E se fosse descoberto um asteroide em rota de colisão com a Terra? Astrônomo conta o que rola

O que aconteceria se um asteroide fosse descoberto em rota de colisão com a Terra? Cristóvão Jacques, astrônomo que lidera o Observatório SONEAR, em Oliveira (MG), maior centro descobridor de asteroides perigosos no hemisfério Sul, já esteve nessa situação duas vezes e pode contar como a coisa se desenrola — e como é difícil prosperar uma conspiração para esconder um eventual impacto da população.

O trabalho de descobrir asteroides consiste basicamente em tirar várias imagens sequenciais da mesma região do céu, em busca de objetos que estejam se movendo de uma foto para outra. Objetos que se movimentem nesse curto espaço de tempo “entregam” que estão em órbita ao redor do Sol, e o passo seguinte é reobservá-los, em cooperação com cientistas do mundo todo, para refinar a órbita e determinar os riscos que ele oferece.

“O processo é o seguinte: a gente descobre o asteroide, verifica se ele já não é conhecido, e, caso não exista na base de dados, a gente envia para o Minor Planet Center [órgão da União Astronômica Internacional], que é o centro que coleta essas informações”, conta Jacques ao Mensageiro Sideral. “O Minor Planet Center recebe essa informação e disponibiliza esse objeto numa página, e aí os cientistas e observatórios do mundo inteiro vão tentar seguir aquele asteroide para melhorar a [estimativa da] órbita dele.”

Mas e se, numa avaliação preliminar, o asteroide recém-descoberto parece mesmo estar em rota de colisão conosco?

“Ano passado, mais ou menos em abril, nós descobrimos um objeto e aí eu vi como funciona o esquema”, diz o astrônomo. “Ele disparou um alarme, pessoal da Nasa, pessoal da Itália, não sei o quê, e aí começaram a pipocar perguntas para mim. ‘E aí, você conseguiu [fazer mais imagens dele]?’ Porque a gente observa o asteroide e logo depois, uma hora depois, duas horas depois de a gente descobri-lo, a gente tenta fazer mais uma imagem dele para ter uma órbita melhor.”

“Mas nesse tempo, entre a descoberta e o tempo em que eu consegui fazer o segundo lote de imagens, começaram a pipocar as observações, e o pessoal mandando os e-mails, eu via eles dando aquele ‘forward’ na mensagem, e eu vi ali, ‘alerta, não sei o quê, asteroide com tanto percentual de probabilidade de chocar com a Terra, não sei quê, tarará’. E aí, no momento que nós fizemos a segunda observação, que eu enviei, vi que não era um asteroide — era um satélite artificial ou lixo espacial que estava perdido, que não estava catalogado. Então, a partir da segunda observação, excluímos toda a questão de possibilidade de bater na Terra. Então, esse foi o primeiro caso.”

Jacques teve outro “quase” desses poucos meses depois. E aí foi mesmo um asteroide, e não um satélite artificial desgarrado. “Descobrimos em agosto do ano passado, no final da madrugada, lá para as 4h da madrugada. E às 5h da manhã, eu estava acordado, fiz uma segunda imagem desse asteroide e eu vi que ele ia passar a 80 mil km da Terra mais ou menos 20 horas depois. Ele é do tamanho do Tunguska, para você ter uma ideia. Ou seja, se batesse na Terra, poderia causar…”

O evento Tunguska ocorreu na Rússia em 1908, em que um bólido celeste de cerca de 30 metros explodiu ao entrar na atmosfera da Terra, com uma energia cerca de mil vezes a da bomba atômica de Hiroshima. Devastou uma área de aproximadamente 2.000 km2 na Sibéria. Felizmente era uma região desabitada.

Em 2013, tivemos o evento Chelyabinsk, também na Rússia, em que um asteroide de aproximadamente 17 metros quase reeditou o episódio Tunguska. A onda de choque danificou prédios na cidade de Chelyabinsk e feriu milhares de pessoas, mas ninguém morreu.

Esse objeto foi descoberto de manhãzinha, e no final da noite ele já ia passar a 86 mil km da Terra. Então, com a segunda observação, já tem uma ideia razoável de onde ele vai passar.

Com isso, pode-se imaginar a apreensão de Jacques quando sua primeira observação indicava uma passagem muito próxima da Terra — 80 mil km é cerca de um quinto da distância até a Lua. Mas sua segunda observação, feita naquele mesmo dia, refinou a órbita e afastou o risco de impacto.

As histórias revelam como funciona o sistema de detecção de asteroides — é um esforço colaborativo, pois nem sempre os mesmos astrônomos estão no momento exato na posição ideal na Terra para acompanhar o objeto. Com isso, é extremamente improvável que alguém possa descobrir um asteroide em potencial rota de colisão e não contar nada. E se, por acaso, um grupo tentar esconder uma descoberta, ela acabará sendo “redescoberta” por outro grupo em questão de dias. “Eu vou dizer que é muito, muito difícil ter uma conspiração de as pessoas não saberem”, diz Jacques.

Confira a seguir toda a conversa com o astrônomo do SONEAR, que está promovendo uma vaquinha para arrecadar recursos para manter o observatório em operação até o fim de 2018.

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Comentários

  1. Prezado Salvador, “passeando” na web acabo de tomar conhecimento de preocupações da própria NASA acerca dos movimentos vulcanicos, cá na terra, mais ameaçadores que eventuais meteoros; o endereço a seguir e outros conectados mostram informações e até mesmo projetos (básicos) visando dar utilidade a essa energia térmica e assim, migrar a ameaça para oportunidade energética. Referencia inicial: http://www.bbc.com/future/story/20170817-nasas-ambitious-plan-to-save-earth-from-a-supervolcano

  2. Fantástico este trabalho. Mas me peguei imaginando o que deve passar pela cabeça dos caras quando descobrem um asteróide que pode estar em rota de colisão com a Terra… Até o momento da confirmação de não colisão. Não temos muitas rotas de fuga, afinal

  3. Acabo de ler sobre o denominado asteroide Chicxulub (The Impact & Tsunami, Shonting & Ezrailson), que atingiu o golfo do México ha 65 milhões de anos: com apenas 10 km de extensão, causou a extinção de 60 a 80% da vida na Terra.

