Dando forma à Via Láctea

Dizem que santo de casa não faz milagre, e esse certamente é um ditado que se aplica aos astrônomos terráqueos que tentam reconstruir a forma da Via Láctea. É muito difícil delinear a configuração da nossa própria galáxia, e por uma razão óbvia: estamos dentro dela. Mas um grupo de astrônomos brasileiros parece ter encontrado um caminho para contornar essa dificuldade.

A Via Láctea e a posição de cerca de 100 aglomerados estelares estudados pelo grupo brasileiro. (Crédito: Nasa/JPL-Caltech/UFRGS)
A Via Láctea e a posição de 99 aglomerados estelares estudados pelo grupo brasileiro, delineando uma configuração de quatro braços espirais na nossa galáxia. (Crédito: Nasa/JPL-Caltech/UFRGS)

Denilso Camargo e seus colaboradores Charles José Bonatto e Eduardo Bica, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estão usando a posição de aglomerados de estrelas para mapear com razoável precisão a configuração dos braços galácticos. E, segundo eles, há boas razões para acreditar que a Via Láctea tem quatro braços espirais, e não dois como se costumava pensar.

O trio fez um pente-fino em imagens colhidas pelo satélite Wise, da Nasa, que realiza detecções em infravermelho e por isso mesmo é capaz de identificar regiões mais “empoeiradas” do espaço. Ao longo de 2015, Camargo e cia. reportaram a descoberta de mais de 400 chamados aglomerados estelares embutidos espalhados pela Via Láctea. São agregados de estrelas ainda envoltos em grandes massas de gás e poeira.

Os aglomerados em geral são os resquícios de berçários estelares. As estrelas costumam nascer em ninhadas grandes, formadas a partir de nebulosas. Conforme nascem, esses milhares de estrelas dispersam o gás remanescente, e o que resta é o aglomerado aberto. Com o passar do tempo, as estrelas acabam se espalhando e o aglomerado se desfaz por completo. O Sol provavelmente nasceu assim, mas isso foi há 4,6 bilhões de anos. Hoje, não há sinal do aglomerado de que fizemos parte nos primórdios do Sistema Solar.

Os aglomerados embutidos estão naquele estágio em que o gás em seu interior já foi quase totalmente disperso (ainda pode acontecer alguma formação estelar nele), mas ainda há bastante poeira circundante. São portanto relativamente jovens e sua posição atual é um bom indicativo de onde eles se formaram originalmente — embora, claro, eles já tenham se deslocado um pouco. Em galáxias espirais, as regiões mais propícias à formação de aglomerados são justamente os braços, onde há maior concentração de gás.

Em seu mais recente trabalho, publicado no “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”, os pesquisadores da UFRGS estudaram detalhadamente 18 aglomerados embutidos. E eles reforçam a ideia dos quatro braços. Uma análise que inclui mais aglomerados — 99, ainda que com maior incerteza em suas posições — também sustenta a hipótese.

E A BARRA?
O estudo dos brasileiros ainda encontra uma dificuldade. Como conciliar a ideia de quatro braços — que por si só não é controversa — com o fato de que a Via Láctea parece ter uma barra mais densa, composta por uma grande concentração de estrelas e gás, na sua região central? Entre as galáxias espirais de quatro braços vistas lá fora, nenhuma tem barra.

“Esse é um problema a ser resolvido”, admite Camargo ao Mensageiro Sideral.

Na comunidade astronômica, é claro, a controvérsia sobre o número de braços da Via Láctea só poderá ser encerrada com mais estudos. “O trabalho é interessante, mas não é conclusivo”, comenta Augusto Damineli, astrônomo da USP (Universidade de São Paulo) que há anos investiga a estrutura da nossa galáxia e não participou do atual estudo.

“Note os aglomerados espalhados atrás de Órion, que não seguem um braço espiral com muita fidelidade. Além disso, é uma região pequena e não é raro que braços espirais apresentem bifurcações locais e não braços inteiros”, afirma Damineli. “E outro detalhe: os aglomerados abertos nascem em braços e depois se afastam dele. Assim, o local atual do braço não é exatamente onde estão os aglomerados abertos hoje, mas onde eles estavam quando nasceram.”

Alguns dos aglomerados estudados pelos brasileiros, em imagem do satélite Wise (Crédito: Nasa/Camargo et al.)
Alguns dos aglomerados estudados pelos brasileiros, em imagem do satélite Wise (Crédito: Nasa/Camargo et al.)

