parte. Para a segunda, talvez nunca venhamos a saber.

          5. Um dos argumentos que John Gribbin utiliza é aquele que revela o importante papel que a Lua exerceu para que a vida terrestre em nosso planeta pudesse existir. A Lua funcionaria como um “estabilizador gravitacional”, mantendo o eixo da Terra ligeiramente inclinado, uma situação muito rara em qualquer análise planetária já feita.

            Outro interessante argumento é o do papel dos vulcões no descongelamento da Terra durante o período conhecido como “glaciação de Sturtian”, as ações vulcânicas favoreceriam o surgimento e a manutenção da vida por aqui. São vários argumentos como esses que mostram a incrível “sintonia fina” que permitiu que a Terra pudesse desenvolver vida.

            Esses e muitos outros argumentos preciosos nos fazem refletir a respeito da existência de um projeto de construção da vida na Terra…

          6. Pois é, esse papel da Lua é questionável. Há modelos que dão a ele menor importância. E a própria criação da Lua não é incomum; Plutão e Caronte, no Sistema Solar mesmo, foram criados pelo mesmo mecanismo, sugerindo que o mecanismo de criação da Lua por impacto gigante não é tão raro assim. Mas só podemos confirmar ou refutar isso quando tivermos capacidade para detectar exoluas, algo que ainda não foi feito.

            Sobre vulcanismo, também é algo bastante comum — Marte teve, Vênus tem e Mercúrio teve. No passado, 100% para os planetas rochosos no Sistema Solar, e no presente 100% para os planetas de porte terrestre.

            Acho que qualquer tentativa de justificar a raridade da vida complexa com base em uma suposta raridade nas circunstâncias da Terra vai fracassar. Os números são muito superlativos, de modo que mesmo que as circunstâncias da Terra não sejam comuns, ainda assim acabaríamos com no mínimo milhões de planetas parecidos, só na Via Láctea.

          7. Salvador, a respeito do seu “Extraterrestres”, de que o Explorador falou e que eu também li (e cuja objetividade me caiu como um merecido balde de água fria), se incomoda de me esclarecer um ponto que me ficou um pouco turvo? A certo ponto você afirma que há em comum às gerações o fato de que todas elas – generalizando eu – supunham estar à beira de uma descoberta de vida em outros mundos. Eu não consigo deixar de imaginar que o mesmo está acontecendo conosco agora. É evidente que a tecnologia atual nos permite sonhar e enxergar um horizonte melhor. Mas, como eu vejo, embora haja razões objetivas para supor que nós estamos mais próximos da descoberta do que nossos ancestrais, não as há para determinar, objetivamente, que a descoberta é algo que vai ocorrer nas ´próximas décadas. O que te parece isso? Um abraço.

          8. Edouard, acho que temos a perspectiva de no mínimo começar a procurar nas próximas décadas, algo que, hoje sabemos, estava fora do alcance das gerações anteriores. Mas confesso que compartilho com você parte da dúvida que você manifesta (e por isso justamente indico esse fato no livro): talvez seja só miopia nossa essa perspectiva de fecharmos o cerco sobre essa pergunta nas próximas décadas. Só vivendo para sabermos de fato. 😉
            Abraço!

          9. Não é o que Gribbin argumenta. Ele estima que todas essas (e outras) variáveis juntas, agindo de modo muito especial e sincronizado como aqui na Terra, estariam presentes em apenas um número insignificante de planetas na Via Láctea. E isso ainda sem considerar a hipótese de vida inteligente, sobre a qual temos ainda menos controle e conhecimento.