  4. Caro Salvador, muito obrigado mais uma vez por esse espaço de esclarecimento de dúvidas.

    Conforme tenho lido, a hipótese mais aceita para a formaçao da nossa Lua é de que foi uma colisão de um outro astro com a Terra. Parece que era grandinho, algo como Marte, talvez um pouco menor. Essa hipotese me intriga e me causa algumas perguntas. Se um corpo desse tamanho colidiu mesmo com a Terra não deveria ter gerado mais de um satélite ? Ou seja, não teriamos aqui, além da Lua, algumas luazinhas menores, dos cacos da explosão ? Se não isso, não teríamos ao menos um anel com pequenas rochas em volta da Terra ?

    1. Max, o consenso é de que houve uma colisão, mas a partir daí, todos os detalhes ainda estão sub judice. Uma das hipóteses é a de que de início o impacto tenha formado várias luas, que aí impactaram entre si (ou caíram na Terra) para nos deixar só com uma Lua. Outra é que o impacto Terra-Lua tenha formado um objeto em forma de rosquinha, batizado recentemente de sinéstia, que evoluiu para o sistema binário Terra-Lua. Também há a mais clássica, em que o impacto produziu um anel ao redor da Terra que acabou dando origem à Lua. Mas todas essas possibilidades ainda estão na mesa.

      1. E a teoria do planeta Theia, que dividia a órbita com a Terra e por conta de uma instabilidade saiu do ponto lagrangeano e veio a se chocar ‘conosco’, formando a Lua? É a principal ou só mais uma?

        1. Theia é o nome do objeto que se chocou com a Terra. Como eu disse, ele está presente no início de todas as hipóteses. Mas não sabemos se ele estava num ponto lagrangeano ou se simplesmente colidiu vindo de outro lugar.

  5. Oi Salvador, boa tarde, tudo bem?
    Na esteira desta questão, vem aí o TC4 novamente. Passará a 44mil km do nosso teto, sendo que há 5 anos passou a quase o dobro da distância.
    Lembrei imediatamente daquela cena do filme Poltergeist, quando o menino conta o intervalo entre a luz e o som dos trovões…
    abraços, bom final de semana!!

    1. Bem, 44 mil km ainda está um pouco acima do anel geoestacionário. Mas é bem pertinho mesmo. Nessas horas tem de confiar na matemática. 😛

  6. Bom dia a todos. Estava vendo os comentários sobre o assunto do provavel impacto de um asteróide com a terra. Não entendo nada do assunto. Mas gostei e gosto de ler sobre tudo.
    Gostaria de somente abordar um ponto aqui.

    Vivemos numa sociedade grega romana. Aonde pôr muuuuiiitttooos séculos o império romano tentou se manter no poder e tenta até hoje ( igreja católica) e não falo aqui de religião, e sim de história. Quem sabe, entendi doque estou falando. Bom… Nossa sociedade é regida quase q 100% por eles. Teorias, ciências… É todo o resto é só tempo mais remotos da sociedade. Aonde muitos cientistas importantíssimos são gregos, romanos ou sofreram influências dessa sociedade… Me pergunto até onde tudo oque está na ciência e na própria religião é verídico… Baseando-se que tudo se faz pra benefício próprio. Muitas coisas acredito que esteja em oculto e não foram revelados ainda. Até porque a mente humana não usa de 100% da sua capacidade. Talvez os mais inteligentes 25%. Não sei… Mas acredito que a verdade está lá atrás… No princípio de tudo… Vi uma reportagem a alguns anos aonde dizia que carbono 14 tem um erro gigantesco para mais ou para menos nas datas de fóssil. Perdoem aqui minha forma de se expressar. Sou bastante leigo.

    1. Márcio, é verdade que a ciência moderna nasceu nos escombros da cultura greco-romana, com o Renascimento. Mas ela não é uma ideologia; é um método. Hoje ela é praticada por povos que jamais tiveram essa herança dos gregos, como os chineses. E a ciência que se pratica em qualquer lugar do mundo pode ser compreendida por qualquer outro cientista, sem depender de vieses ideológicos! Ou seja, é universal.

      Quanto ao carbono-14, pode haver sim erros de estimativa (e toda medida científica, TODA, tem uma margem de erro; se você pegar uma régua e medir qualquer coisa na sua casa, terá uma margem de erro, por melhores que sejam suas intenções). Mas não tão grandes quanto as pessoas que tentam questionar o método sugerem (da mesma forma que seu erro com a régua provavelmente não passará de um ou dois milímetros, e não alguns quilômetros). Se aplicado corretamente, sobre amostras adequadas, o método de datação por carbono-14 é extremamente útil.

      1. Pois é, Caríssimo Salvador: Ciência, por mais complexa que possa parecer, “é” simplesmente “método”!!! Aliás, viajando na maionese, à propósito de “método”, e quanto àquela velha estória ou velha hipótese de, quando possível, se utilizar de asteroides ou de cometas como “ônibus” ou meio de transporte para enviar sondas automáticas exploratórias às profundezas do espaço, ou até mesmo para “instalar” complexas bases com numerosa tripulação humana e tudo mais, na superfície ou interior de asteroides ou cometas possuidores de água e/ou componentes energéticos, provendo-os de sistemas direcionais, passando à utilizá-los como “espaçonaves” resistentes à viagens espaciais com décadas ou séculos de duração? Ou será que a “ciência” considerará ser mais prático e barato construir valentes Naves Interestelares aos moldes aventados em filmes de ficção como “Passageiros(2016)”??? Abs.-

        1. Acho que naves são mais práticas, porque não têm excesso de massa. Asteroides teriam enorme excesso de massa, que você teria dar um jeito de acelerar com você. Peso morto.

