Novas imagens da sonda Juno em Júpiter deixam cientistas alvoroçados

Salvador Nogueira

A épica missão Juno realizou mais uma passagem de raspão por Júpiter no último domingo (11), e a boa notícia é que, desta vez, os instrumentos funcionaram todos à perfeição, conforme a espaçonave passou a pouco mais de 4.000 km do topo das nuvens jovianas. Agora, a ótima notícia é que os cientistas ficaram alvoroçados quando foram apresentados a alguns dos resultados, durante reunião da União Geofísica Americana (AGU), em San Francisco, na terça-feira.

“A JunoCam acabou de flagrar os anéis de Júpiter PELO LADO DE DENTRO”, escreveu Simon Porter, pesquisador do Instituto de Pesquisas do Sudoeste (SwRI), direto do encontro científico, via Twitter. “Oohs e aahs audíveis na sala.”

Para não deixar o público agonizando, o JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa divulgou no fim da noite de terça uma das imagens do encontro, feita quando a Juno estava a 24.600 km do topo das nuvens jovianas. Nela, podemos ver mais de perto uma das “pérolas” do planeta, uma tempestade que aparece com uma forma oval branca.

Imagem feita pela JunoCam a 24.600 km do topo das nuvens de Júpiter. Crédito: Nasa
Imagem feita pela JunoCam a 24.600 km do topo das nuvens de Júpiter, no dia 11 de dezembro de 2016. (Crédito: Nasa)

A “corrente de pérolas” é uma faixa com diversas dessas ocorrências, localizadas no hemisfério Sul de Júpiter. Monitoradas cuidadosamente desde 1986, elas aparecem e desaparecem, variando em número. Houve tempos em que houve apenas seis delas, e o número máximo observado foi nove. Atualmente, há oito “pérolas”, e a fotografada é a sétima.

Os gerentes da missão começaram a publicar nesta quarta-feira (14) algumas das imagens colhidas nesse mais recente encontro próximo com Júpiter (perijove 3, para os íntimos). Entre elas figuram algumas do momento de máxima aproximação. Veja a seguir a mais interessante dessa fase mais aguda e rápida do voo, a 4.971 km do topo das nuvens.

Imagem feita pela JunoCam a 4.971 km do topo das nuvens de Júpiter, no dia 11 de dezembro de 2016. (Crédito: Nasa)
Imagem feita pela JunoCam a 4.971 km do topo das nuvens de Júpiter, no dia 11 de dezembro de 2016. (Crédito: Nasa)

Imagens similares foram colhidas no perijove 1, mas ali os cientistas ainda experimentavam com a calibragem da câmera, e o resultado foi uma foto que mais lembrava um borrão. Agora, já vemos uma melhora. E deve ficar ainda mais interessante nos próximos encontros, conforme o comportamento da câmera vai sendo mais bem compreendido.

(Um aspecto interessante que torna a missão “à prova de teorias da conspiração” é que a JunoCam é operada em cooperação com voluntários que se inscreveram no site da Juno. Em geral astrônomos amadores, eles ajudam a escolher os alvos de observação durante os perijoves, têm acesso às imagens “cruas” e podem fazer seu próprio processamento delas; as melhores são escolhidas e publicadas no site da missão. Ou seja, não há segredos.)

Resta, contudo, a expectativa pela tão falada imagem processada dos anéis jovianos. Diferentes dos de Saturno, eles são majoritariamente feitos de rocha (em vez de gelo), sendo portanto mais escuros, e são estreitos, o que os torna bem difíceis de observar.

PASSO DE TARTARUGA
Quanto às revelações científicas da missão, que tem por principal objetivo desvendar a estrutura interna do maior planeta do Sistema Solar, teremos de ser pacientes. Isso porque um problema com o sistema de válvulas de combustível fez com que a manobra que reduziria a órbita da Juno de 53 para 14 dias fosse adiada indefinidamente.