            Não posso colocar aqui todas as considerações que ele faz, mas ele é convincente. Por mais que você seja fã da equação de Drake, Gribbin afirma:

            “…é claro que a probabilidade de muitos, se não a maioria, passos na cadeia é pequena. Os planetas são comuns – mas não planetas parecidos com a Terra”

          10. A equação de Drake é neutra nesse sentido. Se você pensar como Gribbin, dará um valor muito pequeno para fp na Equação de Drake e acabará com vida rara, mesmo se supuser que a vida em planetas como a Terra é o desfecho natural e esperado. A questão é: o que torna a Terra habitável? Não sabemos se muitas dessas coisas ou poucas. Note, por exemplo, que em anãs vermelhas, a gravidade da estrela já estabiliza o eixo de rotação do planeta muito melhor do que a Lua faz. E planetas vizinhos, em órbitas compactas, produzem efeito de maré tão poderoso quanto o lunar, sem que o planeta tenha luas. Então, há mais de um jeito de obter o efeito pretendido por Gribbin, e isso supondo que ele seja importante, o que em nada está garantido. O papel de Júpiter, por exemplo, é bem controverso. Há quem diga que serve como escudo, há quem diga que é um vilão que atira um monte de pedregulhos na direção do interior do sistema. E a Terra não foi exatamente uma maravilha de planeta ao longo de sua história toda. Já chegou a congelar por inteiro como uma bola de neve, já teve eventos cataclísmicos como a colisão de asteroides e a detonação de supernovas próximas. A essa altura é mais fácil supor que a vida é resiliente do que supor que a Terra é um abrigo especialmente estável para a vida no contexto do Universo.

          11. Hmm… Li em algum lugar que a “Rare Earth Hypothesis” serve de embasamento para alguns neocriacionistas, pois, segundo eles, a dificuldade em se reproduzir todas as condições ideais para o surgimento da vida (tal como ocorre na Terra) leva a crer que houve uma “interferência externa”,
            uma condução do processo em nosso planeta (design inteligente). É mais ou menos o que o Apolinário sugeriu no último comentário, penso eu.

            Coitados do Peter Ward e do Gribbin.

          12. Sim, esses autores não fazem essas considerações. Mas eu posso sugeri-las, pois creio que elas se encaixam muito bem na narrativa bíblica.

            Acredito ainda que isso explica o atual ressurgimento do neo-criacionismo e do design inteligente. São idéias que prosperam justamente pela debilidade e fragilidade dos argumentos que estabelecem uma hipótese “naturalista” para o surgimento da vida na Terra.

            Fiquei muito feliz em ver uma grande Universidade paulista abrir um espaço inédito para a difusão dessas idéias. Ciência de verdade se faz com liberdade de pensamento.

          13. Eu fiquei com vergonha por ela. Mas você não sabe mesmo manter as coisas separadas. Acha que tudo é religião. Isso, na minha terra, se chama bitola. rs

          14. Com a devida vênia, não gosto do criacionismo,pois é uma crença espiritual e não uma proposta científica séria. Mas temo que, se um dia as pesquisas avancem a tal ponto que se chegue à conclusão de que as estruturas do RNA/DNA não podem ser geradas naturalmente (o que é algo crível, penso eu) , então podemos consederar um indício da interferência externa na inoculação de vida no planeta Terra. Panspermia dirigida, talvez? Alguém veio e jogou umas sementes aqui… Depois, a seleção natural deu conta do resto.

          15. Não funciona. Quem jogou a semente precisaria ter evoluído sozinho.
            O ponto é que estamos *muito perto* de produzir RNA de forma abiogênica. Já sabemos fazer as bases nitrogenadas e o açúcar que serve de backbone para o RNA (ribose). Falta descobrir como combinar tudo isso com um grupo fosfato (também simples) para formar a molécula inteira. Sabemos também que moléculas de RNA com umas cem bases já são capazes de evolução darwiniana. Não acho que exista a essa altura muita margem para qualquer alternativa sobrenatural. Ainda mais uma que evoque uma interferência inverificável, o que naturalmente já joga a hipótese para fora do campo da ciência.

          16. Concordo. O que quero dizer é que é um completo mistério a forma como esses elementos se unem para formar a estrutura do RNA, não é mesmo? Aquela metáfora da ventania que varreu o lixão e formou um Boeing. Há uma possibilidade baixa que isso tenha ocorrido ocasionalmente. No extraterrestres isso é bem descrito, corrija-me se eu estiver errado.

            Essa questão não soluciona o problema da origem da vida no universo. Mas talvez sugira como ela se deu na Terra.