Esse é um problema menor para os aglomerados embutidos, que são extremamente jovens, mas ainda assim precisa ser levado em conta. Nenhum dos 18 aglomerados em torno dos quais o estudo principal se concentra parece ter mais de 5 milhões de anos, o que é uma ninharia em termos de translação galáctica. O Sol, por exemplo, leva cerca de 250 milhões de anos para dar uma volta em torno do centro da galáxia.

Os próprios autores do estudo mostram, contudo, uma complicação adicional, ao indicar com barras de erro a incerteza envolvida na posição estimada dos aglomerados. “Como as distâncias são enormes, aumentam as incertezas”, diz Camargo. “Preferimos mostrar que são grandes. Mas ainda assim dá para ver claramente os aglomerados traçando o braço externo.”

UMA NOVA ESPERANÇA
Espera-se que os dados do satélite europeu Gaia, lançado no fim de 2013, possam iluminar a questão. Sua principal missão é fazer um censo da Via Láctea, medindo por astrometria a posição de cerca de 1 bilhão de estrelas. “Certamente promoverá grandes avanços”, afirma o pesquisador da UFRGS.

Enquanto isso, o grupo brasileiro pretende continuar mapeando mais aglomerados e associações estelares, na esperança de delinear com mais precisão o que eles acreditam ser os quatro braços da Via Láctea. “Principalmente para Sagittarius-Carina, que ainda são poucos objetos. Mas acho que no futuro conseguiremos resultados definitivos”, diz Camargo.

E a saga para decifrar a forma da nossa galáxia continua. Não perca os próximos capítulos.

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Comentários

  1. Salvador, lendo um artigo seu de 2013, você diz que no inicio do sistema solar, o sol tinha um brilho 15% menor que hoje. Com essa intensidade, Vênus estava na zona habitável? Se sim, havia boas possibilidades de abrigar vida no planeta ou o ambiente não era favorável?

    1. Vênus pode muito bem ter sido habitável no passado sim! Não temos como ter certeza porque ele é geologicamente ativo, então o passado dele já foi apagado da superfície há tempos. Mas é bem provável que tenha sido habitável sim.

  2. Caro Salvador
    Primeiramente, parabenizo ao blog pelo trabalho que vem fazendo em disseminar noticias e conhecimentos referente ao nosso universo em uma linguagem que não exclui ninguém (novatos ou experientes). Parabéns!

    prosseguindo ao que me motivou a escrever a você, nao sei se a equipe tem um espaço destinado a tirar duvidas ou perguntas dos leitores, mas tenho uma duvida que gostaria, se puder, ser esclarecida por vocês.

    A minha duvida é referente a teoria geral da relatividade sobretudo a dilatação do tempo em possíveis viagens interestelares. Se, hipoteticamente, fosse vencidas todas as barreiras quanto ao tempo gasto no deslocamento entre estrelas, independente de suas distancias, a ponto de ser uma viagem instantânea a teoria proposta por Einstein ainda se aplicaria, ou seja, ao se deslocar da Terra a outro planeta orbitando uma estrela a milhares de anos-luz de distancia , considerando um deslocamento instantâneo (tempo de viagem zero), ao colocar o pé neste planeta a relatividade ainda iria nos fazer perder meses, anos ou décadas terráqueas quando voltarmos?

    agradeço desde já pela atenção,

    1. Yuri, a teoria diz que viagens instantâneas pelo espaço são impossíveis. O limite máximo de velocidade é o da luz. Agora, supondo que você possa contrair o próprio espaço para fazer a travessia, a ponto de realizar uma viagem quase instantânea, os efeitos de dilatação temporal só seriam sentidos se a sua nave estivesse viajando perto da velocidade da luz. Se você estivesse a 10 km/h e simplesmente contraísse o espaço à sua frente para chegar a Alfa Centauri, não haveria dessincronização do seu relógio com o da Terra.

      1. provavelmente sejam núcleos de outras galáxias menores engolidas que estejam em processo final de fusão. Pena não deixar um rastro e também por ser um processo tão incrivelmente lento que não dá para ter certeza, a menos por simulações por computador.

  3. O título do post não faz nenhum sentido! Ninguém está dando forma a coisa nenhuma! O que se pretende é tentar imaginar como seria o formato de nossa galáxia e estabelecer essa tentativa com alguma precisão.