Com uma passagem próxima de Júpiter a cada dois meses, praticamente, a coleta de dados será bem mais lenta. Para que se tenha uma ideia, desde que chegou ao planeta gigante, a Juno passou quatro vezes por ele.

Na primeira (perijove 0), fez sua tensa manobra de inserção orbital (transmitida ao vivo pelo Mensageiro Sideral). Na segunda (perijove 1), colheu seus primeiros dados científicos e calibrou os instrumentos para a observação de Júpiter. A terceira (perijove 2) estava destinada à manobra de encurtamento da órbita, que acabou cancelada pelo problema hidráulico. Diante do revés, os cientistas bem que tentaram usar a passagem para observações científicas, mas na hora agá, no dia 19 de outubro, a sonda bugou e entrou em “modo de segurança” (a Nasa nega que o efeito tenha alguma conexão com a prisão de Eduardo Cunha, na mesma data). Eis que chegamos agora à quarta passagem (perijove 3), mas na real apenas a segunda usada para produzir imagens e leituras do planeta. A próxima virá agora só no começo de fevereiro de 2017.

Portanto, meu caro leitor, paciência. Até mesmo para sua esposa Juno o velho Júpiter reluta em revelar seus segredos mais íntimos.

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Comentários

  1. Desculpem-me pelo atraso.
    Creio que agora ninguém mais sequer vai ler o comentário.
    Mas vamos ao assunto assim mesmo: A foto panorâmica tirada a 4.000km de altura.
    Podemos descobrir qual o alcance máximo da câmera, que independe do tipo de lente que ela esteja usando, ao calcular a que distância se encontra o “horizonte”, quando visto de 4.000 km de altura.

    A fórmula pode ser deduzida, ou encontrada no google: Horizonte = Raiz Quadrada((2 x altura do observador x raio do planeta) + (altura do observador x altura do observador)).

    O que nesse caso, dá 24.248km. Como Júpiter tem 143.000km de diâmetro, o horizonte cobriria cerca de 17% do diâmetro de Júpiter para cada lado, o que significaria dizer que a “cintura” daquela imagem, deveria cobrir no máximo uma distância de 48.000km, ou 34% do diâmetro do planeta. Ou ainda, 4 vezes o diâmetro da terra.

    Viva o nosso Salvador !

    1. Anibal, a questão é que a lente afeta diretamente a área capturada. Quanto menor a distância focal da lente, maior o campo de visão da câmera, logo essas contas devem considerar também o tipo, tamanho e ângulo de visão da lente.

      1. Amigo, eu não fui muito claro nas mensagem anterior, e então tentarei explicar melhor desta vez. Os cálculos que mostrei acima estão supondo o alcance máximo possível de qualquer lente que a câmera pudesse usar. Mesmo que a câmera tivesse usado uma lente com ângulo de 180 graus, a imagem capturada estaria ainda restrita ao horizonte observável do planeta visto daquela altura. O que estiver fora do horizonte, não será capturado com nenhuma lente, por maior e melhor que seja, pois estaria fora da visada. Na verdade, não faria sentido nem usar os 180 graus, porque o que estivesse no limite, ficaria inutilizável. Para imaginar o que estou tentando dizer, imagine uma bola de futebol, e coloque uma bola de gude colada nela. Coloque uma régua sobre a bola de gude e faça a régua tocar a bola de futebol. Aquela é a distância do horizonte, quando observado da altura de uma bola de gude(1cm). Se aumentar a altura da bola de gude, verá que o horizonte ficará mais distante, e assim por diante. Isso não depende em nada de recursos fotográficos ou telescópicos. Tudo o que estiver além do ponto onde a régua tocar a bola de futebol, estará escondido da visão da bola de gude.

  2. Mano Salva, … Listen to Me!

    “Não me venhas com churumelas” e justifico.

    Essa foto de Júpiter em questão, jamais poderia ser de apenas 4.000 km de distância e explico:

    Pelo gigantismo desse astro, zilhares de vezes maior que a terra, simplesmente não caberia na tela.

    Por certo, nem mesmo a nossa pequenina terra caberia na foto, vista de apenas 4.000 km de distância.