    2. Até porque a mente humana não usa de 100% da sua capacidade.

      Errou. Você definitivamente precisa se atualizar.

      1. Eu (não o Eu(tm), eu mesmo que estou postando) por exemplo uso @133%, mas vivo travando 🙂 o crânio humano tem péssima ventilação, terrível pra ventilar um oc desses.

  7. Fazer um comentário do ponto de vista religioso não é fanatismo, nem tem nada a ver com proselitismo. Muitas coisas que a ciência hoje sabe, já era do conhecimento de sábios religiosos do passado. É apenas uma forma diferente de descrever o mesmo fenômeno. Afinal, tudo é energia e o todo supremo é a fonte. A mente racional vê apenas com os olhos da carne, sabemos que existe outros estados de “ver” , a parapsicologia, que também é uma ciencia, esclarece isto. O tema em questão dá margem a várias interpretações e é perfeitamente aceitavel, o “ver” do ponto de vista religioso. Achei que você foi intolerante, e não precisava. Tem muita gente que curti a cosmogonia do ponto de vista religioso.

    1. Não teme essa de “forma diferente de descrever o fenômeno”. Parte importante do conhecimento científico é o rigor conceitual. Por descrever as coisas de um jeito “diferente”, a religião se esquiva de testes objetivos. Ademais, religiões muitas vezes são mutuamente exclusivas. Se você for budista, reencarnação é real, mas Deus não existe; se você for espírita, reencarnação é real e Deus existe; se você for cristão, Deus existe e reencarnação não existe, e por aí vai. Quem tem razão? Não há meio objetivo de determinar isso. Teremos de, todos nós, morrer para descobrir. A ciência versa sobre coisas que podemos efetivamente SABER, não acreditar. Nisso ela se diferencia qualitativamente de qualquer descrição religiosa vaga. E esforços de tentar apresentar narrativas bíblicas como uma versão vaga, mas acurada, da criação do Universo são perda de tempo. Além de não agregarem nada ao conhecimento, só demonstram como a mitologia judaico-cristã está longe de descrever os eventos na ordem certa. Deus criou os céus e a Terra ao mesmo tempo no Gênesis; sabemos hoje que o Universo nasceu há 13,8 bilhões de anos, e a Terra há 4,6 bilhões. No Gênesis, Deus criou o dia e a noite antes de criar o Sol! Sabemos que não há dia e noite sem Sol. E por aí vai. Você tem todo direito de acreditar no que quiser, mas tem de saber interpretar essas descrições como alegorias, e não fatos reais do Universo. O Gênesis com certeza é todo fictício. Logo, não existe esse paralelismo entre a descrição científica do Universo e as incontáveis narrativas religiosas de criação (sejam elas do judaísmo, do hinduísmo, da mitologia grega ou nórdica).

  8. Eliomar comenta: Para algumas pessoas aqui, falar em Deus parece um crime, coisa de fanático, afinal estamos falando de “ciência”. Diz a bíblia, que em Jesus Cristo estão escondidos todos os mistérios da ciência e da sabedoria. Deus se esconde, não tem outro jeito de os homens se revelarem e serem testados, se o Senhor se manifestasse abertamente, imediatamente muitos se esconderiam em aparências e jamais se revelariam. A bíblia dá pistas do fantástico plano do Criador, aqui e ali somos informados de uma inacreditável civilização que está sendo preparada, cujo REI e SENHOR é o próprio DEUS. Somos informados que esta super civilização será governada pelos poderosos filhos do Senhor, esses filhos somos informados, estão sendo gerados aqui, é uma super raça de super seres chamados reis e senhores tendo o próprio Cristo como rei supremo sobre eles. Eles governarão o universo. Esses super seres são os filhos, que antes aqui neste mundinho eram simples criaturas, mas foram feitos filhos desde que aceitaram JESUS como SENHOR e Salvador. Este é o teste, criatura de DEUS somos todos, pois todos fomos criados por ele, o gato, a galinha, a vaca, os anjos, os vermes e os homens, filhos só aqueles que o querem e se entregam a ele e não se envergonham do seu nome. A bíblia nos afirma que herdaremos juntamente com ele todas as coisas, seremos entidades superpoderosas muito além de qualquer super homem de filme. O SENHOR nos afirma que seremos completamente indestrutíveis com super corpos glorificados, os buracos negros serão simples parques de diversões onde poderemos entrar e sair a vontade, nada nos atingirá. Para aqueles que se envergonham de DEUS, continuarão como criaturas e também é claro terão um lugar para ficar, este lugar é chamado de inferno, um mundo sombrio e carente da glória de DEUS.

    1. Não é que seja um crime falar de Deus. É desagradável fazer proselitismo religioso. Você pode acreditar em Deus quanto quiser, mas não precisa ficar aporrinhando quem não acredita, assim como nenhum religioso ia gostar se ateus entrassem na Igreja e resolvessem fazer uma palestra de como Deus é irrelevante para explicar o mundo natural. Certo?

      Aqui, o tema é ciência. E a ciência é uma coisa maravilhosa justamente porque não depende do que você acredita; ela estabelece fatos objetivos, sobre os quais todos podemos discutir sem depender da fé particular de cada um. Em resumo: você não tem como irritar outra pessoa discutindo sobre ciência com ela, pois todos partem da mesma premissa, que é o de que o método científico pode revelar fatos desconhecidos sobre a natureza.

      Agora, quando você discute religião, tem um enorme potencial para irritar os outros, pois naturalmente ninguém poderá entrar em acordo, uma vez que as conclusões são pessoais e dependem da fé de cada um.