          17. Não é um *completo* mistério. É um mistério no sentido em que não sabemos se a vida começou mesmo a partir do RNA, e como fabricar um RNA auto-replicante e capaz de passar por evolução a partir de química prebiótica. Contudo, avanços nesse sentido têm sido feitos anualmente, inclusive depois de 2014, que foi quando o “Extraterrestres” foi publicado, e não duvido que esse problema possa ser resolvido em menos de uma década.

          18. Nenhum processo cego, desprovido de inteligência e não dirigido, tem o poder de produzir informação biológica. A coisa se assemelha ao famoso dilema dos “macacos datilógrafos” – uma afirmação que, jocosamente, estabelece que macacos datilografando ao acaso, e sendo lhes concedida uma vida longa, com suprimentos e papel ilimitados, acabariam datilografando um dos poemas de Shakespeare. Um matemático estabeleceu que se isso fosse possível, o tempo gasto seria de 10 elevado a 1017 (anos)…

          19. E quantos macacos o matemático usou no cálculo? Sem o número de macacos, é difícil determinar quanto tempo levaria…

          20. O cálculo foi realizado (Russel Grigg) para apenas um símio, supondo que ele bata numa tecla a cada segundo. Ele ainda estabeleceu que o tempo médio para produzir a palavra “the” totalizaria 34,72 horas. Para produzir algo como um poema de apenas 600 caracteres, ele levaria o tempo que eu mencionei.

          21. Ué, não era um texto completo de Shakespeare? O que nem é importante, porque, para vida, bastaria chegar a 100 letras na sequência correta, de um alfabeto de apenas quatro letras. A partir daí, a seleção natural já age para selecionar os “textos” pela qualidade, e não aleatoriamente.

            E não precisamos lembrar que há muito mais “macacos” no Universo que 1, né? Se fosse refizer a conta para a disponibilidade de moléculas no oceano para a química prebiótica, e limitar o texto original a apenas 100 letras, como eu disse acima, vai descobrir que havia “macacos” mais que suficientes para a tarefa na Terra primitiva. 😉

          22. Existe um programa de computador que está funcionando desde 1º de julho de 2003 que simula (uma centena de) macacos datilografando aleatoriamente (esse número dobra em poucos dias), batendo uma tecla por segundo. O registro atual é de 10 elevado a 40 anos por macaco para conseguir 24 letras consecutivas de Henrique IV.

            Para citar um exemplo biológico, poderia mencionar a estimativa de Asimov sobre a possibilidade de construir uma molécula de hemoglobina a partir de aminoácidos. Esse exemplo, se não me engano, está no livro de Dawkins – o relojoeiro cego. O número de maneiras possíveis de organizar os 20 tipos diferentes de aminoácidos numa cadeia é de 20 elevado a 146.

          23. Construir uma proteína a partir de aminoácidos aleatoriamente é mesmo improvável, mas parte do paradigma hoje minoritário de que a vida começou com as proteínas. O foco do início da vida hoje está no RNA, que exige muito menos aleatoriedade para começar a se submeter à seleção natural, que aumenta a eficiência e a complexidade num ritmo muito maior que a aleatoriedade pura.

            E veja que conseguir as primeiras 24 letras de uma peça de teatro é bem mais improvável do que acertar as 100 primeiras letras numa molécula de RNA. Porque cada uma das letras da peça tem um alfabeto aí de 26 caracteres possíveis, enquanto cada letra do RNA tem um alfabeto de apenas 4. Ou seja, a chance de acertar cada uma das letras por aleatoriedade é nada negligenciáveis 25%. E a produção de RNA certamente passou de uma centena, 10^2. Está mais para 10^20. 😉

          24. Tenho ainda mais exemplos e considerações sobre esse interessante tema. Mas, tenho que acordar cedo amanhã. Boa noite a todos!

          25. Excelente a colocação do Radoico, sobre a diferença entre a existência de vida inteligente e o desenvolvimento de tecnologia.
            As américas foram povoadas por vida inteligente por milhares de anos, tendo sido palco de civilizações majestosas, mas que nunca dominaram o uso do metal. Sem o metal, não há tecnologia.
            Se caísse um mega-meteoro no velho mundo, antes de Cristóvão Colombo chegar, e dizimasse a população de lá ?
            Quanto tempo levaria para o desenvolvimento de tecnologia ?
            Se a terra fosse coberta inteiramente por água e fôssemos golfinhos tão inteligentes quanto somos hoje, também seria improvável que chegássemos a desenvolver tecnologia.
            Sem fogo, sem metal, sem tecnologia…

        2. Ao contrário de você, eu não procuro desqualificar quem discorda de mim. Acho que existem elementos de sobra para uma nova abordagem científica para a Origem da Vida e do Universo.