    Apenas DEUS, o TODO-PODEROSO, tem o poder de dar forma e substância para todas as coisas. Ele é o CRIADOR do UNIVERSO.

    “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas”

    (Romanos 1:20)

    1. uma simulação por computador usando a teoria relativística daria uma boa ideia de como o processo acontece, nem precisa se preocupar com planetas em si com exatidão, mas é necessário colocar um grande agrupamento de partículas com massa.

      de resto, se fizer direito, a simulação dura uns bons meses e terá a resposta. E vai precisar de uma máquina muito robusta para processar tudo.

      claro, como somos matemáticos vc me entendeu.

  4. Olá Salvador,
    Excelente matéria e parabéns aos nossos cientistas.
    Uma Dúvida.
    O que tem no centro da Via Láctea?? somente gases? ou um tipo de Sol???

    1. Muitos sóis. Muitas estrelas como a nossa, outras tantas maiores, outras tantas menores. E bem no meio, um buraco negro gigante. 😉

  5. Salvador seria bom vc colocar um contador de visitas no teu blog.Muitas pessoas que conheço (inclusive eu)visitam teu blog e nem sempre comentam a noticia pq muitas de nossas perguntas ja foram feitas por outros leitores e respondidas por vc.Agora olhando bem a posição de nosso sistema solar na imagem da pra ver que estamos indo pelo ralo mesmo como disse o vinicius la em cima !!!

  6. Salvador,boa noite! É verdade que o universo está se expandindo por conta de uma matéria escura no mesmo? E que as galáxias,planetas,estrela e o sol estão se afastando e que todos os planetas se congelará? E depois da expansão,tudo se retrairá se aglomerando,formando uma grande bola ou sei lá o que, de energia e a partir dai se iniciará um outro Big Bang?
    E onde estará Deus nessa hora?
    Onde ele fica?

    1. Sabemos que o Universo está se expandindo, e que a expansão está em ritmo acelerado por conta de uma energia escura, cuja natureza ainda é misteriosa. Não sabemos como o Universo vai acabar. Só sabemos que, seja como for, vai demorar muito, muito tempo. Muito mais do que o tempo que a Terra terá de existência. Sobre Deus, não tenho como te responder.

  7. Salvador, olhando para o céu à noite, em que direção de constelação conhecida fica o centro da galáxia? E o seu exterior? Para filmar as estrelas ao redor do Sol, precisaríamos de 1 ano de filmagens, dar uma volta ao redor do Sol?

    1. Sim, precisamos de um ano para registrar o lado de dentro e o de fora da galáxia. E o centro fica na direção da constelação de Sagitário.

  8. Salvador,boa noite! É verdade que o universo está se expandindo por conta de uma matéria escura no mesmo? E que as galáxias,planetas,estrela e o sol estão se afastando e que todos os planetas se congelará? E depois da expansão,tudo se retrairá se aglomerando,formando uma grande bola ou sei lá o que, de energia e a partir dai se iniciará um outro Big Bang?

  9. Isso tudo quer dizer que ficou mais difícil abraçar nossa querida galáxia? quero dizer, nós com dois braços, ela com quatro… Enfim, podemos imaginar que dois deles são pernas. Queria lhe dar uma jeito mais antropomórfico, para amá-la mais facilmente… O gênero, pelo menos, já está consolidado – é feminino, né? Isso me ajuda – rs.

  10. Meus parabéns pelo trabalho dos pesquisadores brasileiros.
    Espero que essa pesquisa minuciosa, torne-se um embrião de incentivo aos amantes da astronomia, principalmente aos nossos estudantes.

  11. Bobagem, a única coisa que sabemos da nossa galáxia é que é fininha e barriguda, ninguém jamais saiu de seu disco pra falar como é a sua feição de cima ou de baixo, se tem três braços e quatro pernas, se capenga prum lado.. Pura especulação.

  12. Caro Salvador, permita me fazer uma pergunta! Em sua opinião e experiência o que você acredita ter além do Universo observável? Nada? Outro Universo? Meteria e espaço-tempo?

    Obrigado!!