      E é por isso que, embora eu não seja ateu, eu ache realmente muito chata essa obsessão com Deus, chamando-O a todos os assuntos, por mais que Ele não tenha sido chamado na conversa. Deixa Deus lá no canto dele. Ele sabe no que você acredita, certo? Não precisa ficar nos contando. 😉

      1. Em resumo: você não tem como irritar outra pessoa discutindo sobre ciência com ela, pois todos partem da mesma premissa, que é o de que o método científico pode revelar fatos desconhecidos sobre a natureza., epaepa,, nao?, suas ideias nao correspondem com os fatos, na verdade nao ta dando pra falar de nada aqui, que nao encaixe na tua filosofia EINSTEN-DARWIANA, salva voce precisa se esforcar, para tentar entender, outros prismas, e nao velos como opostos.

        1. Você precisa se esforçar para entender que não existe uma “filosofia Einstein-Darwiniana”. Existe a teoria da relatividade geral, corroborada por incontáveis experimentos e observações, e existe a teoria da evolução por seleção natural, corroborada por incontáveis experimentos e observações.

          Se você pretende — no âmbito científico — substituir alguma dessas teorias por outra, nova, você precisa apresentar fenômenos que essas duas teorias não expliquem, acompanhados de uma explicação alternativa que seja capaz não só de responder por esses fenômenos, mas também por todas as outras observações e experimentos realizados antes que essas teorias já explicam!

          Ou seja, se você quiser, por exemplo, derrubar a relatividade geral, terá de encontrar algum fenômeno onde ela não se aplique e encontrar uma teoria melhor que inclua todas as coisas em que a relatividade se aplica (dilatação do tempo, distorção do espaço-tempo por matéria-energia, contração do espaço, E=mc^2, e por aí vai).

          Da mesma forma, se você quiser derrubar a teoria da evolução por seleção natural, terá de ser por uma teoria que abarque todos os fenômenos descritos e explicados pela teoria da evolução por seleção natural. Ou seja, qualquer coisa que substitua Darwin terá de incluir evolução; qualquer coisa que substitua Einstein terá de incluir tempo e espaço relativos. E é isso.

          Veja que, nos dois casos, isso já é verdadeiro para a ciência legítima. Os físicos estão explorando a possibilidade de encontrar uma teoria quântica da gravitação. Mas ela certamente terá de englobar a relatividade geral, não refutá-la. E os biólogos já estão explorando fenômenos em que a evolução acontece por outros mecanismos que não sejam exclusivamente a seleção natural, como a chamada epigenética. Mas as novas teorias que sairão disso vão englobar a teoria de Darwin, não refutá-la.

          E, se você vier aqui para falar qualquer coisa diferente disso, não é ciência. Você só finge que é. Pode até ter quem acredite que é. Mas não sou obrigado a entrar no teatrinho com você ou com ninguém. Mas olha só: não falta no mundo gente para se refestelar em pseudociência com você. Enjoy! Só não aqui. 😉

          1. Difícil, hein, Salvador… atacado por bertinhos de um lado, apolinários, alceus e eilomares de outro. Fora dalcins e arkans. Êita!

            Agradando a todos, você vai reencarnar como uma lesma fóssil num mundo plano chamado nibiru.

          2. Huahauauh, ainda bem que não acredito em reencarnação, senão não ia dormir à noite. rs

    2. Segundo Sidartha Gautama, um sábio sábio que expôs um vasto ensino com seus 84 mil capítulos chamado de Sutra de Lótus, no período de Mahayana, diz que não existem céu nem o inferno. Ambas são condições ou fatores da vida que residem na mente das pessoas, pelo princípio da causalidade. É muito natural pensar dessa forma do que submeter alguém por alguma causa positiva ou negativa, e condenar por justiça dos preceitos religiosos. Se a pessoa mata, na próxima existência vai nascer e pode ter o seu efeito negativo de falecer prematuro. Essa é a lei da causa e efeito.

  9. Nessa desmistificação das conspirações: astrônomos amadores conseguiriam perceber uma asteroide em rota de colisão?

    Muito interessante esse tema! Verei o vídeo se não foi muito maior que um Pirulla de duração.

  10. Lendo atentamente os comentários, percebi que há uma grande confusão entre asteroides, meteoros, meteoritos ,cometas e afins. Ia fazer um post esclarecendo as diferenças aqui, mas percebi que eu também não sei. Quem sabe alguém esclarece isso, assim quando um cair na minha cabeça, saberei exatamente o que me atingiu.

    1. Asteroide – pedrona de rocha no espaço.
      Meteoroide – pedrinha (grão) no espaço.
      Meteoro – qualquer pedra espacial atravessando a atmosfera.
      Meteorito – qualquer pedra que atravessou a atmosfera e chegou ao chão.
      Cometa – pedrona de gelo misturado com rocha no espaço.

      Se cair alguma coisa na sua cabeça, só pode ser meteorito.

        1. Hehehe, para todos os efeitos práticos, a não ser que ele tenha entrado na cabeça dele, o meteorito acabou chegando ao chão. rs

  11. Naturalmente, para os amantes de teorias da conspiração, o Cristóvão Jacques também faz parte dos illuminati que escondem a verdade do povo…

    Contra imbecilidade não há remédio. Nunca se convence um fanático. No máximo convence a adotar outro fanatismo.

    Maaaas… Para dizer que não há pontos positivos, essas mentes criativas são ótimas fontes para filmes de ficção científica. Temos que confessar.

  12. Não podemos nos esquecer dos cometas novos que podem se aproximar vindo da direção do Sol onde nossos telescópios são cegos e ameaçar o planeta. Claro que são muito raros mas a possibilidade não pode ser esquecida. Assim apesar de 90 % dos asteroides grandes terem suas órbitas previstas ainda resta esta ameaça de objetos grandes, além do que mesmo os previstos podem sofrer alterações nas órbitas provocadas por Júpiter por exemplo. Isso leva a necessidade de constante monitoramento e por isso é importante manter estes observatórios. J

  13. Enquanto isso não acontece, vou a caça de trilhas, cachoeiras, campos, pisar na areia, etc, e aproveitar o máximo que eu puder. Fui…..