    Por favor, justifique-se!
    Abs, …

    1. Rapaz, eu faço vídeo em 360 graus que cabe no YouTube, que tem uma janela com abertura de, se tanto, 30 graus. Como pode? E como é possível fazer uma foto panorâmica de 360 graus e visualizá-la por inteiro numa tripa, vendo simultaneamente as costas e a frente, por assim dizer? A Juno fica em rotação permanente e tira sequencias de fotos de 360 graus que são montadas (o lance dos anéis, inclusive, depende disso, pelo que entendi; ela precisa ser processada para montar o panorama completo). Não existe nenhum impedimento. Não sei detalhes de como são processadas todas essas fotos (não faço parte das pessoas que se inscreveram para processá-las), mas não dá para ficar dizendo que é falsa sem saber isso. Em princípio, tudo é possível. Já cansei de tirar foto 360 graus com celular. Basta girar. É o que a Juno faz — o tempo todo. 😛

        1. Serviçal “eu”, escute!
          Alguém pediu tua opinião?
          Respondo: NÃO!
          Portanto, recolha-se a sua vil insignificância.

          1. Distância Focal ou proximidade focal?
            Será que o objetivo da NASA seria registrar detalhes do planeta de longa distância?
            Sendo assim, nem precisaria mandar uma sonda, bastaria uma foto a partir de um telescópio.

          2. Se não quer que mais ninguém te responda, poste a pergunta no seu próprio blog e modere os comentários. Senão chola mais.

      1. Mano Salva, com todas as vênias!

        Matematicamente falando, para um fotógrafo profissional enquadrar essa paisagem gigantesca, a foto em questão teria que ser de uma distância real de no mínimo 1.000.000 de km, zoon no máximo, para ser razoável.

        1. Mano Salva, favor desconsiderar o termo; “zoom no máximo”.
          Na real, eu quis dizer “sem zoom”, tamanha a proximidade do objeto a ser fotografado.

        2. Nyco, é você que não entendeu o que eu quis dizer. Se eu quiser, posso fazer uma foto de 360 graus (que mostre Júpiter e o espaço em volta dele todo) e colocá-la num espaço bem menor, digamos, 40 graus. Claro, haverá distorção — a imagem ficará “comprimida”, por assim dizer. Acho que é isso que estamos vendo aí.

  3. Desculpe Salvador! Mas é muito irritante o sensacionalismo grosseiro do UOL, e desta vez com erros conceituais graves, como por exemplo: “É o que poderia mitigar riscos da surpresa de um asteroide sorrateiro vindo de um lugar de difícil observação, como do sol”.
    Meu fígado está ficando igual ao do nosso amigo Eu™

    http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/12/15/nao-temos-nada-o-que-fazer-contra-asteroide-diz-cientista-da-nasa.htm

    1. Heheh, eu confesso que me irrita também. E o pior é que quem manja do assunto consegue sacar onde foi que o sujeito errou. O que ele quis dizer é que um asteroide que venha da direção aproximada do Sol não pode ser observado pelos astrônomos porque os telescópios não teriam como enxergá-lo naquela região (claro, isso não impede zilhões de nibirutas verem Nibiru perto do Sol em fotografias, mas isso é outra história).

      1. Um asteróide que venha aproximadamente da direção do sol, e que não tenha velocidade próxima a da luz, em vários momentos não terá o Sol como pano de fundo, devido o movimento de translação, isto se considerar-mos o observador na terra. Correto?

      2. Até pra mim que sou 100% leigo…. hora, um asteróide que vem da direção do Sol hoje vai ser facilmente observável daqui 3 ou 4 meses, quem dirá 6.

        Ou será que o Sol vai começar a mandar asteróides pra gente ficar desviando??

        1. O problema é ele estar “na aproximação final” na direção do Sol, sem ter sido detectado antes. Podemos excluir aqueles “matadores de civilização” de 1 km ou mais, mas asteroides de menor porte pode passar por isso. Foi o caso do Chelyabinsk, diga-se de passagem.