    1. Nem penso muito sobre isso. Acho que além do Universo observável tem mais do nosso Universo, só que não observável… 🙂

  13. Eu acho que ciência especulativa deveria ficar apenas nas publicações entre os iguais sem acesso do publico não estudioso. Aprendi desde cedo que o tamanho da via láctea era de 100.000 anos-luz de diâmetro e agora estão anunciando “apenas” um “pequeno” acréscimo de mais 50% no total. Agora vem os braços da possível espiral de nossa via láctea que não são mais 2 e sim “possivelmente” 4. Nossa. O assunto me interessa e só entrei porque tinha chamada na capa do UOL, por isso me dou ao direito de comentar mesmo não sendo conhecedor do assunto.

  14. Na minha humilde opinião como podemos ver a nossa via lactea em relação ao universo é extremamente pequena ou seja quase nada um grãozinho de areia na praia, e se nos notarmos fizermos uma viajem para dentro de nosso corpo veremos que também ha algumas vidas dentro de nós que tem suas funções que são extremamente pequenas igual ao universo ai eu pergunto nos não podemos fazer parte de outra vida esta dentro de outro corpo.

    1. Há mais ou menos 30 anos eu me questionei se talvez nós vivêssemos dentro de um organismo vivo e hoje leio o seu comentário que diz a mesma coisa. Sim, meu caro, é possível. E é possível que esse organismo viva dentro de um outro maior ainda e assim sucessiva e infinitamente.

    2. concordo plenamente com vc. nao seremos todos nos celulas de outros corpos, e tudo que esta a nossa volta um ser gigantesco… crescendo e morrendo incontaveis de milhares de vezes?

    3. embora seja anti cientifico nada é impossivel meu caro …… tudo ainda está envolto em grandes e escuras vendas e a medida que retiramos as mesmas as surpresas vão nos brindando

  15. Gente, pra quem não entende nada do assunto é de arrepiar e desculpando a ignorância, pergunto: será que tudo isso não pode ser visão de ótica?

  16. Esse post mudou um outro conceito que eu tinha sobre a nossa posição… Achava que o Sol ficava mais distante do centro da galáxia, mas com dois braços “extras”, ficamos no meio do caminho.

    1. Eu também tinha a mesma impressão, achava que estávamos na periferia da galáxia.

    2. Isto mostra como muitas vezes assuntos científicos são divulgados sem o devido cuidado. Eu me lembro de ter lido a uns 10 anos atrás, numa fonte confiável, que o Sol ficava bem próximo do limite da Via Láctea e que neste momento estaria numa região de calmaria do braço, o que justificaria a menor incidência de colisões com cometas ou outros corpos celestes. Se nem hoje temos certeza do formato da Via Láctea, o estudo que li devia ter bem pouco embasamento.

      1. isso acontece quando algum cientista mais renomado tenta lançar uma teoria, é uma tentativa.

        eu nunca aceitei essa coisa de estarmos em um tipo de escudo, é sem sentido e precisaria de uma simulação para verificar. De toda forma, a ideia testada ajudaria ao menos para refutar um caminho errado.

        pelo menos os equipamentos de observação estão evoluindo e isso vai permitir observar melhor. Antes só era possível ver dentro do espectro visível ao olho humano, agora essa limitação está ajudando a ampliar os horizontes.

        de toda forma, estamos vendo que a nossa galáxia é bem maior do que se imaginava e isso aumenta a chance de vida alienígena em vários níveis. Lembrando que é difícil até para nós adivinhar em que direção mirar para enxergar o branco dos olhos do ET.

  17. Salvador, pergunto: seria possível lançar uma sonda num plano “pra cima” em relação a galaxia para ve-la de cima? Qual a espessura em relação à terra?

    1. Lançá-la nessa direção você pode. O que não dá é para esperar milhões de anos até ela se elevar o suficiente para fotografar a galáxia de cima…

      1. Isso seria a continuação do “Pálido Ponto Azul”. Apreciaríamos então nossa insignificância cósmica através do “Pálido Ponto Amarelo”, em meio à uma multidão quase infinita de outros pontos e manchas, o que também desmentiria a aparente solidão em meio a qual o ponto azul fora fotografado.

        Se a humanidade continuar prosperando por alguns séculos, acredito que isso deve se tornar realidade. A partir de uns 30 mil anos-luz para cima poderíamos ver o centro da nossa galáxia, e os subúrbios onde o nosso pálido ponto amarelo se encontra.