    1. É. Nibiru virou asteroide e se mudou para a região interna do Sistema Solar agora. Cansou de ser planeta inexistente e topou ser asteroide. 😛

  14. Isto é o legal do ser humano , tem gosto e especialidade para todos os assuntos, ainda bem né.
    Parabens pelo trabalho

  15. Salvador, ja esta confirmada(fechada)a orbita da mula? Vao passar de quantos e qiantos anos?e a qual distancia?

  16. Tô torcendo para cair um bem grande em Brasília, em dia de votação para salvar a pele do Temer, nas coordenadas do congresso nacional. Isso sim, livraria a humanidade da raça mas suja de todos os tempos, O politico Brasileiro. Mas fala sério.Morre mais gente no Brasil de facada, tiro, trafico, assassinado, etc. etc. etc que qualquer guerra hoje no mundo, vou ficar preocupado com asteroide, caindo na minha cabeça? Se vier um grande, quero ver quem vai escapar, e essas balelas de interceptar e destruir, é fantasia de gente que tá fumando demais. Nessa hora é pedir a DEUS em quem eu creio, e quem não crê pede a salvação da pele a buda, ala, satanás, xuxa, papai noel……. kkkkkk . Fala sério.

    1. Então. Eu peço salvação à ciência e à tecnologia. Deus, Buda, Satanás, Xuxa e Papai Noel não são notórios por intervenções em impactos de asteroide, como mostra o registro fóssil.

      1. Salvador, por isso pede a seu deus, ciência e tecnologia, sua salvação, pois tudo que li até o momento é que estamos hoje anos luz de ter ciência e tecnologia para desviar um asteroide que traga a extinção, se hoje acontece-se. Lógico sobraria um punhadiiiiinho de afortunados com reservas e recursos, para tentar sobreviver a um pequeno período, meses, na melhor das hipóteses alguns anos. Acho interessante a pesquisa nessa direção, para ter amostras de material extraterrestre. Mas ficar preocupado, como alguns comentários, pulou corguiiinho, e muiiiiito. Sou formado em biologia, sou Cristão, sei que todo ser humano crê em alguma coisa. Por isso, creio em DEUS, vc crê na ciência e tecnologia, creio também, mais a onde a ciência e tecnologia não vai, quem sabe,

        1. Você está enganado. Temos um punhado de boas ideias para desviar asteroides. Precisamos só continuar a observar o céu para descobri-lo em tempo para agir.
          E eu tenho certeza de que rezar para Deus não faz tecnologia e ciência se materializarem. Acreditar no potencial do HOMEM para entender o Universo faz.
          (Nada contra quem reza para Deus; é um direito de cada um, e se faz bem à pessoa, tanto melhor. Só não tolero, por exemplo, que pessoas sobreponham rezar a Deus a, por exemplo, dar antibióticos a filhos com infecção. Do mesmo modo, acho eticamente inadmissível optar pelo caminho “rezar para Deus” no caso do asteroide, em vez de estudar como se defender deles.)

          1. Deus mandou o dilúvio, e se Ele quiser mandar asteróides agora pra acabar tudo com fogo? As pessoas falam de Deus como se ele não soubesse de todas as coisas, nem que elas estão falando dEle…

          2. Link para o paper comprovando que houve dilúvio e linkando-o a Deus? (Sem evidências, é só sua fé pessoal, meu caro. ;-))

      2. A questão é: o que é Deus? E se tivesse outro nome? Porque a palavra “deus” vem dos deuses das civilizações antigas, um ser quase físico, às vezes humanos, representáveis, acessíveis diretamente. Já se for considerado como um princípio, uma certa inteligência que define as leis físico-químicas, as leis orgânicas, que define o “por que é assim”? Por que as leis da física existem? Por que os eletrons são assim? Por que a gravidade existe? Por que as forças fraca, forte, eletromagnetismo existem? Não o que são, mas por que são assim?
        Para pensar: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2301201105.htm (texto do Marcelo Gleiser)

        1. Não sei o contexto da conversa para saber onde isso se encaixa. Mas sim, e se tiver outro nome? Uns chamam de Monstro do Espaguete Voador. E tá valendo. É um nome tão bom quanto Deus ou qualquer outro. Desmistificar Deus é uma ótima ideia, eu acho. Se existir, não é definível por qualquer mitologia que tenhamos criado, incluindo a clássica judaico-cristã. 😉

    2. Mas se você chamar o Bruce Willys, ele consegue dividir o asteróide nomeio, e as duas bandas passarão pela Terra ao som de “I Don’t Want To Miss A Thing”, terá uma grande chance de salvar a humanidade.

      1. And even if I dream of you,
        The sweetest dream would never do
        ‘Cause I miss you, baby…
        And I don’t wanna miss a thing!!!
        (Confesso; adoro essa música. rs)

    3. Nao precisa de asteroide o COLISOR LHC da CERN ,vai dar conta do recado, transformando tudo em materia estranha!hehehe!

  17. A verdade é que é meio assustador que conhecemos bem poucos os asteróides menores que 100 metros, esse são uma ameaça seria, e é perfeitamente possível um desse causar um estrago por aí, mas uma catástrofe de proporções globais acredito ser mais fácil acontecer vindo do nosso querido sol, via ejeções de massa coronal.

  18. Em abril de 2029 o Apophis deverá se aproximar bastante da Terra em abril de 2029. Cálculos anteriores mostravam que o asteroide tinha cerca de 3% de chances de atingir a Terra, novos cálculos afastaram tal risco, mesmo assim o asteroide deverá passar a apenas 29 mil quilômetros de distância da Terra.