  4. Será que o pessoal de Io e de Europa não vai reclamar de a gente estar invadindo o espaço deles não??

  5. Salvador meu cordial bom dia.
    Belíssimo post . Aqui parece que a novidade do dia é sempre melhor que o a anterior. Há muito tempo faço um pdf de todos.
    Você escreveu aqui que estamos mais ou menos na metade da distância entre a borda e o centro da via láctea. Também, soma-se a isso as distâncias finais do universo que quando observadas, parecem ser iguais em toda direção. Posso pensar que a Terra está exatamente no centro do universo? Agora,vamos pensar que eu estou no fim do universo no aglomerado Abel 2744. Ainda assim, o universo observado teria a mesma distância para todos os lados?
    Abraços

    1. Sim. Não importa onde você esteja no Universo, vai parecer que você está no centro do Universo. Isso inclui Abel 2744. Mas já aviso que é uma loooonga viagem até lá. 😛
      Legal saber que você converte os posts em PDF! Mais um sinal de que há potencial para fazer uma coletânea-livro anual do blog. 😉
      Abraço!

      1. Obrigado Salvador, Mas dentro meu pobre conhecimento vou confessar que continuo não entendendo este conceito de sempre estar no centro do universo. Estava planejando uma viagem para Abel 2744 e não vou mais porque vou continuar no centro do universo eheheh. Então vou pensar que não saí do lugar.A publicação de um livro a mais por ano sobre os posts é uma belíssima ideia. Os temas são distintos. Alias poderia ser um publicado vários, um por ano para cada ano desde o mais antigos até o fechamento deste ano. É só publicar que vai bombar Não existe no mercado, publicações com temas diversos e resumido. Por favor reserve meu pedido já, e se possível escolha a numeração 0000001 com autógrafo.

        1. Heheh, valeu. O duro é fazer tudo isso. Mal estou conseguindo manter o blog atualizado, quanto mais voltar lá atrás e fazer essas coisas. Estou com várias ideias, tanto para aproveitar conteúdo do blog, quanto para fazer registros mais perenes de missões como a Rosetta e a New Horizons, que acompanhei, na imprensa, do começo até o fim (a vantagem de ir ficando velho é essa!). Enfim, ideias eu tenho. Duro é executar. Vamos ver.

        2. kkkkkkkkkkk!!!, … é como diz o Nyco: “JUSTIFICO”!
          Gostar do tema é uma coisa, que o Salvador é um jornalista competente, isso ninguém tem duvidas, mas de pelegos piccaretas espertinis, o Brasil TÁ cheio.
          #prontofalei!

  6. Oi Salvador! Se o homem conseguisse sair da Via Láctea, a que distância ele deveria estar para vê-la por completo a olho nu? Isso seria possível? Em outras palavras, essa imagem que todos temos da Via Láctea poderia ser “vista” caso estivéssemos a uma distância correta?

    1. Puxa, a algumas dezenas de milhares de anos-luz, pelo menos. Nada que possamos sonhar atravessar no momento.

  7. Oi Salvador! Sou fã incondicional do seu blog e fico ansiosa à espera de novas matérias. Tenho uma pergunta que me intriga muito, lá vai: se o homem conseguisse viajar para fora da Via Láctea, a que distância ele deveria estar para vê-la por completo a olho nu? Isso seria possível? Um abraço

  8. Salvador. Comecei a ler seu blog por acaso em uma das oportunidades em que alguma matéria ganha destaque no portal da UOL. Não lembro exatamente qual foi a matéria, contudo passei a visitar o site em função da forma como os leitores dialogam nos comentários. Parabéns pelo blog e parabéns por estender sua presença nos comentários possibilitando uma ampliação democráticas dos assuntos abordados.

