Mensageiro Sideral

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos

 -

Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Colisão de asteroide pode ter estimulado vida

Por Salvador Nogueira

Acredite se quiser, mas o impacto de asteroides com a Terra pode ser bom para o surgimento e a evolução da vida. Principalmente se você for um micróbio.

É o que sugeriu a astrobióloga canadense Haley Sapers, da Universidade McGill, ao apresentar seu trabalho durante o II Workshop de Astro e Paleobiologia, realizado no início da semana na USP, em São Paulo.

Seria isto igual a injeção? Dói, mas é para o bem da vida no planeta?

Parece um contrassenso (ou um contra-senso, se você, como eu, é mais fã da antiga ortografia portuguesa). Afinal, todos sabemos que impactos de asteroides são responsáveis por pelo menos uma grande extinção da história terrestre (e possivelmente mais). Colisão de bólidos celestes mais mata que cultiva.

Mas Sapers aponta que ninguém pensa nos potenciais efeitos positivos de uma colisão. “Qualquer impacto num alvo rico em água, como a Terra ou Marte, irá gerar atividade hidrotérmica pós-impacto, caracterizada por desequilíbrios químico e térmico capazes de dar suporte a metabolismos microbianos”, diz.

Sapers também afirma que o choque cria produtos geológicos singulares, como vidro e rochas cristalinas, que poderiam servir como substratos microbianos e habitats dentro das rochas.

Isso sem falar no potencial que asteroides e cometas tinham ao trazer compostos orgânicos para a Terra.

UMA HISTÓRIA DE ORIGEM?

Poderiam ser os impactos os geradores da química que leva ao surgimento da vida, para começo de conversa? Sapers nos lembra de que a Terra passou por uma época de colisões constantes entre 4,2 bilhóes e 3,8 bilhões de anos. Quando as coisas se acalmaram, a vida surgiu (os registros fósseis mais antigos confirmados datam de 3,48 bilhões de anos, como reportou ontem o Mensageiro Sideral).

Será que os impactos forneceram as condições necessárias para que a vida florescesse em nossos planetas?

Ainda não dá para dizer. Mas Sapers sugere que uma boa estratégia é as futuras missões astrobiológicas continuarem estudando, em outros planetas, crateras de impacto. Isso já vale para o jipe Curiosity, que trabalha no interior da cratera Gale, em Marte, e deveria influenciar a escolha dos locais de estudo do rover europeu ExoMars e da futura missão de solo da Nasa marcada para 2020.

Acompanhe o Mensageiro Sideral no Facebook

Blogs da Folha

Publicidade
Publicidade
Publicidade