O amadurecer do Universo jovem

Há algo muito estranho com o Universo jovem. Ao mergulharem nas entranhas do tempo e do espaço, astrônomos investigaram uma galáxia cuja luz foi emitida quando o Universo tinha “apenas” 700 milhões de anos de idade. E ela parece velha demais para aquela época remota.

A galáxia A1689-zD1 se revela como era quando o Universo tinha apenas 700 milhões de anos. Mas ela parece estranhamente madura. (Crédito: ESO)
A galáxia A1689-zD1 se revela como era quando o Universo tinha apenas 700 milhões de anos. Mas ela parece estranhamente madura para aquela época remota. (Crédito: ESO)

A descoberta foi feita combinando observações do conjunto de radiotelescópios Alma e do VLT, complexo pertencente ao ESO (Observatório Europeu do Sul).

A galáxia em si, nomeada A1689-zD1, é pequena e modesta — como se esperaria de uma das mais antigas a existirem no Universo, que hoje tem cerca de 13,8 bilhões de anos. Aliás, ela só pôde ser observada porque entre ela e nós existe um aglomerado de galáxias chamado Abell 1689. A gravidade desse amontoado galáctico é tão poderosa que age como uma “lente”, magnificando a luz dos objetos que estão mais afastados. Os astrônomos estimam que seu brilho tenha sido aumentado em nove vezes, após sua luz passar em meio ao aglomerado de galáxias, antes de chegar até nós.

Embora sua luminosidade e baixa massa sejam compatíveis com o que se espera de uma galáxia antiga, o que os cientistas acharam intrigante é o fato de que a quantidade de poeira presente nela é similar à observada em galáxias maduras, como a nossa Via Láctea.

AMADURECIMENTO RÁPIDO
O que isso quer dizer? Em essência, que o Universo atingiu um estágio maduro mais depressa do que se costumava pensar. Para produzir a poeira detectada, é preciso que várias gerações de estrelas de alta massa já tenham nascido e morrido, explodindo como supernovas. É esse processo que produz o tempero que dá graça ao cosmos. Sem elas, nós não existiríamos.

Por quê? Em essência, porque o Big Bang só levou à produção de hidrogênio (75%), hélio (25%) e uma pitadinha de lítio. E, com esses três elementos apenas, não temos muitas peças para formar coisas interessantes, como planetas terrestres ou vida. Nesse estágio inicial, nem algo bem simples, como água, poderíamos ter — faltariam os átomos de oxigênio. Em suma, o Universo nasceu bem sem graça.

Mas então as primeiras estrelas e galáxias começaram a se formar. E o que começamos a descobrir agora é que esse processo de “temperar” o Universo aconteceu com relativa rapidez, uma vez iniciado.

A análise da galáxia A1689-zD1, publicada ontem na revista científica “Nature”, é uma das peças desse quebra-cabeça. Mas não é a única.

OUTRAS EVIDÊNCIAS
Essa noção de que o Universo amadureceu bem depressa para se tornar amigável à complexidade tem sido evidenciada em várias pesquisas desconectadas entre si, todas com resultados recentes.

Na semana passada mesmo, ganhou destaque outro trabalho publicado na revista “Nature” que reportava sobre a descoberta de um quasar muito brilhante no Universo jovem. Já falamos deles recentemente, mas não custa lembrar que quasares são essencialmente buracos negros gigantescos que moram no coração de cada galáxia e estão num momento particularmente ativo — deglutindo matéria, por assim dizer. É o que os torna brilhantes.

Concepção artística do quasar distante e brilhante SDSS J0100+2802, um buraco negro com massa de 12 bilhões de sóis (Crédito: Zhaoyu Li/NASA/JPL-Caltech/Misti Mountain Observatory)
Concepção artística do quasar distante e brilhante SDSS J0100+2802, um buraco negro com massa de 12 bilhões de sóis (Crédito: Zhaoyu Li/NASA/JPL-Caltech/Misti Mountain Observatory)

O quasar descoberto por cientistas da Universidade de Pequim, na China, e da Universidade do Arizona, nos EUA, ganhou o nome SDSS J0100+2802, e sua luz partiu dele quando o Universo tinha apenas 900 milhões de anos — praticamente um contemporâneo da galáxia A1689-zD1, só um pouquinho mais novo. Com massa equivalente a 12 bilhões de sóis, ele intrigou os cientistas — como ele conseguiu juntar tanta matéria em tão pouco tempo?

Essa época crucial do Universo é chamada de “era da reionização” — um nome chique dado ao período em que as primeiras estrelas começaram a brilhar no Universo e delinear as primeiras estruturas galácticas. Ao observar objetos como esses, estamos investigando justamente a velocidade e a dinâmica dessa era crucial em que o cosmos começou a ganhar seus elementos mais pesados — coisas muito caras a nós, como carbono, enxofre, nitrogênio e oxigênio.