        1. E já que associei com o “Pálido Ponto Azul” do Carl Sagan, não tem como não lembrar dele falando sobre como seria ter essa vista de cima da Via Láctea. Especialmente depois de ve-lo cantando esse refrão chiclete nessa musica: https://youtu.be/zSgiXGELjbc?t=102

          Não sai nem com lavagem cerebral depois que ouve kkkkkk

        2. Obrigado por compartilhar!
          Como já disse antes nesse espaço, não tenho capacidade de compreender tudo o que é dito, mas é muito gratificante!
          Grande abraço!

  18. Olá Salvador, é sempre muito empolgante ler suas matérias, e elas sempre nos traz um pouco mais de conhecimento, e curiosidade, ai lendo sua matéria me veio uma imagem a cabeça, e gostaria de saber sua opinião, afinal a lua gira em torno da terra, os planetas em torno do sol, e o sol em torno da via láctea, certo? Ai vem a minha “viagem” nos pensamentos, Salvador as galaxias estão se afastando de um ponto, elas também poderiam estar “girando” em torno desse ponto inicial ao mesmo tempo que se afastam?

    1. Éder, as galáxias também interagem gravitacionalmente, giram em torno de um centro de gravidade, e colidem. São os aglomerados e superaglomerados galácticos. Não se sabe se há outra estrutura ainda maior que os superaglomerados galácticos no Universo.

      1. Certo, era justamente isso que gostaria de entender, se esses aglomerados giram em torno digamos assim, da onde supostamente tudo começou “Big Bang”… obg Salvador

        1. Não, do Big Bang, não. Porque a expansão do Universo é causada principalmente pela expansão do espaço-tempo, e não pelo movimento das galáxias.

          1. Hehe Salvador compreendo o que você diz, é só eu me lembrar que é o espaço que contém os objetos e que está modificando-se e se esticando fazendo que os objetos se afastem propriamente falando é o espaço, a minha “burrice” aqui é justamente relacionada ao pensamento de que se o espaço tempo se expande como uma bexiga ao se encher de ar, ele poderia girar entende, como uma bexiga tbm…. ahhh Salvador que loucura foi mal !kkkk

        2. Salvador, complementando a pergunta do Éder: quando o Sol gira em torno do centro da Galáxia, ele também segue a trajetória do braço espiral, “caindo” em direção ao centro, ou isso é só ilusão causada pelo formato?

          Aliás, em que sentido gira a Galáxia, no mesmo sentido dos braços (antihorário na primeira ilustração), ou no sentido contrário (horário)?

          1. Boa pergunta sobre o sentido! Acredito que em anti-horário, mas confesso que é só um chute. Sobre a trajetória do Sol, ela é estável, elíptica com baixa excentricidade. Não estamos caindo na direção do centro. 😉

          2. Deve ser difícil determinar se é horário ou anti-horário. Se você observar por “cima” e estiver girando anti-horário, ao olhar por “baixo”, estará girando horário, não? Imagino que seja preciso escolher um ponto referencial para isso.

          3. Penso, smj, que o sentido que gira a galáxia é o sentido horário pelo que faz supor a primeira figura ilustrativa da Via Lactea (sem acento agudo no a, pois no latim não há acentuação gráfica), onde a ponta dos braços se afinam, pois no sentido anti-horário a ponta dos braços estariam se dispersando no espaço.

    2. Éder, a sua pergunta parece remeter ao conceito de que toda a matéria está se afastando da região onde aconteceu a explosão que seria o big bang. Se foi esse seu pensamento, entenda que não existe essa região e sugiro que pesquise pela respectiva teoria (que é muito interessante). Resumidamente, não houve uma explosão em um ponto, pois o espaço-tempo também estava confinado e todos foram liberados conjuntamente. A própria ideia de explosão é usada somente para fins ilustrativos.

      1. Olá Gilberto, sim era quase isso a minha pergunta, porem pra você compreender essa minha “viagem”, imagine o universo como uma bexiga sendo enchida não de ar, mas sim de água ok, agora pegue essa bexiga e agite, fazendo com que água dentro gire, algo como um redemoinho, porem dentro da bexiga, de certa forma td vai girar em torno de um centro, entendeu agora onde quis chegar? é meio loucura eu sei rs…. mas valeu a atenção !