    1. Valeu, Cabalerial. Pois é. Não imaginei que fosse acabar surgindo uma comunidade aqui nos comentários, mas foi o que aconteceu. Um efeito colateral muito legal, que espero que continue por um longo tempo! 🙂

  9. Fiquei curioso, quantos km tem abaixo das nuvens até chegar no oceano de hidrogênio e helio, já se tem essa ideia?

  10. Parabéns Salvador!!
    O universo e a vida que o habita ,são incríveis!!!
    Seus conhecimentos certamente dão orgulho, além da motivação !!
    Continue sempre, abraço!!

  11. Cara, eu só quero agradecer por esse blog maravilhoso que você mantém. Sou super leigo no assunto, de vez em quando leio um ou outro livro a respeito, mas esta página é realmente um oásis nesse deserto de ignorância que é a internet. Muito obrigado!

  12. E é só o começo, que espetáculo.
    Quando postarem novas fotos processadas, publique.
    Pelo que li, ainda estão calibrando a JunoCam. A cada 53 dias fica complicado.
    Será que conseguem resolver o problema das Válvulas de Combustível?

    1. O lance das válvulas é o seguinte. Elas reagiram mais devagar do que o esperado. Em tese, estão operacionais, mas tiveram essa reação lenta. Enquanto eles não entendem exatamente o que causou isso, não vão arriscar ligar o motor e explodir a espaçonave — ainda mais porque a ciência não sai prejudicada com órbitas de 53 dias, só sai mais lentamente. Por outro lado, tem um deadline para bolar um plano B até 2019, quando a posição de Júpiter com relação ao Sol faz com que a Juno passe por trás da sombra do planeta durante os perijoves — algo que ela, movida só por energia solar, não foi projetada para fazer. Mas não duvido que eles fiquem nessa de 53 dias até 2019, pelo menos.

      1. Esclarecido. Obrigado.
        Esta velocidade extrema com que está se movendo, não é um problema para a JunoCam?
        Entendo que foi projetada para operar nesta situação, mas que dificulta o ajuste do Foco, dificulta?
        Esta foto(borrão) não processada, está o grande furacão por baixo?

        1. Sim, a velocidade (e a rotação dela) atrapalham na hora de fotografar na parte mais rápida (e próxima) da órbita. Mas ela em tese foi projetada para permitir fotos mesmo nessas condições (agora o lance é calibrar direitinho para chegar lá). rs

  13. Salvador, as imagens são as que seriam vistas pelo olho humano ou são imagens com algum filtro ou tratadas?

    1. A primeira é como seria vista pelo olho humano. A segunda, mais amarelada, é “crua”, ainda carece do tratamento para representar o que veríamos. (A JunoCam funciona tirando três fotos PB, uma vermelha, outra verde e outra azul; para obter a imagem colorida, é preciso combinar adequadamente essas três imagens numa só. É o mesmo procedimento, por sinal, das nossas câmeras digitais de celular, com a diferença de que elas já fazem essa combinação automaticamente.)

  14. Salva, você tem acompanhado a série “Mars”, da Nat Geo? Acha que é possível iniciarmos uma colônia no Planeta Vermelho em 2033? Abraço!

    1. Assiste um episódio e fiquei meio decepcionado quando percebi que eram notícias antigas. Por exemplo, o narrador falava do envio do veículo Curiosity ainda como algo a ser realizado “futuramente”. Como o Curiosity está em Marte há alguns anos, percebi ser material requentado.

  15. Como uma foto só a 4971 km acima das nuvens, conseguimos ver a circunferência do planeta Júpiter todo? Não entendi. Ou alí não é a imagem de todo o planeta? Me ajuda aí Salva…

  16. Bela matéria, belos vídeos! E la nave vá! Qdo se chega “lá” (se o q for esse “lá” em termos siderais), sempre vamos ouvir a expressão “é mais do q se imaginava”… Mesmo baseadas em instrumentos de alta precisão, belas teorias formuladas com os pés fincados na terra, uma a uma, vão sendo reformuladas, qto mais as lentes se aproximam. Fascinante!