Uma forma alternativa de estudar a reionização é por meio da análise da radiação cósmica de fundo. E a principal fonte de dados a respeito desse “eco” do Big Bang é o satélite europeu Planck. No mês passado, a equipe responsável pela sonda publicou suas novas análises e fez uma descoberta importante: a reionização começou um pouco mais tarde do que antes se imaginava, cerca de 550 milhões de anos após o surgimento do Universo como o conhecemos. Isso é cerca de 100 milhões de anos depois do que se calculava anteriormente.

Em compensação, apesar do início tardio, a reionização avançou muito depressa. “Se muitas estrelas se formam logo de cara, elementos químicos mais pesados vão contaminar o Universo bem cedo”, disse ao Mensageiro Sideral Diego Falceta-Gonçalves, astrônomo da USP e da Universidade de St. Andrews, no Reino Unido, que ajudou a desenvolver algumas das técnicas de análise da polarização da radiação que foram aplicadas pela equipe do Planck.

Polarização da radiação cósmica de fundo, medida pelo satélite Planck (Crédito: ESA)
Polarização da radiação cósmica de fundo, medida pelo satélite Planck (Crédito: ESA)

O resultado disso é que, apesar do início tardio, a transição da fase desinteressante para a interessante do Universo acaba acontecendo bem depressa — o que explica a presença de galáxias evoluídas como A1689-zD1 e de buracos negros supermassivos como o SDSS J0100+2802 nos primórdios do Universo.

Isso também ajuda a explicar descobertas na área de exoplanetas, com a descrição de sistemas planetários como o Kepler-444, com mais de 11 bilhões de anos de idade.

EVOLUÇÃO CÓSMICA
Impossível não ter a sensação de que o cosmos, de algum modo, parecia ansioso para atingir seu estágio complexo. É no mínimo curioso que as leis da física estejam precisamente reguladas para que o Universo não só atinja níveis de complexidade significativos (o que não era de modo algum garantido) como também o fizesse com relativa rapidez, menos de 1 bilhão de anos após seu surgimento inicial. Essa “sintonia fina” cósmica é um dos maiores mistérios da cosmologia moderna, e a verdade é que os cientistas ainda não tropeçaram numa resposta convincente que explique o fenômeno.

Uma segunda reflexão é o desdobramento do princípio copernicano a que essas revelações nos submetem. Ao deslocar a Terra do centro do Universo, Nicolau Copérnico nos divorciou da ideia de que ocupamos um lugar especial no espaço. Agora, conforme notamos que o Universo se tornou complexo e amigável à vida muito depressa, muito antes de estarmos aqui, fazemos outro deslocamento — deixamos também de estar num lugar especial na linha do tempo. Aparentemente, a julgar pelas recentes descobertas em cosmologia, astrofísica e ciência planetária, o Sol e a Terra não surgiram numa época especial do Universo. Na verdade, outros sóis e outras Terras com certeza surgiram muito antes de nós, e esses mundos já tinham todos os componentes necessários para nutrir a existência de vida.

A essa altura, a arrogância humana precisa dar lugar à reverência. Convenhamos: o Universo já era espetacular muito antes que os átomos que formam nosso corpo tivessem chegado à nebulosa que deu origem ao Sol, 4,6 bilhões de anos atrás. Eu fico a imaginar quantas entidades conscientes no Universo já chegaram a essa conclusão antes de nós…

Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook e no Twitter

Comentários

  1. Mesmo sendo leigo no assunto de cosmologia, estou sempre de olho nas novidades que surgem pela Nasa, através de informações recebidas de seus telescópio vagando no infinito do Espaço Sideral.

    1. É interessante, seu Zé, mas fazer as bases nitrogenadas não chega a ser um grande avanço. O duro é fazer o backbone do RNA e do DNA por mecanismos abióticos…

  2. A concepção artística do quasar está errada. Devido gigantesca gravidade ocorre o efeito de lente relativística.

  3. É por isso que eu fico imaginando que, caso uma civilização aqui na galáxia tenha atingido um grau tecnológico alguma coisa mais avançado que nós, porém 10 milhões de anos antes, poderiam ter nos encontrado atráves do seu próprio “Kepler” e enviado sondas inteligentes em nossa direção a modestos 1% da velocidade da luz, e estas chegarem e permanecerem por aqui. Porque é exatamente isso que nós faremos.

    1. Imagino que se existe uma civilização no universo, provavelmente ela tem os mesmos problemas que temos aqui na Terra.

      1. Ph, reflito do mesmo pensamento. Como já falei doutras vezes, só podemos olhar para o próprio umbigo, então não temos a mínima ideia de fazer comparações. A não ser vide obras de Ficção Científica e, por ora, do que já temos de conhecimento, podemos imaginar e criar um falso sistema. Então, falar de nível tecnológico(?), sinais de rádio(?)… por que ainda não fizeram contato? Ora, e se a filosofia de vida de outros povos for totalmente diferente da nossa? Curuuuzes!!!!