      1. Também tô nessa torcida… rsss espero que a velha e boa matemática não falhe! rsss Na verdade, fico com medo desses asteroides grandes trazerem consigo asteroides companheiros menores, que os orbitam a uma certa distância e que não foram previamente detectados.

  19. Prezado Salvador, o que se sabe sobre o meteoro/rito Bendengó (ou Bendegó)? Em que ano ele caiu na Terra – aqui no nosso Nordeste – e quais foram os danos causados?

    1. Ele foi *achado* no século 18, mas não sabemos quando caiu — e, por consequência, que estragos deixou.

    1. Vai cair. Como o Skylab caiu. Vamos torcer pra cair no Pacífico, que é o mais provável. rs

  20. Este site é muito interessante para se ter uma ideia do que pode acontecer em caso de impacto de asteroide. Basta colocar as variáveis (tamanho, velocidade, composição do asteroide, sua distância do local do impacto, superfície de impacto, etc.) e o site calcula as consequências, tamanho da cratera, onda de choque, efeito sísmico, se gera tsunami, etc).

    impact.ese.ic.ac.uk/ImpactEffects/

    Divirtam-se.

  21. Salvador, a pergunta que não quer calar…

    Por favor, aonde você compra essas miniaturas da Enterprise??? Eu querooo!!!

    1. Hahah, cara, eu estou sofrendo muito (quer dizer, meu bolso está sofrendo) com a coleção de naves de Star Trek da Eaglemoss. Dê uma olhada em http://www.eaglemoss.com/pt-br/.
      Mas as duas Enterprises maiores que você vê nos vídeos, uma era uma promocional que a Paramount me deu na época do Star Trek (2009) e a outra é a clássica da Diamond Select.

        1. Tenha em mente que as da Eaglemoss são pequenininhas, cabem na palma da mão. Mas são bem-feitas e têm um pedestal bem legal para colocar na prateleira, além de um encarte muito bem feito também sobre as naves.

          1. É isso. Eu estou comprando kit por kit. Vem duas em cada. O Kit 1 tem a ENT-A e a Klingon BOP. Esperando o Kit 2 agora, com a ENT-D. 🙂

    1. O pico exato mesmo se dá às 14h do dia 12 (pelo horário de Brasília). A noite do 12/madrugada do 13 é a primeira noite que temos depois que o pico aconteceu. Mas claro que o pico das chuvas não é muito diferente um dia antes ou um dia depois. A rigor, você pode observar em qualquer dos dois dias.

  22. Muito boa a conversa. Parabéns!
    Esse tipo de trabalho é importante porque, no caso de um asteroide em rota de colisão, quanto antes for descoberto, melhor. O tempo é um dos fatores cruciais para um plano de defesa. Quem puder, colabore com a vaquinha. Não importa o valor.

    Tem uma nova série de TV Americana, do canal CBS, abordando o tema: Salvation. A série está boa. Eu estou gostando. Fica a dica.

  23. Já é trocentésima vez que este tema é abordado aqui neste blog, além da mídia usá-lo até a exaustão tanto em reportagens como na ficção (Impacto Profundo, Armagedon, e por aí vai). Não seremos atingidos por nenhum asteróide de grandes dimensões pelo menos até daqui a algumas centenas de anos, e portanto devemos nos focar mais nas ameaças verdadeiras, que paradoxalmente são provocadas por nós mesmos, como o aquecimento global e o risco de um conflito nuclear. Ou então, esqueçamos tudo isso e vamos curtir a vida, cada um à sua maneira, afinal, com ou sem apocalipse ela irá durar pouco mesmo

    1. Você está tão enganado… apesar de saber que o tema é abordado frequentemente no blog, você aparentemente não absorveu seu conteúdo, e permanece ignorante sobre a questão.
      Relembre, por exemplo, esta postagem, com um mapa de todos os impactos registrados nas últimas três décadas somente:
      http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2017/01/16/astronomia-estudo-da-nasa-revela-impactos-de-asteroide-na-terra-nas-ultimas-tres-decadas/
      Impactos de asteroide acontecem quase o tempo todo! Como você disse, raros são apenas impactos de grandes asteroides, capazes de causar devastação global. Mas ninguém deixa de se preocupar com terremotos só porque eles não podem causar a extinção da espécie humana em escala global. Impactos locais são importantes também. Rolou preju em Chelyabinsk. Se fosse sobre uma região mais densamente povoada, os danos seriam ainda maiores, mesmo com esses objetos que caem aqui com frequência razoável, de uma vez por século em média (caso da classe Tunguska-Chelyabinsk).
      Dessa forma, é fundamental compreender os riscos — isso envolve informar a população de que o mundo provavelmente não vai acabar por causa de um asteroide, mas isso não quer dizer que não devamos nos preocupar com eles — e desenvolver estratégias de monitoramento e mitigação. Note o caso relatado pelo Cristóvão na entrevista, de um asteroide em 2008 que foi visto antes de cair na Terra, e foi possível não só determinar onde ele ia cair — e avisar o país em questão — como resgatar meteoritos resultantes dele depois.
      Tendo dito isso, claro que temos de estar atentos a ameaças como a mudança climática — que já abordamos aqui no CONEXÃO SIDERAL também — e a ameaça nuclear — ótima sugestão para um futuro CONEXÃO! Mas asteroides também são importantes. Dizer que não são é como dizer que deveríamos focar na segurança dos automóveis, que transportam muito mais gente no mundo, e deixar para lá a segurança dos aviões, que oferecem riscos a muito menos gente. Não faz sentido nenhum. Temos de fazer uma coisa E outra.