  17. Me explique uma dúvida… Quando vemos as fotos da Terra tiradas do espaço, a gente vê a parte “sólida” do planeta, não vê a atmosfera (exceto naquelas fotos meio anguladas em que é possível ver a atmosfera tenuamente)… Mas no caso dos planetas gasosos, a gente vê o quê, afinal??? Tem alguma “atmosfera invisível” também???

    1. Você vê o topo das nuvens nos gigantes gasosos. Talvez haja regiões de “ar transparente” abaixo delas, mas você não as vê porque não há “buraco” nas nuvens. É como Vênus. Também não dá para ver o chão, por conta das nuvens. Só que, no caso dos gigantes gasosos, se você tirasse nuvens, teria abaixo, mais nuvens. E mais nuvens. E uma atmosfera cada vez mais densa, até que num determinado ponto ela se torna líquida. E aí você teria grandes oceanos de hidrogênio e hélio. É isso.

      1. Mas, podem fazer como em Titã, rastreamento com raio-X, ou não?
        Aliás, não sei se a JUNO, tem este recurso?
        Ver abaixo das Nuvens, é um dos grandes objetivos desta missão, tentar desvendar o que há por lá? Estou certo? Como vão fazer isto?

        1. Na verdade, o melhor jeito de fazer isso (Superman que me perdoe) não é raio X; é rádio — radar. E é exatamente isso que a Juno está usando para “enxergar” abaixo das nuvens (e foi o que nos permitiu mapear o solo de Vênus e de Titã). A JunoCam é um instrumento mais de “eye candy” do que de ciência. Tanto que usa filtros RGB, para gerar imagens de “cor real”, que não são tão úteis quanto imagens que pegam faixas específicas do espectro para determinar composições etc. (Sendo totalmente justo, a JunoCam tem um filtro de metano também, só pra não dizer que é só RGB.)

  18. Alô Salvador, bom dia;
    O meu interesse por assuntos ligados a astronomia me tornou leitor costumaz de sua coluna e dos seus livros, tenho colhido bons frutos de seus ensinamentos.
    Um amigo me fez uma pergunta que eu não soube responder, gostaria de saber se você pode nos ajudar, a pergunta é a seguinte: “A via láctea é vista durante todos os dias do ano ou tem períodos do ano em que ela não é visível? “

    1. José, em tese, podemos vê-la o ano inteiro, porque é um disco, e estamos na metade do caminho entre a borda e o centro, de modo que você pode ver a faixa leitosa que representa a direção para fora do disco e a faixa leitosa que representa a direção para dentro do disco. Tendo dito isso, e como seria de se esperar, a Via Láctea é muito mais densa e rica em estrelas em sua região central, de modo que a melhor época para observá-la é nos meses de inverno (no hemisfério Sul), quando Sagitário (constelação onde fica o centro da galáxia) está no céu noturno.

  19. Salve, Salva… permita-me ser (mais) chato. Você deixou escorregar um “proçessada” e um “cançelada” no texto.

    No mais, sempre por aqui, sem chutar baldes, mantendo um low profile pra não atiçar a ira de xiitas e afins.

  20. No final da missão Juno irá fazer um mergulho nas profundesas de Júpiter? seria interessante que a sonda adentrasse na atmosfera do planeta enviando suas últimas imagens que seriam acredito reveladoras!

    1. Sim, mas não querem arriscar. Mais adiante podem correr esse risco, até porque em 2019 a sonda passaria longos períodos sob a sombra de Júpiter na atual órbita, algo que ela não foi projetada para fazer.

    1. Consertado! Desculpe, escrevi o post na madrugada com o iPad, onde é fácil sair cedilha em vez de cê. Faltou atenção. 🙁

      1. O escorregão das palavras não eclipsa a qualidade dos seus textos, sempre instrutivos. Cordialmente, Prof Ricardo (UFPR)

        1. Obrigado, Ricardo. E pode ter certeza de que eu fico feliz de ter leitores atentos que, em geral com delicadeza, apontam correções nos textos. Minha única (pequena) frustração é quando não aprovo comentários rápido o suficiente e pego um punhado de pessoas apontando o mesmo erro. Aconteceu hoje, mas já tive dias piores nesse sentido. E agora fica a lição para não escrever matéria no iPad — a interface é muito precária. Não dá para reler direito, e se você segurar o “c” por tempo demais corre o risco de disparar um cedilha sem querer — como aconteceu. Abraço!