    2. Não apenas sondas, porquê não naves que passaram investigaram e depois saíram. Qualquer coisa que alcance modestos 20% da velocidade da luz pode visitar a galáxia de ponta a ponta em 10 milhões de anos.

      Existe um documentário muito bom do National Geographic ou Discovery não lembro direito sobre EVACUANDO A TERRA. E fala sobre uma nave de gerações. Achei fantástico.

  4. Salve Salva, olha, fiquei emocionado com o final do texto. Porque as vezes, nós mesmos, esquecemos que a própria Terra já passou por diversas transformações: Vulcanismos, Era Glacial, Terremotos diários… Não paramos para pensar que já poderíamos estar numa escala de civilização muita mais avançada ou mesmo ainda caminhar na Idade da Pedra. Sempre quando surge essas questões de Espaço Tempo no Universo me vem a cabeça: e se nunca fomos os primeiros? e nunca seremos os últimos? Como ficaria a Humanidade se um dia vasculharmos um Exoplaneta e encontrarmos apenas restos mortais de uma civilização super avançada?

    1. Só para não confundir: no limiar da humanidade diversas “tribos” eram praticamente nômades, devido as arbitrariedades da Natureza Terrestre. Imagine quantos povos/tribos agrícolas foram dizimadas por grandes tempestades, secas ou tsunamis. E se eles tivessem prosperado ainda mais do que se diz do “O Grande Salto Adiante”?

  5. Salvador, será que houve apenas um big bang em toda existência do universo? Qual o verdadeiro ciclo do universo? Cada vez fica mais óbvio que outras espécies surgiram muito antes em outros mundos e todos esses questionamentos já podem ter sido feitos e respondido por outros seres inteligentes.

  6. Tenho lido um livro chamado Urantia, ele explica que existe vários universos e muito mais antigo que o nosso.

    1. nas estórias em quadrinho também, nem por isso tem credibilidade.

      cada absurdo de doer…

  7. Salvador parabéns pelo trabalho! Gostaria de saber como os cientistas avaliam a idade de uma galáxia primordial. Somente pela sua luminosidade?

    1. Até 12,7 bilhoes de anos luz, dá pra usar a temperatura das anãs brancas mais frias. Outro método é usar diagramas H-R. Tem uma explicação geral do método HR aqui:

      https://www.e-education.psu.edu/astro801/content/l7_p6.html

      E aqui:

      http://apps.usd.edu/esci/creation/age/content/current_scientific_clocks/star_age.html

      Cm os dois métodos batem e são relativamente independentes, então eles confirmam um ao outro. Estes dois, por sua vez, confirmam estimativas teóricas até cerca de 13.4 bilhoes de anos. Estas estimativas (que envolvem o cálculo da taxa de expansão do universo usando cefeidas, informação de temperatura derivada de mapas de radiação de fundo e estimativas relacionadas com matéria e energia escura) são então usadas pra ir além.

    2. Vixe, pesquisei na internet e não achei uma resposta sólida…

      Pelo que consegui entender, além da distância da galáxia a nós, tem que entrar a composição da mesma, pois a proporção de elementos químicos pesados numa galáxia é chave: quanto maior, mais velha será, além dos anos correspondentes aos anos-luz de distância…

  8. Off Topic.
    Salvador, depois de muito tempo sem notícias da Sonda Philae e da Rosetta eis que hoje li no UOL notícias sobre a sombra da Rosetta projetada no cometa e infelizmente nenhuma declaração sobre a sonda Philae. Será que ela ainda não “conseguiu” seu lugar ao sol.

    Ruy Ney

  9. Interessante esta avaliação sobre a reverencia que devemos ter com os mundos mais antigos. Pela literatura espirita, além de sabermos que existe vida em praticamente todos os planetas conhecidos, só que em dimensões diferentes da nossa, que o Criador não fez em vão, é possivel compreender que os mensageiros que hoje nos visitam através do espirito, são realmente bem mais velhos que nós, até mesmo daqueles que para cá foram deportados, por não se adequarem a mudança moral de seus mundos. De acordo com a teoria da relatividade, é possível aceitar que, pelas contas mais recentes, Jesus por exemplo tem 40 bilhões de anos terrestres. Mais que o nosso universo ? Muitas respostas já foram reveladas pela ciência. Entre estas, a procedencia da raça adamica pelo barro – Do que são formados os cometas, semeadores de vida sdos planetas ?
    O 666 – Carbono 12 ?
    Está tudo ai. Basta relacionar. O criador observa nossa epopéia rumo aos nossos irmãos já crescidos, que já podem contemplar o multiverso, orbitando o criador…

    1. espíritos não existem e ninguém vive para sempre, da mesma forma não há paraíso algum ou acham que somos tão especiais que alguém iria se preocupar em ter o trabalho de criar uma maluquice dessas?

      nem a gente se importa com as formigas, muitas vezes pisamos nelas e nem damos conta. E quem é o maluco em afirmar que uma formiga não pode ter alma enquanto o homem teria? é muita arrogância humana achar que ganhamos crédito divino e temos alma ou qualquer coisa para nos privilegiar, logo o ser mais desumano e cruel do universo que até se auto-escraviza.