      1. Ótima reflexão. Asteróides são muito perigosos, principalmente por haver alguns, como dito, que possam causar a extinção em série, não só da espécie humana. Temos que nos ater às questões que possam causar o mesmo efeito, mas que estão mais próximos de ocorrer, porém o único evento que podemos evitar é uma guerra (ou quase podemos evitar). Digo isso pois não temos como prever quando ocorre um terremoto, podemos apenas tentar minimizar os efeitos (que dependendo do caso, não há a possibilidade de se fazer nada). No caso de um Tsuname, a única coisa a se fazer é tentar retirar o máximo de pessoas das áreas afetadas. Mas o nosso amigo “mensageiro cético” não acredita muito em um choque de um meteorito com a terra (desses que podem causar estragos grandes), pois as chances são pequenas, embora haja inúmeras rochas viajando por aí. É o mesmo que ocorre com o fim do mundo: Todos os anos temos duas certezas, uma de que haverá o “show do Roberto Carlos”, e o de que o mundo irá acabar em determinado dia, de determinado mês. Mas, cada um acredita no que está mais propício para si.

      2. O título da reportagem é que está muito mal colocado, pois induz que se trata de um objeto de grandes dimensões:”E se um asteróide entrar em rota de colisão com a Terra?’ Um trecho extraído do site da NASA ilustra bem o que quis dizer:

        “Every day, Earth is bombarded with more than 100 tons of dust and sand-sized particles.
        About once a year, an automobile-sized asteroid hits Earth’s atmosphere, creates an impressive fireball, and burns up before reaching the surface.
        Every 2,000 years or so, a meteoroid the size of a football field hits Earth and causes significant damage to the area.
        Only once every few million years, an object large enough to threaten Earth’s civilization comes along. Impact craters on Earth, the moon and other planetary bodies are evidence of these occurrences.
        Space rocks smaller than about 25 meters (about 82 feet) will most likely burn up as they enter the Earth’s atmosphere and cause little or no damage.
        If a rocky meteoroid larger than 25 meters but smaller than one kilometer ( a little more than 1/2 mile) were to hit Earth, it would likely cause local damage to the impact area”
        Segundo o Space safe Magazine, apenas 20 pessoas foram mortas em 100 anos, comprovadamente por meteoritos! Quantos morrem por aqui em consequência da violência e do transito, por ex?

        1. Incrível como você não consegue nem copiar e colar o título!
          O título na verdade diz: “E se fosse descoberto um asteroide em rota de colisão com a Terra?”
          Ou seja, ele pressupõe não o tamanho do asteroide, mas o fato de que ele será descoberto ANTES da colisão. Todas essas colisões que acontecem todos os dias, como diz o site da Nasa, não são descobertas ANTES de acontecerem. Só sabemos depois que a bagaça entra na atmosfera e explode. Mas nos raros casos em que descobrimos ANTES, o que acontece? Como os cientistas se mobilizam para investigar o caso? É o que o texto aborda, conforme sugere o título.
          Poxa, 20 pessoas morreram por meteorito? Eu não conhecia nenhum caso! Mas note que não é assim que se mede o risco. O risco (pergunte a qualquer um que trabalhe com isso, como gente no mercado de seguros) quantifica não só a probabilidade de ocorrência, mas o tamanho do potencial estrago. Quando esses dois fatores são computados, o risco por asteroide se torna comparável ao de outros desastres naturais. A chance de matar gente em 100 anos é baixa, como seu dado mostra, mas a chance de matar gente suficiente de uma vez só (para compensar vários séculos matando pouco) num grande impacto que, EM MÉDIA, acontece só, digamos, a cada 100 mil anos, acaba equilibrando as coisas. Ou seja, automóveis mataram muita gente nos últimos 100 anos, mas a quantidade de vida extinta por asteroides nos últimos 500 milhões de anos justifica a preocupação. (E note que a baixa frequência de impactos é apenas uma média estatística; nada impede que uma aconteça amanhã, contrariando as probabilidades. Só não é particularmente provável.)
          Por fim, de novo, não é uma questão ou/ou. Podemos cuidar de violência e do trânsito E podemos cuidar de asteroides. E garanto a você que muito mais dinheiro vai para cuidar de violência e de trânsito do que vai para cuidar de asteroides (no caso em questão, estamos falando de R$ 17 mil para dois anos de monitoramento celeste; com esse dinheiro você não paga nem um dia de funcionamento de uma única delegacia de polícia).

  24. Estes asteroides podem ser destruidos muito antes de chegarem a terra, os satelites que
    hoje administram as terra tem a possibilidade de informar a Nasa para detonação do memo.

    1. Não é correta essa sua afirmação. Não há qualquer tipo de satélite hoje capaz de interceptar e/ou destruir um asteroide.

    1. São cegos e surdos. O poderzinho que pensam possuir lhes causam tal cegueira e surdez. Melhor deixa-los em suas mesquinhez e pequenez. Afinal, o mundo precisa de suas limitações culturais para seguir adiante. O que seria do povo sem seus “eunucos intelectuais”.

  25. Salva, pelo que estou entendendo, não existe sistema de monitoramento capaz de detectar uma ameaça com tempo hábil pra que a gente possa fazer alguma coisa. É isso? O texto dá a entender que nas duas hipóteses de “quase” a detecção foi de super short notice.

    1. O “quase” foi de short notice porque envolve asteroides pequenos. Como diz a entrevista completa, os asteroides com 1 km ou mais — capazes de devastar a civilização toda — já foram identificados quase na totalidade (mais de 90%) e sabemos que nenhum vai bater.

      É fácil de entender isso. Asteroides pequenos têm menos brilho, de forma que só vemos quando estão mais próximos (daí o aparente short notice). Asteroides maiores podem ser vistos mais de longe, o que garante um prazo maior, mesmo que eles já estejam a caminho daqui.

      De toda forma, note que é um “aparente” short notice os quases. Na verdade, ao detectarmos um quase, estamos ganhando um imenso notice desses objetos, pois sabemos que eles podem voltar a essas redondezas no futuro, mas que certamente não será antes de alguns anos, no mínimo! Então, todos os “quase” na verdade são detecções com muito tempo de antecedência antes de uma colisão.

