Mensageiro Sideral

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Salvador Nogueira é jornalista de ciência e autor de 11 livros

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Novas observações revelam segredos de como nascem os planetas

Por Salvador Nogueira

Incríveis imagens produzidas por um instrumento instalado num dos maiores telescópios do mundo, no Chile, estão revelando os segredos mais íntimos da formação de planetas.

As observações mostram o poder do Sphere, um câmera infravermelha originalmente projetada para fotografar diretamente a luz de planetas fora do Sistema Solar, mas que também é extremamente útil no estudo dos chamados discos protoplanetários — agregados de gás e poeira que se formam ao redor das estrelas durante seu processo de nascimento.

Foi num disco desses, 4,6 bilhões de anos atrás, que a Terra e os demais planetas do Sistema Solar se formaram, logo depois do nascimento do próprio Sol, instalado apropriadamente no centro do disco.

Previstos teoricamente muito antes de serem observados, os discos protoplanetários têm sido estudados desde os anos 1980, mas só agora os instrumentos atingiram a precisão necessária para revelar seus detalhes mais preciosos.

Além do Sphere, instalado no VLT (Very Large Telescope), do ESO (Observatório Europeu do Sul), outra instalação que está produzindo incríveis saltos no estudo dessas estruturas é a rede de radiotelescópios ALMA, também em solo chileno.

Planetas se formam a partir da colisão e agregação de grãos de poeira no interior desses discos — e esse processo já é bem entendido em seus princípios básicos. Mas o diabo está nos detalhes. Com que velocidade os planetas se formam? Qual é o ritmo de crescimento e o tamanho médio dos chamados planetesimais, os pedregulhos que servem de tijolos para a formação dos planetas? O que dita os processos de migração que fazem, por vezes, com que gigantes gasosos se aproximem radicalmente de sua estrela-mãe? Como tudo isso funciona em sistemas com duas ou mais estrelas? Essas são todas perguntas ainda sem resposta, e a chave para decifrá-las é o estudo de imagens como essas.

Colhidas por grupos independentes de pesquisadores, as novas imagens representam três estrelas diferentes. Duas delas — uma chamada RX J1615, localizada na constelação do Escorpião, a 600 anos-luz da Terra, e outra chamada HD 97048, localizada na constelação do Camaleão, a cerca de 500 anos-luz daqui — têm claros anéis concêntricos de poeira.

Ambas são muito jovens, mas uma delas, RX J1615, abusa da juventude, com idade estimada em “apenas” 1,8 milhão de anos. É uma ninharia, em termos astronômicos.

O terceiro disco, ao redor da estrela HD 135344 B, a 450 anos-luz daqui, apresenta braços espirais — forma mais comum nessas formações protoplanetárias — e a cavidade interna, somada aos braços, indica a presença de um ou mais protoplanetas ali, destinados a se tornar algo como o nosso gigante Júpiter!

Uma das coisas mais empolgantes desse disco em particular é que, em duas observações distintas com o Sphere, os pesquisadores notaram pequenas mudanças, revelando em tempo real o processo de formação planetária. É assim que, pouco a pouco, vamos destrancar todos os segredos de como nascem os planetas. E, com isso, estaremos em essência compreendendo de forma precisa como a nossa própria Terra deu as caras no Universo.

 

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