      1. Eu gosto da certeza na escrita: “além de sabermos que existe vida em praticamente todos os planetas conhecidos”
        🙂

        1. E o pior é falar tanta besteira e ainda dizer que a ciência já está descobrindo algo que comprove as tremendas bobagens que a literatura espirita ou outra religião qualquer diga, que piada!
          E ainda fala “Tá tudo ai, é só relacionar!”, relacionar o que com o que meu filho!? Posso relacionar com a Terra média descoberta pelo cientista JRR Tolkien?
          Para de conto de fadas, religião não tem as respostas, quem chega talvez um pouquinho perto de explicar algo é a ciência, e ainda falta um infinito de coisas pra dizer que se sabe algo sobre o universo, mas mesmo assim é o melhor que temos até hoje.

    2. Hahahahaha. Você criou um belo personagem fake. Muito bom.
      Mas quando for esculhambar um texto sério, tente focar em uma ideia somente. Você acabou citando tudo ao mesmo tempo e misturado.
      Mas ficou engraçado mesmo assim.

  10. Interessante esse posicionamento a respeito de sermos ou não sermos o centro do Universo.
    A partir do momento em que paramos para analisar o cosmos, somos o centro de tudo, porque parte de nós, conscientes, a concepção de como tudo funciona(ou achamos que sabemos), ou seja, estamos no centro (cada um de nós) analisando tudo. Se o universo é antigo como consta nos dados observacionais e ainda não sabemos da existência de outras civilizações, continuamos a ser o centro de tudo, pois o universo conspirou a nosso favor. Quem sabe, não?

    1. não somos o centro de nada! outras civilizações podem existir, mas não temos como saber o nível de evolução com exatidão ou até mesmo detectá-las facilmente, temos teorias para experimentos que possam futuramente tentar encontrar planetas potencialmente habitáveis.

      nem o SETI achou algo que pudesse ser confirmado como sendo transmissão alienígena, o problema é que eles não nos enviaram o padrão de linguagem que usam e a distância pode ser muito grande a ponto de perder potência, afinal, as tecnologias de transmissão de dados aqui na Terra evoluem em dois sentidos:

      > longa distância com baixa perda de qualidade e grande volume de informações: são blindados do meio externo e evitam “vazar” ou sofrer interferência externa, usa-se blindagem;

      > curta distância: os dados se perdem e fica impossível decifrar, exemplo: conexões wireless perdem potência com a distância;

      > transmissões de satélite são fracas e precisariam de retransmissores.

  11. A todo esse mistério só um ser supremo poderia nos explicar a beleza que é o Universo criado por ele. Sou doente pelo assunto fico em minha lage olhando para o ceu e admirando as estrelas e procurando movimentos estranhos na madruga, acredito muito em outras vidas , sim existem mas não somos puros o suficiente para vermos. Um dia iremos partir e com certeza irimos viver essa beleza do Universo, mas quando retornarmos a esse planeta não lembraremos de nada.

  12. Falei pro meu filho que a Terra será engolida pelo Sol e ele quis saber quando será, ao que eu respondi “depois que ele (o Sol) engolir Mercúrio”. Não tenho certeza se fiz a coisa certa, afinal, ele (meu filho) tem apenas cinco anos e a terra só vai se transformar em refeição daqui a cinco bilhões de anos, isso é pouco ou muito tempo? O que é o tempo?

    1. Acho que você fez certo. Basta dizer também pra ele que, quando isso acontecer, daqui a bilhões de anos, a humanidade já estará longe daqui faz tempo. 😉

    2. Eu estava tentando explicar para um amigo que não podemos converter metros quadrados para metros cúbicos e esbocei assim: se você fatiar mil vezes um metro cúbico de pão integral, terá mil fatias de um metro quadrado com 0,001 fração de metro cúbico, o que significa que você precisará de mais manteiga (ou goiabada) do que se tivesse cortado o pão em apenas 500 fatias. É quase a mesma forma que uso para explicar a mim mesmo como as lâminas de tempo ficam organizadas nas gavetas que chamamos de eternidades de Brahma, mas isso é conversa de bar.

