Cometa Ison vai muito bem, obrigado

Imagem do Hubble obtida em 9 de outubro mostra boa saúde do Ison

A Nasa acabou de divulgar uma nova imagem do Ison — potencial cometa do século — que revela a boa saúde do astro até o momento. Em desabalada carreira rumo às redondezas do Sol, temia-se que o objeto fosse se desintegrar antes mesmo de atingir o periélio, mas a foto revela que o núcleo do cometa segue intacto.

Temos nos alternado entre boas e más notícias sobre o Ison nos últimos tempos, enquanto os astrônomos tentam adivinhar o futuro do objeto. Contudo, o que há de certo até agora é que ele não está tão brilhante quanto sugeriam as mais otimistas previsões, feitas depois que ele foi descoberto, no ano passado.

Um estudo feito por Jian-Yang Li, do Instituto de Ciência Planetária, nos Estados Unidos, ajuda a explicar o baixo brilho. Usando o mesmo Hubble, sua equipe conseguir determinar o eixo de rotação do cometa e concluiu que ele está rumando para o Sol com um dos polos apontados para ele. Na prática, isso significa que metade do objeto fica “escondido” dos raios solares, o que explicaria a baixa atividade até o momento.

Se eles estiverem certos, o cometa deve adquirir um brilho bem maior na última semana antes de atingir o periélio — aproximação máxima do Sol –, quando o outro hemisfério for exposto aos raios solares, conforme ele faz o contorno ao redor de nossa estrela.

O astro deve passar raspando a 1,1 milhão de km da superfície do Sol no dia 28 de novembro, e aí sabe-se lá se o núcleo resistirá ao calor e ao poder gravitacional da estrela. No Brasil, a melhor época para tentar observá-lo será na madrugada, antes do nascente, nas duas últimas semanas de novembro. Após o periélio, se sobreviver, o cometa será visível somente no hemisfério Norte.

Por ora, a nova imagem do Hubble revela apenas sua boa saúde. A coma esverdeada é um bom sinal, assim como a cauda avermelhada — ambos registros claros de material volátil sendo despertado pelos raios solares conforme o cometa adentra as regiões internas do sistema.

Se sobreviver ao periélio, o Ison fará sua aproximação máxima da Terra em 26 de dezembro, a 64 milhões de km de nós (sem oferecer perigo, portanto).

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Comentários

  1. Ainda não consegui ver o cometa, mas não perdi a esperança.
    NA madrugada do dia 15 marcamos nova observação, quem sabe desta vez….?

  2. Até agora não consegui observá-lo com meu equipamento… Estou levemente frustrado, mas ainda temos chão pela frente. Vou programar algumas observações para o final de novembro, quem sabe tenho uma boa surpresa.

  3. o maior brilho do cometa se dará entre 16 e 18 de novembro, no hemisferio sul, cerca de 1/2 hora antes do nascer do sol, segundo publicação da Astronomy

  4. Ontem animei em ver o famigerado C/2012 S1, eram umas 21 horas, o céu estava claro, a lua minguante não preocupava muito para a hora da observação, de manhãzinha.

    Procurei um bom mapa na net, achei um bacana em: http://observing.skyhound.com/ISON.html

    Conferi no atlas celeste o “star hopping” mais adequado, o Ison por esses dias está na constelação de Leão, muito próximo à estrela Regulus e o planeta Marte.

    Coloquei o relógio para despertar às 4 da matina, a luneta e o bom e velho 7×50 à postos.

    O tempo virou na madrugada, ficou tudo nublado!!! Não foi hoje… ;-(

    A busca continua… céus claros à todos!

  5. Salvador, tem algum aplicativo para Ipad que ensine a ver o mapa estrelar para quem está vendo o ceu daqui de SP? Reconhecer constelações, etc…

      1. O meu preferido é Star Chart (Android).

        Você usa o Star Walk em que sistema? Não achei esse na busca em Android.

  6. Ontem também 19/10/13 por volta entre as 19:00 até as 20:00 h, creio que poderá ser o Ison, uma estrela muito maior que as estrelas normal, ficou praticamente parada com um luz muito forte, e de repente foi sumindo vagarosamente no horizonte eu e minha família observamos. isto aconteceu no extremo oeste do Mato Grosso, divisa com Bolívia e Rondônia.