      1. Obrigado pela resposta! Aqui no trabalho não consigo ver a entrevista completa. Com certeza verei quando chegar em casa! Grande abraço e parabéns pelo excelente trabalho!

  26. Ou seja, Nibiru é totalmente fake, mas é incrível como proliferam videos, debates, teorias da conspiração e etc, inclusive originados por pessoas ditas sérias.

    1. Nunca vi ninguém dito sério defendendo Nibiru.
      Agora, dito por quem? Se for dito pelos malucos, aí pode ser. rs

  27. Estes cientistas, nunca imaginaram o que pode acontecer se, em rota de colisão com o planeta Terra, a Lua possa ser atingida antes, servindo de escudo, ou passando muito perto demais , esteja em rota de colisão com a Lua e que este corpo celeste tenha tamanho suficiente para ,talvez até, modificar a órbita da Lua.

    1. A Lua é muito maior que qualquer asteroide. O máximo que aconteceria seria abrir uma bela nova cratera por lá. (E provavelmente muitos pedregulhos menores seriam ejetados e cairiam na Terra, mas queimariam na atmosfera.)

  28. Não li a materia, por ser de nenhum proveito, apenas especulação. So quero deixar claro que não existe essa possibilidade. Nunca haverá. A terra tem uma proteção que impossibilita qualquer tipo de interferencia para abalar a terra. Nunca será abalada, por nada.

    Atenciosamente

    1. Huhuauahua, liga lá pros dinossauros e avisa isso pra eles! Eles ficarão felizes em saber! 🙂

    2. Não li seu comentário, por ser de nenhum proveito, apenas especulação. Não passa de mais um pombo cagão arrulhador de matéria fecal.

      Ps.: A internet já chegou aí na Idade Média? Que bom!

  29. Numa dessas lendas da internet certa vez li que um asteroide com possibilidades devastadoras poderia atingir a Terra por volta de 2.180. A primeira pergunta é se existe algo por trás desse boato, se você viu alguma coisa a respeito? A segunda, considerando que são quase 200 anos, como seria encarada essa ameaça?

    1. Tenho uma vaga recordação de algo parecido. Primeiro que há muita incerteza sobre a posição precisa de um asteroide em mais 180 anos. Então, no limite, há só um risco, mas ainda assim bem pequeno (menor que 1%) de colisão. Então, essa ameaça seria encarada com MUITA CALMA NESSA HORA. Monitoraríamos o asteroide por umas boas décadas para ver se ele vai bater mesmo, refinando as projeções. E aí, algumas décadas antes do impacto, lançaríamos uma missão para desviá-lo. Algo bem praticável, dado que temos um aviso prévio monstro. Quanto mais longe no futuro é o impacto, menor é a intervenção que você precisa fazer na trajetória do asteroide para que ela mude completamente a posição prevista dele em algumas décadas. Então, esse seria basicamente o melhor dos casos. O dramático seria descobrir um asteroide ou cometa desses vindo na nossa direção, com um aviso prévio de apenas meses ou semanas, em vez de décadas…

    1. Respondeu. Haveria um alerta geral para a comunidade astronômica para monitorar a trajetória do asteroide.
      Nisso o risco acabaria afastado (é a maior probabilidade, tanto que temos muitos episódios de “quase” e praticamente nenhum de “vai bater/bateu”). Claro, se o risco não fosse afastado, aí o monitoramento partiria para determinar onde na Terra ele ia cair. Aconteceu em 2008 um caso assim. Ouça a entrevista completa. 😉

    1. Juca. Seu nome é bastante apropriado.
      Talvez você possa nos dizer algo concreto. Que tal? Estamos esperando ansiosamente por suas fantásticas considerações sobre o assunto.

    2. O dado concreto é de que nunca antes na história desse blog teve um comentário de menas inteligência de que esse.

  30. Bom saber. Mas e aí, descobre-se que o asteróide vai bater mesmo no planetinha azul. O que será feito? Vão calcular a região do planeta onde provavelmente o pedregulho vai bater e mandar um “Tchau, sinto muito!” pro pessoal da região? E se for grande o suficiente como o dos dinossauros? Existe algum estudo ou planejamento para evitar ou minimizar uma colisão dessas?

    1. Então, a entrevista completa aborda isso um pouco mais. Há um planejamento para ir mapeando as populações todas, de acordo com tamanho/risco. Sabemos hoje que mais de 90% dos asteroides com 1 km ou mais estão já mapeados, e nenhum deles está em rota da colisão com a Terra. Isso é uma boa notícia, sabemos assim que o fim da civilização não está próximo.

      Agora o foco é na faixa 140 m – 1 km. Uma população bem maior, capaz de danos regionais, mas não globais. Até agora, nenhum vai bater.

      Também há buscas para asteroides ainda menores que isso, capazes de danos locais. Esses são os que oferecem ameaça mais imediata. Mas, em geral, não são casos de “Tchau, sinto muito”. Aconteceu em 2008, como conta Jacques, de detectarem um asteroide que de fato ia bater aqui. Caiu no Sudão, o país foi avisado antes, o asteroide explodiu, caíram meteoritos no deserto e ninguém ficou ferido. Mas era um asteroide bem modesto mesmo, bem menor que o Tunguska. Mas já dá uma dica de como as coisas rolariam. (Recentemente órgãos do governo americano e da Califórnia tomaram parte numa simulação de evacuação da região de Los Angeles, em caso de alerta de asteroide; então, os países mais espertos já estão treinando para lidar com um caso assim.)

  31. Vaquinha pra manter o observatório aberto?! Que vergonha! Enquanto isso, em Brasília, se gastam bilhões com aqueles políticos inúteis e corrompidos. Pobre país, relegado definitivamente à condição de país de terceiro mundo.

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