  13. Finalmente consegui comprar “Extraterrestres” numa banca de minha cidade. Estou gostando da abordagem histórica sobre a construção da percepção do ser humano sobre a possibilidade de vida fora da Terra. O livro vai me acompanhar na viagem dos próximos dias ao Marrocos e pretendo apreciar a Via Láctea na noite límpida e fria do céu do Saara embalado pela leitura.

    1. Kleber, fantástico! Manda uma foto pra nós depois! Adoraria ver meu livro no Saara! Abraço! 🙂

      1. Alalaoooo, mas que calor ooooo… Feche bem o livro para os homenzinhos verdes não derreterem 🙂

        O livro é muito bom, você vai gostar! Invejo sua possibilidade de ver a Via Lactea num céu tremendamente limpo, berço da astronomia!

  14. Salvador, uma curiosidade, qual é a distância em anos luz que essa galáxia A1689-zD1 e o buraco negro SDSS J0100+2802 estão de nós (da Terra)?
    Essa informação foi divulgada?
    Abraço.

    1. Longe pra caramba. É uma conta difícil de fazer, porque a distância percorrida pela luz foi de cerca de 13 bilhões de anos-luz, mas nesse meio tempo o Universo se expandiu um montão, de forma que a galáxia agora está muito mais longe.

      1. Nossa, você levantou uma questão superinteressante: nós vemos a galáxia onde ela estava há 13 bilhões de anos, hoje ela deve estar bem mais distante, com a expansão do Universo, se ainda existe…

        Se o Universo estivesse se encolhendo, seria uma coisa estranha, não é? Nós a veríamos onde estava há 13 bilhões de anos, e, também, onde estava há menos tempo… Teríamos várias imagens da mesma galáxia… Ou estou ficando doido?

          1. não, mas seria interessante se fosse possível.

            a velocidade da luz não muda, não há luz mais rápida ou mais lenta. Mesmo com o referencial em movimento independente da direção e sentido.

          2. Não seria possível ver várias imagens da mesma galáxia. Ocorreria o que chamamos de Efeito Doppler. Na verdade, já ocorre com algumas galáxias no Laniakea (aqui na nossa super-vizinhança).

  15. Salvador, uma curiosidade minha: A expansão do Universo é tridimensional ou ela possuiu uma “âncora gravitacional”? Já foi possível localizar o ponto inicial dessa expansão?
    Parabéns pelos textos – leitura periódica e obrigatória.

    1. Não há um ponto central de onde partiu a expansão. Ela aconteceu em toda parte.

      1. OPA!!! Então não foi só um Big Bang? Foram inúmeros? Isto me parece uma nova teoria…

        1. Não são vários Big Bangs, é um só, que ocorreu em todo o Universo, não num único ponto… Também já perguntei isso ao Salvador, uns posts atrás. 😉

          1. Pera lá Radoico, O Big Bang foi único, sim, ok. Mas se expandiu por todo o Universo.(?) Olha o paradoxo ai, kkk.. em todas as direções de que Universo? Então há algo antes do Big Bang?

          2. Ninguém sabe se há algo antes do Big Bang. Muitos acham que sim, alguns acham que não.

          3. MonoSapines, o Big Bang não se expandiu por todo o universo, ele OCORREU em todos os pontos do universo. Eu também acho difícil de entender, mas é a conclusão que a ciência tem a respeito até o momento.

            O que realmente o provocou e como era antes, muito provavelmente nunca saberemos, mas a esperança é a última que morre 🙂

      2. Opa !!! Parou !!! Fundiu aki !!Como pode ter uma expansão sem ponto de partida !!??E se houve big bang é porque houve algo antes de acontecer !!caraca …fico pt quando escrevem algo sem me consultar !!Portanto ..se tem expansão tem um ponto de partida .Se teve big bang teve alguma coisa (materia ) antes de acontecer!!! Ate porque de algum lugar saiu todo esse pò que formou esse mundão todo !!

    2. Todos “pontos” do Universo são equidistantes em relação a um ponto em quatro dimensões “fora” dele. Esse “raio” era zero no momento do big-bang e tem se expandido desde então.

  16. Achei bacana a maneira como o Salvador fechou a matéria… e complemento dizendo que concordo plenamente com o fato de não sermos o centro do Universo, mas o nosso nível atual de consciência nos impulsiona a pensar: Será que não somos mesmo a “razão” de existir o Universo? E assim sendo, não seriamos, cada um de nós, o centro do próprio Cósmos?

  17. Prezado Salvador,

    Além da matéria ser interessante, curti muito os comentários dos leitores que estão trocando sempre com você. Estou acabando de ler o livro do Brian Greene (A Realidade Oculta) de dar nó na cabeça de qualquer um rsrs…Gostaria de algumas considerações suas em relação ao livro se possível (caso já o tenha lido claro!). Uma das afirmações mais interessantes abordadas neste livro é sobre a questão de múltiplos universos em função da finitude de arranjos e combinações possíveis da matéria ocasionando com isso a possibilidade de repetições de vários universos (se entendi bem o que li rsrs). Pode me ajudar a entender estes conceitos.