          E veja que eu mencionei a “narrativa bíblica” apenas por ser mais familiar para mim. Se outra pessoa achar outra expressão religiosa que considera mais conveniente, eu não a atacaria.

          Acredito mesmo que estamos no limiar de derrubar certas imposições tacitamente aceitas como “verdades científicas”. É uma época maravilhosa, um rejuvenescimento de conjecturas ancestrais que vão sendo confirmadas pela Ciência contemporânea. É uma época que vai valer a pena ser vivida.

          1. Não é questão de eu desqualificar quem discorda de mim, é eu desqualificar quem mistura ciência com religião. Sim, desqualifico essas pessoas. E você figura nessa lista. 😉

          2. Isso me deixa triste, mas não me intimida. O meu maior prazer vai ser ver todas essas filosofias naturalistas caírem por terra e uma nova abordagem filosófica triunfar soberana sobre os escombros daquilo que já foi considerado “alta ciência”. Será magnífico. E esse dia está próximo…

          3. Ô. Faz só, o quê, uns dois milênios que essa galera promete o fim do discurso dos “hereges”? rs

          4. Posso antecipar aqui, com exclusividade, o retorno da Ciência ao seu “berço esplêndido”: a insistência medieval na racionalidade de Deus. Confirmando assim o que eu venho dizendo há tempos aqui neste blog: as modernas teorias científicas são consequências naturais da teologia medieval. :))

          5. Bom, que estamos mesmo entrando numa Segunda Idade Média, concordo com você. Nossa diferença de opinião é que você acha isso uma boa notícia. 😛

          6. Apolinário, quando defende suas sandices, adora palavras e frases como “prova cabal”, ” com certeza”, ” é assim porque está na Bíblia” etc Fica difícil acreditar que quem tem este posicionamento, respeita a opinião alheia. E ao contrário de suas expectativas, as verdades científicas estão cada vez mais claras e provadas. E quando o modelo não se sustentar mais, será aprimorado para um melhor ainda, que explicará muito mais fenômenos que não compreendemos hoje.

  10. Então a atmosfera de Titan é parecida com a de Saturno, ambas são amareladas com tons roxos no limite delas. Interessante.

  11. Na época do lançamento montei em cartolina um modelo bem preciso da Cassini com a Huygens, desacoplável do modelo principal. Difícil de se montar, mas na época fiquei muito orgulhoso de ter conseguido, e o modelo permaneceu levitando no teto de meu quarto (seguro por linhas imperceptíveis, logicamente!) por uns 2 anos! mas nas tantas idas e vindas, com várias mudanças de casa, numa delas meu modelo acabou prensado e virou um pastel de papelão irreconhecível… que raiva senti!! mas, acontece, né!

    Até hoje estou tentando criar coragem e refazer o modelo! Talvez nestas minhas miniférias de duas semanas, né? 🙂

      1. infelizmente não! foi lá por volta de 97, 98… celulares, muito menos celulares com câmeras, ainda não eram comuns ainda… 🙁

      2. Mas acho que devo ter ainda os PDFs com os esquemas para recortar e colar! Nunca jogo arquivos fora! 🙂 só preciso procurar aqui nos meus HDs antigos… 🙂

    1. Bom, se estiver disposto, o site do projeto disponibiliza dois arquivos pdf para imprimir e montar sua Cassini, um mais detalhado que o outro. Ambos parecem de fácil montagem, em especial para quem já está acostumado com modelismo (papercraft). A escala é de 1/40, mas dá pra aumentar, pra quem quiser ter uma no telhado de casa como enfeite de Natal.

      https://saturn.jpl.nasa.gov/resources/7341/
      https://saturn.jpl.nasa.gov/resources/7345/

      Alguns leitores comentam sobre suas tentativas de chamar a atenção de seus filhos ou sobrinhos para assuntos científicos, esse pode ser uma maneira de abordar a exploração espacial.