    1. Não, o Ison não apareceria e sumiria de uma hora para outra. Pela trajetória retilínea, parece um avião visto de longe.

    2. Pelo horário, também pode ser algum satélite artificial, ou até a ISS, não cheguei a conferir para as suas coordenadas e a data citada.
      Esse efeito ocorre perto dos crepúsculos., apesar de já ser noite, os satélites ainda estão numa região iluminada pelo Sol, e como são metálicos, refletem bem a luz que pode ser vista da superfície da Terra.
      Eles seguem uma trajetória retilínea, são bem brilhantes pos alguns segundos e têm o brilho desvanescido quando migram para a sombra feita pela Terra.

      É uma atividade de astronomia muito divertida observar esses objetos logo depois que escurece!

      Para reconhecer aviões, eles tem luzes de navegação, e que piscam, os maiores depois de sobrevoar seu local de observação geralmente trazem um ribombar baixinho que é bem característico.

      My 2 cents, S.A.

  7. Salvador, o que poderia fazer o núcleo do ISON a 1,1 milhão de anos- luz do sol resistir ao periélio??? Seria o material de que é feito??? Cada cometa então teria um núcleo mais, ou menos resistente ao calor do sol (periélio)???…Consegue-se precisar com eficiência de que material é o núcleo de cada cometa???…

    1. Só uma correção. A 1,1 milhão de anos-luz, sem perigo. A 1,1 milhão de km, problemão. Hehehe
      Depende do tamanho e da composição dele. Se for muito gelo e pouca rocha, e pequeno, se desintegra. Se tiver um núcleo rochoso respeitável e um tamanho razoável, pode sobreviver. A estimativa inicial de tamanho (5 km) sugeria uma sobrevivência. Mas só vendo para saber.

  8. Salvador o cometa será visível do Peru também? No final de novembro estarei em Cuzco e vale sagrado

  9. Salvador,

    Se sobreviver ao periélio quais os melhores horários e datas para vê-lo no Hemisfério Norte (estarei no Oriente Médio – Abu Dhabi). Obrigado.

    1. Rapaz, nem me preocupei muito com o hemisfério Norte. Chegando mais perto eu prometo incluir as informações para quem está aí do lado de cima.


  10. Salvador,

    Aproveitando que o dia hoje está razoavelmente calmo… Os nefelibatas e nibirutas estão voando por outras plagas…

    Estima-se que a Via Láctea tenha uns 100.000 anos-luz de diâmetro e que Andrômeda tenha cerca de 180 e 220 mil.

    É possível estimar também quantas horas-luz tem o Sistema Solar? Ou não se tem ainda bem definido onde fica o “fundão” do nosso sistema?

    Depois do Cinturão de Kuiper (cerca de 50-100 UA de raio) ainda tem alguma coisa sinificativa?

    Abr.
    Elcio

    1. Elcio, a Voyager-1, que saiu da esfera de influência eletromagnética do Sol, está a 17 horas-luz. Um nada, né? Abraço!

      1. Nogueira, se um ano-luz tem 9,5 trilhões de km de distância…Uma hora- luz teria este valor dividido por 8760 (365dX24h=8760 horas)???…Confirme, por favor…Uma hora-luz teria então 1, 084 474 886 bilhão de km???…

        1. Sergio, parece correto. Arredondando 9,5 tri para 10 tri, e 8.760 para 10 mil, temos 1 bi, então você está na ordem de grandeza certa. 😉

  11. Lembra da previsão de que o combustível do Sol vai acabar aqui um bilhão de anos?

    Bom, só pra lembrar que erraram feio neste caso, e olha que o prazo de previsão era infinitamente menor.

  12. Salvador, e as anomalias que a agência espacial chinesa notou no entorno do cometa? Imagens do satélite Tian Lian 1… Eu realmente não consigo dizer se são montagem ou não pois nunca vi imagens de alta resolução de nenhum cometa.

  13. Bom, só sei que comprei ontem mesmo meu telescópio/luneta para passar a ter este hobby novo.

  14. Salvador, então se caso ele sobreviva ao periélio, será mais fácil observá-lo daqui do Brasil no final de novembro ou 26 de dezembro? Mais especificamente, no interior de São Paulo, onde moro. 🙂

      1. o periélio estará a 1 milhão de km do sol (cerca de 3 X a distância Terra-Lua)
        acho difícil o Ison escapar dessa
        vai colapsar

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