      1. O livro é o último lançamento do Sr. Greene e aborda as mais recentes teorias sobre multiversos e teoria inflacionária, além de teoria das cordas etc. Muito bom. Acabei de ler também uma breve história do tempo, mas o Livro do Issac Asimov ” O coloapso do universo é um dos mais didáticos que já li (apesar de antigo). Recomendo.

        1. ótima sugestão! essas teorias vêm da matemática, por exemplo, sabemos que uma função pode ter um espelho quando o gráfico passa pelo eixo Y, como f(x) = x². Esta função tem seu espelho e as equações usadas tem algo semelhante, daí se teoriza que há universos paralelos, pois, matematicamente é possível.

          explicando melhor: a física demonstra que há uma infinidade de partículas, antes se imaginava que bastaria mais uma ou duas a serem descobertas para fechar a conta do modelo, mas a família de partículas ainda não se exauriu. Alguns acham que o LHC vai conseguir fechar a conta, mas não sabemos. Muito da física de partículas vêm de dados experimentais que ajudam a observar justamente a existência de mais e mais elementos constituintes de matéria. Então, há um esforço para ter um modelo matemático que descreva as propriedades do que já se descobriu experimentalmente, daí veem que um modelo ajuda a interpretar e compreender algumas coisas, mas novos experimentos em aceleradores podem encontrar partículas não previstas ou o contrário: alguma partícula é prevista por um modelo, com o bóson de higgs, daí vão tentando achar experimentalmente.

          a coisa é complicada mesmo, não se preocupe se não entender logo de cara. E esse livro que citou é fruto da tentativa de entender as super cordas, um tipo de elemento extremamente pequeno e energético capaz de formar a menor partícula.

          http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/edward-witten-e-os-nos-da-fisica-moderna

          http://www.ciencia19h.ifsc.usp.br/novo_site/download.php?file=//dvds/dvd57/arquivos/apresentacao_em_slides.pdf

  18. Em um horizonte de eventos em que a variável “t”
    (tempo) nao existe, tudo é possível acontecer!!!
    Pode ocorrer que depois de uma sequência de ciclos universais teremos um novo sistema solar e nós estariamos de novo debatendo tudi isto!!!

  19. Sou então obrigado a concordar com os Upanishads quando dizem que cada Big Bang equivale a um dia de Brahma, que termina com o recolhimento de tudo ao final de cada dia. E que o começo de cada dia seria como o alvorecer Cósmico dando origem a um novo Universo.

  20. O Alan Guth que me perdoe mas algo cheira mal, vale lembrar que foram diferenças de minutos de arco entre observaçao e calculo que refutaram um geocentrismo instaurado por mais de um milênio.

  21. Excelente texto. Muito bem escrito e com concatenação perfeita das ideias, em que pese a complexidade do tema. Já pensou em escrever um livro? Se já não o fez, claro. Parabéns.

  22. Antes de mais nada , meus sinceros parabéns pelo excelente artigo. Com a descoberta e divulgação semana passada da Universidade de Pequin do massivo buraco negro existindo anacronicamente num Universo tão jovem , agora tomo conhecimento dessa nova e intrigante constatação de uma galáxia nas mesmas condições. A dança de SHIVA com a tocha da Criação numa das mãos e da Destruição em outra nos parece insinuar que não houve apenas uma Singularidade , mas o lugar comum delas no Universo.

  23. Salvador
    Seguindo a hipótese que não seriamos a primeira civilização surgida no Universo existiriam alguns indícios disto?
    Ou é mais pela probabilidade dada a vastidão do Universo?

  24. Já pensaram na possibilidade, hipotética, de que essas galáxias mais velhas e distantes sejam na verdade galáxias de um universo vizinho, também em expansão, tendo se expandido a ponto de sua borda tocar ou adentrar a borda de nosso universo. Seriam então os universos somente mais uma categoria de aglomerados, tal qual uma hiper galáxia, mais um ser na fauna infinita do universo?

  25. A constatação de que existiu um big bang explica muitas coisas, inclusive a forma do universo atual. Mas não explica a questão crucial: de onde veio e como surgiu esse colosso de matéria. Para haver a explosão da matéria era necessária a sua existência. Daí a pergunta: como surgiu e de onde veio? Penso que essa é uma questão (fundamental) que jamais vai ser respondida.

  26. Salvador, porque em alguns lugares leio que o Universo se formou à 30 Bilhões de anos e outros à 13.8? Sabe qual confusão fazem ou estou fazendo?