        1. Éder,

          É justamente este centro que não existe. Teoricamente, você poderia viajar para qualquer ponto deste nosso universo e ainda sim se sentiria estar no centro dele. Se olhasse em todas as direções acharia que o “limite” do Universo estaria à mesma distância em qualquer direção. Isto é explicado pelo fato do espaço tempo ser curvo e não linear, como nos diz o senso comum.

  19. Salvador Nogueira, eu sou um entusiasta do seu trabalho, Vou começar estudar Biologia nesse segundo semestre e pretendo fazer Astrobiologia depois, te agradeço por suas matérias que sempre me deixa com uma uma chama acesa pela astronomia

  20. Astrônomos terráqueos?!!Porquê? Existem astrônomos venusianos, ou marcianos, por exemplo?

    1. Ainda não existem astrônomos marcianos, mas no futuro quem sabe? Uma coisa é certa: astrônomos de planetas na galáxia de Andrômeda não têm a menor dificuldade para mapear a forma da Via Láctea…

    1. E como seria feito esse estudo? Muito mal conseguimos sair do sistema solar.

  21. Se realmente estamos sozinhos,(vida) no universo, o que não é provável, ainda não sabemos medir a importância de ter nascido , viver aqui, nesse planeta, nesse lugar, e nessa era!…Fantástico!…

    1. Eu cheguei à conclusão que dei muita sorte de viver na era de ouro da humanidade… Apesar de todos os problemas que existem, nunca tivemos tanto conforto, recursos e, por incrível que pareça, paz regional.

      Na média, nunca os humanos tiveram tal qualidade de vida!

      O único problema é que isso está em risco, se a população mundial continuar crescendo, mas aí, já não estarei mais vivo.

      1. Interessante a sua colocação Radoico!

        Mas acho que em todas as eras, o ser humano que a experimentar pensará da mesma forma… Mesmo que não seja verdade, estaremos achando que o que vivemos agora, sempre é melhor do que o que passou… 🙂

        A análise é extremamente subjetiva!

        1. Os historiadores constatam sim que a era atual, apesar das guerras e barbáries, é uma das mais calmas que a humanidade já viveu. Mas na minha opinião não é sorte estar vivo nesta era. A experiência de estar consciente (estar vivo), é recorrente e vai voltar a acontecer infinitas vezes, neste e nos próximos universos. Para você é uma experiência eterna, já que entre duas fases conscientes, você não terá noção da passagem do tempo. Pode ser que cada fase consciente ocorra a cada mil, milhão ou bilhão de anos, mas para você será a sensação de estar sempre vivo.

  22. Bom dia Salvador. Muito legal este estudo dos brasileiros, quanto mais soubermos do nosso próprio endereço melhor poderemos viajar nele. Salvador há alguma possibilidade destes braços serem por exemplo, uns para cima e outros para baixo? Um grande abraço!

      1. Salvador,

        Aproveitando a pergunta do colega, o disco da eclíptica solar gurada algum alinhamento com o disco da Via Láctea? Ou isso não é uma prerrogativa para um sistema como o nosso?

        Abraços!

        1. Não, não guarda. Tanto que vemos a Via Láctea em outros planos com relação à órbita dos planetas. Estudos com satélites como o Kepler mostra que os alinhamentos dos planetas são aleatórios com relação ao plano do disco galáctico.

          1. Fascinante! Isso demonstra pra mim que a galáxia tem vida própria. Sistemas independentes dentro de um grande sistema, aleatórios, exatamente com os seres vivos no planeta terra. Somos de fato a ponta de um complexo sistema evolutivo.

  23. Boa tarde Salvador Nogueira

    Sou um leitor de sua coluna no Blog da folha e sempre acompanho na medida do possível as novidades da área, aprecio muito o se trabalho e gostaria agradecer por nós trazer conhecimento de forma simples e pratica.

    A algum tempo li uma matéria sobre o FRB, mas ultimamente não consigo encontrar informações uteis sobre o caso, umas das ultimas diz respeito a um teste feito em um microondas aonde aparentemente se prova a artificialidade do sinal (em http://www.vox.com/2015/5/5/8553609/microwave-oven-perytons ), que por sinal foi bem mau interpretado em alguns sites de noticias mundo a fora (ex: http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/2015/05/sinal-de-radio-que-intrigou-cientistas-por-17-anos-vinha-de-um-aparelho-de-microondas.shtml ). Gostaria de saber se você tem alguma informação nova a respeito.

