Encontros e desencontros celestes

A Lua e Vênus, em reunião, ontem, em São Paulo

Todo mundo (que viu) se encantou com a proximidade entre o planeta Vênus e a Lua ontem à noite. Esses encontros celestes são relativamente raros, mas não tanto quanto se imagina.

Isso acontece porque a Lua e todos os planetas do Sistema Solar ficam mais ou menos numa mesma linha reta no céu — a chamada eclíptica.

Tecnicamente, essa linha imaginária de nome esquisito é definida como o caminho que o Sol percorre no céu, ditado pela rotação da Terra e sua translação ao redor dele. Como os planetas (inclusive o nosso) estão todos girando ao redor do Sol mais ou menos no mesmo plano, a impressão que dá é que Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno ficam só flutuando próximos a essa linha imaginária.

Quando eles estão numa direção parecida com relação à Terra, acontecem as conjunções, como a que reuniu Lua e Vênus ontem.

O papo pode estar todo meio complicado, mas talvez valha a pena fazer uso (didático apenas, é bom que se diga) da prima não-científica da astronomia, a astrologia. A eclíptica é justamente a linha que cruza as constelações do zodíaco.

Ao longo de um ano, o Sol passa por sobre as constelações de Peixes, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário… e Ofiúco!

Nunca conheceu ninguém do signo de Ofiúco? Ah, bem, é porque ele não existe. Os astrólogos convencionaram usar 12 signos, porque a eles mais ou menos correspondem os 12 meses do ano, de forma que Ofiúco acabou descartado. Mais uma arbitrariedade dessa brincadeira divertida e muito tradicional, mas pouco fundamentada, que é a astrologia. (Outra curiosidade é que, em tese, o Sol deveria estar sobre a constelação de mesmo nome no momento do nascimento do sujeito para que lhe fosse atribuído o signo. Contudo, com o passar de muitos anos, houve um pequeno descompasso entre a posição celeste do Sol e a convenção de data dos signos. Então, um ariano nascido hoje na verdade tem o Sol sobre a constelação de Peixes. Dá para botar uma fé?)

O fato de os planetas se deslocarem todos mais ou menos na faixa da eclíptica também explica por que os astrólogos podem fazer mapas astrais, em vez de precisar produzir maquetes astrais. Como todos os planetas, o Sol, a Lua e os signos do zodíaco estão no mesmo plano, bastam duas dimensões para representá-los. (A astrologia deve ser bem estranha em sistemas planetários com maior desalinhamento entre as órbitas dos mundos que lá existem! Ou não, já que Plutão fica meio longe da eclíptica e é usado na boa pelos astrólogos…)

Tudo isso para dizer que, independentemente da influência astral que o encontro de Vênus com a Lua pode ter tido na sua vida, decerto foi uma cena bonita de ver. Você curtiu?

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Comentários

  1. ESTE FENÔMENO FOI VISTO EM SÃO LUÍS DO MARANHÃO, E NÃO CONDIZ COM ACONTECIMENTOS ASTROLÓGICOS, MAIS SIM COM FENÔMENOS DA NATUREZA.

  2. Quanto ao Sol uma vez eu li em algum lugar, acho que em Dante ou nos meus livros de filosofia que os gregos antigos consideravam o Sol como uma planeta. Curioso !!

  3. Fantástica! Éssa é a palavra, que define a imagem vista a olho nú, no céu de domingo à
    noite. Para todos, que estão maravilhados e
    perplexos, com o fenômeno, ouçam: SOON-
    YES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Abraços!

  4. Olá,
    Eu também me encantei com o céu de ontem à noite!
    E foi tão lindo que ão tive a menor dúvida: puxei o mapa astral aquele momento, na cidade de Campinas, onde estou.
    Sim, sou astróloga! 🙂 E por mais que eu saiba as disparidades entre a astronomia e a astrologia, fico simplesmente surpreendida do quanto o mapa astral natal fala de cada um… É realmente um excelente manual de instruções para a vida. Autoconhecimento puro! é bem bacana…
    E o que posso falar dessa conjunção de Vênus e Lua na casa 8 do mapa? Sem entrar em detalhes técnicos astrológicos, posso dizer que foi um momento para sermos profundamente tocados pelo amor. Tivemos a chance se sermos transformados através do amor, purificarmos nossos sentimentos através do amor. Isso é tão lindo quanto a paisagem vista, não é mesmo? 🙂
    Abraços,
    Isabela Borges

  5. Os astrólogos antigos convencionaram usar 12 signos, baseados na plaqueta Suméria VA 243.

  6. Não tenho certeza, mas acho que Plutão não é usado na astrologia tradicional, que inclui apenas os planetas que já eram visíveis nos séculos passados.

    1. Marcus, os planetas telescópicos foram incluídos na astrologia conforme foram sendo descobertos. E Plutão, mesmo tendo sido rebaixado pelos astrônomos, permanece com status de planeta para os astrólogos.

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