    1. O estado da arte cosmológico diz que o Universo se formou há 13,8 bilhões de anos, e o número não é controverso, embora aproximado. Se alguém diz algum número radicalmente diferente, está inventando.

    2. Creio que os 30 bilhões tem haver com tamanho do universo. Ou seja, o universo observável é 30 bilhões de anos luz.

        1. Eis a parte em que eu mais me embanano… Matemática simples indicaria que, se o Universo tem 13,8bi de anos, e o “tamanho” do Universo observável é de 100bi de anos, isso significaria que a velocidade de expansão foi vertiginosamente maior do que a velocidade da luz. Correto? Daí vêm os conceitos indicando que a própria velocidade de expansão influencia a noção de espaço tempo… Já não entendo mais nada…

          1. Correto. A expansão foi mais rápida que a luz. Mas note que nada se moveu mais depressa que a luz. O próprio espaço é que se expandiu.

          2. Mas Salvador, lembrando que o Big bang ocorreu no universo todo, ele já tinha um tamanho (penso que ENORME) ao iniciar a expansão, o que justifica plenamente seu tamanho atual.

            Não é isso, ou estou ficando confuso?

  27. Será que tanto essa galáxia antiga, quanto o super massive black hole antigo que foi descoberto não foram mais rapidamente formados por que no inicio o Universo era menor/mais compacto (Teoria do Universo em expansão).
    Com material para formação em abundância em uma espaço menor, estrelas muito grandes podem ter formados com maior rapidez e como sabemos quanto maior a estrela mais rápida ela morre.
    E como bastante comida em volta, o buraco negro teve bastante coisa para se alimentar.

  28. Caro Salvador leio seus artigos regularmente e gosto deles. O que creio há muito tempo é que o Universo é um CORPO VIVO e nós vivemos nesse corpo. Fora do Universo Corpo existem outros Corpos e outros corpos em um organismo vivo. Grande abraço, Edmar Rodrigues

  29. Para ser sincero com todos os amigos leitores, cada vez mais acredito na teoria do Multiverso e da Inflação cósmica.

  30. Bom dia Salvador.

    Muito interessante sua colocação quanto a nossa arrogância em relação a relevância.

    Fico me perguntando se alguns parâmetros físicos, astronômicos e químicos não estariam errados em suas bases, como conceitos de o que é ‘vida’, por exemplo.

    Em meu entendimento, vida é movimento, portanto sempre houve e sempre haverá vida aqui e em todo lugar do Universo.

    Outro ponto é o Big Bang. Creio que sempre houve movimento, o Big Bang nada mais é que uma explicação para um fenômeno de causas atuais de uma parte da história do Universo, nem começo nem fim, assim como o fundo de radiação cósmica. Dizer que já conhecemos todo o Universo, creio que tem mais a ver com a nossa arrogância do que com toda a relevância.

    Por fim, creio que o a ideia de expansão também esteja referencialmente errada, em minha teoria, velocidade, massa e anti-matéria tem mais relação do que mera velocidade.

    Agradeço a atenção e volto a elogiar a construção de seus artigos.

    Abs.

  31. SALVADOR, NADA COMO LER O SEU BLOG PARA NOS LEMBRAR QUE SOMOS NADA MAIS QUE UM PEQUENO GRÃO DE AREIA NESTA PRAIA ENORME.> MUITA PAZ E PROSPERIDADE.

  32. Pobres mortais, vocês ainda não sabem mas o universo não teve começo, e nem terá fim…..ele simplesmente sempre existiu…….a minha teoria se baseia nisso…….

    1. Concordo com isso. Inclusive faço o adendo que os conceitos de tempo, espaço e dimensões são trivialidades baseadas na nossa percepção limitada.

  33. Bom texto, acredito que esse tipo de conhecimento deveria ser mais estimulado. O mundo ficaria melhor pelo simples entendimento de certas coisas por parte de certas pessoas

  34. Com certeza é muita ignorância acharmos que somos os únicos nesse universo. A humanidade, em tempo escalonado com relação a idade da Terra(não do universo pois ai é covardia…), representa um único segundo dentro de um ano. Imaginem essas outras galaxias bem mais velhas que nossa milkway? Só reforçando, Gravidade é tudo. Ponto final!!!

  35. É, mas se o parágrafo final for verdade, porque então há o paradoxo de Fermi? A arrogância de certos “cientistas” também pode se confundir com fé cega, ou, como diria Einstein, “tudo é relativo”.

    1. Ainda preciso escrever sobre o paradoxo de Fermi, mas eu realmente não acho que ele seja um grande problema.

    2. Eu nem diria que a pergunta de Fermi seja um paradoxo…Onde estão eles? Perguntou Enrico. OVNIs à parte, “eles” – e por eles chamo de formas de vida conscientes e seus aparelhos – poderiam estar em qualquer ponto do sistema solar, neste momento, e nossa tecnologia ainda não os ter detectados…

  36. Olá Salvador,

    Fala aqui um assíduo frequentador de seus posts/blog.. Não sou expert, somente um apaixonado.