    Aproposito, curti muito o seu livro “Extraterrestres”, talvez você goste deste site: http://conceptships.blogspot.com.br/ gosto de viajar um pouco imaginando com seriam as civilizações por trás de tais naves.

    Obrigado desde já.

    Outros links sobre FRB:
    http://www.newscientist.com/article/mg22630153.600-is-this-et-mystery-of-strange-radio-bursts-from-space.html
    http://www.space.com/28590-fast-space-radio-burst-discovery.html

    Obs: Tentei mandar e-mail mas não achei o endereço.

    1. 😀

      Espirais tem “braços”, reclame com os matemáticos que lhes deram esse nome! .-)

        1. Bom, ponto para você, oswaldo! 🙂

          Pelo menos quanto às galáxias espirais, sempre falaram em “braços”… Talvez porque são espiras abertas, pedaços de espiras.

  24. Prezado Salvador, sem querer desmerecer o interessante trabalho dos astrônomos brasileiros, não vejo qual é a grande novidade, certamente não é a questão dos quatro braços espirais, já mapeados anteriormente. Na edição de Setembro de 2002 da revista Sky & Telescope, pág. 44, há um diagrama mostrando os 4 braços e a barra central da galáxia. E este artigo faz referencia a pesquisas ainda mais antigas… Abraços!

    1. Há uma disputa na comunidade astronômica. Antes achavam que eram quatro, depois passaram a dois e agora estão voltando a quatro, embora muitos ainda não estejam convencidos.

  25. Caro salvador, não é o tema agora mas não posso me conter em perguntar. E a montanha em forma de piramide encontrada em ceres nas ultimas fotos da sonda?

    1. Interessante. Mas é uma montanha. Falar que tem forma de pirâmide é forçar a amizade… 🙂

      1. É a grande mídia chamando a montanha de “pirâmide”.

        Porém devemos notar as aspas. Não estão reforçando que é uma pirâmide, e sim que a montanha APARENTA ter uma forma piramidal, mas não tem absolutamente nada a ver com uma pirâmide real construída por seres inteligentes ou algo do tipo.

        https://www.youtube.com/watch?v=Zc-b1F21ZcU

        http://www.nbcnews.com/science/space/ceres-shows-pyramid-mountain-those-puzzling-white-spots-n379931

        http://blog.seattlepi.com/bigscience/2015/06/22/now-theres-a-3-mile-high-pyramid-shaped-mountain-on-ceres/#32908101=0&33588103=0

        Títulos chamativos para atrair a atenção do grande público (e infelizmente gerar inúmeras teorias estúpidas de conspiração, como se já não bastassem as atuais)…

        1. com toda ação dos ventos e da chuva aqui na terra não tem nada parecido, mas com todo respeito o achado merecia melhor atenção, principalmente por você que eu achava ser um entusiasta de temas polêmicos.

          1. apofenia, é o mesmo que está ocorrendo com umas imagens de marte, estão vendo uma piramide, e na foto.

  26. Parabéns aos pesquisadores da UFRGS pela meticulosa e extremamente trabalhosa pesquisa.

  27. Por ora, gostaria de saber : Temos + ou – 170 ou 125 bilhões de Galáxias? Nebulosas e Galáxias são sinônimas?

    1. Não. Nebulosas são nuvens de gás dentro da nossa galáxia. Galáxias são imensos arranjos de estrelas cheios de nebulosas dentro.

    2. O que confunde é que, num passado não muito remoto, as galáxias eram chamadas de nebulosas, numa época em que ainda se achava que a nossa galáxia era o universo inteiro e as “nebulosas” estavam todas na via láctea.

      Foi só na primeira metade do século 20 que se percebeu o engano.

  28. Nossa, e agora? se redefinirem a via láctea, podemos voltar ao tempo das cavernas, e pode ser que o PT seja montado de uma outra forma, dai pode ser que a Dilma seja cabeça desses escândalos.

      1. Na minha humilde opinião como podemos ver a nossa via lactea em relação ao universo é extremamente pequena ou seja quase nada um grãozinho de areia na praia, e se nos notarmos fizermos uma viajem para dentro de nosso corpo veremos que também ha algumas vidas dentro de nós que tem suas funções que são extremamente pequenas igual ao universo ai eu pergunto nos não podemos fazer parte de outra vida esta dentro de outro corpo.

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