  12. Que espetáculo! Como poderíamos ter uma Enterprise 1701 para um vôo turístico. rsrs
    Sonhar é permitido e não custa nada.
    Mas com estas imagens, ninguém sonharia com algo parecido e real. E vem mais ainda!
    Com certeza já deveriam ter autorizado um bom aumento para você. Está aprovado!
    Que vídeo estonteante. Lindo. As fotos, o texto, a voz da narradora e tudo o mais…!
    Cassini vai deixar saudades. Thanks Boy

  13. “Por fim, a sonda também deu uma ‘cheirada’ na exosfera”

    Hehehe, gostei desta abordagem! Mostra que, no fundo no fundo, tentamos estender nossos próprios sentidos para lugares inalcançáveis.

    Primeiro inventamos instrumentos óticos para corrigir nossa “miopia” cósmica, permitindo enxergar estruturas cada vez mais distantes de nosso universo. Depois nosso “daltonismo”, enxergando cores invisíveis fora de nosso espectro visível natural.

    Com a detecção das ondas gravitacionais, nos tornamos capazes também de escutar o que acontece em volta, o barulho da colisão de corpos de massas inimagináveis.

    E, nunca havia pensado assim, mas na verdade os espectrômetros de massa são de certa forma extensões de nosso olfato, a maneira de “cheirarmos” coisas que estão muito distantes de nós para tentar descobrir do que elas são feitas! 🙂

    Só nos falta agora conseguir tocá-las e sentir seus gostos para ampliarmos plenamente nossos 5 sentidos pelo cosmos. Mas acho que isto só conseguiremos nos deslocando fisicamente para tais lugares. Ou será que ainda vamos descobrir bons substitutos para podermos mandar representantes para estes sentidos também?

  14. Imagens absolutamente maravilhosas – a Natureza é uma artista totalmente criativa e sabe expor o que cria com total esplendor. A primeira foto, nossa, fiquei mais de 20 minutos admirando-a, sem cansar de olhar. E, Salvador, muito legal pelas legendas que colocou no vídeo, foram excelentes e esclarecedoras para uma pessoa que não pode ouvir. Parabéns! E mais palmas para este blog, que é o único motivo pelo qual assino a UOL. Vida longa e próspera!

  15. Que fotos atordoadoras. Parece uma miragem, que não se pode acreditar. O vídeo é muito triste. Não sei bem o que ele transmite. Talvez uma sensação de perda ou ainda pior um sentimento de adeus. No final estava lá eu com os olhos cheio d’água. Não pensei ver isto na minha vida.

    1. O vídeo parece épico para mim. “Sinto” a bravura da Cassini, lutando contra a atmosfera para manter a antena apontada… e choro também. É bonito. É a luta da humanidade para desafiar seus próprios limites para compreender e admirar a natureza. Épico! E a Cassini vai deixar saudade! 🙂

  16. Para mim esta foi a imagem mais fantástica até agora. A visão do ponto de vista interno dos anéis é um verdadeiro show. Virou wallpaper aqui. <3

      1. A propósito, pode-se ver uma fina névoa azulada acima das nuvens. Seria essa a exosfera a qual a sonda “cheirou”?

        1. Veja, tem a atmosfera azul, tem uma fina névoa laranja, bem fininha mesmo, visível principalmente no lado esquerdo da foto, que é laranja, e a exosfera deve estar ainda acima dela.

        2. Mas se eu entendi bem, não deve ser azul “de verdade”, né? Os canais vermelho e verde foram alimentados com os correspondentes visíveis para nós, mas o azul, pelo que entendi, está representando o que se captou no ultravioleta, né? Assim esta névoa é ultravioleta, se estivéssemos lá provavelmente não poderíamos vê-la a olho nu… 🙁 Bom, mas isto não diminui em nada a “espetacularidade” da foto, hehehehe!!!