    Talvez não se interesse mas, já ouvi isto ou pelo menos parecido, com o Professor Adauto Lourenço. Por ele ser Criacionista (mas muito científico também), talvez você não se interesse.
    O que me chama a atenção também é campo de pesquisa científica/testada por este Professor.

    Entretanto, ele fala em uma de suas palestras de vários conjuntos de galáxias em espirais que apresentam maior ou menor idade que as outras (absurdamente menores/maiores), e que os cientistas nunca explicaram/riam, refutando assim várias das suposições da Teoria do Big Bang.

    Se ouviu sobre isto, o que poderia opinar ou nos dizer ? O que tem de novo nesta descoberta ?
    Grande Abraço.

    1. O Big Bang é uma teoria bastante consolidada. A única coisa que os cientistas questionam é se houve uma singularidade nele ou se há um passado no Universo antes dele, mas ninguém questiona que ele aconteceu. Abraço!

        1. Não, teoria é uma hipótese científica capaz de fazer previsões verificáveis e corroborada por evidências. Mas, claro, é perfeitamente legítimo acreditar numa hipótese científica testada e corroborada. 😉

          1. Teoria e Consolidada ? É bem contraditório concorda ? Como ser Palmeiras e Corinthiano (roxo) ao mesmo tempo… Embora eu entenda tais convicções.

            Se leis da física ainda refutam esta, acho que não fecha a questão/equação e consolida o fato. Os cientistas também ainda dizem aos montes (na minha simplória e leiga visão). Dizem que Hawking por exemplo, foi mais artista que cientista. Falou muito e testou em (bem) menor proporção.

            O bom senso me diz que são ainda pontos de vista. Longe de mim discutir com Titâns (e da ciência tb)… nem mesmo gerar longas discussões. Acho que já ocorre muito aqui..

            mas :

            O que não conseguem/iram explicar são a segunda lei da termo-dinânica e capacidade de entropia (ciência pura e testada exaustivamente).

            “Tudo vai da Ordem para a Desordem”..

            O que acha ?
            Grande Abraço

      1. Mas as diferentes idades das galáxias não refutam a teoria do Big Bang, não é? Galáxias nascem e “morrem” o tempo todo. Pelo que entendi da questão, supõe-se que todas as galáxias nasceram juntas, no mesmo instante? Sou só curioso, não entendo a fundo do assunto, mas a teoria do Big Bang não defende isso, ao que sei.

        1. As galáxias evoluem com o tempo, mas o ritmo de evolução depende de vários fatores. O Big Bang é um fato científico. Só a singularidade nele é questionável.

    2. Roger, acho que o fato de ser criacionista não altera a paixão que temos pela ciência, eu também sou criacionista, cristão e tudo que é apresentado aqui nesse blog, que é de longe meu favorito, e em outros sites é perfeitamente possível e não vai em desencontro à fé.
      É muito estranho para algumas pessoas entender como alguém que acredita no BigBang e gasta dinheiro com telescópio e vive assistindo todos os documentários sobre o Universo, incluindo Hawking e Sagan, que são fervorosamente ateus, mas tem meu total respeito e admiração (embora Hawking pareça estar mais preocupado em ser um pop star por agora).
      Acredito que a vontade de descobrir e aprender o máximo possível seja completamente independente de fé, o que é preciso é ter mente aberta e respeito.
      Umas das coisas que admiro em relação ao Salvador é que ele sempre demostrou esse respeito, independente da fé, seja ela em Deus ou na ciência ou, como no meu caso, em ambos.

      1. O problema das religiões (entre elas o Design Inteligente) é definir respostas sem evidências.

        Ciência não é fé, é busca por conhecimento. Ela coloca todas as respostas como questionáveis, no sentido de que, se hoje uma teoria consegue prever resultados experimentais que são confirmados na prática, caso surja um resultado não previsto, a teoria é passível de reformulação.

        A Ciência admite que não tem respostas para tudo, a religião não.

        Em religião, não se admite questionamentos. Maria era virgem, Noé viveu 950 anos, Adão e Eva foram feitos conforme a bíblia descreve, Jesus ressuscitou. Não aceitar esses fatos é heresia, o maior pecado que alguém pode cometer.

      2. Eu gasto dinheiro com telescopio e voce com a igreja.
        Eu gosto de olhar para os planetas e voce pra imagens de santos.
        Onde está a dificuldade em entender?

        “É muito estranho para algumas pessoas entender como alguém que acredita no BigBang e gasta dinheiro com telescópio e vive assistindo todos os documentário”

        Ah, e eu acredito no big bang. Diferente de deus(es) este é comprovado, SIM

Comments are closed.