    1. Diferença no processamento. A primeira foi processada pelo JPL, a segunda é só uma composição crua dos filtros vermelho, verde e azul.

  21. Imagem tirada pela Juno a menos de 5000 Km das nuvens, e mesmo assim na imagem da pra ver a circunferência do Planeta Júpiter todo? Não entendi. Me ajuda aí Salva..

    1. A JunoCam foi projetada para ter um campo largo (58 graus), capaz de imagear Júpiter inteiro durante a passagem pelos pólos.

      1. Ulisses / Salvador.
        A imagem que dá para ver a curvatura do planeta foi tirada a 24.600 km. A que foi tirada abaixo de 5000km é só uma foto redonda, e não a curvatura do planeta…
        Abs

        1. Sim, mas a pergunta ainda assim procede. A câmera foi projetada para pegar Júpiter inteiro mesmo bem perto dele.

    1. Eu não sei o que as pessoas esperavam, sinceramente. Talvez você possa me ajudar. Qual era a expectativa? Porque acho a foto que abre esse post linda!

      1. Cara na boa, primeiro você diz logo abaixo do comentário te corrigindo que você “obviamente sabe escrever essas palavras”, acredito que não seria necessário você dizer tal frase, pois todos obviamente sabemos que você sabe escrever, fica tranquilo que não é bullying 😉 ! E em segundo lugar, se o cara te diz que broxou, é porquê ele esperava mais ué, não é porque tu acha o máximo que todos precisam achar, fica tranquilo que acho que em uma democracia a livre expressão e opinião deve ser respeitada. E outra coisa, capricha nesses posts aí que ultimamente ta triste de ler teu blog, só assunto morno…Te puxa meu!

          1. Penso que a velocidade das novidades relatadas acompanha o que é compartilhado pela Nasa e por outras agências, logo, melhor ser fiel aos fatos do que tentar tirar leite de pedra. Até porque nem sempre há pedra no multiverso, que dirá leite.
            Mas sua jornada tem sido genial, Salvador Nogueira.
            Abraço

          2. Valeu, Brás. E tenho de reconhecer de que há, de fato, mais notícias do que eu dou conta de reportar aqui. Preciso escolher (1) as mais importantes, (2) que me atraem mais e (3) que eu dou conta de reportar adequadamente de acordo com o tempo disponível que tenho. Quando o Mensageiro começou, o terreno era praticamente livre. Agora, todo mundo publica bastante sobre astronomia, e se eu ambicionar dar tudo melhor e antes de todo mundo termino o ano louco. Preciso ser mais seletivo mesmo, não tem jeito. Isto é um blog, não é um portal. E eu sou um só. 😉
            Abraço!

          3. Eu gosto muito do blog ! Nem Jesus Cristo agradou a todos!
            Sempre haverão malas (algumas feitas de couro de crocodilo).

        1. Cocrodilo, escreve um blog melhor então…. aguardamos o link, sei que o Salvador deixará você publicar aqui nos comentários.

          1. Me surpreende o sr. blogueiro publicar comentários iguais ao do nosso amigo “paulo pro”, parece que precisa massagear o ego e não entende quando uma critica ocorre de maneira construtiva, mas tranquilo, eu entendo tua estima 😉 Quanto ao conteúdo, me refiro a falta de matérias relevantes e de peso, mas já vi que a opinião aqui é baseada em elogios ao autor. Não preciso escrever um blog, respeito muito o teu blog mas se não te agrada receber um feedback negativo como evoluir então?

          2. O que, você acha que eu uso outros nomes para me defender? Huahauhau!
            Bem, obrigado pela audiência! Com você vindo aqui todos os dias, com ou sem posts novos, fico mais tranquilo de não postar com tanta frequência! 😛

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