          1. Isso. Você pode pensar que os tons mais azulados da imagem são ultravioleta na verdade.

          2. Hehehe, podemos encarar isto como sensores capazes de corrigir nosso “daltonismo” natural, nos permitindo enxergar cores que normalmente seríamos incapazes de ver… 🙂

            OBS.: repostei depois, pq o comentário é meu. mais uma vez aconteceu o estranho bug, e apareceu para mim o nome e o email do Raf, e desatento postei como comentário dele… :-S

          3. mas de qualquer forma, a imagem sob filtro azul também deve estar presente no site, para quem quiser refazer por si próprio a imagem no espectro visível real, né? Só acho que talvez ela fique menos “espetacular” que esta que resolveram divulgar… Mas um pouquinho só, hehehehe!

          4. Não sei se tem o azul. Andei brincando de processar imagens da Cassini, e nem sempre tem o kit completo. Para quem quiser procurar lá entre as raw images, o filtro azul é o B1.

          5. vou procurar sim!!! fiquei curioso em saber como veríamos isso se estivéssemos lá no local, a olho nu! 😀

          6. David, como agora está “raptando” meu e-mail, aproveite e mande um e-mail para mim.
            Podemos nos falar. Abs. rs

          7. hehehehe, foi mal, Raf, mas a primeira coisa que fiz ao perceber ter “raptado” teu email foi tentar esquecê-lo logo, e… funcionou, não me lembro mais dele! 🙂 mas pode se comunicar comigo, não tenho problema algum em revelar o meu: david.filho@usp.br

      1. Obrigado pela matéria publicada ontem e hoje, Salvador! Li todas, e assim que desafogar meus afazeres, estarei comentando.
        Abraços!

      2. No que isto depender de alguma forma dos acompanhantes do blog, acho que pode contar com a gente para isto. 🙂

  17. Salvador, li seu livro Extraterrestres e fiquei apaixonado pelo tema. E antes de mais nada gostaria de parabeniza-lo pelo livro e pelo Blog!

    Li também o Origens de Neil deGrasse Tyson e Uma breve história do tempo do Stephen Hawking.
    Um outro bem interessante que li chama-se A História Secreta da Raça Humana que questiona bastante a forma como a arqueologia as vezes molda os modelos de descoberta para se enquadrarem a teoria mais aceita, bem diferente dos parâmetros de “descoberta” da física.

    Tem algum livro nessas linhas para indicar? PS. pode ser em inglês.

    Obrigado e abraço!

    1. Bem, recentemente resenhei o “Tolices Brilhantes”, do Mario Livio, que recomendo. Também li um livro muito intrigante chamado “O Enigma Quântico”, publicado pela Zahar, de autoria de dois físicos americanos. Muito bom. E, claro, em breve estará nas bancas o meu livro sobre a ciência de Einstein. 😉

      1. Esse “enigma quântico”, li uma resenha. Na verdade só dei uma espiada. Vou procurar ler o livro parece interessante. Salvo melhor juízo, o livro parece que aborda a resistência de físicos em penetrar na obscura fronteira entre a aplicação da mecânica quântica e sua efetiva (se é que se pode chamar assim) “compreensão de causa”. Talvez por força do aparente percurso interdisciplinar que a mesma requer em contaminação à física pura, ou pela insustentabilidade matemática da visualização da referida causa, algo que atemorizou Einstein, ou pelo próprio esvaziamento da personalidade da física como área em essência nessa prospecção, segundo suscita, a resenha que li. O livro parece estimular uma solução racional, embora não concludente, pela força da física na questão. Parece interessante.

        1. Ele faz pensar. Não concordo com a postura dos autores, sou mais pela ideia clássica de Copenhague, mas faz pensar.

          1. Curto Copenhague também pela lindeza da ideia que tudo existe ao mesmo time, no “talvez”. Mas como sou entusiasta de viagens no tempo e principalmente pelo passado, e já que a onda colapsa “inevitavelmente para sempre” nessa interpretação, não deixo de pensar na loucura da explicação dos “muitos mundos” ter “alguma chance”. Nunca digeri bem, por exemplo, no back to the future, a foto do futuro que vai mudando enquanto Marty altera o passado.Seria melhor admitir que quando ele pisou no passado, pisou na verdade num universo paralelo

Comments are closed.